Capitulo 15 - Ecos do Silêncio
Narrado por Elara
O salão estava vazio.
As luzes ainda dançavam nas paredes de pedra, refletindo nos candelabros quase apagados. Os risos haviam cessado, os músicos partiram, os copos abandonados nas mesas agora só guardavam restos de vinho.
Eu fiquei. Fiquei ali, caminhando lentamente entre os vestígios de uma celebração que não era minha. O chão ainda ecoava as passadas de nobres e soldados, mas agora era só silêncio… e o som do meu coração partido.
As palavras do rei ecoavam em minha mente como um sussurro cruel: “O noivado da princesa Seraphina com o Conde de Valemont…”
Mesmo com o corpo cansado, eu recolhia as taças, organizava as bandejas e me arrastava pelas sombras do salão. Cada passo parecia mais pesado do que o anterior. A imagem de Seraphina descendo as escadas, vestida como um sonho — mas com os olhos distantes — não saía da minha memória.
E no meu peito, uma dor silenciosa, amarga, inexplicável. Um desejo sufocado. Uma realidade cruel que me lembrava: eu era apenas uma criada. Uma camponesa. E ela… uma princesa prometida a outro.
Mas mesmo assim, meu coração não a esquecia.
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Narrado por Seraphina
Fechei a porta do meu quarto e tudo pareceu mais escuro, mais sufocante.
Meus pés descalços tocaram o chão frio de mármore enquanto deixava que o vestido vermelho escorregasse pelo meu corpo e caísse ao chão sem cerimônia. Entrei na banheira já preparada, e a água morna me envolveu, mas não trouxe conforto.
As lágrimas vieram sem aviso, queimando meus olhos, escorrendo pelas bochechas como se buscassem libertar tudo o que eu havia escondido.
Eu ia me casar.
Com um homem que mal conhecia. Por política. Por dever. Por um trono que jamais desejei carregar com correntes.
Fechei os olhos e me deixei afundar um pouco mais na água, como se pudesse apagar o que sentia. Mas então… ela voltou à minha mente.
Elara.
A forma como seus olhos se desviavam dos meus, tímidos… mas intensos. A maneira como seus cabelos castanhos escorriam pelos ombros. O toque da minha mão em seu rosto, mais cedo naquela noite, havia sido rápido — mas incendiou meu corpo inteiro. Sua pele quente… seu cheiro leve, de terra e flores silvestres…
Eu desejei ela.
Mais do que qualquer coisa que já desejei.
Eu queria sentir seus lábios. Descobrir o gosto da sua pele. Queria ela em meus braços, sem título, sem obrigações. Apenas ela… e eu.
Mas como?
Como poderia desejar uma mulher?
Como poderia desejar uma criada?
Como poderia… amar Elara?
Apertei os olhos com força, mas a dor não passava. O desejo crescia. E no fundo, eu sabia: meu coração já não era mais meu. Ele estava nas mãos de alguém que jamais poderia tê-lo.
Fim do capítulo
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