Capitulo 17 - O Suspiro Queimada
Narrado por Seraphina
O salão de meus aposentos estava silencioso, abafado pela ansiedade que tomava meu peito. As tapeçarias pesadas nas paredes pareciam prender o ar junto comigo. Eu ouvi seus passos antes de vê-la. Eram suaves, quase hesitantes, como se cada passada fosse mais um peso do que uma escolha.
Quando Elara entrou, veio de cabeça baixa, os cabelos castanhos ligeiramente desalinhados, e o vestido simples de linho colando ao corpo por causa do calor da tarde.
Meus olhos se prenderam a ela imediatamente.
A mesma garota que povoava meus sonhos e perturbava minha razão.
— Todas devem sair. Agora. — ordenei com voz firme, voltando o olhar para minhas damas de companhia.
Elas se entreolharam, confusas, mas nenhuma ousou me contrariar. Uma a uma deixaram o aposento, e a porta se fechou atrás da última delas com um estalo surdo.
Agora éramos só nós duas.
Apenas o som do meu coração batendo alto e a respiração contida de Elara preenchiam o espaço.
Ela permaneceu em pé, imóvel, de cabeça baixa, como se quisesse se esconder do mundo — ou de mim. Suas mãos apertavam o tecido do vestido, e seu silêncio doía mais do que mil palavras não ditas.
Aproximei-me devagar. Cada passo que eu dava parecia ecoar entre nós duas.
— Você é uma das garotas mais bonitas deste reino, Elara. — murmurei, com a voz mais baixa, mais doce — Mesmo sendo uma camponesa. Talvez… especialmente por isso.
Ela ergueu os olhos, surpresa, e sorriu. Um sorriso tímido, contido, mas que iluminava seu rosto com uma beleza que nenhuma joia do palácio poderia igualar.
Aproximei minha mão do seu rosto, hesitante por um breve instante, antes de acariciar sua pele morena, quente, marcada pelo sol e pela vida simples.
Meu polegar traçou a linha de sua maçã do rosto, e foi quando Elara fechou os olhos.
Fechou os olhos como naquela noite no banheiro.
Como quem sente.
E então, ela respirou fundo.
Mas era um suspiro falhado, entrecortado por nervosismo e desejo.
Um som tão frágil quanto a distância entre nossos lábios.
Fiquei ali, admirando sua expressão entregue, o leve tremor de seus cílios, o jeito que seus ombros relaxaram com meu toque.
Ela sentia. Ela também sentia.
Mas antes que eu pudesse me aproximar mais, dizer o que fervilhava em mim, os sinos do salão soaram ao longe, anunciando que o conde e meu pai estavam vindo para uma reunião.
Eu me afastei um passo. O mundo do lado de fora voltava a nos empurrar para longe uma da outra. Mas algo entre nós já havia mudado.
E eu sabia que nada mais seria o mesmo.
Fim do capítulo
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