Capitulo 22 - O Amor Que Guardo em Silêncio
Narrado por Elara
Os dias foram passando e, sem que eu percebesse, viver ao lado da princesa Seraphina se tornou a parte mais preciosa da minha existência. Nunca imaginei que alguém como ela — uma mulher nobre, forte, cheia de coragem e beleza — me permitiria estar tão próxima. E, ainda mais difícil de acreditar, é que eu me sentia... feliz. Verdadeiramente feliz.
Ela me ensinava as etiquetas, me corrigia com aquele jeito meio ríspido, mas logo sorria, como quem não queria me assustar. Às vezes ela mesma ignorava os protocolos, com o vestido amarrotado e os pés descalços, correndo comigo pelos campos atrás de borboletas ou apenas para fugir das obrigações da corte.
— “Vem, Elara! Rápido! Antes que alguém nos veja!” — ela dizia, puxando minha mão com entusiasmo infantil.
Eu ria, corria com ela. E meu coração sempre batia mais forte, não pelo medo de sermos vistas, mas porque era ela que segurava minha mão.
Nas caçadas que o rei às vezes permitia, ela montava seu cavalo com maestria, os cabelos voando soltos como uma chama rebelde. Eu a observava em silêncio, encantada. E quando ela voltava e me colocava em sua cela, à sua frente, com os braços ao meu redor para segurar as rédeas, meu corpo inteiro se acendia. Sentir o peito dela contra minhas costas, sua respiração em meu pescoço… era tortura doce. E eu sorria, fingindo que era só diversão.
As aventuras no riacho eram outro castigo divino. Ela mergulhava, e às vezes me puxava junto. Ria do meu medo da água fria, jogava respingos em mim, e quando nossas peles se encostavam, mesmo que sem intenção, eu tremia. Não de frio, mas de desejo. E vergonha.
Eu estava apaixonada pela princesa.
E esse segredo... eu guardava a sete chaves. No fundo da minha alma.
Quando a ajudava a se vestir, cada toque era uma chama. O calor da pele dela, o perfume delicado, o jeito como me olhava pelo espelho às vezes — como se me visse de verdade. Como se soubesse. E eu queria tanto que ela soubesse. Queria tanto ser dela. De corpo, alma, nome e destino. Me entregar inteira, sem medo. Mas como poderia?
Eu era só uma camponesa. Sem título, sem sangue nobre, sem nada a oferecer além do amor mais puro e verdadeiro que já senti. Ela era uma princesa. E um dia, eu sabia, teria que se casar com algum conde ou duque escolhido pelo rei.
Mesmo assim, eu me permitia sonhar. Nas madrugadas em que a ajudava a soltar os cabelos, enquanto ela bocejava e me contava alguma lembrança de infância... eu desejava beijá-la. Desejava deitar ao seu lado, como iguais. Acariciar sua pele, ser o alívio de suas dores, a morada do seu coração.
Mas isso... isso seria uma loucura. Um amor proibido.
Então, sorrio. Me calo. Guardo cada suspiro, cada desejo. E sigo ao lado dela, como dama de companhia. Mas, no fundo, sou dela. E só dela. Mesmo que ela nunca venha a saber.
Fim do capítulo
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Zanja45
Em: 25/01/2026
É muita tortura para Elara, andar de cavalo na dianteira da princesa, tomar banho de rio e principalmente ter que fazer tarefas bem íntimas para princesa, como o ato de despir, vestir e até pentear os cabelos. - São atividades que seduzem e fazem desejar mais São perigosas demais para conter qualquer emoção que esteja sentindo
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