Capitulo 18 - Um Pedido ao Rei
Narrado por Seraphina
Elara saiu do salão com passos apressados, quase tropeçando no próprio vestido, e sem olhar para trás. Mas mesmo depois que a porta se fechou, o calor do seu corpo ainda parecia presente no ambiente. Meu coração ainda palpitava, meus dedos ainda guardavam a lembrança da textura da pele dela, e o silêncio em meus aposentos agora soava insuportavelmente alto.
Tentei recompor minha postura antes que as batidas na porta anunciassem a chegada do rei.
— Entre, pai. — disse com um sorriso educado, embora minha alma estivesse em tumulto.
Ele entrou como sempre: ereto, imponente, com aquele manto vermelho escuro que parecia pesar tanto quanto as decisões que carregava. Sentou-se na poltrona em frente à lareira e me chamou com um gesto.
— Filha, precisamos acertar os detalhes do seu noivado com o Conde Auberon. O banquete foi um sucesso, e a aliança com a família dele será essencial para o reino.
— Eu entendo, pai. — murmurei, tentando manter a calma — Mas... há algo que eu queria pedir antes.
Ele me olhou com desconfiança.
— Diga.
Respirei fundo. Elara ainda pulsava em meus pensamentos, como uma chama difícil de apagar.
— Gostaria de nomear uma nova dama de companhia.
— Uma nova? Não está satisfeita com as que tem?
— Não é isso. Mas quero alguém mais... próxima. Alguém discreta. E de confiança.
Ele arqueou a sobrancelha. Sabia que ele acharia estranho meu pedido, ainda mais vindo logo após o banquete.
— Quem?
— Elara. A camponesa que tem vindo ao palácio para ajudar nos banquetes. — soltei as palavras com firmeza, encarando seu olhar com a serenidade de quem já havia tomado uma decisão.
O rei ficou em silêncio por alguns instantes. Seus olhos vasculharam os meus, talvez tentando entender o motivo real por trás do pedido.
— Ela é... bonita. Ouvi alguns criados comentando. E parece bastante... atenta aos seus deveres. Mas é uma plebeia, Seraphina. Ter uma criada como dama de companhia? Isso pode levantar cochichos.
— Os cochichos sempre existirão, pai. Mas preciso de alguém que não esteja envolvida nas tramas da corte. Elara me passa uma confiança que poucas conseguem.
Ele soltou um suspiro longo, pensativo, antes de responder:
— Muito bem. Você sempre foi decidida. Terá o que deseja. Mas lembre-se... o conde também observará tudo. E uma dama de companhia está sempre perto. Muito perto.
Assenti com um leve sorriso.
Exatamente como eu quero.
O rei se levantou, beijou minha testa, e deixou os aposentos.
Assim que a porta se fechou, voltei para a janela e olhei o jardim onde Elara estivera mais cedo. O lugar parecia ainda carregado por sua presença.
Ela seria minha dama de companhia. Estaria perto.
Mas o desejo que queimava em meu peito era maior do que qualquer formalidade de corte.
E eu não sabia por quanto tempo conseguiria manter apenas isso.
Fim do capítulo
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