Capitulo 19 - A Camponesa e a Carruagem Real
Narrado por Elara
Cheguei em casa com o coração em alvoroço. A lembrança das mãos da princesa Seraphina em meu rosto ainda queimava minha pele como se tivesse sido marcada a fogo. Sua voz, seu olhar, o modo como ela me fez sentir... era como se eu tivesse deixado de ser uma simples camponesa e me tornado alguém que importava, mesmo que por um breve instante.
Tentei dormir, mas o sono era inquieto. Eu virava de um lado para o outro, imaginando se aquilo tudo havia sido real. Acordei com um sobressalto. Nem o galo ainda havia cantado, e já ouvia os gritos estridentes de Lady Alira, minha madrasta, batendo à porta do quarto:
— Elara! Levante-se! Tem alguma coisa errada acontecendo!
Confusa, esfreguei os olhos e fui até a janela. Quando afastei as cortinas, meu coração quase saltou pela boca. Uma imponente carroagem negra e dourada, com o brasão do reino, estava parada em frente à casa. Cavaleiros vestidos com armaduras reluzentes desciam de seus cavalos. Era uma visão surreal.
Abri a porta às pressas, ainda descalça. Um dos cavaleiros se aproximou e disse com firmeza:
— Elara, por ordem direta da Princesa Seraphina, você foi nomeada dama de companhia real. Deve nos acompanhar imediatamente ao palácio.
Lady Alira surgiu como uma tempestade atrás de mim.
— Isso é um absurdo! Uma camponesa? como dama da princesa? Isso é coisa de bruxa, deve ter seduzido alguém! Minhas filhas são nobres por direito! Leve uma delas!
O cavaleiro sequer pestanejou.
— A ordem é clara. A recusa será considerada desacato à coroa. E neste caso, a senhora e suas filhas serão levadas ao calabouço por desacato à autoridade real.
O rosto de Lady Alira empalideceu. Ela estalou a língua, bufou e se afastou, murmurando palavras venenosas.
Em choque, apenas assenti. Fui levada até a carruagem. O balanço do trajeto parecia ritmar com o coração em disparada no meu peito.
Narrado por Seraphina
Da minha janela, envolta em véus leves e rendas finas, observei a chegada da carruagem com olhos ansiosos. Quando a porta se abriu e Elara desceu, meu fôlego se prendeu na garganta.
Ela estava descalça, os cabelos presos num coque simples, ainda vestindo a roupa de algodão modesta que usava como criada. E mesmo assim, era a visão mais deslumbrante que já tinha visto. O sol da manhã acariciava sua pele bronzeada, e havia um brilho nos olhos dela que me hipnotizava.
— Tragam-na até os aposentos de preparação. Quero que deem um banho nela, a perfumem com óleo de jasmim e a vistam com as vestes azul-celeste das damas de companhia reais. E digam que isso é uma ordem minha.
As criadas assentiram imediatamente e correram até a entrada principal para recebê-la.
Meu coração batia como se estivesse prestes a saltar pela boca. Saber que Elara agora estaria dentro do palácio, perto de mim, era um risco que eu aceitava correr. Eu precisava dela ali. Não apenas como dama de companhia.
Mas como tudo que minha alma desejava e meu corpo ansiava.
Fim do capítulo
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