Capitulo 21 - Um Laço Silencioso
Narrado por Seraphina
Nunca imaginei que encontraria tamanha alegria na presença de alguém tão simples e, ao mesmo tempo, tão essencial para mim. Desde que Elara passou a viver no palácio como minha dama de companhia, meus dias ganharam uma cor nova. Meu riso era mais leve, meu coração... mais agitado.
Elara sempre entrava no meu quarto com um sorriso gentil, às vezes um tanto atrapalhado, como se estivesse tentando se lembrar de como andar entre tapeçarias e espelhos dourados. Mas para mim, era a visão mais bonita que meus olhos podiam alcançar.
Nos primeiros dias, tudo era envolto em formalidades, mas aos poucos, a barreira entre nós foi se desfazendo. As risadas surgiam quando ela se atrapalhava com os fechos do meu vestido ou quando eu fazia piadas para quebrar o silêncio tenso entre nós.
— “Você me aperta demais esse espartilho, Elara... está tentando me matar?” — eu dizia, com um sorriso provocador.
— “Talvez só um pouquinho, alteza,” — ela rebatia, fingindo seriedade, mas seus olhos castanhos brilhavam com diversão.
Certa tarde, durante uma troca de roupas, nossas mãos se tocaram ao mesmo tempo no laço da minha cintura. Um silêncio caiu entre nós. Seu olhar encontrou o meu, e por um breve instante, o tempo pareceu parar. Eu senti a pele dela. A maciez. O calor. Meu coração disparou em um ritmo que eu só conhecia nos meus sonhos mais secretos.
Havia noites em que sonhava com ela. Sonhos que faziam meu peito doer de desejo. Sonhava com seu corpo colado ao meu, com seus lábios nos meus. Com ela se entregando, sem medo, sem reservas. Acordava suada, ofegante, desejando que não fosse só um devaneio.
As idas ao riacho se tornaram momentos de tortura doce. Ela sempre se despia sem malícia, mergulhava em silêncio nas águas cristalinas. E eu, fingindo que me concentrava em algo à margem, lutava contra o impulso de olhar... e quando olhava, era como ser atingida por um feitiço.
O contorno de suas costas, a curva suave da cintura, os cabelos colados ao corpo molhado, escorrendo pelas costas como seda escura... Como eu queria que fosse minha. Que aquele corpo fosse meu abrigo. Que aquelas mãos se entrelaçassem às minhas por escolha, e não por dever.
Mesmo sem dizer uma palavra, havia algo entre nós. Um fio invisível. Um calor que crescia cada vez que nossos olhos se cruzavam por tempo demais. Quando, sem querer, sua mão roçava meu braço, ou quando eu me aproximava demais enquanto ela me ajudava com os cabelos.
Eu tento guardar esse sentimento. Tento escondê-lo até mesmo de mim. Mas Elara é como o sol — impossível de ignorar. Ela me queima, me ilumina... e me faz desejar algo que talvez o mundo não aceite, mas que meu coração não consegue negar.
Elara ri como quem não sabe o poder que tem sobre mim. E cada risada dela é um sussurro em minha alma, dizendo:
“Você já é dela, Seraphina. Por inteiro.”
Fim do capítulo
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