Capitulo 9 O Coração da Princesa
Narrado por Seraphina
Quando coloquei o primeiro pé no topo da escadaria do salão, meu coração já batia mais rápido. Havia algo naquela noite. Algo que não vinha do burburinho dos nobres, nem da chegada do conde. Era algo que apertava meu peito com uma expectativa silenciosa.
Meus olhos varreram o salão decorado. Velas acesas por todo lado, as tapeçarias brilhavam sob a luz quente dos lustres, a música se insinuava no ar como uma dança invisível.
E então, a vi.
Atrás de uma das pilastras, com o rosto meio escondido… Elara.
Como eu poderia não reconhecê-la? Tímida, retraída, com uma bandeja nas mãos, mas com uma postura que nem a mais nobre das senhoras conseguiria imitar. O vestido simples que usava parecia ter sido moldado por algum artista. Sua pele tinha o brilho dourado do sol de verão, e seus cabelos castanhos escorriam pelas costas com uma naturalidade encantadora. Tão simples… tão linda… tão dela.
Meu coração deu um salto — como sempre acontecia quando a via.
Não sei quando comecei a me sentir assim. Não sei como uma criada passou a me assombrar em pensamentos, a dominar meus sonhos, a tirar meu sono nas madrugadas silenciosas.
Mas agora… ali… naquele salão cheio de vozes e perfumes, era ela quem meu coração procurava.
Ela tentou esconder-se, fingir que não me olhava. Mas eu percebi. Seus olhos fugiam dos meus, mas tremiam como os meus também tremiam.
Foi então que ouvi.
Dois rapazes — filhos de um dos duques — cochichavam próximos à entrada lateral. Seus olhos estavam sobre Elara. Sujos. Famintos. Falavam dela como se fosse uma peça de caça. Um deles riu, dizendo que talvez mais tarde tentaria “se aproximar da criada bonita”.
Senti o sangue ferver nas veias.
Cerrei os punhos, o sorriso que tinha nos lábios se apagou. Quis levantar da mesa, atravessar o salão e gritar com eles. Proibir. Expulsá-los.
Mas não podia.
Não como princesa. Não ainda.
Eu apenas apertei os dedos sobre o cálice de vinho, tentando conter a raiva, com os olhos ainda cravados nela. Em Elara. Que continuava a servir as mesas sem perceber o caos que ela causava dentro de mim.
A cada passo seu, a cada vez que abaixava os olhos com modéstia, eu sentia meu mundo ruir.
O que era esse sentimento?
Não era apenas desejo… Era mais. Muito mais. Como se minha alma reconhecesse a dela. Como se, em alguma vida, eu já tivesse amado aquela garota de pele bronzeada, de olhos que escondiam um oceano, de silêncios que gritavam.
Elara.
Nome que repeti em pensamento como se fosse uma prece proibida. Nome que me queimava na língua com medo de ser pronunciado. Nome que, naquela noite, parecia ecoar entre cada nota da orquestra.
Eu não sabia o que fazer com isso.
Mas sabia que, antes do fim daquele banquete…
Eu a encontraria.
Nem que fosse por um segundo, um instante apenas, fora dos olhos do mundo.
Fim do capítulo
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Zanja45
Em: 12/01/2026
Ah, quero ver como vai ser esse encontro, porque a princesa não está conseguindo esconder mais o que sente. E o ciúmes dela em relação a Elara? ;Os marmanjos que não tentem bancar os engraçadinhos para cima de Elara porque eles vão ter que se haver com Seraphina. :Ela já é dela. Rsrsrs!
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