Narrado por Elara
Nunca imaginei que um dia pisaria novamente no palácio... muito menos como dama de companhia da princesa. Ao chegar, fui guiada com gentileza pelas criadas até uma sala espaçosa, cercada de tapeçarias floridas e móveis dourados. Um cheiro suave de flores invadia o ambiente. Era como entrar em um sonho.
— “Você agora é uma das nossas,” — disse Liora, uma das jovens empregadas com quem já havia trabalhado na copa, sorrindo. — “Aquela bruxa da Lady Alira vai ter o que merece. Agora você não é mais criada... é dama da princesa! Vai ter vestidos, perfume e até um quarto só seu.”
Todas rimos. Foi um riso leve, doce, o tipo de riso que não conhecia há muito tempo. Um riso de liberdade. Uma das meninas comentou:
— “Agora ela vai ter que lavar os próprios panos... Bem feito!”
Enquanto eu tirava minha roupa simples e desbotada, uma banheira enorme com água morna e pétalas de rosas já me aguardava. Duas criadas delicadamente lavaram meus cabelos com óleo de lavanda. As mãos delas eram suaves, como se estivessem lidando com algo precioso — e, por um instante, acreditei ser mesmo.
O vapor do banho embaçava o espelho, mas quando ele clareou e eu me olhei... prendi a respiração.
Eu estava vestida com uma túnica de seda azul-celeste, bordada com fios prateados nas mangas. Meus cabelos castanhos estavam presos com pequenos adornos de cristal, e uma fita fina delineava minha cintura. Meus pés, agora calçados com sapatos leves e macios, pareciam de outra mulher.
— “Não pareço mais eu...” — sussurrei.
Mas dentro de mim, a mesma Elara tremia por dentro... especialmente ao lembrar que logo veria Seraphina.
Narrado por Seraphina
Esperei. Meu coração batia num ritmo ansioso, diferente de qualquer outro dia. Vesti-me com um robe de seda branca e fiquei de costas para a porta, olhando o reflexo da luz do sol tocar os vitrais do meu quarto. As cores dançavam nas paredes e no chão. Mas nenhuma cor me encantava mais do que a ideia de ver Elara novamente.
E então ouvi a batida leve na porta.
— “Pode entrar,” — murmurei.
Ela adentrou em silêncio, e pude vê-la pelo espelho diante de mim. Meus olhos se arregalaram. Ela estava... divina. A jovem camponesa de pés descalços agora caminhava com a graça de uma nobre. Seus olhos buscavam o chão, tímidos. Mas seu reflexo, ah... seu reflexo queimava em mim como fogo.
Ela caminhou até mim com as mãos juntas, trêmulas. Eu me virei.
— “Você está linda, Elara. Mais do que imaginei.”
Ela ergueu os olhos. Seus lábios entreabriram-se, mas nenhuma palavra saiu. O silêncio entre nós era carregado de algo que nenhuma das duas conseguia explicar — ou ousava.
— “A partir de hoje,” — continuei, me aproximando — “você será minha dama de companhia pessoal. Vai me vestir todas as manhãs... e me despir todas as noites antes de dormir.”
Minhas mãos se ergueram até seu rosto, e toquei levemente sua bochecha, agora macia, perfumada com lavanda e jasmim. Ela fechou os olhos, respirando fundo... e soltando um suspiro que falhou no meio, como se estivesse prendendo algo dentro de si.
Fiquei ali, olhando cada traço do seu rosto. Como alguém podia ser tão bela sem perceber?
Elara, agora minha... ainda que em segredo.
Fim do capítulo

HelOliveira
21/01/2026 às 08:05
Estou louca para ver o que vai acontecer nos próximos capítulos, gostando muito parabéns e volte logo
Zanja45
21/01/2026 às 11:00
Estou gostando muito.
Esperando pelo próximo capítulo, pois esse final deixou com vontade de querer mais.
Essa Seraphina agora tem o que ela desejava e bem perto de si. A princesa é rápida mas decisões.