Capitulo 10 O Chamado da Princesa
Narrado por Elara
Eu estava terminando de organizar uma bandeja de frutas cristalizadas para a segunda rodada do banquete quando um dos servos do palácio veio correndo em minha direção, ofegante.
— Elara! Elara! Deixe isso agora mesmo! A princesa… a princesa Seraphina está chamando você.
— A… princesa? — repeti, quase sem acreditar no que acabara de ouvir. Meus dedos congelaram sobre os cálices de prata. — Tem certeza que foi meu nome que ela disse?
Ele apenas assentiu, ofegante, como se o próprio tempo estivesse contra nós.
— Ela não quer nenhuma dama de companhia… só você. Mandou dizer que quer ajuda no salão anexo, sozinha. Vá agora, antes que ela mude de ideia.
Senti o mundo girar por um momento. O coração batia como um tambor desgovernado. Tentei disfarçar a ansiedade, deixei a bandeja com outra criada e limpei rapidamente as mãos no avental.
Com passos rápidos e o coração saltando, segui os corredores silenciosos, cada vez mais perto do destino que não compreendia.
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Narrado por Seraphina
Estava sentada no pequeno salão anexo, onde raramente alguém passava. Um espaço reservado, com tapeçarias antigas, duas janelas que davam para os jardins noturnos e a luz suave de candelabros.
Meu coração não se acalmava.
"Estou louca", repeti para mim mesma.
Mas não podia ignorar. Não conseguia mais fingir. Então, quando uma das minhas damas veio me acompanhar até o salão principal, ergui a mão e sorri de forma firme.
— Quero ir sozinha.
— Alteza… não seria melhor que…
— Não. — Cortei com um olhar doce, mas firme. — Apenas envie um dos servos para me chamar uma ajudante. Quero que seja Elara.
Ela hesitou por um segundo, mas assentiu com um gesto discreto e se afastou.
Agora, eu estava ali, sentada em uma das poltronas, observando a chama tremeluzente das velas. As sombras dançavam na parede. Meus dedos se entrelaçavam no colo, ansiosos, como se soubessem que algo estava prestes a acontecer.
E então ouvi.
Passos. Leves. Tímidos. Cada vez mais próximos.
Meu peito apertou.
A porta foi aberta devagar… e lá estava ela. Elara.
Seus olhos me encontraram, primeiro com surpresa, depois com algo que eu ainda não conseguia nomear. Havia algo sagrado naquele instante. Como se todo o resto do mundo tivesse desaparecido, e restássemos apenas nós duas, em silêncio.
— Alteza… — ela disse, com uma reverência leve.
Eu me levantei devagar, tentando conter o turbilhão dentro de mim.
— Elara… — sussurrei. — Obrigada por vir. Eu precisava de… um momento com você.
Ela pareceu confusa, mas não disse nada.
E naquele instante, com a janela aberta e a brisa da noite atravessando o salão,
eu soube:
Não havia mais como fugir do que eu sentia.
Fim do capítulo
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