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O MAR DE PEDRA por Alkssa45

Ver comentários: 1

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Palavras: 594
Acessos: 162   |  Postado em: 30/01/2026

Capitulo 13 A CASA QUE NAO ESQUECE

 A CASA QUE NÃO ESQUECE

O escritório da mansão permanecia exatamente como sempre estivera: madeira escura, silêncio caro, o relógio antigo marcando o tempo com uma precisão quase ofensiva. Eiriene estava em pé, próxima à janela, quando ouviu passos no corredor.

Judith entrou primeiro, contida, como sempre fora.

— Senhora… o senhor Marcos—

Ela não terminou.

Marcos surgiu atrás dela e, sem qualquer cerimônia, empurrou-a para o lado como quem afasta um móvel fora do lugar.

— Não preciso de anúncio — disse, seco. — Esta casa ainda é minha.

Judith perdeu o equilíbrio por um segundo. Não caiu. Nunca caía. Apenas abaixou o olhar, como aprendera a fazer muito cedo na vida.

O som do empurrão ecoou mais alto do que deveria.

— Não ouse — a voz de Eiriene cortou o ar — tocar nela novamente.

Marcos riu, curto, sem humor.

— Agora você defende funcionária?

Eiriene se virou devagar. Não havia histeria, nem grito. Apenas aquele tom que antecede decisões irreversíveis.

— Judith não é apenas funcionária. E você sabe disso.

Judith fora quem estivera ali nas noites em que Eiriene tremia sem saber se o silêncio era paz ou prenúncio. Fora quem trouxera água, quem cuidara de feridas que não precisavam de médico — porque médicos fazem perguntas demais. A relação nunca fora dita, mas existia: um acordo silencioso de sobrevivência.

— Pode ir, Judith — disse Eiriene, sem olhar para trás.

Judith hesitou por um instante, depois saiu. O escritório voltou a ser um campo fechado.

— Então é isso? — Marcos avançou alguns passos. — Você acha mesmo que esse teatro de divórcio vai apagar o que fomos?

— Não fomos — corrigiu Eiriene. — Eu sobrevivi. Você se beneficiou.

Ele estalou a língua, irritado.

— Eu não aceito esse divórcio.

Eiriene sorriu de leve. Um sorriso sem calor.

— Aceitar nunca foi o seu forte. Fidelidade também não.

O rosto dele endureceu.

— Não ouse—

— O caso extraconjugal não foi um erro — continuou ela. — Foi escolha. Como todas as outras.

Foi ali que ele explodiu.

— Você sempre foi assim — cuspiu. — Fria. Distante. Depois se pergunta por quê um homem procura fora o que não encontra em casa.

O silêncio que se seguiu foi pesado.

— E agora — ele prosseguiu, a voz descendo para algo mais perigoso — contaminou minha filha com essa… sandice. Casar com uma mulher por causa de um problema seu. Não meu.

Eiriene sentiu o impacto, mas não recuou.

— Sofia não é extensão sua.

— Ela devia ser! — Marcos bateu a mão na mesa. — Devia assumir meus negócios, não brincar de diretora enquanto aquela Melinda se infiltra como se fosse da família.

O nome saiu com desprezo puro.

— Ela vai pagar — completou, mais baixo. — Uma escolha dessas sempre cobra preço.

A porta se abriu antes que Eiriene respondesse.

Damon entrou sem pressa, o olhar avaliando a cena como quem já conhece o final.

— Marcos — disse, tranquilo demais. — Ainda insiste em confundir ameaça com poder?

O corpo de Marcos enrijeceu. Não foi medo visível. Foi cálculo interrompido.

— Isso não é assunto seu.

Damon sorriu de lado.

— Tudo que envolve minha filha e Sofia… sempre será Portanto cuidado!

Por um instante, Marcos pareceu menor dentro do próprio escritório.

Eiriene observou em silêncio, certa de uma coisa:

o ódio de Marcos por Melinda não era novo.

Só havia perdido o disfarce.

E quando isso acontece, não é o amor que corre perigo primeiro.

É quem ousa não se curvar.

Fim do capítulo


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Comentários para 13 - Capitulo 13 A CASA QUE NAO ESQUECE :
Zanja45
Zanja45

Em: 06/02/2026

Esse pai de Sofia é extremamente perigoso, frio e calculista.

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