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O MAR DE PEDRA por Alkssa45

Ver comentários: 1

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Palavras: 503
Acessos: 137   |  Postado em: 30/01/2026

Capitulo 14 O INTERVALO SOBRE AS COISAS

 — O Intervalo Entre as Coisas

O cotidiano havia assumido uma forma curiosa: tenso, mas possível.

Melinda e Sofia ainda não sabiam exatamente como ser uma para a outra. Não havia intimidade declarada, tampouco distância. Era um território novo, feito de pequenos ajustes — o cuidado com o tom de voz, o respeito pelo silêncio alheio, a escolha consciente de não invadir.

Às vezes, era apenas dividir a mesa do café em silêncio.

Outras, trocar comentários triviais que escondiam observações mais profundas.

Casariam em pouco tempo.

Mas, antes disso, aprendiam algo mais difícil: conviver sem fingimento.

Eiriene observava tudo à distância. Não interferia. Articulava.

Conversas discretas, contenções jurídicas, telefonemas que nunca deixavam rastro. Cada movimento do ex-marido era antecipado com frieza estratégica. Não por vingança — mas por prevenção. Marcos não lidava bem com limites. Nunca lidara.

Na faculdade, Melinda caminhava pelo pátio quando Otávio surgiu ao seu lado como um sopro de energia.

— Então é verdade — disse ele, teatral. — A mulher mais elegante do campus agora anda de mãos dadas com o bom gosto encarnado.

Melinda revirou os olhos, rindo.

— Você nunca perde a chance de ser inconveniente, não é?

— Só quando o assunto não é interessante. E convenhamos… — ele inclinou a cabeça — sua acompanhante tem causado comentários.

— É justamente por isso que preciso de você — respondeu ela, baixando a voz. — O contato da sua irmã. Quero que algumas informações… circulem. Nada demais. Só o suficiente pra confundir.

Otávio arqueou a sobrancelha, divertido.

— Jogar fumaça antes da reunião dos conselhos?

— Exatamente.

— Sempre admirei seu senso de caos organizado — disse ele, já pegando o celular. — Vou dizer a ela que seja… criativa.

Melinda sorriu. A juventude de Otávio trazia algo que ela precisava naquele momento: leveza sem ingenuidade.

Em outro ponto da cidade, Sofia caminhava lentamente pelo corredor da empresa ao lado de Guilherme. Ele ainda tinha aquele jeito atento de quem observa o mundo como se tudo pudesse cair a qualquer instante — mas agora havia firmeza em seus passos.

— É estranho — disse Sofia, depois de um tempo. — Sempre que a vejo, sinto como se o ambiente mudasse. Não é ansiedade. Também não é calma. É… outra coisa.

Guilherme pensou por um instante antes de responder.

— Talvez não seja sobre ela — disse. — Talvez seja sobre quem você se permite ser quando está perto dela.

Sofia parou de andar.

— Como assim?

— Algumas pessoas não provocam sentimentos — explicou ele, simples. — Provocam versões nossas. E isso assusta.

Ela respirou fundo, como se algo tivesse finalmente se encaixado.

— Então não é confusão?

— Não — Guilherme sorriu, suave. — É reconhecimento. O resto vem depois.

Sofia seguiu em frente, o pensamento silencioso, mas menos pesado.

E enquanto isso, em outro cenário, a engrenagem maior se aproximava:

a reunião semestral dos dois conselhos.

Rumores começavam a circular.

Informações desconexas.

Imagens fora de contexto.

Nada sólido. Nada negável.

Exatamente como Melinda queria.

Fim do capítulo


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Comentários para 14 - Capitulo 14 O INTERVALO SOBRE AS COISAS :
Zanja45
Zanja45

Em: 06/02/2026

Será que Melinda é apenas um encontro com uma versão dela?

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