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O lago por Luciane Ribeiro

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Palavras: 2161
Acessos: 261   |  Postado em: 22/01/2026

Confronto

Principalmente quando o Vô Jeremias, como ele fez questão de que eu o chamasse, começou a me contar que o centro de distribuição, desde a sua construção, havia trazido muitos dos jovens de volta à cidade. Jovens que tinham ido embora em busca de oportunidades e que agora retornavam, não por saudade apenas, mas por trabalho digno.

Eu sabia, em teoria, que os quase quatrocentos empregos gerados teriam impacto naquela cidadezinha. Nos relatórios, eram apenas números bem distribuídos em planilhas. Ali, naquela cozinha simples, eles ganharam rosto, nome e história.

Jeremias falava com orgulho contido. Contou que grande parte da família de Joyce havia sido empregada em diferentes cargos no centro, alguns na operação, outros no transporte, outros ainda na parte administrativa. Aquilo me atingiu de um jeito inesperado.

De repente, o peso da responsabilidade se tornou muito mais concreto.

Para mim, até então, era apenas um emprego. Um passo a mais na carreira, uma promoção, um desafio. Para aquela cidade e para aquelas famílias, era sustento. Era permanência. Era, em muitos casos, salvação.

Engoli em seco, sentindo algo se firmar dentro de mim.

Eu precisava fazer aquilo dar certo.

Não por ambição.

Não apenas por mérito profissional.

Mas porque agora eu sabia exatamente quem seria afetado se desse errado.

Após o café, agradeci a hospitalidade, peguei meu grande pacote de doces, os dois litros de leite que comprei - e que contratei para que me fossem entregues toda semana -, me despedi e fui embora.

Quando chegamos ao carro, desci e entrei sem olhar para trás, como se aquele simples gesto fosse suficiente para reorganizar meus pensamentos. Assim que chegamos à cidade, me despedi de Joyce e disse, em tom firme, que ela deveria ficar em casa em repouso pelo resto do dia.

Ela contestou de imediato, quase indignada, como se eu tivesse cometido uma ofensa pessoal.

- Não preciso disso - retrucou. - Estou bem.

Foi preciso a intervenção de Henrique, que com uma calma estratégica e palavras bem escolhidas, conseguiu convencê-la de que obedecer não era fraqueza, mas bom senso. Joyce cedeu a contragosto, lançando-me um último olhar que misturava irritação e algo mais silencioso.

Fui para casa.

Troquei de roupa, lavei o rosto, prendi o cabelo e, sem me permitir pensar demais, fui trabalhar.

O dia precisava continuar.

O centro de distribuição estava a todo vapor. Com a ausência de Joyce, precisei dar uma atenção maior à expedição. Felizmente, a equipe dela trabalhava de forma eficiente, quase orgânica, e tive poucos problemas a resolver naquele setor. Isso me permitiu focar no que realmente estava me tirando o sono: o transporte.

O prefeito havia prometido asfaltar a estrada antes da inauguração do centro. Promessa feita em discurso, com fita cortada e sorriso para foto. Na prática, as máquinas estavam paradas havia dias, silenciosas como monumentos ao descaso, sem qualquer previsão de início das obras. Eu já tinha tentado contato direto com ele mais de uma vez. Em todas, fui elegantemente evitada.

Planilhas não resolvem lama. Relatórios não fazem estrada.

Em um surto de raiva - daqueles raros, mas perigosamente produtivos - convoquei todos os funcionários disponíveis e fiz uma pergunta simples, quase absurda:

- Alguém aqui sabe operar aquelas máquinas?

Por um instante, só o silêncio respondeu. Até que duas mulheres se entreolharam e deram um passo à frente. Tinham trabalhado na antiga siderúrgica da região. Tinham treinamento em máquinas pesadas. Um dos homens, mais velho, confirmou que também sabia operar. Meu espanto rapidamente deu lugar à admiração.

Motoristas eu já tinha. Faltavam apenas as chaves.

Fui até o pátio acompanhada de Seu Jorge, um homem de fala mansa e olhar firme, cujo filho trabalhava como guarda no local onde as máquinas estavam paradas. Ele não levantou a voz, não fez ameaça explícita. Apenas disse ao filho, com uma calma quase cruel, que o emprego de muita gente dependia da colaboração dele.

Funcionou.

O rapaz nos conduziu rapidamente até a administração do pátio, onde uma senhora simpática - e nada discreta em sua aversão ao novo prefeito - nos entregou as chaves com um sorriso cúmplice, como quem finalmente vê algo andar naquela cidade.

Voltei ao centro, reuni novamente os funcionários e informei que as estradas ficariam interditadas. Liberei a maioria. Separei os três operadores, os motoristas, e os levei até as máquinas.

As obras finalmente começaram.

O barulho dos motores cortando a terra foi, sem exagero, o som mais bonito que ouvi desde que cheguei àquela cidade.

Sozinha, voltei ao escritório. Continuei trabalhando, assinando documentos, reorganizando rotas, respondendo e-mails que jamais mencionariam a lama, o improviso ou a coragem coletiva daquele dia.

No fim do expediente, contei com uma carona improvisada nas próprias máquinas até o meu carro.

Não era elegante.

Não era protocolar.

Mas era exatamente assim que as coisas precisavam ser feitas para dar certo.

Na manhã seguinte senti novamente aquela tontura ao me levantar. Ignorei no primeiro instante, atribuindo ao cansaço ou, mais provavelmente, ao resfriado que peguei depois de ter ficado encharcada na chuva. Tomei um remédio qualquer, daqueles que prometem resolver tudo, e segui com a rotina. Não era dia de fraquejar.

Antes de pegar a estrada, passei na padaria e comprei o café da manhã dos meus heróis das máquinas, que já trabalhavam firmes naquela manhã, como se a lama fosse apenas mais um detalhe do terreno. Deixei o carro a certa distância e, mais uma vez, peguei carona - dessa vez em um trator - para chegar ao centro de distribuição. O cheiro de terra molhada misturado ao diesel era estranho, mas reconfortante de algum modo.

Entreguei o café da manhã a Anselmo, meu mestre de obras temporário, que recebeu o gesto com um sorriso cansado e um "bom dia" sincero. Depois subi para o escritório.

Tudo seguia bem. Produtivo. Organizado dentro do possível.

Até que, por volta das três da tarde, ouvi vozes alteradas se aproximando pelo corredor.

- Você não pode entrar aqui desse jeito.

- Sou o prefeito e entro onde eu quiser nessa cidade! - a voz masculina respondeu, carregada de autoridade e fúria. - Quem aquela mulher pensa que é para pegar as minhas máquinas e começar obras sem me comunicar?

Fechei os olhos por um breve segundo. Estava preparada para aquele confronto. Na verdade, cheguei a achar que ele tinha demorado mais do que o esperado.

Quando saí do escritório, o prefeito estava vermelho de raiva, acompanhado do capitão da polícia e de dois policiais. O corredor parecia pequeno demais para tanto ego inflado.

- Boa tarde - disse, com a voz firme, apesar do leve latejar na cabeça. - Em que posso ajudá-los?

Ele deu um passo à frente.

- Sua vagabunda! - cuspiu as palavras sem qualquer pudor. - Acha que só porque veio da capital e comanda isso aqui pode fazer o que quiser?

Senti o sangue ferver, mas mantive a postura. Olhei primeiro para o capitão, depois de volta para o prefeito.

- Está falando dos meus funcionários estarem realizando um trabalho que o senhor prometeu fazer?

O silêncio que se seguiu foi pesado. Não era mais apenas uma discussão sobre máquinas ou estrada. Era sobre poder, omissão e a coragem incômoda de alguém que decidiu não esperar.

E, naquele instante, ficou claro que a lama da estrada era o menor dos problemas.

Ele lançou um olhar furioso ao capitão da polícia. Um daqueles olhares que não precisam de palavras porque já vêm carregados de ordem.

- Prenda essa mulher - disse, seco.

O capitão hesitou apenas um segundo, depois se voltou para mim.

- A senhora está detida.

Antes que os policiais se aproximassem, Anselmo se colocou à minha frente, instintivamente, formando uma barreira com o próprio corpo. Outros funcionários começaram a se aglomerar no corredor, o murmúrio crescendo como uma maré prestes a estourar.

Toquei o ombro dele com firmeza.

- Está tudo bem, Anselmo - disse em voz baixa, mas clara. - Fique tranquilo.

Ele relutou, mas recuou um passo.

Ergui o queixo e encarei o capitão.

- Se vou ser presa, tenho o direito de saber qual é a acusação.

O capitão pigarreou, visivelmente desconfortável.

- Invasão de...

- De quê? - interrompi, sem elevar a voz. - Invasão de quê, exatamente?

O silêncio se alongou de forma constrangedora. O prefeito apertou os punhos.

- Se o senhor não tem provas nem causa provável - continuei, agora olhando diretamente para ele -, recomendo que volte para onde veio. Antes que eu decida denunciá-lo formalmente por abuso de poder e constrangimento ilegal.

O capitão desviou o olhar por um instante. Eu podia ver o cálculo acontecendo atrás dos olhos dele: lei de um lado, política do outro. Nenhum dos dois gosta de ser exposto em público.

- Senhora - disse ele, finalmente -, vamos manter a calma. Talvez tenha havido um mal-entendido.

- Não - respondi. - O que houve aqui foi uma promessa não cumprida, máquinas abandonadas e uma tentativa patética de intimidar alguém que resolveu trabalhar.

Um dos policiais baixou lentamente as algemas, sem receber ordem direta para isso. Anselmo cruzou os braços, agora atrás de mim, como quem decide não sair dali por nada.

O prefeito respirava pesado, derrotado naquele round, mas longe de desistir.

- Isso não vai ficar assim - rosnou.

- Eu espero que não - respondi. - Porque agora, oficialmente, também não vai ficar escondido.

Naquele momento entendi uma coisa com uma clareza desconfortável: eu tinha comprado uma briga que não cabia mais só a mim. Mas também não havia mais volta.

Como em toda cidade pequena, a notícia sobre aquele embate se espalhou rápido, correndo pelas ruas, atravessando balcões de bar, mesas de padaria e grupos de mensagens. Para alguns, eu era corajosa. Para outros, arrogante, a forasteira que achava que podia mandar mais que quem sempre esteve ali.

Eu ouvi tudo de longe, sem responder a nada.

O que realmente importava era ver a estrada tomando forma. O barro sendo domado, o chão ganhando firmeza, o traçado ficando bonito e funcional. Uma estrada feita para meus caminhões passarem, para o trabalho seguir, para a cidade continuar respirando.

No fim daquela tarde, meu chefe recebeu uma ligação irritada do prefeito, exigindo minha demissão imediata. Eu não estava presente, mas pude imaginar o tom, a indignação ensaiada, a tentativa de impor autoridade pelo grito.

Não demorou muito para que eu recebesse apenas uma mensagem, curta e direta, como tudo o que realmente importa:

"A estrada está ficando ótima. Estamos enviando sua nova equipe jurídica."

Sorri pela primeira vez naquele dia.

Não por vingança.

Não por orgulho.

Mas porque, tive a certeza de que não estava sozinha naquela briga. Respondi à mensagem dizendo que não precisavam mandar ninguém. Eu contrataria alguém da própria cidade. Queria alguém que entendesse, de dentro, por que aquilo era importante. Alguém que não visse a estrada apenas como uma obra, mas como passagem, permanência, futuro.

Deleguei a missão de encontrar candidatos à dona Angelina, irmã mais velha de Anselmo. Além de comandar a cozinha improvisada que nos mantinha alimentados e de pé, ela conhecia absolutamente todo mundo na cidade. Sabia quem era competente, quem era discreto, quem tinha coragem e, principalmente, quem tinha motivos reais para se importar.

Ela me ouviu com atenção, secando as mãos no avental.

- Deixe comigo - disse, com um sorriso confiante. - Aqui ninguém engana Angelina.

Saí dali com uma sensação rara de alívio. Pela primeira vez desde o confronto com o prefeito, não senti o peso da batalha, mas a força da rede silenciosa que estava se formando ao meu redor.

Às vezes, liderar não é trazer soluções prontas de fora.

É reconhecer quem sempre esteve ali, esperando apenas que alguém perguntasse. Já era tarde quando cheguei em casa. Assim que fechei a porta, senti o corpo tremer de um jeito que não dava mais para ignorar. A tontura voltou, mais forte, acompanhada de um frio estranho que não combinava com o clima. Fui direto para o chuveiro, na esperança de que fosse apenas cansaço acumulado.

A água quente mal teve tempo de fazer efeito.

O som da campainha cortou o silêncio da casa e me fez estremecer. Enrolei a toalha no corpo e caminhei até a porta com um desconforto difícil de explicar, como se eu já soubesse quem estava do outro lado.

Joyce.

Ela estava ali, encostada no batente, me olhando daquele jeito desafiador de sempre, mas havia algo a mais naquele olhar. Preocupação, talvez. Ou algo ainda mais profundo, que eu não consegui decifrar.

- Eu fico em casa por dois dias - disse, sem rodeios - e você começa uma guerra com o prefeito? Não sei se você é louca, arrogante ou extremamente corajosa.

Tentei responder. Juro que tentei.

Mas a visão começou a escurecer pelas bordas, o chão pareceu se afastar dos meus pés e, antes que qualquer palavra ganhasse forma, meu corpo simplesmente cedeu.

A última coisa que senti foi o impacto suave de mãos me segurando antes de tudo desaparecer.

 

 

Fim do capítulo


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Comentários para 3 - Confronto:
Zanja45
Zanja45

Em: 22/01/2026

Laura está incorporando a identidade daquele local e ela não vê mais apenas com um local de crescimento para a carreira dela, mas sim com a necessidade de fazer tudo dar certo, pois o povo daquela cidade precisa para sobreviver.— Por isso ela até comprou briga com o prefeito.


Luciane Ribeiro

Luciane Ribeiro Em: 15/02/2026 Autora da história
Boa tarde.Laura fara de tudo para que essas pessoas possam continuar com suas famílias.Obrigada por comentar .Grande abraco


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