Capitulo 28 – A Intriga do Palácio
Narrado por Seraphina
Os dias haviam passado desde nossa confissão e da entrega naquela noite. Eu achava que, de alguma forma, poderíamos encontrar momentos roubados entre compromissos, jantares e deveres. Mas eu estava enganada.
O primo do conde chegou ao palácio durante o torneio de primavera. Alto, com feições marcantes, vestido com peles caras e um sorriso que exalava arrogância. Lorde Cedric de Marvier. Desde o primeiro momento em que seus olhos pousaram em Elara, eu senti.
Senti como meu sangue esquentava.
Elara o tratava com a mesma educação que tratava qualquer outro nobre — com respeito, mas sem entusiasmo. Ainda assim, Cedric era insistente. Mandava flores para seus aposentos, fazia questão de pedir que ela o servisse nas refeições formais, e durante o baile, ousou tocá-la nas costas baixas para conduzi-la para dançar.
Eu assistia tudo de longe. Queimava por dentro.
— Elara é minha. — Pensei, mordendo o interior da boca, mas a lembrança de nossas noites não me dava poder oficial sobre ela. Não ali, diante do reino.
Meu pai, o rei, começou a notar. Não apenas o modo como Cedric cortejava minha dama... mas o modo como eu olhava para ela.
Na manhã seguinte, fui chamada aos aposentos reais. O rei estava sério, sua voz cortante:
— Nomeaste uma camponesa como dama de companhia pessoal. E agora ela é disputada por nobres?
— Elara é distinta. Inteligente. É digna da posição — respondi.
— E tu a olhas como se fosse mais que isso. Como se a desejasse como mulher — ele disse frio, direto. — Serei claro, filha. Este reino não aceitará escândalos. Principalmente não em tempos de alianças políticas.
Ele ordenou que a governanta do palácio, Lady Meriveth, vigiasse Elara e a mim discretamente. E mais — ordenou que os preparativos para meu casamento com o conde fossem apressados.
Eu saí do salão real com o coração em ruínas.
Narrado por Elara
Não entendi por que, de repente, havia criados me observando, senhoras cochichando e Lady Meriveth surgindo do nada sempre que eu e Seraphina estávamos sozinhas. A princesa estava diferente, mais fria, evitava me encarar quando passávamos pelas galerias.
Até que veio o golpe final.
Fui chamada à sala do trono, sem aviso. Diante do rei, Cedric estava de pé, com um sorriso vitorioso.
— Sua Majestade, peço humildemente a mão da senhorita Elara, dama da princesa, em casamento — ele disse.
Senti o chão sumir.
O rei me encarou. Depois, deu um leve sorriso que me gelou a alma.
— Será uma honra conceder sua mão, jovem Elara. Em breve anunciaremos os votos. Este é um grande passo para uma... plebeia.
Não consegui respirar. Quis gritar. Quis fugir.
Mas só consegui baixar a cabeça, com o coração despedaçado, sem saber que Seraphina, atrás da grande coluna de pedra, ouvira tudo — com os olhos marejados de fúria e amor contido.
A guerra dentro do palácio havia começado. E nós duas estávamos no centro dela.
Fim do capítulo
Comentar este capítulo:
Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook:
[Faça o login para poder comentar]