34 por Luciane Ribeiro
Meteoros
Quando a noite caiu, coloquei algumas coisas necessárias em nossas bolsas, peguei o vinho e a champanhe da geladeira e acomodei tudo no carro. Conferi mentalmente se não havia esquecido nada. Agora só faltava ela.
- Está na hora - avisei, encostando no batente da porta do quarto. - Temos que ir.
Eve me olhou com curiosidade, o cabelo ainda solto, o rosto iluminado pela luz suave do abajur.
- Para onde vamos agora?
Sorri, estendendo a mão.
- Vamos observar as estrelas.
Ela não fez mais perguntas. Apenas entrelaçou os dedos nos meus, confiando, como vinha fazendo desde que decidimos caminhar juntas. No trajeto, o silêncio não era vazio; era confortável, preenchido pelo som do mar ao longe e pela expectativa tranquila do que ainda viria.
Estacionei em um ponto afastado, onde a iluminação não competia com o céu. Descemos do carro e caminhei alguns passos à frente.Antes de entrarmos olhei para o céu, depois para ela, e tive certeza de que algumas promessas não precisam ser ditas em voz alta. Algumas se cumprem simplesmente por estarmos ali.O lugar era um chalé de vidro, com vista para o mar. Apesar das paredes transparentes, o mundo lá fora não era capaz de ver o que acontecia ali dentro. A vista dava a sensação de que se podia tocar as águas escuras e a lua suspensa no horizonte. Os olhos de Eve brilhavam mais do que todas as estrelas daquele céu.
- Amor... que lugar lindo.
- Linda é você, Evelyn - respondi, com a voz baixa. - Não existe um momento em que eu te olhe e não enxergue essa beleza estonteante.
Ela não respondeu. Apenas se levantou devagar. Instintivamente, segurei sua cintura, temendo que perdesse o equilíbrio. Eve então ergueu o rosto e me olhou profundamente, com uma intensidade que sempre me desarma.
- Eu amo você demais, Helena.
Em seguida, me beijou. Um beijo profundo, carregado de tudo o que ainda não tinha sido dito. O desejo pulsou forte em mim, mas me contive. Ainda era cedo. A noite estava apenas começando.
- O lugar é lindo, sim - continuei, quando nos afastamos um pouco -, mas não é a atração principal de hoje.
Ela arqueou uma sobrancelha, curiosa.
- Não?
- Não. Soube que na noite em que nos beijamos pela primeira vez, aconteceu uma chuva de meteoros. Coincidentemente, hoje também vai haver uma. Um colega astrônomo construiu esse lugar justamente por ser um ponto estratégico para observar o céu. E eu sei o quanto você gosta de astrologia.
Eve sorriu, um sorriso lento, emocionado.
- Chuva de meteoros e você. - Ela respirou fundo. - Não dá pra ficar mais perfeito.
_Tem.certeza?Venha minha linda esposa. Acho que ainda consigo te surpreender um pouco mais.
Conduzi Eve ate a piscina com borda infinita que por si só já nos proporcionava um espetáculo. Ela olhou pra mim e sorriu daquele jeito que ela sabia que me desarmava ,sem que eu estivesse preparada começou a tirar suas roupas ficando completamente nua, em seguida entrou calmamente na agua me deixando imóvel e sem fala diante da vidão quase surreal de seu corpo nu que parecia reluzir a luz da lua.Sim!Naquele momento percebi que a amava quase chegando ao ponto da veneração.
_Vai me deixar nadar sozinha?
_Jamais ,meu amor!
_Precisa de ajuda para tirar as roupas?
_Acho que consigo fazer isso sozinha
_Então por que continua ai parada.
_Estou contemplando a visão da minha linda esposa.
_Amor ...venha longo...
Tirei minhas roupas um pouco ainda envergonha no inicio, confesso. Mas ao ver o quanto seus olhos brilhavam a cada roupa tirada ,minha insegurança com meu corpo deseapareceu.Entrei na agua e me aproximei dela ,ela sem rodeios me segurou pela cintura nos deixando próximas o bastante para sentir seu calor ,ainda que agua estivesse fria.
-Te peguei! Agora não vai mais conseguir fugir de mim.
Antes que eu dissesse qualquer outra coisa ,ela me beijou, não de forma carinhosa, foi um beijo intenso ,cheio de desejo. Ela me encostou na borda da piscina ,e seus lábios desceram pelo meu pescoço enquanto Uma de suas mãos desamarrou a parte de cima do meu biquini. O contato da sua pele nua em meus seios me arrepiaram e me fizeram desejar sair logo dali. Ela pareceu ouvir meus pensamentos.
_Vamos pra cama!
Só precisou de um olhar para me ter por inteiro. Não houve resistência. Havia algo ainda mais profundo do que na nossa primeira vez. Quando me deitei naquela cama, ela soube - e eu também - que dali em diante sempre seria dela. Aproximou-se devagar, consciente do efeito que causava. Não tinha pressa. Queria prolongar, saborear, tocar-me como quem sabe exatamente onde e quando pressionar.
O calor do meu corpo se concentrou entre minhas pernas no instante em que senti o peso do seu corpo nu sobre o meu. Sua boca macia, marcada pelo leve sabor de champanhe, me deixou tonta, vulnerável. Quando nossas línguas se encontraram, um arrepio denso percorreu minha espinha, como se algo tivesse sido despertado sem possibilidade de retorno. Sua boca desceu lentamente pela minha barriga, cada centímetro provocando minha pele, despertando um desejo quase doloroso - eu queria que ela chegasse logo, mas ela sabia me negar.
Desviou minha atenção para o seio esquerdo e passou a dedicar-se a ele como se fosse o único ponto do meu corpo que importasse. Sugava, rodeava com a língua, mordiscava com delicadeza calculada. Meu corpo respondia inteiro, vibrando mais abaixo, onde a sensação se tornava cada vez mais intensa, mais urgente. Eu já não pensava com clareza; sentia.
Quando finalmente se afastou dos meus seios, retomou sua lenta descida pela minha barriga, ainda mais provocadora. Fechei os olhos, rendida à espera. Um gemido escapou sem que eu pudesse conter ao sentir sua língua quente, espalmada, explorando com precisão o centro pulsante e úmido entre minhas pernas. Seus movimentos eram firmes e lentos, insistentes, como se quisesse me levar ao limite e me manter ali.
Eu me agarrava aos lençóis, tentando me ancorar em algo, qualquer coisa. O controle já não me pertencia. Meu corpo se contorcia, implorando silenciosamente por mais - mais intensidade, mais profundidade - temendo e desejando ao mesmo tempo que ela não parasse.
Antes
que eu perdesse de vez o controle ,Eve se encaixou em mim e começou a se mover no mesmo ritmo que nossas respirações que
ficavam cada vez mais aceleradas ,senti seu corpo dar um pequeno espasmo ,ela
me empurrou pra cama e usou seus dedos para me levar ao clímax que veio intenso
e mais intenso ficou ao sentir seu corpo desfalecer sobre o meu ,ainda tremulo
e quente .
Enquanto
os meteoros riscavam o céu, eu me perdia no universo particular que era Eve. Não
assistimos ao espetáculo luminoso; de algum modo, ele acontecia dentro de nós.
Nos conectamos de uma forma que eu não sabia ser possível, como se as
fronteiras entre pele e pensamento simplesmente deixassem de existir. Foi como
se nossos corpos se reconhecessem além do toque, como se nossas respirações
aceleradas obedecessem ao mesmo ritmo, guiadas por algo maior do que nós. O
mundo lá fora continuava girando, o céu se incendiava em silêncio, mas ali
dentro tudo se resumia àquela fusão rara, profunda, quase sagrada.
Ficamos entrelaçadas até que o sono me tomasse por completo. Quando acordei, Eve já não estava na cama. Encontrei-a na piscina, observando o mar e as estrelas, uma taça de vinho repousando entre seus dedos. A cena era tão bela que não bastava guardá-la apenas na memória - precisei capturá-la também em imagem. Ela percebeu minha presença ao ouvir o som do disparo.
- Essa foto vai sair cara, meu amor.
- Pago o preço que for por ela.
- Deixa a câmera e venha me fazer companhia. Vou te contar em detalhes quanto ela vai custar.
Entrei na água e a abracei por trás. Ficamos em silêncio, nossos corpos aquecendo a água fria, enquanto a noite, lenta e generosa, cedia espaço aos primeiros raios de sol. O céu clareava aos poucos, como se o mundo estivesse recomeçando - e, de algum modo, nós também.
Nossa estadia ali foi curta, mas as lembranças daquela noite mágica permaneceriam conosco enquanto vivêssemos. Havia algo nela que não se deixava prender ao tempo - como se aquele instante tivesse se expandido dentro de nós, silencioso e permanente.
Eve e eu voltamos para casa, e o cansaço nos venceu sem cerimônia; dormimos o dia inteiro, corpos ainda pesados de tudo o que havia sido vivido. À noite saímos para jantar e, quando retornamos, senti novamente aquela estranha impressão de estar sendo observada. Um arrepio discreto, quase fácil de ignorar. Eve, porém, riu de leve e me convenceu de que eu devia estar apenas paranoica, fruto do cansaço e de ainda não conhecer direito o lugar. Preferi acreditar nela.
O sol estava radiante lá fora quando acordei. Eu me sentia leve e vazia, como um livro em branco - e isso era bom. Significava que havia infinitas páginas novas a serem escritas, milhares de coisas a serem vividas, sentidas e registradas. Pretendia me levantar para preparar nosso café da manhã e depois arrumar nossas coisas para irmos à praia.
Quando me movi para sair da cama, Eve se virou. Passou o braço pela minha cintura, encaixou uma das pernas entre as minhas e acomodou a cabeça no meu pescoço. Fiquei completamente presa a ela. Não que fosse ruim - na verdade, era muito bom. Ainda assim, eu tinha coisas a fazer e precisava me levantar. Achei que ela estivesse acordada e comecei a falar, em voz baixa:
- Amor... me deixa levantar...
Não houve resposta. Com cuidado, me soltei e me virei para observá-la. Eve dormia profundamente. Os olhos fechados, o cabelo ruivo, cacheado e completamente desgrenhado espalhado pelo travesseiro, cobrindo parte do rosto. Afastei os fios com delicadeza e fiquei ali, admirando-a. Descobri que poderia passar o dia inteiro olhando para ela sem enjoar.
Mesmo assim, eu precisava sair daquela cama. Meu leãozinho logo acordaria - e com certeza estaria com fome. Precisávamos de lanches para passar o dia na praia.
Enquanto avaliava as opções de café da manhã, o telefone tocou. Era Luana. Pela voz, claramente irritada.
- Bom dia, Lu.
- Oi, Lena. Bom dia. Como você está?
- Estou bem.
- Não tenho notícias suas desde aquele dia no estacionamento do shopping. Você não liga, não responde minhas mensagens. Está com raiva de mim ou a Eve não deixa você falar com suas amigas?
Respirei fundo antes de responder.
- Me desculpa por não ter respondido. Aconteceram muitas coisas nos últimos dias. Fiquei sem tempo... e sem vontade de usar o celular.
- Aconteceu algo sério além do casamento, para o qual você sequer teve a delicadeza de me convidar? Achei que fôssemos amigas.
- Sim. Aconteceu. E foi sério o bastante para eu não conseguir trabalhar. Tirei uma licença. Quanto ao casamento... você sempre deixou claro que é contra meu relacionamento com a Eve.
- Sou e sempre serei. Mesmo assim, gostaria de ter estado ao seu lado nesse momento importante.
- Obrigada por se preocupar comigo.
Houve um breve silêncio antes de ela perguntar:
- Para onde vocês foram na lua de mel? Parecia o litoral.
- Estamos em Búzios.
- Você dizia que não gostava de praia. Por que escolheu Búzios?
- Porque comprei uma casa aqui. E a Eve adora praia...
- Tenho certeza de que tem sido mágico estar com ela. Eve é ótima quando começa um relacionamento. É a namorada dos sonhos de qualquer pessoa. O problema é quando o interesse dela acaba. Aí ela mostra a verdadeira face: desinteressada, fria.
- Luana, para-
- Certo! Não está mais aqui quem falou.
Respirei fundo, tentando manter a calma.
- Se deixasse o passado para trás e desse uma chance a ela, veria que a Eve é uma boa pessoa e uma ótima noiva.
- Você é muito ingênua. Sei que todo mundo merece uma segunda chance, mas, no caso dela, eu não acredito que tenha mudado. Você ouviu tudo o que as ex dela disseram. É sempre a mesma história: ela conquista e depois descarta.
- Ouvi. E escolhi arriscar mesmo assim.
- Por quê? Ela não te merece! Você é uma das melhores e mais puras pessoas que conheci. Estou tentando evitar que ela parta seu coração... de novo.
Minha voz saiu firme, definitiva:
- Me desculpa, mas já me cansei de pessoas dizendo o que acham ser o melhor para mim. Eu amo a Eve. Não importa se ficaremos juntas um ano ou dez. Aceite e supere. Ou será muito difícil continuarmos na vida uma da outra.
Do outro lado, o tom mudou.
- Você é muito teimosa. Embora eu não concorde, vou aceitar sua decisão. Não quero perder sua amizade.
- Que bom. Eu lamentaria muito perder a sua.
- Vou te deixar em paz. Preciso começar a trabalhar. Me ligue se precisar de alguma coisa... ou se apenas quiser conversar.
- Pode deixar. Vamos marcar de sair quando eu voltar.
- Vou aguardar. Tchau, Lena. Aproveite bastante sua licença.
- Tchau, Lu. Até logo.
Fim do capítulo
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Mmila
Em: 29/01/2026
Vixi, tem alguém seguindo a Helena....
Lá vem BO pra cima das duas.
Luciane Ribeiro
Em: 10/02/2026
Autora da história
Quem será e porque nossa Heleninha está sendo observada?Saberão bem em breve rs
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HelOliveira
Em: 15/01/2026
Quem sera que está observando elas...sinto que vem confusão pela frente
Luciane Ribeiro
Em: 19/01/2026
Autora da história
Será que vem caos ou será que vem mais revelações?
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