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A SOMBRA DO QUE JURAMOS por Alkssa45

Ver comentários: 1

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Palavras: 960
Acessos: 186   |  Postado em: 28/01/2026

O que se decide em silêncio segunda parte

Mais alguns dias depois

 

 

 

O avião pousou antes do amanhecer. Amélia preferia assim: menos luz, menos olhos, menos perguntas.

 

A comitiva de segurança já os aguardava na pista. Dois veículos à frente, dois atrás, comunicação fechada, rotas alternadas mapeadas. Nada era improvisado. Nada ficava ao acaso quando o risco tinha nome e sobrenome.

 

— Isso é exagero? — perguntou Megan, observando os homens de terno.

 

— É cuidado — respondeu Amélia, firme. — E cuidado não se discute.

 

O hotel escolhido ocupava uma quadra inteira. Entrada lateral exclusiva, elevador privado, andares fechados. Funcionários treinados, rostos neutros. O luxo ali não era ostentação — era blindagem.

 

Samantha percebeu.

— Não é só um lugar para ficar, né?

 

— Não — respondeu Veridiana. — É um ponto de passagem.

 

Amélia não pretendia criar raízes provisórias. Já havia decidido.

 

No terceiro dia, o helicóptero sobrevoou a área escolhida.

 

Um terreno amplo, afastado do fluxo comum, acesso controlado por duas vias, mata densa protegendo o perímetro. Espaço suficiente para uma residência e um hotel integrado — autonomia, privacidade, trabalho e abrigo no mesmo eixo.

 

— Aqui — disse Amélia.

 

— É grande — comentou John.

 

— É seguro — corrigiu Veridiana.

 

A aquisição foi fechada em horas. Escrituras adiantadas, cláusulas de confidencialidade, equipes separadas. O dinheiro não comprava apenas espaço — comprava silêncio.

 

— Casa e hotel — disse Veridiana, analisando os mapas. — Você quer controlar quem entra e quem fica.

 

— Quero escolher quem permanece — respondeu Amélia.

 

Naquela noite, de volta ao hotel, Amélia fez uma ligação curta.

 

— Preciso de alguém que entenda de luz, fluxo e proteção — disse. — Alguém que não confunda estética com vaidade.

 

Do outro lado da linha, um nome foi sugerido.

 

Amélia anotou.

 

— Chame-a. Diga que o projeto exige discrição absoluta.

 

— E prazo?

 

Amélia olhou para os sobrinhos dormindo no quarto ao lado.

 

— Diga que é para ontem.

 

Ela desligou.

 

Sem saber, naquele instante, uma arquiteta chamada Laura acabava de ser convocada para um espaço que mudaria tudo.

 

E nenhuma daquelas mulheres ainda compreendia o preço real das escolhas que começavam a se encadear.

 

 

A presença de Amélia Vasques Arqueiro em solo brasileiro não foi anunciada — foi sentida.

 

Contratos emergenciais de segurança foram ativados em menos de quarenta e oito horas. Ex-militares, especialistas em logística, motoristas treinados para evasão. Funcionários do hotel passaram por triagem silenciosa; celulares restritos em áreas específicas, turnos duplicados, câmeras adicionais instaladas sem alarde. Para os hóspedes comuns, nada mudara. Para quem sabia olhar, tudo estava diferente.

 

— Isso está parecendo uma base — murmurou Samantha, observando a troca de guardas no corredor.

 

— É uma transição — respondeu Amélia. — E transições exigem estrutura.

 

Veridiana coordenava tudo com precisão quase clínica. Listas, horários, nomes. Nenhuma ordem era dada em voz alta sem necessidade. Nenhuma decisão era explicada a quem não precisava entender.

 

— Arminda ainda não se manifestou oficialmente — comentou ela, enquanto analisava relatórios.

 

— Ela está reunindo informação — respondeu Amélia. — O silêncio dela nunca é descanso.

 

O terreno foi visitado novamente, desta vez a pé.

 

Amélia caminhou devagar, protegida por chapéu e óculos escuros, a pele cuidadosamente coberta. O sol era implacável, mas o espaço compensava: recuos naturais, árvores altas formando barreiras visuais, desníveis que favoreciam controle de acesso.

 

— Aqui fica a casa — disse, apontando para a parte mais elevada. — Quartos voltados para dentro, não para fora.

 

— E o hotel — completou Veridiana — ocupa a ala leste. Funcionários separados. Circulações independentes.

 

— Quero que eles sintam liberdade — acrescentou Amélia, referindo-se aos sobrinhos. — Sem esquecer que liberdade também é proteção bem feita.

 

John correu alguns metros à frente.

— Posso andar de bicicleta aqui?

 

Amélia sorriu.

— Pode. E vai.

 

A assinatura final aconteceu naquela mesma tarde. Escrituras definitivas, cláusulas de confidencialidade reforçadas, penalidades severas por vazamento de informação. O império que Amélia administrava não tolerava improviso — e muito menos curiosidade.

 

Na volta ao hotel, já noite fechada, Amélia permaneceu algum tempo sozinha na varanda protegida.

 

Pegou o telefone.

 

— Veridiana — disse, chamando-a com um gesto. — Essa parte não sou eu.

 

Veridiana entendeu de imediato.

 

— Arquitetura — completou. — E escolhas que incomodam.

 

— Você sempre preferiu mulheres.

 

— Não por gentileza — respondeu Veridiana, já pegando o próprio celular. — Por competência subestimada.

 

Amélia assentiu.

 

— Então faça do seu jeito.

 

Veridiana se afastou alguns passos, falando baixo.

 

— Preciso de uma arquiteta — disse, objetiva. — Projeto grande. Discrição absoluta. Autonomia criativa.

 

Houve resistência do outro lado. Ela esperava.

 

— Não — disse Veridiana, firme. — Não estou pedindo indicação masculina. Já conheço o padrão.

 

Silêncio.

 

— Laura Fernanda — veio, enfim, o nome. — Trabalha numa grande construtora. Talentosa. Invisibilizada.

 

Um leve sorriso surgiu no rosto de Veridiana.

 

— Perfeito.

 

Ela desligou e voltou-se para Amélia.

 

— O chefe dela se chama César — acrescentou. — Misógino clássico. Vai tentar barrar.

 

— Então teremos resistência antes mesmo da obra — comentou Amélia.

 

— Obras importantes sempre começam assim — respondeu Veridiana. — Com alguém dizendo que uma mulher não dá conta.

 

Ao longe, os sobrinhos riam de algo pequeno demais para justificar o alívio que aquele som trazia.

 

— Traga-a — disse Amélia.

 

— Vou arrancá-la de lá — corrigiu Veridiana.

 

Nenhuma das duas sorriu.

 

 

 

Fim do capítulo

Notas finais:

Desculpe me quebrar o capítulo,  estou fazendo pelo celular pelo menos até o próximo sábado.  


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Comentários para 3 - O que se decide em silêncio segunda parte :
Zanja45
Zanja45

Em: 09/02/2026

Amélia é implacável nos negócios. A mulher resolve tudo muito rápido, e do jeito que ela quer. 

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