Capítulo 15

Capitulo 15 ENTRE AUDITORIAS E DEVANEIOS

de A SOMBRA DO QUE JURAMOS , por Alkssa45

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 — Entre Auditorias e Devaneios

A auditoria externa avançava em ritmo metódico, mas incompleto.

Planilhas, relatórios, reuniões marcadas, reprogramadas — tudo ainda aguardava a contratação de profissionais renomados que pudessem assegurar um trabalho impecável. Um período de espera que, curiosamente, abriu espaço para algo menos controlável: pensamentos que escapavam do foco técnico e invadiam o cotidiano.

Na copa do escritório, Veridiana apoiava-se casualmente no balcão, uma xícara esquecida entre os dedos, enquanto conversava com Amélia sobre Beatriz. O tema era trivial — ajustes de projeto, prazos, detalhes de planilhas —, mas os gestos traíam algo a mais.

O sorriso de Veridiana surgia fácil, despretensioso, daqueles que não pedem licença para permanecer. Em dado momento, ela atravessou o espaço com um rebolado natural, sem intenção aparente… e ainda assim suficiente para deslocar algo dentro de Amélia.

A presidente tentou manter a compostura. Endireitou os ombros, cruzou os braços, buscou o tom neutro que dominava com perfeição em salas de reunião. Mas era inútil. Sempre que a arquiteta entrava, Amélia saía levemente do próprio eixo — e já não podia mais ignorar.

— O relatório estrutural precisa ser finalizado — disse Veridiana. — Mas ainda não temos a equipe completa.

Amélia assentiu, demorando um segundo a mais do que deveria.

— A busca por profissionais de renome é essencial — respondeu. — Não podemos repetir o erro do Guilherme.

O nome caiu no ar com peso.

Guilherme, o gestor técnico que acreditou demais na própria autonomia, deixando brechas que poderiam custar caro à empresa, ainda era lembrança viva. A auditoria identificara falhas que não podiam se repetir, e o cuidado com os próximos passos precisava ser absoluto.

— Sempre acham que ninguém percebe — comentou Veridiana, sem julgamento explícito. — Aqui, não mais.

Um silêncio se fez, breve e pesado. Um intervalo onde sonhos tímidos se insinuaram. Nada dito. Tudo sentido.

Em outro ponto da cidade, Laura girava lentamente a taça de vinho entre os dedos enquanto escutava Beatriz falar — ou melhor, rir — de um plano nada discreto.

— Eu ainda vou agarrar a Veridiana — disse Laura, entre risos, como quem testa a ideia no ar.

Beatriz arqueou a sobrancelha, divertidamente alarmada.

— Não me dá ideia… aquela mulher me deixa sem chão.

O riso das duas se misturou ao tilintar das taças. Laura parecia prestes a se perder em pensamentos quando Beatriz, ousada, inclinou-se levemente em sua direção, brilho provocador nos olhos.

— Por que você não chama ela pra vir aqui, no seu apartamento?

Laura hesitou. O sorriso suavizou, ganhou cautela.

— Eu não tô pronta.

Beatriz deu de ombros, confiante demais para recuar.

— Então deixa comigo. Eu seduzo a advogada.

As duas brindaram, cúmplices. O vinho desceu devagar, aquecendo mais do que o corpo — aquecendo possibilidades. Nada ali era promessa concreta, mas tudo era expectativa. E, por ora, isso bastava.

Porque entre auditorias incompletas e erros que cobravam seu preço, havia também esse outro território: o das escolhas ainda não feitas — mas cada vez mais difíceis de evitar.

 

 

Fim do capítulo

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