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34 por Luciane Ribeiro

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Palavras: 2693
Acessos: 209   |  Postado em: 19/01/2026

Comer,dormir e amar ela

Desliguei o celular e me apressei. A padaria, para meu desgosto, estava lotada. Levei mais tempo do que pretendia para voltar para casa. Eve ainda estava dormindo. Eu ainda estava com um pouco de sono, então não resisti e fui aproveitar a cama mais um pouquinho.

Assim que me deitei, Eve começou a se mexer. Ela abriu os olhos, respirou fundo, se esticou, sorriu e me agarrou, prendendo-me bem firme em seus braços.

- Bom dia, meu amor. Você dormiu bem?

 - Sim. E você?

- Tive um sonho engraçado em que eu era um polvo gigante e tentava enrolar um peixe muito grande nos meus tentáculos...

- Isso explica por que estava me apertando enquanto dormia.

- Eu estava?

 - Sim!

 - Como eu estava te apertando? Era mais ou menos desse jeito?

 - Exatamente assim...

 - Parece que não quero te soltar nem nos meus sonhos.

- Eu deixo você me enrolar nos seus tentáculos e me manter presa, mas vai ter um preço.

 - Qual?

- Tem que prometer que, não importa para onde esteja ou para onde vá, você sempre vai voltar para mim.

 - Amor, você é uma péssima negociadora. Suas exigências sempre me favorecem.

 - Na verdade, minhas exigências são cuidadosamente pensadas para te fazer acreditar que está em vantagem, quando na verdade é tudo em meu próprio benefício.

 - Golpe de mestre esse seu, doutora... Onde você foi?

- Fui à padaria. O que quer comer no café da manhã? Temos frutas, ovos, pães franceses e croissants.

 - Comprou tudo isso só para nós duas?

- Sim! Acordei com muita fome hoje.

 - Eu vou querer o de sempre. Biscoito doce e achocolatado.

- Bebezinha...

 - Para, amor...

- Minha mimadinha. Trouxe outra coisa para você.

- O que é?

- Isso...

Conversar era bom, mas me derreter com os beijos dela era ainda melhor. O toque das mãos dela me aquecia por inteiro, e eu me rendia sem resistência.

- Sinceramente... acho que nunca mais vou querer ir embora desse lugar. Estou amando cada segundo dessa lua de mel. Sinto como se te conhecesse um pouco mais a cada instante. E quanto mais eu te conheço, mais eu quero estar com você.

A vontade de fazer amor com ela sempre que sorria e me beijava daquele jeito malandro era quase sufocante, mas eu precisava me controlar. Eve ainda estava em recuperação, e a noite passada tinha sido bastante agitada. Ainda lidávamos com os efeitos do 34. Pelo menos uma de nós precisava ser responsável.

- Eve... vamos levantar.

- Daqui a pouco...

Ela me abraçou mais forte. Estava sendo difícil ser uma cientista responsável.

- Se continuarmos na cama, vamos chegar muito tarde à praia.

- Estou com preguiça... A praia é literalmente logo ali nos fundos da casa ,e além disso não sei se quero ir hoje.

- Tem certeza?

 - Tenho. Podemos procurar outras coisas para fazer. Para ser sincera, só quero passar o dia todo na cama com minha linda esposa ao meu lado.

- Atena Evelyn, você é mesmo uma conquistadora. 

_Essa vida de conquistas terminou. Encontrei a mulher dos meus sonhos. A única que eu amei e vou amar para a vida toda.

 - Você já é linda. Precisava ser boa de lábia também?

- Precisava. Do contrário, não conquistaria uma mulher incrível como você.

- Amor... para. Estou ficando sem graça. Melhor eu ir para a cozinha.

- Como seu novo objeto de estudo, você não acha que deveria manter os olhos em mim?

 - Sim, mas...

- Não pretendo levantar daqui tão cedo. Sendo assim, você vai ter que ficar aqui também.

- Detesto quando você se coloca como se fosse minha cobaia.

- Estou apenas brincando, meu amor. Não leve tão a sério.

 - Tem certeza?

Ela não respondeu. Em vez disso, me deu vários beijos rápidos, que logo se tornaram mais demorados e intensos. Respirei fundo. Era perigoso ceder.

- Vamos levantar? Eu preciso muito de um café.

- Não estou com esse tipo de fome ainda. Você está?

- Sim.

- Está bem... podemos continuar isso depois...

Ela saiu de cima de mim e se deitou de bruços,ainda com metade do corpo sobre o meu. A linguagem de amor dela era o toque, e eu amava isso.

- Pensei em almoçarmos na orla. Me indicaram um restaurante que serve o melhor bobó de camarão do estado.

 - Parece delicioso,mas continuo sem vontade de sair.

 - Certo !Ficaremos em casa.Espere aqui. Quando o café estiver pronto, venho te buscar.

- Não precisa. Vou me levantar também. Me ajuda a me arrumar?

- Claro.

Ajudei Eve a se levantar, tomar banho e se vestir. Depois descemos e fomos para a cozinha. Coloquei o café para fazer e o leite para esquentar. Eve gostava do leite bem quente. Ela pegou uma caneca, um prato e o pacote de biscoitos, foi até a mesa, abriu o pacote e começou a alinhar os biscoitos um ao lado do outro, deixando um espaço no centro. Em seguida, colocou a caneca bem no meio, acrescentou duas colheres generosas de achocolatado e uma pitada de açúcar.

- O leite não devia vir primeiro?

- Para a maioria das pessoas, sim. Mas para mim, não. Gosto de colocar o achocolatado antes. Assim, quando o leite entra, várias bolinhas se formam. Eu gosto delas.

- Bolinhas?

- Sim. Olha!

Eve despejou o leite, e as tais bolinhas realmente se formaram. Pode parecer besteira, mas achei extremamente satisfatória a forma como ela montou o próprio café da manhã. Era tudo muito metódico, mas ao mesmo tempo carregado de uma inocência quase infantil. Principalmente quando ela mergulhou o biscoito no chocolate antes de comer.

- Por que está me olhando assim?

- Achei fofa a forma como você posicionou os biscoitos em volta da caneca. Parece até uma flor.

- Minha avó fazia assim para mim e para meus irmãos quando éramos pequenos. Eles foram deixando esse hábito com o tempo. Eu não. Ainda gosto.

- Isso é fofo.

- Você é fofa. Adorei sua caneca do Totoro.

- Conhece esse filme?

- Conheço. Assisti com a Dandara e a irmã dela, na época em que ela ainda participava do estudo. Estou surpresa de você conhecer.

- Foi ela quem me deu a caneca. Falou tanto do filme que acabei assistindo. Segundo ela, eu sou como ele: um pouco assustadora à primeira vista, mas boa e sempre disposta a ajudar.

- Aquela menina tem um jeito único de ver o mundo...

- Ela fala muito de você. Pareciam ser bem próximas.

- Éramos. Eu adoro aquela família. Minha avó e minha mãe ainda ajudam na ONG que as avós dela fundaram. Elas se reúnem uma vez por mês para o encontro da terceira idade.

- Fiquei surpresa ao conhecer a Larissa. Ela parece jovem, mas é muito madura.

- Quando a conheci, achei que fosse irmã da Dadá. Foi engraçado. Nos tornamos amigas e nos falávamos sempre. Sinto falta disso...

- Não fique triste, meu amor. Nada impede que essa amizade recomece agora que você está de volta.

- Seria realmente bom...

Ela ficou em silêncio por alguns instantes, com a cabeça baixa.

- Eve... Eve?

- Vamos mudar de assunto. Você vai tomar só o café?

- Não. Comerei um pão frances .

- Humm... sabe o que ficaria perfeito com esses pães de queijo?

- Sabia que você ia dizer isso. Trouxe geleia e doce de leite cremoso para você colocar e estragar o gosto deles.

- Estragar? Fica muito melhor assim. Um dia ainda consigo te convencer.

- Duvido muito que isso aconteça.

- Amor... vem aqui...

- Por quê?

- Vem...

- Está bem.

Dei a volta na mesa e me aproximei dela. Ela pegou na minha mão, me puxou para o seu colo e me abraçou.

- Lena...

- O que foi? Está se sentindo mal? Devo te levar para o hospital?

- Não. Eu estou muito bem. Só queria te abraçar.

_Ficou carente?

- Sim...

_Vou ficar bem pertinho pra não se sentir mais assim.

Lembrei das palavras da minha tia: a felicidade raramente mora nas grandes conquistas; quase sempre se esconde nos pequenos momentos. Balancei a cabeça, afastando pensamentos que não cabiam ali.

- Amor! Amor!

- Oi, vida!

- Experimenta... só um pedacinho. Tenho certeza de que vai gostar.

- Tenho certeza de que não! E você não devia comer tanto açúcar no café da manhã.

- Eu preciso de muita energia.

- Por quê?

- Porque estamos em lua de mel e tem muitas coisas que eu quero fazer com você.

- Quais coisas?

- É segredo. Vai saber na hora certa...

Ficamos o dia todo assistindo filmes e comendo besteiras. Na manhã seguinte decidimos tomar café da manhã na praia. A preparação foi tão prazerosa quanto o café seria. Ela preparou sanduíches, enquanto eu fazia e colocava nas garrafas térmicas o achocolatado dela e o meu cappuccino. Também assamos uma quantidade absurda de pães de queijo.

Forrei a areia com um lençol, coloquei nossas coisas e nos sentamos. Apesar da temperatura estar alta, o dia estava nublado, com várias nuvens escuras, o que me causou uma certa preocupação.

- Acho que vai chover logo, devemos voltar pra casa?

- Creio que ainda vá demorar um pouco. Iremos quando ela começar a cair.

Os dias de sol na praia eram lindos, mas eu me encantava com as nuvens pré-tempestade; elas me causavam uma sensação misteriosa. Me distraí por um tempo observando o movimento das ondas, que se agitavam à medida que a tempestade ia se formando. Assim que as primeiras gotas começaram a cair, voltamos para a casa.

Levei Eve para o quarto, coloquei-a na cama, liguei a TV e me deitei ao lado dela. Ela dizia não estar cansada, mas adormeceu dez minutos depois que nos deitamos. Eu ia me levantar, mas a série que estava passando era bastante interessante. Não faria mal assistir a mais um episódio, certo? Um capítulo virou dois. Quando estava começando o terceiro, Eve se virou na cama, abriu os olhos ainda sonolenta e perguntou:

- Quantas horas são? Tenho que fazer o almoço.

- Ainda são dez, pode dormir mais um pouco.

Ela sorriu. Eu a puxei para perto e a abracei. Ela se ajeitou, ficando bem agarradinha em mim, depois fechou novamente os olhos e voltou a dormir. Fiquei enrolando uma das mechas do seu cabelo enquanto assistia à série. Aquele chamego me deixava com um quentinho no coração. Devia estar tendo um sonho bom, pois seu rosto estava sereno e sorridente. Parecia um anjo.

Fiquei ali, brincando com uma mecha do seu cabelo, até o sono me vencer também.

Quando acordei, Eve não estava na cama. Levantei, olhei no banheiro e no resto da casa. Ela não estava em lugar nenhum. Comecei a ficar apreensiva. Quando peguei o celular para ligar, vi que havia uma mensagem dela:

"Amor, fui ao supermercado. Volto já!"

Meu primeiro instinto foi ir atrás dela, mas um pensamento passou pela minha cabeça. Eve estava tentando voltar à sua vida ao normal. Ir ao supermercado sozinha era parte de sua tentativa de mostrar que era capaz de ser independente. Por mais que eu estivesse preocupada, tinha que respeitar e dar apoio. Respondi a mensagem pedindo para ela me ligar se precisasse de algo. Tentei me manter calma e serena enquanto esperava, mas a preocupação estava me enlouquecendo.

Meia hora depois, um carro parou em frente à casa. Abri a porta e fiquei observando para ver quem era. O motorista desceu, abriu o porta-malas e tirou a cadeira de rodas. Eve desceu do carro e se sentou nela. O rapaz pegou as compras, veio até a porta e me entregou. Eve agradeceu e entrou.

- Oi, amor.

- Oi... por que não me acordou para ir com você ao supermercado?

- Você estava dormindo tão profundamente que decidi te deixar descansar. Tive um pouco de dificuldade para pegar algumas coisas, mas no final deu tudo certo. Comprei tudo o que vou precisar.

- O que pretende fazer?

- É uma surpresa, mas posso adiantar que é minha especialidade na cozinha. E mais tarde vamos fazer um legítimo pão Italiano.

Assim que se refrescou, Eve colocou algumas almofadas na cadeira para ficar mais alta e começou a preparar o almoço. Tentei ajudar, mas ela não permitiu. Para facilitar o preparo, cortou tudo o que precisava e colocou sobre a enorme e até então desnecessária bancada de mármore ao lado do fogão. O antigo dono era chef e tinha um restaurante na cidade. Ele testava suas novas receitas em casa, por isso a cozinha era tão grande. Depois que comprei a casa, pensei em tirar aquela bancada dali. Eve, ao contrário de mim, achava-a bem útil.

Apesar de ter sido expulsa da cozinha, eu conseguia sentir o cheiro bom do que ela estava preparando.

- Amor! Pode vir, o almoço está pronto!

- O cheiro está ótimo!

- Espero que você goste. O cardápio de hoje é filé de frango recheado com bacon e mussarela, com creme de milho e arroz.

- Você caprichou, amor.

- Tudo para te conquistar, baby!

- Como se precisasse... eu sou completamente louca por você, meu amor...

O sabor estava de acordo com o cheiro. Simplesmente maravilhoso. Será que havia algo que ela não soubesse fazer?A resposta veio na sobremesa. Eve tentou fazer um tipo de mousse, mas deu terrivelmente errado. Ela ficou um pouco frustrada, mas logo riu de si mesma.

Depois do almoço, ficamos na varanda curtindo o frescor que vinha do mar. Não demorou para bater aquele soninho pós-almoço. Tentei manter os olhos abertos, mas o sono foi mais forte. Fui para a cama com a desculpa de continuar a ver a série. Adormeci.

Quando acordei, Eve de novo não estava na cama. Como era possível ela ser tão agitada? Desci as escadas e ela estava iniciando os preparativos do pão italiano.

- Vou poder ajudar dessa vez?

- Claro, meu amor. Venha!

Parecia uma coisa simples de se fazer. No entanto, eu estava sendo um desastre.

- Acho que estou mais atrapalhando do que ajudando, não é mesmo? Forno não é um dos meus pontos fortes.

- Sua presença está sendo muito importante.

- Não vejo como isso poderia ser possível. Tudo que fiz até agora foi abrir o pote de margarina. Talvez eu fosse mais útil se...

Eve rapidamente me silenciou com um beijo demorado e intenso. Voltei a sentir toda aquela ânsia que eu tinha de saborear e tocar cada parte dela.

- Olhar para você me deixa motivada, Helena. Por isso sua presença é tão indispensável...

Começamos a nos beijar e a vontade foi crescendo até não ser mais possível evitar. Coloquei-a sentada na bancada da cozinha. Ela tirou minha blusa e começou a beijar meu pescoço, abrindo a minha calça. Afastei-me um pouco para terminar de tirá-la. Ela tirou a blusa e se deitou na bancada para que eu tirasse seu short. Meu corpo inteiro se incendiou ao vê-la nua. Sua pele clara contrastava com o mármore preto. Seus cabelos ruivos, espalhados, pareciam ainda mais vivos. Ela parecia uma deusa.

Era um verdadeiro banquete. Minha boca começou a saborear, iniciando pelas pernas, subindo devagar pelas coxas. Ela se arrepiou e suspirou ao sentir minha língua quente provocando-a. Continuei explorando, sentindo, tocando, até que mudamos de posição e o encaixe se tornou perfeito. Nossos gemidos se misturaram, assim como o suor. Não demorou para atingirmos o êxtase.

Ela se deitou sobre mim, trêmula, respirando com dificuldade.

- Amor... você é mesmo uma caixinha de surpresas...

- Acho que estou perdendo a cabeça...

- Gosto desse seu lado imprevisível e selvagem...

- Será que me sentiria assim com outra mulher? Ou é você que me deixa desse jeito?

- Quer testar?

- Está com ciúmes?

- Não... vou subir!

- Eve! Você é o amor da minha vida. Eu amo cada centímetro da sua pele, a sua voz, o seu sorriso. É você que mora no meu coração.

Ela sorriu daquele jeito que me desmonta. E naquele momento, tudo parecia exatamente onde devia estar.

 

 

Fim do capítulo


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Comentários para 29 - Comer,dormir e amar ela:
jake
jake

Em: 14/02/2026

Que delícia de cap.Me preocupa Eve andando sozinha por aí...

Responder

[Faça o login para poder comentar]

Mmila
Mmila

Em: 29/01/2026

Ufa! Mais um capítulo excelente.

Responder

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HelOliveira
HelOliveira

Em: 20/01/2026

Só amor... capítulo leve... adorei 


Luciane Ribeiro

Luciane Ribeiro Em: 25/01/2026 Autora da história
Um frescor depois de tanto caos


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