Capitulo 14 - A Revelação
Narrado por Elara
O vento noturno soprava suave, balançando os galhos das árvores do jardim do palácio. Eu estava sentada à beira da fonte, com os joelhos encolhidos junto ao peito, tentando acalmar o turbilhão dentro de mim. Ainda podia sentir o calor do toque da princesa em meu rosto, como se ela tivesse deixado um vestígio invisível marcado em minha pele.
Fechei os olhos por um instante, desejando que aquela sensação fosse apenas um sonho passageiro. Mas ela era real. E assustadora.
— Elara! — gritou uma voz distante.
Ergui o rosto num sobressalto.
— Elara! — agora mais próximo. — Onde você estava? O rei está prestes a fazer um anúncio. Volte para o salão. Precisamos de você servindo os vinhos!
Limpei rapidamente o rosto com as mãos e levantei. Meu vestido ainda estava úmido do orvalho e minha cabeça girava, mas obedeci. Caminhei pelos corredores às pressas, tentando recompor minha expressão. Ninguém podia ver o que eu sentia por dentro.
Assim que entrei no salão de banquetes, uma explosão de luz e ouro me atingiu. Candelabros altos reluziam sobre as longas mesas fartas. Os nobres conversavam e brindavam com entusiasmo. Meus olhos procuraram por ela — Seraphina — e logo a encontrei. Lá estava ela, no alto da escadaria, deslumbrante em seu vestido escarlate, com a postura de quem dominava o mundo… mas com os olhos perdidos em algo que ninguém mais parecia ver.
Meu coração disparou. Mas antes que eu pudesse desviar o olhar, o rei se ergueu do trono, levantando uma taça ornamentada.
— Silêncio! — sua voz ecoou com autoridade.
O salão silenciou quase que instantaneamente. Os músicos pararam. Os criados pararam. E eu parei também.
— Hoje é uma noite de celebração — anunciou ele com um sorriso largo. — Uma noite que marcará o futuro de nossa linhagem e de todo o reino.
Minhas mãos tremiam levemente ao segurar a bandeja de prata. Um pressentimento apertou meu peito.
— Tenho o prazer de anunciar o noivado de minha filha, a princesa Seraphina, com o Conde de Valemont!
Aplausos eufóricos preencheram o salão.
Minha respiração travou.
Olhei para ela. Seraphina. Seus lábios sorriam… mas seus olhos não. Havia algo apagado neles. Uma ausência. Uma tristeza contida que talvez só eu pudesse enxergar.
E naquele instante, entendi o que estava sentindo desde o começo.
Era desejo, sim.
Era medo.
Mas, acima de tudo, era amor.
Um amor que jamais seria permitido.
Um amor que acabara de ser selado como impossível… diante de todo o reino.
Fim do capítulo
Comentar este capítulo:
HelOliveira
Em: 21/01/2026
A descoberta de Elara veio logo após uma bomba...um noivado e o impossível
Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook:
[Faça o login para poder comentar]