Capitulo 25 – Como Eu Posso Ser Sua
Narrado por Elara
Eu queria fugir.
Mas meus pés não se moviam, e minha alma inteira parecia queimar diante daquelas palavras que Seraphina acabara de dizer. "Eu sinto o mesmo. Eu te amo, Elara."
O diário... Meu segredo... exposto. E ainda assim, ela não me rejeitou.
Pelo contrário.
Ela me olhava com um misto de ternura, desejo e uma vulnerabilidade que eu jamais imaginei ver nos olhos da futura rainha. Meu coração batia tão alto que eu achava que o som ecoava pelas paredes do quarto.
Abaixei a cabeça, sentindo uma dor no peito.
— Você vai se casar, Seraphina... Como eu posso ser sua? Como eu posso te desejar tanto assim sabendo que te perderei em breve? — minha voz saiu trêmula, baixa, mas cheia de emoção. — Quantas noites deitei neste mesmo travesseiro, mordendo os lábios para não dizer seu nome... desejando me entregar em seus braços, sentir sua pele na minha, seu cheiro me envolvendo. E depois... chorava. Porque sabia que isso era impossível.
Houve silêncio. Por um instante, achei que ela fosse embora. Que se daria conta da loucura que tudo aquilo era. Mas, então, ouvi sua respiração se aproximar.
Seraphina parou diante de mim. Pegou meu queixo com delicadeza e ergueu meu rosto até nossos olhos se encontrarem. Os dela estavam marejados, mas havia fogo neles. Fogo e verdade.
— Você acha, Elara... que é só você quem sente? — ela sussurrou. — Quantas vezes eu quis te beijar e tive que me conter? Quantas vezes sua mão tocou a minha por engano, e meu corpo inteiro respondeu como se fosse um incêndio?
Ela se aproximou ainda mais, os lábios quase roçando os meus.
— Lembra dos dias no riacho? Das risadas? Dos banhos? Elara... eu queria fazer amor com você ali mesmo. Te deitar entre as pedras quentes e me perder em você. Te tornar minha, te amar sem pressa, sem medo...
Meu corpo se arrepiou inteiro. As palavras dela eram como poesia misturada a desejo, doces e intensas. Meus olhos se fecharam involuntariamente.
— Eu não sou digna de você... — murmurei.
— Cala essa boca, Elara. — ela sussurrou, e então seus lábios tocaram os meus.
Foi um beijo hesitante, quase tímido. Mas bastou um segundo para que tudo explodisse em calor e verdade. Meus braços envolveram seu pescoço, suas mãos pousaram na minha cintura. Era como se tudo o que reprimimos tivesse transbordado de uma só vez.
Aquele não era só um beijo. Era o início de algo proibido... mas tão real quanto o céu lá fora.
Fim do capítulo
Comentar este capítulo:
Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook:
[Faça o login para poder comentar]