Capitulo 12 - O Toque Interrompido
Narrado por Elara
O tempo parecia ter desacelerado. A sala estava mergulhada em uma quietude acolhedora, como se o mundo lá fora houvesse desaparecido por um instante. Seraphina se virou mais em minha direção e, com uma delicadeza que fez meu coração acelerar, ergueu a mão e acariciou meu rosto.
Seus dedos, leves e hesitantes, deslizaram pela minha pele como se temessem quebrar algo frágil
— talvez a barreira invisível entre nós. Meu corpo inteiro se arrepiou com o toque. Eu não ousava respirar.
Seus olhos, de um azul profundo e misterioso, estavam fixos nos meus com uma intensidade que fazia meu peito doer. Era como se ela enxergasse além da superfície, como se estivesse tentando decifrar algo que nem eu sabia sobre mim mesma.
— Você é… diferente, Elara — ela sussurrou, com a voz trêmula e baixa, como se confessasse um segredo guardado por anos. — Há uma luz em você. Uma força… que me atrai sem que eu entenda por quê.
Senti minhas bochechas queimarem. Não era vergonha, era algo novo… um misto de medo e desejo. Eu queria fugir daquele sentimento, mas também queria me perder nele.
Nossos olhos se encontraram de novo. Havia um magnetismo entre nós, como se tudo ao redor desaparecesse. E naquele breve segundo… achei que ela iria me beijar. Seu rosto se aproximou um pouco mais. Meu coração batia tão alto que era impossível não ouvi-lo.
Mas então, o som seco e urgente de batidas na porta rasgou o momento como uma lâmina.
TOC. TOC. TOC.
O feitiço se quebrou.
Seraphina recuou levemente, sua mão abandonando meu rosto com relutância. Olhou em direção à porta, o semblante contraído pela interrupção inesperada.
— Alteza? — chamou uma voz do outro lado. — O Conde de Valemont chegou. Sua presença é solicitada imediatamente no salão principal.
Ela fechou os olhos por um segundo, como se reunisse forças para vestir de novo a máscara da realeza.
— Diga que estarei lá em instantes — respondeu, com a voz firme, mas ainda embargada pela emoção.
Esperei o som dos passos se afastarem.
Seraphina se voltou para mim. Havia algo diferente agora em seu olhar. Algo mais contido, mais temeroso — como se tivesse se permitido sentir por um momento, mas agora fosse obrigada a lembrar de quem era e do que esperavam dela.
— Eu… preciso ir — ela disse, tentando forçar um pequeno sorriso. — Obrigada por vir, Elara.
Assenti em silêncio, incapaz de pronunciar qualquer palavra. Quando ela saiu da sala, deixando para trás o perfume e a memória do toque em meu rosto, senti meu coração apertar de um jeito estranho.
Não sabia o que era aquilo crescendo entre nós, mas sabia que nenhum dos dois mundos aos quais pertencíamos estavam preparados para esse sentimento.
E, ainda assim… eu queria mais.
Fim do capítulo
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