Capítulo 8

Capitulo 8 O SALAO DA ILHA

de O MAR DE PEDRA, por Alkssa45

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— O Salão da Ilha

Sofia entrou no meu escritório quase correndo, os olhos grandes, a respiração curta, as mãos apertadas no colo.

— Tio… — começou, a voz baixa, trêmula — depois da briga com meu pai, eu… eu preciso saber. Me conte tudo.

Olhei para ela, sentindo o peso da responsabilidade. Ela não era apenas minha sobrinha. Era filha da minha irmã, da menina que eu havia jurado proteger para sempre.

E naquele momento, percebi que o que eu contaria mudaria para sempre a visão dela sobre a família.

— Sofia… — comecei, devagar — o que vou te contar não é fácil. Você precisa estar preparada.

— Eu estou — respondeu ela, firme, mas com os olhos marejados, implorando que eu continuasse.

Fechei os olhos por um instante, respirando fundo, revivendo cada detalhe sem me perder na memória.

— A ilha… era o império do meu pai — disse, a voz baixa, carregada de dor — mas não apenas de riqueza. Era o lugar onde ele ensinava aos filhos que poder significa dominar, destruir, reduzir os outros a objetos.

Sofia engoliu em seco, apertando as mãos contra as pernas.

— E… e minha mãe? — perguntou, a voz quase sumindo. — Como ela…

Suspirei, sentindo a dor voltar.

— Quando entrei naquele salão — disse, devagar — sua mãe estava presa. Amarrada, vulnerável. Tentando se proteger do que não havia como evitar. O olhar dela…  estava vazio. Perdido. Sem esperança. Um pedido silencioso de socorro que ninguém deveria testemunhar.

Ela levou a mão à boca, os olhos arregalados, o corpo rígido.

— Meu Deus… — murmurou. — Tio…

— E Cleon? — continuou, quase sussurrando, com o corpo tremendo. — Ele…

— Ele sorria — o primeiro da fila que aterrorizante  se formara , homens despidos de humanidade.   a voz firme, mas carregada de ódio contido — sorria de prazer com aquilo. Não era só curiosidade. Era a certeza de que poder significa dominar. O sorriso dele era a prova viva do que o nosso pai havia ensinado: maldade sem limites.

O silêncio caiu sobre nós. Sofia respirava com dificuldade, engolindo cada palavra.

— E você… — conseguiu perguntar — conseguiu tirá-la dali?

— Sim — respondi, sentindo a garganta apertar — mas ninguém saiu intacto. Eu senti ódio absoluto, Sofia. Raiva. Desejo de quebrar tudo, de destruir tudo que fosse daquele pai. Mas também senti a necessidade de proteger sua mãe… e de garantir que você, um dia, pudesse nascer em um mundo diferente.

Ela fechou os olhos, tentando encaixar cada palavra dentro de si.

— Eu… eu não sei se consigo — disse, a voz tremendo — é… muito para processar.

— Você não precisa carregar tudo — toquei levemente seu ombro — só precisa entender que, mesmo no pior, algumas pessoas escolhem lutar. Escolhem proteger. Escolhem que o mal não vença.

Ela respirou fundo, engolindo em seco, e então olhou para mim, os olhos marejados mas brilhando com força e reverência.

— Eu quero acreditar que dá para sobreviver… e ainda ser gente boa — disse baixinho.

Sorri levemente, firme:

— Conseguimos. Conseguimos porque escolhemos. Sempre escolhemos. E você, Sofia, terá a mesma escolha.

E naquele momento, vi no olhar dela algo que não se vê facilmente: compreensão, medo e força.

O peso da ilha agora podia se transformar em força — para mim, para sua mãe,

 

Fim do capítulo

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