Capitulo 27 – A Confissão de Amor
Narrado por Seraphina
O sol ainda não havia nascido completamente. A luz dourada entrava tímida pelas frestas da cortina de linho, acariciando o contorno nu de Elara ao meu lado. Seus cabelos estavam espalhados sobre o travesseiro, e seus cílios descansavam sobre as bochechas como penas negras.
Eu não conseguia parar de olhar para ela.
Meus dedos deslizaram devagar por sua pele, ainda quente e sensível depois da noite que partilhamos. Meu coração estava apertado. Queria dizer, queria gritar, queria eternizar aquilo.
Elara abriu os olhos lentamente, como se soubesse que eu a observava. Sorriu.
— Dormiu bem, princesa?
A forma como ela me chamava... mesmo depois do que fizemos, ainda havia uma barreira. Ainda havia o título entre nós.
Sentei-me, puxando o lençol para o peito e a encarei com o coração na garganta.
— Elara... — minha voz saiu trêmula — eu... preciso dizer algo. Preciso agora, ou talvez nunca terei coragem de novo.
Ela se sentou também, cobrindo-se com o tecido branco, os olhos fixos nos meus.
— O que foi?
Respirei fundo.
— Eu te amo.
Não foi planejado. Não foi sussurrado. Foi a verdade, crua, dolorida e linda.
Ela arquejou, como se não esperasse. Como se ainda duvidasse.
— Você...?
— Eu te amo, Elara. — repeti, firme — Desde o dia em que te vi naquele jardim. Desde o momento em que você sorriu com aquele ar de liberdade que eu nunca conheci dentro dessas paredes. Você é o único motivo pelo qual eu aguento esse palácio, essas roupas, essa vida. Você é minha paz... e também minha guerra.
Ela mordeu os lábios, emocionada. Uma lágrima caiu de seus olhos, e ela balançou a cabeça, rindo com dor e ternura ao mesmo tempo.
— Seraphina... eu achei que tudo isso fosse só um sonho. Achei que você nunca pudesse sentir por mim... o que eu sempre senti por você.
— Então diga — pedi. — Não como minha dama de companhia. Diga como Elara.
Ela se aproximou, segurando meu rosto entre as mãos, o toque suave e decidido.
— Eu te amo, Seraphina. Nunca amei ninguém, nem sonhei que pudesse amar assim. Mas amo você. Amo o jeito que você fala como se fosse brava, mas tem o coração mais doce que já conheci. Amo sua coragem. Amo seus olhos... e a forma como me olha, como se eu fosse mais do que só uma camponesa. Você me fez acreditar que eu mereço ser amada.
Eu a beijei. Um beijo de confissão e entrega.
Ali, entre as paredes de pedra do castelo e os lençóis que ainda guardavam o cheiro da nossa noite, selamos não só um amor proibido... mas eterno.
E pela primeira vez, eu, Seraphina — princesa do reino — me senti verdadeiramente livre.
Fim do capítulo
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