Capitulo 11 - O Silêncio que Queima
Narrado por Elara
A sala era silenciosa, envolta por uma luz dourada que tremeluzia suavemente nas paredes. A princesa estava de pé, à frente da janela entreaberta, o vento brincando com uma mecha solta de seu cabelo dourado.
Eu não conseguia parar de olhá-la. Havia algo em sua postura, na leveza com que ela se virava para mim, que fazia meu estômago se contorcer. Nunca a tinha visto tão próxima. Nunca assim, só nós duas.
— Você… me chamou, alteza? — minha voz saiu mais baixa do que eu esperava.
Ela assentiu com a cabeça e deu um passo em minha direção. — Sim, Elara. Eu queria um momento longe do salão. Um momento… sem formalidades.
Fiquei em silêncio, sem saber o que dizer. Minha respiração parecia alta demais. Olhei para o chão, tentando encontrar coragem para levantar os olhos. Quando finalmente o fiz, encontrei os olhos dela fixos nos meus — intensos, como se procurassem dentro de mim algo que eu mesma não conhecia.
— Sente-se comigo um momento — ela disse, apontando para um dos sofás perto da lareira. — Não como criada e princesa. Só… como Elara e Seraphina.
O coração quase parou.
Obedeci, hesitante, me sentando à beira do estofado. Ela sentou-se ao meu lado, próxima o suficiente para que eu sentisse o perfume suave de jasmim que sempre a acompanhava.
— Eu… — ela começou, mas parou, como se estivesse tentando encontrar as palavras certas. — Eu tenho pensado em você.
Meus olhos se arregalaram. Pensei que tinha ouvido errado.
— Em mim? Mas… por quê?
Ela mordeu o lábio inferior, desviando o olhar por um momento antes de voltar a encarar os meus. — Não sei explicar. Desde aquela noite no banquete. Havia algo em você. Algo no jeito como… sorriu, mesmo estando cercada por estranhos. Como se escondesse dor e gentileza ao mesmo tempo.
Minha garganta secou. As palavras não vinham. Apenas o som do meu coração batendo forte nos ouvidos.
— Alteza, eu… — tentei dizer algo, mas as palavras desapareceram.
Ela então fez algo inesperado. Estendeu a mão, com delicadeza, e tocou levemente minha mão sobre o sofá. Um toque breve. Quente. Elétrico.
— Seraphina — ela corrigiu, com um meio sorriso. — Quando estivermos sozinhas… me chame de Seraphina.
Minha pele arrepiou. A sala parecia menor, o ar mais denso. Era como se o tempo tivesse parado ali, com aquele toque leve, e tudo o que existisse fosse a forma como ela me olhava… como se olhasse direto para minha alma.
Eu estava confusa, assustada, mas fascinada. Algo dentro de mim gritava para fugir, mas outra parte queria ficar… e entender. Entender por que, mesmo sem jamais ter sonhado com um amor assim, a presença daquela mulher fazia minha alma estremecer.
— Eu devo ir… — murmurei, quebrando o encanto por um instante.
— Fique só mais um pouco — ela pediu, a voz quase suplicante.
E eu fiquei.
Mesmo sem entender o que era aquilo que nascia entre nós… naquele instante, eu soube que minha vida jamais seria a mesma.
Fim do capítulo
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