Capitulo 16 - Desejos Silenciosos
Narrado por Princesa Seraphina
As noites se tornaram longas.
O som do vento nos vitrais do meu quarto não trazia paz, e nem as folhas dançantes dos salgueiros nos jardins do palácio. Eu me virava na cama como se fugisse de um fogo invisível que queimava dentro de mim — um fogo que tinha nome, pele, e olhos que me assombravam até nos sonhos.
Elara.
Tentei esquecer. Acreditei que, com o tempo, ela sumiria da minha mente como uma lembrança vaga.
Mas não. Ela ficou.
Principalmente aquele dia… no riacho.
Ela não sabia que eu estava ali. E mesmo que eu tentasse me convencer de que aquilo fora um deslize do destino, meu coração sabia que foi mais: foi a visão mais pura e ao mesmo tempo mais tentadora que já presenciei.
Seus cabelos soltos colando nas costas, a água escorrendo pelo seu corpo dourado pelo sol, os olhos fechados, livres…
Ali, ela não era criada, nem camponesa.
Ali, ela era uma deusa terrena — e eu, sua devota silenciosa.
E eu queria… tudo dela.
Mas eu tinha medo. Medo do que sentia. Medo de que ela não sentisse o mesmo.
“Ela deve gostar de homens”, dizia para mim mesma em voz baixa, como se o som pudesse afastar a verdade que pulsava em meu peito.
Mas então, lembro-me da noite do banquete.
Do banheiro.
Do toque.
Ela não recuou.
Ela não fugiu.
Ela fechou os olhos.
Não por medo. Mas como quem sente. Como quem se entrega.
Aquela memória não me deixava em paz. Era como se os lábios dela tivessem roçado os meus sem sequer se tocarem. E isso me enlouquecia.
Foi quando tomei uma decisão.
Chamei um dos criados de confiança e sussurrei:
— Traga Elara ao palácio. Agora. Diga que é urgente. Que a princesa Seraphina exige sua presença.
Sem mais explicações.
Queria vê-la.
Precisava vê-la.
Queria olhar nos seus olhos e descobrir se… se eu estava realmente ficando louca, ou se havia uma centelha real entre nós.
Pouco tempo depois, soube que um dos cavaleiros do palácio fora até a casa dela para levá-la.
Soube também que a madrasta da garota surtou, acusando-a de ter roubado algo da realeza.
“O que foi que você fez, Elara?”, ouvi ela gritar, segundo relato do criado.
Mas Elara não respondeu.
Ela apenas aceitou. Subiu no cavalo, sem olhar para trás.
E meu coração… bateu mais forte.
Como se pressentisse que algo grande estava prestes a acontecer.
Fim do capítulo
Comentar este capítulo:
Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook:
[Faça o login para poder comentar]