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  • Sob as Sombras de Nova Esperança
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Sob as Sombras de Nova Esperança por Dinha Lins

Ver comentários: 4

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Palavras: 5333
Acessos: 424   |  Postado em: 19/01/2026

Notas iniciais:

 

 

Capitulo 24

 Capitulo 24

 

A dor é inevitável. O sofrimento é opcional." - Haruki Murakami

 

O sol da manhã entrava tímido pelas janelas do quarto, Diana ainda sentia o peso do dia anterior, a noite mal dormida cobrava seu preço. Cada palavra de Rico ecoando como um corte profundo. O silêncio dele, a confissão em relação o pai, e a acusação sobre Ana Carolina, tudo se misturava em sua mente.

Diana passou as mãos pelo rosto, tentando afastar o cansaço, mas era como se a noite ainda estivesse ali, grudada em sua pele.

"Rico nunca esteve tão distante. Ontem, eu vi nos olhos dele algo que nunca tinha visto: mágoa verdadeira. E eu não sei como trazer meu irmão de volta."

O coração acelerava ao lembrar das acusações dele. A dor não vinha apenas das palavras, mas da verdade escondida por trás delas. Rico estava certo em parte: ela confiava em outros, escondia coisas dele, e agora escondia também de Ana Carolina.

Diana se levantou, caminhou até a janela e olhou para o horizonte.

"Carol acredita em mim... mas eu não fui sincera. Eu escondo dela que eu sou e o medo de que essa aproximação seja um erro. Como posso lutar contra os fantasmas do passado e, ao mesmo tempo, abrir espaço para alguém que carrega o sangue de quem destruiu meu pai?"

O receio se misturava à ansiedade. A lembrança da conversa com a mãe ainda ecoava: "Não deixe que a dor te transforme no que você mais odeia. " Mas como não se transformar, se cada passo em Nova Esperança parecia puxá-la para dentro de um labirinto de ressentimentos e segredos?

Diana fechou os olhos, respirou fundo e murmurou para si mesma:

- Eu não posso perder o Rico. Mas também não posso perder a Carol. E se no fim eu perder os dois? Eu não sei o que fazer.

Mais um dia começava e em vez de trazer paz, trazia mais perguntas.

Diana ainda estava diante da janela quando ouviu uma batida na porta. Ela fechou os olhos imaginando ser o irmão, não estava preparada para uma conversa àquela hora.

Liz entrou, o semblante fechado e os olhos vermelhos de quem não dormira bem.

- Precisamos conversar, Diana. - Disse, firme.

- Deixa eu primeiro fazer minha higiene, pode esperar só mais um pouco?

- Sim.

Logo depois de sair do banheiro, Diana encontrou a amiga de braços cruzados na pequena varanda.

Liz. - Disse Diana, tentando suavizar o tom.

Ela não respondeu de imediato e apenas a encarou, os olhos marejados de raiva e mágoa.

- Liz...

- Eu ouvi tudo ontem.

Diana fechou os olhos e respirou fundo. Coçou a cabeça levemente e baixou os olhos.

- Não pense que estava ouvindo por quis a conversa de vocês dois. Ontem mais cedo havia discutido com o Rico. Quando voltei para casa, resolvi conversar com ele, a porta do quarto estava entre aberta e por isso pude ouvir a conversa.

Diana se aproximou, a voz calma:

- Que parte você ouviu?

- Quando cheguei vocês já estavam conversando, mas, deu pra ouvir uma boa parte.

-Liz, ele está perdido, confuso...

- O que eu vi e ouvi ontem do Rico não é de alguém confuso, Diana. Não precisa tentar proteger seu irmão.

- Olha... Eu realmente não sei o que dizer, porque o que você ouviu...

- Não foi apenas a sua discussão com ele Diana, antes de você voltar nós tivemos uma briga séria, não apenas eu, mas ele discutiu com meus pais, tentou menosprezar o Douglas, por isso fui atrás dele no quarto.

Diana ficou sem entender o que a amiga estava falando.

- O que eu ouvi mais cedo ontem, não correspondia com o Rico que eu conheço, o cara por quem fui apaixonada, você é testemunha disso, antes de virmos eu falei pra você que iria tentar algo com ele...

- Como assim ele discutiu com vocês?

- Vocês discutiram ontem mais cedo e quando você saiu a cavalo, o papai ficou preocupado, ele quis fazer alguma piadinha sem graça ou justificar algo da cabeça dele, sei lá... O meu pai não gostou nada e as coisas foram escalando e escalando...

- Jesus! - Diana baixou a cabeça e respirou fundo.

- Eu não peguei toda a discussão, apenas o final quando ele falou que também era patrão e que deveria ser respeitado.

Diana levantou a cabeça rapidamente e os olhos arregalados.

- Ele disse o que?

- Isso o que você ouviu.

- Ele tá maluco? Quem ele pensa que é pra falar com o Brito e Mariana desse jeito?

- Foi nesse momento que eu respondi a ele que você era a dona da fazenda. Então...

- Você agiu certo Liz. Não vou permitir que ele ou qualquer pessoa destrate vocês ou qualquer empregado da fazenda. Ele fez ou disse mais alguma coisa? Porque você falou em menosprezar o Douglas?

- Eu sei Di, então meus pais saíram e ficamos eu, ele e o Douglas. - Liz baixou os olhos - Sai rapidamente e precisei voltar, e ele estava insinuando que meu irmão era apenas um artista - Liz fez aspas com as mãos - "Para um artista você está se levando muito a sério".

Diana balançou a cabeça negativamente.

- Foi quando a discussão saiu de controle, disse umas verdades a ele e sai, acho que o Douglas também saiu logo depois.

- Eu não sabia Liz. Acabei voltando na parte da tarde, precisa pensar, colocar as ideias no lugar.

- Tudo bem, Di. Eu imaginei isso e falei pra ele, só que o bonitão não quis ouvir ninguém.

- Eu não estou reconhecendo meu irmão.

- Se você não reconhece, imagina eu? Sempre gostei dele, Diana. Mas ontem... ontem eu vi um Rico que eu não conhecia. Um Rico que me feriu. E eu não sei se consigo olhar pra ele do mesmo jeito. Ele me beijou antes de ontem no Rancho 7, não sei se impulsionado pela bebida ou...

- Ou?

- Ele pegou uma implicância absurda com a Alice. E ela estava lá também... Quando ele a viu, veio ainda mais pra cima de mim...

- Eu preciso conhecer essa Alice melhor...

- Di...

O silêncio caiu entre as duas. Diana queria defender o irmão, mas também sabia que Liz tinha razão. Rico estava perdido, e sua dor estava machucando todos ao redor.

Diana tocou levemente o braço da amiga: - A única coisa que posso te falar com certeza é que você não merece carregar essa mágoa, Liz. O Rico não pode agir dessa maneira. Não conheço a Alice e por isso não posso fazer algum julgamento sobre ela, o que ouvi até agora foram apenas elogios, quanto ao Rico... você ainda quer estar perto dele?

Liz hesitou, respirou fundo e respondeu com firmeza:

- Eu não sei, Diana. Eu preciso de tempo. Porque se eu ficar perto dele agora, vou acabar dizendo coisas que não quero.

Diana suspirou, apoiando-se no parapeito da varanda.

- Liz, eu também estou machucada com o que o Rico disse. Ontem, enquanto estava fora, conversei com a mamãe... e olha que não sabia do que tinha acontecido com vocês. A única coisa que posso fazer é tentar conversar, mas, não vou impor nada. Eu não posso fazer nada sem que ele se permita, ele precisa se desculpar com vocês, comigo, porque no fim quem está de birra é ele e isso sempre acontece quando ele não sabe lidar a alguma pressão.

Liz assentiu, ainda com o semblante pesado.

- Di, dói porque eu sempre vi nele alguém diferente. Ontem, parecia outra pessoa. Foi algo que nunca pensei dele. Não só pelo que aconteceu no Rancho 7, foi um somatório com o auge na sua conversa. Me senti um objeto, um prêmio, uma propriedade, e tudo isso está me consumindo.

Diana olhou para a amiga sem conseguir falar nada.

- Eu tenho escolha, Di. Livre arbítrio, eu não sou dele. Fora uns beijos trocados esses dias ou antes, o Rico nunca quis nada sério, e como era divertido, me deixei levar... só que agora...

- Agora?

- Eu não sei, Di. - Liz passou a mão nos cabelos, levantou e foi até o parapeito da varanda. - Parece que essa cidade nas últimas semanas fez com que nós duas saíssemos um pouco do lugar comum, né?

- Você fala da Ana Carolina e da Alice? - Diana falou tentando suavizar o clima. - O que está acontecendo entre vocês duas?

Liz respirou fundo e fechou os olhos sentindo a leve brisa.

- Nada... Não tá acontecendo nada entre nós duas.

- Liz...

- É sério Di, quem virou amiguinha dela foi minha mãe...

- Sinto um cheiro no ar de ciúmes...

- Que ciúmes, o que...

- Sério, Liz. Conheço o meu irmão o suficiente pra saber que essa Alice, deve no mínimo ter ignorado alguma cantada dele ou não foi com a cara dele por qualquer motivo, o Rico não sabe lidar com indiferença, então não vou levar nada do que ele fala em consideração.

- Hum...

- Quanto a sua mãe... provavelmente a Alice deve ser alguém no mínimo boa gente, porque a Mari, jamais deixaria alguém se aproximar se sentisse que a pessoa não é do bem.

- E quanto a sua futura namorada, não conta não?

- Futura namorada? Você sabe que com a Ana Carolina as coisas são mais complicadas, né?

- Sei, vocês duas tem um monte de história não resolvida, uma rixa familiar extensa...

- Se fosse só a rixa...

- Julieta e Romeu? Na verdade, Julieta e Julieta, né?

As duas riram.

- A Ana Carolina pelo pouco que deu a entender, adora a Alice, são extremamente amigas.

- Di... Nos últimos dias, na verdade, desde o almoço que tivemos, ela vem se tornando ou tomando um espaço que eu não esperava. Ela é atenciosa, gentil, sempre me manda mensagens pelo direct, curte as minhas postagens...

- E?

- Mesmo eu nunca respondendo os directs...

- E porque você nunca respondeu?

- Di... Nada contra, mas, eu nunca me senti atraída por mulher. E tinha o Rico...

- Tinha o meu irmão? Não tem mais?

-....

- Você nota que tudo o que nós conversamos até agora, o verbo em relação ao Rico está sempre no passado?

- Oi?

- É... Você usou o gostava, era encantada, tinha ele... Enquanto com a Alice, o verbo está sempre no presente...

- Isso... Isso, não quer dizer nada...

- Pode não dizer nada agora... ou pode dizer tudo o que você não definiu consciente, né?

- Ela saiu acompanhada de uma loira linda do bar.

- Não entendi, que loira? Quando?

- Depois que o Rico me beijou... Eu acabei indo a procura dela no banheiro... Ela não me tratou mal ou foi grossa, mas, a reação dela...

- Te deixou sem saber como agir...

- Isso e não sei, me senti invisível. Como se ela não ligasse. E isso mexeu comigo. E quando voltamos, ela sentou com o ex... que pelo visto quer deixar de ser ex... Mas, viu uma loira lá e acabou saindo com ela.

- E você?

- A noite acabou pra mim, Di.

Diana a observou em silêncio, percebendo que a dor de Liz não vinha só de Rico, mas também da confusão de sentimentos em relação a Alice.

- Liz, só talvez, as duas precisem conversar.

Liz respirou fundo, os olhos marejados.

- Eu sei. Mas é difícil.

- Difícil? Por ela ser mulher? Pelo meu irmão?

- Eu não sei, Di. Por tudo isso que você falou. Ela é diferente, eu to sentindo algo que não sei como chamar... tô confusa e sem saber onde e com quem ou ao que eu pertenço.

Diana tocou o ombro da amiga com carinho.

- A você mesma, Liz. É a quem você pertence. Não a algum rótulo, pessoa ou sentimento. Se precisar, leve o seu tempo, mas...

- Mas?

- Seja verdadeira primeiro com você e depois com o idiota do meu irmão e a doutorazinha...

Liz enxugou discretamente uma lágrima, tentando disfarçar.

- Eu não sei o que fazer, to perdida, Di...

Diana a abraçou, sentindo o coração apertar.

- Estamos as duas, né? a Carol é uma história complicada, e a Alice... talvez seja apenas o reflexo de algo novo que você ainda não entendeu...

- Estamos arrumadas, hein? - Liz respondeu.

Diana olhou para o horizonte mais uma vez. Liz se calou, apoiando a cabeça no ombro da amiga. O silêncio entre elas não era vazio, mas cheio de perguntas sem resposta.

O celular de Diana vibrou sobre a mesa. Ela hesitou antes de ir pegar, como se temesse que qualquer notícia pudesse desmoronar ainda mais o frágil equilíbrio daquela manhã.

Era uma mensagem de Ana Carolina:

Carol: "Daqui a pouco estarei indo para Nova Esperança.

Vou ficar na cidade mesmo. Te espero para o jantar."

Diana sentiu o coração acelerar. Liz levantou a cabeça, percebendo a mudança no semblante da amiga.

- É dela, né?

Diana apenas assentiu, mostrando a tela.

- Carol...

Liz suspirou, tentando esconder o misto de curiosidade e receio.

- Então, parece que a noite vai ser longa.

Diana pegou o celular, respirou fundo e digitou rapidamente:

Diana: "Estou ansiosa pelo jantar 😁🔥"

Ao enviar, ficou olhando para a tela por alguns segundos, como se esperasse que Carol respondesse imediatamente. Liz, voltou a encostar no ombro da amiga, levantou a cabeça e arqueou uma sobrancelha.

- Emoji sorrindo e fogo? Diana não acredito nisso...

- O que?

- Nada.. Nada... Vai jantar com talzinha, é?

- Ei... Ela tem nome, ta? Pode chamar ela Ana Carolina..

- Já defendendo a namoradinha, é?

As duas riem cumplices.

- Ai... Liz... Essa história vai dar tanta dor de cabeça. Eu sei que não devia estar me aproximando desse jeito dela, mas, não consigo evitar.

- Di, vocês estão começando algo, não seria melhor contar a verdade para ela e enfrentar o que tiver que ser? Porque, eu no lugar dela, quando descobrisse a verdade, não iria te perdoar.

- Porr*, Liz!

- É a verdade, Di. O que você faria no lugar dela ao descobrir toda essa história? Que tipo de relacionamento é esse que você quer ter com ela?

Diana abaixou a cabeça, respirou fundo e olhou a paisagem, o sol nascia calmamente no horizonte.

- Eu sei que estou errada. Não quero mentir para ela, só que o que acontece se eu falar a verdade para ela agora?

- É uma tremenda confusão...

- Confusão é pouco. Eu coloquei a Lavínia e o Jarbas para investigarem o processo do meu pai.

- E?

- Esse foi mais um dos motivos para o Rico brigar; ou sei lá o que ele estava pensando.

- Hein? Porque ele brigaria por isso?

- Porque segundo ele, eu não o escuto ou pergunto a opinião dele.

- Juro que ainda não entendi.

- Eu também, não. Mas, não é sobre isso o que quero falar... - Diana olhou para a amiga mordendo os lábios. - Vou passar uns documentos que tenho, anotações de antigos detetives, alguns documentos que minha mãe tinha guardado e assim que eles tiverem alguma posição, eu vou contar toda a verdade pra Carol.

- Hum.. Você pretende esperar ter algo concreto?

- Sim e não. Eu já tinha decido falar a verdade pra ela, só resolvi esperar ter algo concreto sobre a inocência do meu pai e a armação do que foi tudo aquilo, não sei qual vai ser a reação dela...

- Você está com medo dela... Ou melhor da reação dela ao descobrir quem é você?

- Sim. Mas, é como você disse, que tipo de relação é essa que desejo construir? E com certeza não é a base de mentiras.

- Não quero estar no seu lugar, Diana.

- Nem eu quero estar, Liz. Ei vamos descer? To com fome e temos trabalho que não podem esperar.

No clima de brincadeiras entre as duas, Diana em tom de brincadeira, cochicha para Liz:

- A tal Dra Alice ia gostar de ver você assim, toda sorridente...

- Ei... E a talzinha lá da Ana Carolina de você não iria gostar, né?

As duas saíram do quarto ainda abraçadas e rindo, quando deram de cara com Rico no corredor.

Ele arregalou os olhos, fechando o semblante imediatamente. O que viu bastou para imaginar que Liz havia passado a noite no quarto da irmã. O ciúme queimou dentro dele.

- Bom dia Rico. - Diana falou calmamente com o irmão.

Um bom dia murmurado foi a resposta dele, ele mordeu os lábios e balançando a cabeça disse de maneira contrariada: - Parece que vocês tiveram uma noite bem animada.

As duas se olharam. Liz com um sorriso sarcástico prontamente respondeu: - Noite e madrugada! O que não faltou foi animação.

Diana acabou rindo das palavras da amiga.

Douglas saiu do quarto logo atrás, sorridente:

- Olha só, as duas já começaram o dia em clima animado!

A leveza dele não encontrou eco em Rico, que desceu as escadas sem dar mais atenção, ainda chateado. Liz também fechou a cara, ainda carregando a mágoa da noite anterior. Diana ficou no meio, sem saber como reagir.

Na mesa do café da manhã, Brito e Mariana já estavam sentados. Conversaram sobre a lida do dia, mas o clima era pesado. Liz logo se levantou para acompanhar a mãe na fazenda. Brito chamou Diana para o escritório, enquanto Rico permaneceu na mesa com Douglas.

Douglas tentou puxar assunto, mas o amigo continuava de cara fechada. Magoados, os dois se calaram. Douglas acabou saindo, deixando Rico sozinho. Ele pensou em chamá-lo de volta, mas engoliu as palavras.

No escritório, enquanto passava alguns relatórios para Diana, Brito conversa sobre seu sumiço no dia anterior.

-Diana, sobe ontem..;

- Eu sei que prometi não sair sozinha Brito, mas, eu precisava ficar só um pouco. Acabei demorando mais do que o esperado, mas, está tudo bem. Nada aconteceu.

- Ontem em momento acabei falando com o Rico sobre você está sendo ameaçada.

- Tudo bem Brito, eu ainda não sei como serão as coisas com o meu irmão, um dos motivos para a minha saída intempestiva foi justamente uma discussão com ele, a Liz me falou algumas coisas hoje mais cedo.

- O que ela te disse?

- Nada de mais, apenas que eles também discutiram e que ele acabou tratando mal a todos vocês. E gostaria de te pedir desculpas por isso, não sei o que deu nele. Mas, sei que nem você e muito menos a sua família merece qualquer ataque pessoal ou profissional.

- Não se preocupe, o que ele falou eu e Mari não levamos em consideração, já não posso falar por Douglas ou Liz.

- Ela tá muito chateada com ele, mas, acredito que tudo se encaixe em algum momento.

- Assim espero...

- Um dos pontos de discussão com o Rico ontem foi que coloquei o Jarbas e a Lavínia para investigarem o processo do meu pai e também tudo o que cerca não só o processo como também as investigações da polícia, promotoria e tudo o que eu tiver de documentos.

- E porque isso seria um problema?

- Vai se entender a cabeça dele? Enfim fiquei de passar alguns documentos para eles, mas, antes vamos chamar o Rico aqui, os relatórios que você está me passando ele precisa estar a par já que a integração dos sistemas passa por ele.

Brito assentiu e chamou o rapaz. O clima não era dos melhores, mas ambos se mantiveram profissionais. Diana reforçou:

- Quero os escritórios e toda a parte administrativa e laboratorial prontos o mais rápido possível.

- Você precisa visitar as outras fazendas para ver como estão as reformas que pediu, Diana.

- Vamos fazer isso durante a próxima semana, Brito, até lá quero tudo o mais adiantado possível, estamos atrasados nessa questão, daqui a pouco chega a hora de colher as plantações, ou o abate e venda do gado e não está nada pronto. Quero urgência nessas questões.

- Então deveria dar mais atenção a isso, não acha? - Rico fala no intuito de cutucar a irmã.

- Eu estou dando a atenção necessária e por isso estou cobrando de vocês, Ricardo. Se não estivesse, você não estaria aqui nesse momento.

- É para isso apenas que sirvo ultimamente, não é?

- Não vou levar esse assunto a diante. Se você quer ter motivos para alguma discussão boba, não tenho tempo para isso. O que eu espero que você seja no momento, é profissional. Estamos entendidos.

Rico engoliu seco e balançou a cabeça, nas mãos era possível ver a força que ele fazia ao aperta-las.

- Brito, por favor adiante o que pedi e me deixe sozinha com meu irmão, por favor.

Rico permaneceu em silêncio, os olhos fixos na irmã. Diana respirou fundo, tentando controlar a própria raiva.

- Rico, eu não vou ficar brigando com você, por qualquer motivo.

- Não é por qualquer motivo Diana.

- Não é possível! Rico, não sei mais o que fazer contigo, meu irmão. Mas se continuar desse jeito, vai acabar sozinho.

Ele desviou o olhar, apertando ainda mais as mãos.

- Talvez seja melhor assim, se não sou compreendido, porque vou querer ter essas pessoas ao meu lado?

- Você está se ouvindo, Rico?

O silencio foi a resposta. Diana sentiu o coração apertar. Queria gritar, mas apenas fechou os olhos.

- Hoje à noite eu tenho um jantar. Amanhã... nós dois vamos conversar de verdade.

Rico não respondeu. Apenas saiu do escritório, deixando Diana sozinha diante dos papéis e das próprias dúvidas.

O dia correu tranquilo. Diana não se afastou da casa grande, o que para Brito já era uma vitória. Liz passou o dia pensativa, lembrando da conversa com a amiga e mergulhada nos afazeres da fazenda que estavam sob sua responsabilidade, as tarefas se acumulavam, mas a cada pausa, o rosto de Alice surgia em sua mente. Era como se a presença dela estivesse impregnada em cada detalhe, mesmo sem estar ali.

No meio da tarde, encontrou a mãe perto do curral. Mariana, com o olhar atento e sereno, percebeu o semblante da filha.

- Liz, você anda diferente. Quer me contar o que está acontecendo?

Liz hesitou, mas acabou desabando em palavras. Falou de Rico, das mágoas, e de Alice. Mariana ouviu com paciência, sem interromper.

- Filha, sentimentos não são erros. O erro é negar o que você sente. Você tem liberdade de escolha, mas precisa ser sincera consigo mesma. Não viva para agradar os outros, viva para ser inteira.

As palavras da mãe ecoaram fundo. Liz respirou fundo, abraçou Mariana e ficou em silêncio por alguns segundos. Quando a mãe se afastou, Liz pegou o celular.

Sem pensar muito, seguiu Alice no Instagram. A curiosidade tomou conta: fotos, destaques, momentos que revelavam uma Alice diferente da que ela conhecia. Foi então que viu uma curtida e um comentário da loira que havia saído com Alice na noite anterior. O coração apertou. Um sentimento estranho, incômodo, tomou conta dela.

- Ciúmes... - murmurou para si mesma, surpresa. Não gostava da sensação, mas não podia negar.

###########

Enquanto isso, na cidade, Ana Carolina chegava ao apartamento carregando algumas sacolas de compras. Ligou para os avós, avisando que ficaria em Nova Esperança porque no dia seguinte teria plantão no hospital.

Ao subir, deu de cara com Alice chegando em casa. A amiga parecia abatida, com aquele ar de ressaca moral que não se esconde nem com sorriso.

- A noite foi boa? - Carol perguntou, provocando.

Alice ajeitou os cabelos, tentando disfarçar.

- Poderia ter sido melhor... mas terminou muito bem.

Carol arqueou a sobrancelha, curiosa:

- Não era você que estava afim da amiga da Diana?

Alice sorriu de canto, sem responder de imediato. O silêncio dela dizia mais do que qualquer palavra.

- Vem, entra aqui e me fala o que está acontecendo.

Ana Carolina largou as sacolas sobre o balcão do apartamento e se jogou no sofá, ouviu a porta bater atrás de Alice, que entrava com passos lentos e um semblante de quem comeu e não gostou.

- A noite realmente não foi boa? - Carol perguntou, com um sorriso provocador.

Alice suspirou, largando a bolsa sobre a cadeira.

- Poderia ter sido melhor... mas terminou muito bem.

Carol a observou com atenção, percebendo o peso escondido por trás das palavras.

- Alice, você precisa abrir os olhos. Esses encontros... não te agregam nada. São só fugas passageiras.

Alice ficou em silêncio por alguns segundos, estremecida. Depois murmurou:

- Eu precisava daquilo, Carol. Ou iria acabar fazendo uma besteira pior. Não vou ficar sofrendo por alguém indecisa. Eu estava realmente interessada na Liz, mas não vou dar murro em ponta de faca.

Carol se inclinou para frente, firme:

- E fugir a qualquer contratempo não é pior? Não mostra uma imaturidade sentimental? O que a menina fez? Ainda não te seguiu no instagram ou respondeu as suas mensagens?

Alice ergueu o olhar, os olhos brilhando de uma mistura de raiva e dor.

- Estava ontem aos beijos no Rancho 7 com o talzinho irmão da sua, como posso chamar ela?

- Diana, você pode chamar ela de Diana. E desde quando você fica assim por beijos de ficantes? Você não é que não se apega?

- Não dá nem pra chamar ela de ficante... beijante ou qualquer ante ai que você conheça...

As duas se olharam e começaram a rir.

- Jesus.. só você mesmo, Alice. Tem coisas que só você pode falar...

- O que?

- Sério... Ela tava aos beijos com o irmão da Diana? Assim do nada?

- Bem... Que eu visse, né... Foi apenas um beijo... E ela foi atrás de mim no banheiro...

- E?

- Nada, acha que sou dessas que agarram o outros no banheiro de bar? Ta me confundindo com você e a Diana?

- Menos, Alice... Bem menos.

Alice olhou para amiga, mordeu os lábios com certo receio, respirou fundo e disse:

- Se a Liz realmente me der uma oportunidade de nos conhecermos melhor, aí sim eu posso investir. Mas eu não vou ficar choramingando pelos cantos por alguém que não me merece.

Carol cruzou os braços, sem desviar o olhar.

- Então me explica: por que você não parece feliz ou animada depois dessa noitada? Porque os meninos mandaram mensagem dizendo que você saiu acompanhada de uma linda loira. E nem venha com desculpa de cansaço, porque eu te conheço muito bem, Alice.

Alice abriu a boca para responder, mas as palavras não vieram. Apenas se calou, desviando o olhar para o chão. O silêncio entre as duas era pesado, cheio de verdades não ditas.

Carol suspirou, recostando-se no sofá.

- Você precisa decidir o que realmente quer, Alice. Fugir não vai te levar a lugar algum, não estou dizendo que você não possa conhecer alguém em uma saída e daí não possa vir a ter um envolvimento, mas, simplesmente sair e trans*r com alguém, só leva a relacionamentos rasos...

Alice permaneceu quieta, sentindo o peso da verdade que não queria admitir.

- E você sabe que não relacionamento raso o que você procura. Esse seu interesse pela Alice, não é puramente físico - Alice a olhou espantada - Ei, não estou dizendo que você está apaixonada ou que a ame, o que estou dizendo é que vai além do interesse físico, sexual.

- Ela ta mexendo comigo Carol, não vou dizer que seja paixão a primeira vista, mas, que bateu algo a primeira vista... sim. E depois quando a vi com a mãe que por favor, é uma mulher incrível, já até conversei com o pai, dela acredita?

Carol começou a ri da cara da amiga.

- Não ri, Carol. Poxa... Eu conquistei os sogros antes da filha...

Elas se olharam e começaram a rir.

- Vem encantadora de sogros, vem me ajudar com a preparação do jantar e você vai me explicar direito essa história dos teus futuros sogros...

- Que futuro sogros, o que? Enquanto converso com os pais, o bonitão lá beija a filha! Grande negócio eu to fazendo...

- Deixa disso, vem me ajudar que esse jantar não vai se preparar sozinho.

- Olha como quer me explorar... Se bem que você durante o jantar com sua namoradinha, poderia sondar algo, né?

- Sondar o que Alice? Um é irmão e a outra é melhor amiga, o que você quer que pergunte a Diana?

- Hummm... Tem razão... Não vai perguntar nada, vai é fazer com que a sua namoradinha fique a meu favor...

- Que?

- Que o que? Já foi mais eloquente Dra Ana Carolina... E nem reclamou que chamei a outra de namoradinha...

- Cala a boca e vem me ajudar que é o melhor que você faz.

As duas seguiram brincando para a cozinha do apartamento de Carol entre brincadeiras.

Enquanto isso na fazenda, Diana permanecia no escritório, os papéis diante dela pareciam mais pesados do que qualquer relatório. O jantar com Ana Carolina se aproximava, e com ele a necessidade de enfrentar verdades que vinha adiando.

- O que eu faço? Falo a verdade de uma vez e corro todos os riscos ou começo a deixar subtendido a verdade? Ou pior, continuo mentindo e posso perder de vez ela?

Rico, isolado, caminhava pela casa grande como uma sombra. O silêncio dele era mais cortante do que qualquer palavra. Estava confuso, começava a entender que brigando não chegaria a lugar algum e ainda correria o risco de perder não apenas a irmã, mas, os amigos. Ele baixou a cabeça e sentou-se na escada ao lado, ficou olhando para aquele lugar tentando entender onde ele se encaixava em toda aquela história.

Ele estava ali há algum tempo, viu quando Brito chegou e foi a procura da irmã, Mariana e Douglas chegaram animados, o amigo ainda fez um sinal, e Mariana apenas sorriu, mexeu com seu cabelo e seguiram adiante, mais um tempo e Liz chegou, mal olhou para ele e logo entrou na casa.

- É Rico... Parece que você vai precisar de muito mais que sorrisos para resolver ou amenizar as merd*s que você fez e falou...

No quarto, após o banho e sentada na cama Liz encarava o celular. A tela mostrava o perfil de Alice, e a sensação que tomou conta dela era inesperada: ciúmes. Tentou negar, mas não conseguiu. Sua mãe tinha razão - sentimentos não eram erros, o erro era fugir deles. Já havia seguido Alice e até agora a médica não deu nenhum sinal de vida. Essa espera a estava corroendo.

- Já deve ter visto que comecei a segui-la. Será que eu devo mandar uma mensagem? Não... não... respira Liz, você não vai meter os pés pelas mãos. É melhor esperar um pouco.

Ela então levanta e começa a andar pelo quarto.

- E se ela passou o dia com aquela loira? Será que... Elas já se conheciam e tem um caso de sex* casual? Não... Não... Não... Para com isso Liz.

Liz deitou na cama e fechou os olhos. Esperar era a única escolha no momento.

Na cidade, Alice se calava diante das provocações de Ana Carolina. Fugir parecia mais fácil, mas o silêncio revelava o que ela não queria admitir: Liz já ocupava um espaço que nenhuma fuga conseguiria apagar, ocupada ajudando Carol, não percebeu a notificação. Só quando tudo estava pronto e ela se despedia da amiga, pegou o celular. Ao ver a notificação do instagram sobre Liz, sorriu de canto, os olhos brilhando com uma mistura de surpresa e satisfação.

- Não vou te responder assim fácil não, lindinha... - murmurou para si mesma, guardando o segredo no bolso da noite que começava.

E enquanto o sol se despedia de Nova Esperança, cada coração carregava segredos que não poderiam permanecer ocultos por muito tempo. A noite que chegava não seria apenas mais uma - seria o início de escolhas que mudariam destinos.

Fim do capítulo

Notas finais:

Olá pessoal,

Primeiro, feliz 2026 a todas!

Seundo, saudades de vcs! 

E ainda estou na correria do trabalho, peço desculpas pelo atraso do capitulo.

Espero os comentários e mutos comentários para animar a autora,

 


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Comentários para 24 - Capitulo 24:
jake
jake

Em: 03/02/2026

Oque dizer ??Medo ..... Feliz 2026 a vc que seja um ano repleto de bençãos alegrias e realizações ah inspiração pra vc e toda família 

 

 

 


Dinha Lins

Dinha Lins Em: 22/03/2026 Autora da história
Obrigada! Que 2026 também seja de muitas alegrias para vc e sua familia!
O medo é um mal conselheiro, as vezes...


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Zanja45
Zanja45

Em: 19/01/2026

Ansiosa pelo jantar, pois promete muitas emoções boas. Quero ver como Carol vai reagir diante do que Diana tem pra contar a ela.


jake

jake Em: 03/02/2026
Na até comi a sobremesa ????



Dinha Lins

Dinha Lins Em: 22/03/2026 Autora da história
E o jantar....a sobremesa era a Carol e nem rolou.... kkkkkk
Nem deu tempo da Diana falar nada...


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Zanja45
Zanja45

Em: 19/01/2026

Que cara azedo é esse irmão de Diana, ele se incomoda com tudo, até a felicidade dos outros. No entanto ele percebeu que se não melhorar vai ficar sozinho.


Dinha Lins

Dinha Lins Em: 22/03/2026 Autora da história
Sim... tem que dar gelo no Rico...


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Zanja45
Zanja45

Em: 19/01/2026

A Dra Alice não é brinquedo, não. vai deixar Liz um pouco no suspense. Kkkkk!


Dinha Lins

Dinha Lins Em: 22/03/2026 Autora da história
Alice é bem resolvida, ta nem ai... ou parece não estar nem ai... kkkk


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