Capitulo 23 – O Sussurro do Coração
Narrado por Seraphina
A manhã estava calma. A luz entrava suave pelas cortinas do meu quarto. Eu estava sentada diante do espelho, enquanto Elara penteava meus cabelos com seus dedos delicados. O silêncio era confortável entre nós, mas meu coração batia apressado.
Todos os dias com ela eram uma mistura perigosa de desejo e contenção. Seu toque leve fazia meu corpo arder. Seu perfume, doce e discreto, me acompanhava mesmo quando ela se retirava.
Eu a observava pelo reflexo. Os olhos castanhos brilhavam, atentos ao que fazia, e os lábios entreabertos formavam um sorriso tímido enquanto enrolava uma mecha do meu cabelo com cuidado.
Meu coração resolveu falar antes que eu pudesse controlá-lo.
— Elara… você gosta de alguém? — perguntei, num sussurro que carregava mais do que curiosidade. Carregava esperança. Carregava medo.
Ela parou o movimento por um instante. Um silêncio denso caiu sobre nós. Eu podia sentir seu coração batendo pela maneira como a respiração dela ficou trêmula. Ela não respondeu de imediato.
Virei um pouco o rosto, encarando-a agora diretamente. Estávamos tão próximas. Meus olhos buscaram os dela. E os encontrei assustados, frágeis… mas havia algo mais ali. Um brilho que eu já tinha visto antes, mas que tentava negar todos os dias.
— Desculpa se fui indiscreta — murmurei, quase me arrependendo da pergunta, mesmo sabendo que eu precisava da resposta como quem precisa de ar.
Ela baixou os olhos e mordeu levemente o lábio inferior.
— Eu… não sei se devo dizer, Alteza… — respondeu, quase sem voz.
Meu peito apertou. Quis dizer que não precisava me chamar de “Alteza”. Não naquele momento. Não quando tudo em mim gritava para que ela me visse não como princesa, mas como mulher. Uma mulher que a desejava.
Estendi a mão e toquei sua bochecha com a ponta dos dedos. Ela fechou os olhos, como sempre fazia. Como naquela noite no banheiro. Como quando quase a beijei, mas fui covarde demais para ir até o fim.
— Elara… — sussurrei, mais próxima agora. — Se você gostasse de alguém… alguém que talvez não pudesse ter… você esconderia isso de todos?
Ela abriu os olhos devagar, e o que vi ali me fez perder o fôlego. Havia amor. Havia desejo. Mas também havia medo. O mesmo medo que eu sentia.
Ela assentiu, com um nó na garganta.
— Sim… esconderia. Se fosse errado… se fosse impossível… eu esconderia.
— E se não for errado? — perguntei, quase num gemido. — E se for só… diferente do que esperam de nós?
Nossos rostos estavam a centímetros. Eu sentia a respiração dela misturar com a minha. E por um instante, o mundo inteiro sumiu. Não havia coroa. Não havia títulos. Não havia regras.
Só havia nós duas.
Minhas mãos deslizaram até a nuca dela, e meu coração batia tão alto que eu podia ouvi-lo. Mas então… um leve toque na porta nos fez recuar como se despertássemos de um feitiço.
Ela se afastou rápido, voltando ao seu lugar, as mãos trêmulas.
— Preciso preparar o chá, Alteza… — disse ela, sem me encarar.
E saiu.
Fiquei ali, sozinha, com os lábios ardendo com o beijo que não dei… e o coração afogado no sentimento que não disse.
Mas agora eu sabia. Elara escondia algo. E eu também.
E aquilo estava prestes a explodir.
Fim do capítulo
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