Capitulo 23
Capitulo 23
"Sou mais forte do que pensava, mas também mais frágil do que imaginava. " - Clarice Lispector
O tempo havia passado. O choro já não vinha em soluços, mas em lágrimas silenciosas que escorriam sem resistência. Diana respirava fundo, tentando se recompor. O celular vibrou novamente.
Ana Carolina: Diana... você deve estar ocupada....
Estou prestes a entrar no centro cirúrgico.
Por isso vou ficar off... beijos.
Diana hesitou, mas dessa vez respondeu: "
Diana: Estou bem, Carol. Também pensei em você."
A resposta foi curta, mas sincera. Logo veio outra mensagem:
Ana Carolina: Pensei que você não queria falar comigo.
Diana: Desculpa, linda. Alguns problemas aqui...
Ana Carolina: Quer conversar sobre esses problemas...
Diana: Hoje não. Ainda ajudando seu amigo?
Ana Carolina: Sim, talvez tenha que ficar aqui hoje a noite.
Vai depender do pós-operatório.
Diana: Nosso jantar amanhã?
Ana Carolina: Confirmado. Ei, tenho que ir... se cuida, tá...
Diana: Você também e boa sorte na cirurgia, Carol.
Ana Carolina: Beijos...
Diana sorriu entre lágrimas.
O coração se aquietou por um instante. O vento leve, o som do rio e a lembrança do pai ainda a acompanhavam, mas agora havia também a expectativa de reencontrar Ana Carolina.
Enquanto isso, Douglas e Rico chegavam à casa grande. O ambiente estava carregado: Mariana e Brito conversavam e a preocupação era evidente.
- Diana não voltou ainda - disse Mariana, aflita.
Rico, ainda chateado, retrucou: - Não precisam se preocupar tanto. Ela sabe se cuidar.
Mariana o encarou firme: - Você está sendo um moleque mimado, Rico. Agora entendi por que Diana te deixou de fora de muitas coisas.
Rico se ofendeu, abriu a boca para reclamar, mas Brito foi direto: - Pare com isso. Se não for pra ajudar, não atrapalhe.
- Todos deveriam lembrar que eu também sou patrão aqui! - Rebateu Rico, exaltado.
Nesse momento, Liz entrou e ouviu o final da conversa.
- Patrão? Lembre-se que aqui a dona é Diana, não você.
Rico olhou para Liz não gostando da interferência. Ela nem deixou ele responder e continuou: - Passei a manhã inteira tentando falar com ela porque precisava do aval dela, para algumas situações e não consegui.
Brito completou: - Diana saiu e não voltou.
Ele ligou novamente e dessa vez, Diana atendeu.
- Estou bem, Brito. Só precisei sair para espairecer. Não se preocupe.
Desligou sem deixar ele falar nada. Brito repassou a mensagem.
Rico, com ironia, disse: - Tá vendo? Não precisava disso tudo.
Mariana e Brito se retiraram chateados com ele.
Douglas e Liz permaneceram na sala com Rico, o clima pesado.
Liz cruzou os braços e, com ironia, disparou:
- Patrão? Sério, Rico? Ou devo chamar de Ricardo também?
Douglas reforçou:
- O que está acontecendo com você, Rico?
Rico respirou fundo, tentando se justificar:
- Fiquei chateado com a Diana, a ressaca de ontem e acabei descontando.
Liz respondeu firme:
- Você não pode tratar as pessoas dessa maneira, falar o que bem entende e acreditar que não vai magoar ou afastar os outros.
Rico explodiu, a voz carregada de ironia:
- Ah, então eu não posso errar nunca? Perfeito, já que todos aqui são santos.
Douglas balançou a cabeça:
- As pessoas te levam a sério, sim. Mas você precisa mudar a atitude. Não dá pra ser uma hora de um jeito e na outra completamente surtado, dando patadas a torto e a direito.
Rico abaixou o olhar, murmurando:
- Eu me senti frustrado... Sei lá, a Diana me escondendo as coisas... Ai vem aquela medicazinha tratando daquela forma. E vocês dois nem pra me defenderem...
Liz não se intimidou:
- Não tinha por que te defender, Rico. Você já estava se defendendo muito bem sozinho. Mas, agora quero saber o que tem a Alice a ver nessa história?
Rico indignado respondeu:
- Ela estava dando em cima de você, Liz e ainda ficou fazendo pouco caso de mim, e não foi a primeira vez. Aquela... aquela.. aaahh! Ela me dá nos nervos com aquela indiferença dela, aquele ar de dona do mundo.
Liz balançou a cabeça negativamente.
- Você deveria parar e se ouvir Rico.
Douglas foi direto:
- Se for pra continuar assim, você realmente está sendo um moleque mimado. E isso não é quem você é.
- Moleque mimado, eu? Porr*! - Rico gritou, mas logo a voz falhou. O silêncio que se seguiu revelou mais dor do que fúria. Ele passou a mão no rosto, tentando esconder o tremor. - Será que meus amigos podem ficar do meu lado? A minha irmã não me escuta, não compartilha nada comigo, me esconde as coisas e não é só ela, o Brito e a Mariana também. E eu que sou mimado?
Liz completou, incisiva:
- Sim, mimado, moleque, inconsequente. Gritar, espernear, acusar, agredir e agir da maneira como você está agindo não vai adiantar nada. Eu quero o Rico que sempre esteve ao nosso lado, não esse que afasta todo mundo.
Rico explodiu novamente:
- Vocês não estão me compreendendo! Porque todo mundo tá ficando contra mim e não me ouve?
- Cara, pelo amor de Deus! Escuta o que estamos tentando te dizer é que você tem que ouvir, há muitas coisas acontecendo e nem sempre eu, você ou o Douglas vamos estar a par de tudo. Há momentos que devemos apenas apoiar, e você nem sabe se a Diana não iria te contar, as vezes não dá para esperar....
- Como sempre a advogada da minha irmã. - Rico respondeu rispidamente.
Liz suspirou, cansada:
- Eu não vou brigar. Vou trabalhar, porque ganho mais.
Douglas olhou para ele com seriedade:
- Você precisa se olhar no espelho, Rico. Do jeito que está, ninguém vai querer ficar ao seu lado.
Rico tentou reagir, mas soltou com sarcasmo:
- Pra um artista, você está se levando muito a sério.
Nesse momento, Liz ouvindo a provocação, prontamente agiu para defender o irmão:
- Não ofenda meu irmão. Ele é artista sim, e isso não é motivo para menosprezo. Ser artista plástico não é demérito. Se é isso que você pensa dele, já diz muito mais sobre você do que eu gostaria de saber.
Sem esperar resposta, Liz deu as costas e saiu. Douglas apenas olhou para Rico, decepcionado, e também se retirou sem dizer nada.
Rico ficou parado, tentando falar, mas se calou. Baixou a cabeça e foi para o quarto.
No silêncio, a raiva explodiu. Pegou um copo com água e o arremessou contra a parede. A água escorreu, refletindo o turbilhão dentro dele.
Sentou-se na cama, passou as mãos pela cabeça e começou a refletir. As palavras de Liz, Douglas, Mariana e até de Diana ecoavam sem parar.
"Será que eu sou mesmo esse moleque mimado que todos dizem? Ou será que ninguém me entende? Diana não me conta nada... parece que não precisa de mim."
Lembrou-se de uma noite de infância: Diana, ainda menina, ouvia a mãe contar histórias sobre o pai. Ele estava ali, mas ninguém lhe explicava nada. Ficava calado, fingindo não se importar, mas por dentro sentia que não fazia parte daquela lembrança.
"Ela confia na Liz, fala coisas pra ela... e eu? Eu sou o irmão, mas não sei de nada."
Pensou também em Alice.
Alice o intimidava. Nos dois encontros, ela sequer se impressionou com ele. Rico, acostumado a ser notado, sentiu o orgulho ferido. Era como se fosse invisível diante dela, e isso o corroía.
"Ela me intimida. É como se eu fosse invisível diante dela. Isso me corrói."
"Ninguém me leva a sério, aquela médica mexeu com minha cabeça, o que eu tô fazendo? E a Liz... até ela parece estar se afastando. Não vou perder a Liz para aquela metida a dona do mundo, não vou mesmo..."
As lágrimas vieram. Rico chorou, não apenas pela briga, mas pelo vazio que sentia. Ciúme da ligação entre Diana e o pai, da história que ela carregava e que ele nunca viveu.
"Eu também queria ter essa conexão. Eu também queria sentir que pertenço a Nova Esperança. Mas parece que esse lugar nunca foi meu."
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Diana ainda estava sentada a margem do rio, agora mais serena depois do turbilhão da manhã. O vento leve trazia lembranças, mas também uma sensação se recomposição.
O celular vibro novamente: era sua mãe.
- Oi, mãe.
Sandra respondeu com a voz firme, mas carregada de afeto:
- Filha, como você está? Conseguiu falar com Jarbas e Lavínia?
Diana hesitou: - Estou bem, mãe e sim falei com eles.
- O que eles disseram Diana? Você não parece animada.
Ela respirou fundo e confessou: - Não é algo que eles disseram, mãe. Eu tive uma briga com o Rico que fugiu do controle e acabou me deixando desnorteada.
Sandra suspirou: - Uma briga entre vocês dois que fugiu do controle? Isso é coisa de Nova Esperança.
Diana franziu o cenho:
- Mãe, falar isso agora não ajuda.
- É a verdade. Vocês já discutiram antes e você nunca ficou desse jeito filha. Se por telefone você está dessa maneira, imagino como deve estar pessoalmente.
- Mãe... por favor. A senhora prometeu.
- Vocês dois, mesmo com a diferença de idade, nunca foram de ter brigas tão fortes. Discussões de irmãos sempre existiram, mas logo faziam as pazes.
- Por favor. A senhora prometeu que iria me apoiar, mãe.
Sandra suavizou o tom: - Sim, apoiar você e estar ao seu lado, não quer dizer que eu concorde ou que não me preocupe com vocês dois, aí nessa cidade. O que você precisa é ter cuidado com tudo o que te cerca em Nova Esperança, filha.
Diana sentiu o peso da frase. Não era o apoio incondicional que esperava. Ficou triste, mas ouviu em silêncio.
Sandra prosseguiu:
- Diana, eu entendo o que você está querendo fazer. Sei o quanto tudo o que passamos em Nova Esperança te marcou profundamente. Filha, o que eu mais temo como mãe é que algo aconteça a você e seu irmão, não apenas fisicamente porque isso seria a morte para mim.
- Eu...
- Filha, eu sei que dói, mas eu preciso te dizer isso
- Tá mãe.
- Você e seus irmãos são as pessoas mais importantes da minha vida. Apoiar você nessa busca por justiça, nessa volta para essa cidade me consome, me desestrutura. Mas, eu sei que isso é importante para você, e que se você não estará completa se não buscar a verdade e provar para todos que seu pai era inocente, colocar os culpados por tudo o que aconteceu na prisão vai consumir você. Porque filha, eu sei que isso consumiu você durante todo esse tempo. Mas, entenda que seu irmão talvez não consiga ter essa mesma ligação com essa história...
- Mãe, antes de voltarmos, eu tive inúmeras conversas com ele. Achei que estava ele estivesse preparado.
- Filha, na teoria pode parecer fácil. Mas na prática é diferente. O que você sente não é o que ele sente. E muitas vezes, o peso é maior quando se vive de fato a história. Você tem ligações com Nova Esperança que seu irmão nunca vai ter e talvez seja isso que está afetando ele. Não sei o que motivou a briga ou discussão de vocês dois e muito menos quero minimizar como você está se sentindo, independentemente de qualquer coisa vocês são irmãos e isso é maior do que qualquer situação que possa aparecer ou confusão que vocês dois estiverem.
Diana ficou pensativa. Sandra continuou:
- Hoje, várias situações são diferentes até mesmo para você. A dor, os traumas, o peso ainda estão aí, mas você mudou. Não é mais aquela criança de oito anos que saiu de Nova Esperança. Agora é uma mulher de trinta anos. E todos os envolvidos também mudaram, você mesmo disse há poucas horas que sua avó que há anos atrás não nos ajudou, pensou em te procurar...
Diana respondeu com firmeza: - O meu sentimento não mudou. Eu quero buscar a inocência do papai e destruir os que causaram a ruína dele.
Sandra fez uma pausa e então perguntou: - E depois filha? Você também falou sobre a Ana Carolina, onde vocês duas vão ficar em tudo isso?
O silêncio de Diana foi imediato, pesou como uma pedra no peito. Nem as palavras vinham, apenas o vazio. Não sabia o que dizer. A mãe percebeu.
- Seu silêncio diz tudo, filha. Por mais raiva que você tenha, não pode agir igual ao miserável do Mário, ou ao seu tio Décio, ou ainda como seus avós, meus pais, e os pais de Dário. Criei você melhor que tudo isso.
Diana fechou os olhos, absorvendo cada palavra.
A conversa se estendeu por mais alguns minutos, até que se despediram. Ao desligar, Diana respirou fundo. O rio seguia correndo, mas dentro dela tudo parecia suspenso.
Diana atravessou o portão da casa grande. O silêncio parecia maior do que o normal. Procurou por Brito, Mariana, Douglas e Liz, mas não encontrou ninguém. Caminhou até a cozinha.
Lá estavam Lúcia e Tita, em meio às panelas e ao cheiro de café fresco.
- Onde estão todos? - Perguntou Diana, ainda com a voz calma, mas carregada de cansaço.
Tita enxugou as mãos no avental e respondeu:
- Estão pela fazenda. Brito pediu que, assim que você chegasse, ele fosse avisado.
Diana assentiu, pensativa.
- Peça a algum funcionário para avisar a ele que estou na casa grande.
Tita concordou com um gesto rápido. Diana então voltou-se para Lúcia:
- E o Rico?
Lúcia suspirou antes de responder:
- Ele passou parte da manhã com Douglas na reforma. Mas, quando voltou, se trancou no quarto e não saiu mais.
Diana ficou em silêncio por alguns segundos. O coração apertou. Respirou fundo, como quem se prepara para enfrentar algo inevitável.
- Quer comer alguma coisa? - Perguntou Tita.
- Quero.
Diana comeu em silêncio. Tita respeitou esse silêncio, apenas observando. Ela e Lúcia trocaram alguns olhares cúmplices.
Depois, Diana saiu e caminhou até seu quarto. Parou diante da porta, hesitou e voltou. Foi até o quarto do irmão. Bateu.
- Não quero falar com ninguém! - Gritou Rico, a voz áspera.
Ela bateu novamente, mais forte, e entrou sem pedir licença.
Rico, deitado, virou-se e deu de cara com a irmã.
- Precisamos conversar, Rico. - Disse Diana, séria.
Ele fechou os olhos, cansado:
- Diana, agora não. Se for pra reclamar, outra hora. Tô cansado.
- A hora é agora. - Disse ela, firme e avançando alguns passos.
O silêncio pesou por alguns segundos. Rico suspirou, virou o rosto para a parede e murmurou:
- Eu realmente não brigar com você Di. Me deixa quieto.
Diana se aproximou, a voz controlada:
- Rico, nós nunca ficamos assim antes. Eu quero entender o que está acontecendo entre nós. Não quero ficar discutindo com você por qualquer motivo.
Rico se ergueu na cama, os olhos vermelhos de raiva e dor:
- Você nunca espera. Já falei que não é o momento. Porr*! Diana! Me deixa quieto. Será que a última palavra sempre tem que ser a sua?
Diana paralisou sem conseguir compreende o porquê o irmão estar agindo dessa maneira.
- Vai conversar com a Liz, com o Brito ou a Mariana, com quem você quiser. Só me deixa.
Ele voltou a deitar-se e virar para a parede.
- RICARDO! - Diana gritou exasperada.
- O QUE?
- Olha pra mim agora Ricardo! Deixa de ser moleque.
- Agora eu sou moleque? Um mimado como todo mundo resolveu me chamar? Você decide tudo sozinha, é a dona da verdade absoluta e o bobão aqui é o peso morto que você tem carregado.
- Do que você está falando Rico?
- De tudo Diana! Eu vim pra Nova Esperança para te ajudar, mas você não me fala nada. Eu me torno invisível para você.
- Rico... Eu não te exclui de nada. Eu precisei tomar a frente de algumas coisas por foi preciso.
- Mentira! - Rico explodiu. - Você confia na Liz, no Brito, na Mari ou em qualquer outra pessoa, menos em mim Diana. Eu sou seu irmão e você me trata como se fosse um estranho. Você fala da história do pai, da cidade, como se fosse só sua. E eu? Tudo nessa cidade e nessa história gira em torno de você. É sempre a Diana... E eu? Me diz...
Diana hesitou, surpresa pela confissão.
- Nem amor pelo pai eu consigo sentir Diana! E isso me corrói.
- Rico...
- Não, não fala nada! Você não entende. Eu cresci sem saber quem ele realmente era. Quando a mãe casou com o Lucas, tudo virou outra vida. Eu só ouvia vocês falarem de ódio, de vingança, de Nova Esperança. Mas eu nunca mergulhei nisso. Eu não tenho essa conexão. E agora eu me sinto culpado, como se fosse menos filho, menos irmão.
Diana se aproximou, firme:
- Você não é menos Rico, pelo amor de Deus...
- Eu não sei o que fazer Diana! Estou me sentindo perdido. Um personagem de fundo numa história que não é minha.
- Rico... meu irmão.
- Me fala como não me sentir assim se tudo o que venho sabendo é sempre pela boca das outras pessoas, se vejo você tomando todas as decisões sem que eu possa fazer parte disso tudo? Me diz Diana?
O silencio foi a resposta.
Rico riu, amargo:
- Me explica uma coisa Diana, você sempre disse que odiava aquela família, que iria fazer com que todos pagassem pelo que fizeram com nosso pai, e agora deixa a neta do homem que arruinou nosso pai entrar na sua vida? Como você consegue?
- Não coloque a Ana Carolina nessa conversa Rico.
- O que você pretende com ela? Como você pode olhar pra ela e não sentir nojo?
- Pare agora Ricardo! Você pode até se sentir dessa maneira, apesar de não entender onde você realmente quer chegar com todas essas acusações; mas não pode usar essa culpa que você me atribui pra me atacar, principalmente com relação a Ana Carolina.
- Para quem quer acabar com a família dela, você está bem preocupada não acha irmãzinha?
- Rico... eu não conhecia essa sua face. Na verdade, eu não estou reconhecendo o meu irmão.
- Então estamos quites Diana.
- Quites? Cara, você é meu irmão, em nenhum momento coloquei você como um nada nessa história, até porque nosso pai esteve presente em toda a sua vida. Nada foi escondido de você Rico, absolutamente nada.
- Então porque você insiste em me deixar de fora?
- De fora do que? Desde que você chegou aqui em que momento você realmente quis conhecer a fundo Nova Esperança? As pessoas dessa cidade? As ligações que algumas dessas pessoas têm com nossa história? Em que dia e hora você quis ao menos saber onde nosso pai está enterrado? Me diz, vamos...
- Nossa história Diana? Nossa? A sua história. O seu passado...
- Não termine essa frase. - Diana respirou fundo, tentando conter a própria raiva. -Eu não vou pedir desculpas por carregar essa história. Eu não vou pedir desculpas por lutar pelo que acredito. Sim, é a minha história, é o meu passado. Só que não deixa de ser a sua história e o seu passado também, até porque compartilhamos os mesmos pais. Você pode não ter conhecido ele, mas não vai poder negar que ele sempre esteve presente de algum modo na sua vida.
- Diana...
- Não Rico. Chega. Você está correndo atrás de desculpas, e usando as mais esfarrapadas possíveis e a gente tá apenas andando em círculos e pelo jeito não vamos chegar a lugar nenhum.
- Eu não sinto nada, Diana! Nada!
- Nada?
- Não consigo sentir esse amor pelo pai que você sente, essa cidade não representa para mim nem um pedaço mínimo do que é para você, nossa família que está aqui, não representa nada para mim, a única coisa que é uma constante é a raiva pelo que a família do Dr. Mário me tirou, pelo homem que foi seu pai e que conheci pelas suas lembranças e mesmo assim, não consegui amar como você. E isso me corrói.
- Rico...
- Então ver você confiando em todas as pessoas e não em mim, saber de algo por ouvir algum pedaço de conversa, ver você com a tal da Ana Carolina que é neta daquele homem. Amiga daquela outra lá, a tal Alice que está se instalando aqui com uma amizade com a Mariana, se aproximando da Lis e com certeza vai se aproximar de você também...
- Rico... O que tem a Alice tem haver com isso? Eu realmente não sei o que você está falando.
- Aquela médica me tratou como se eu fosse um nada, com desdém, eu não vou perder a Lis para ela. Não vou.
Diana o encarou, séria: - Você está descontando em mim porque não aguenta ver alguém te negar? Está todo emburrado por isso?
- Você não ouviu nada do que falei? Tá vendo como você não me ouve? De tudo o que falei é isso o que você escutou?
- Não Rico, não foi apenas isso. Mas, a Liz não é propriedade sua e de ninguém. Ela tem total liberdade para fazer e escolher quem ela quiser. E quanto a conexão com Nova Esperança, com a história de nosso pai, eu não posso fazer nada a mais.
- Claro.
- Não, não está claro. Sabe porque não posso fazer nada?
Ele balançou a cabeça.
- Porque você não pode agir como um moleque mimado culpando a todos por não conseguir algo, espernear por não ter um brinquedinho. Estamos falando sobre assuntos sério aqui meu irmão, você não precisa amar ou ter uma conexão com o papai. Até porque o Lucas representa para você isso, o que eu sempre esperei foi apoio e como eu disse antes, não vou pedir desculpas por carregar e ter vivido essa história e principalmente por lutar pelo que acredito. E quanto a você meu irmão, precisa decidir se vai estar ao meu lado ou contra mim. Porque desse jeito, Rico, você só está me destruindo.
Rico abaixou o olhar, lágrimas escorrendo:
- Talvez eu já esteja destruído, Diana. E você nem percebeu.
O silêncio caiu pesado. Diana ficou de pé, firme, mas com os olhos marejados. Rico, sentado na cama, tremia entre raiva e dor. Nenhum dos dois sabia se havia volta.
Diana permaneceu ali, parada ao lado da cama. O silêncio era sufocante. Rico não dizia nada, apenas encarava o vazio, os olhos vermelhos e marejados. Ela tentou esperar, como se desse tempo ele fosse se abrir, mas nada veio.
- Eu vou pro meu quarto. - disse, num tom baixo, quase um sussurro. Virou-se e saiu, fechando a porta devagar.
Rico ficou sozinho. O quarto parecia mais escuro, mais pesado. Sentou-se na beira da cama, passou as mãos pelo rosto e deixou que as lágrimas viessem novamente. Cada palavra dita pela irmã ecoava como um golpe: "Você precisa decidir se vai estar ao meu lado ou contra mim."
Ele se sentia despedaçado. A culpa por não amar o pai, o ressentimento por não ter a mesma ligação com Nova Esperança, a raiva por Alice, o medo de perder Lis, e a dor de se sentir invisível diante de Diana. Tudo se misturava, corroendo-o por dentro, em poucos dias, em questão de horas tudo o que ele até então acreditava parecia estar se despedaçando.
Enquanto isso, Diana caminhava pelo corredor cabisbaixa. O coração pesado, a mente cheia de perguntas sem resposta. Tentava entender o irmão, mas também carregava as próprias preocupações: a busca pela verdade sobre o pai, o peso de Nova Esperança, a presença de Ana Carolina, e agora, a fragilidade de Rico.
Entrou em seu quarto e sentou-se na cama. O vento trazia o cheiro da tarde, mas dentro dela tudo parecia suspenso - como se o tempo tivesse parado entre o que foi e o que ainda viria.
Fim do capítulo
Espero muitos comentários....
Vou tentar postar pelo menos 2 capitulos por semana, dependendo de como será a reação de vocês nos comentários e da minha rotina atribulada, quem sabe eu acabe postando um ou dois extras...
E novamente um Feliz 2026!
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jake
Em: 29/01/2026
Cada cap eu sinto mais ranço desse Rico .
Cara insuportável se acha o centro das atenções....
Tomara que Liz fique com Alice e dê um passaforamele .
Manda ele ir pra longe Afeganistão
Dinha Lins
Em: 22/03/2026
Autora da história
kkkkk Ranço do Rico, ele é chatinho, mas é do bem (eu acho, né! Vai saber o que passa pela cabeça da autora)
Liz vai ter que ir até a Alice....
Da para mandar ele pro Afeganistão, não... kkkkkk
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HelOliveira
Em: 06/01/2026
O Rico está dando raiva, já não ajuda e atrapalha deixando a Diana mais perturbada do que já está, muito mimado e revoltadinho, difícil ter paciência pra quem acha que o mundo tá contra ele e não escuta ninguém....
Torcendo para Liz ficar com a Alice...
Feliz 2026
Dinha Lins
Em: 22/03/2026
Autora da história
Rico é complicadinho... mimadinho... lkkk
E se aparecer outra pra Doutora.???????
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Zanja45
Em: 05/01/2026
Que drama, viu? Esse Rico está representando um grande problema. Mas por um lado ele está certo, porque quando ele saiu de Nova Esperança ainda estava na barriga da mãe, não tem nenhuma conexão com esse lugar, com a s pessoas até entendo ele, porém ele está se mostrando muito imaturo, se achando dono das pessoas, só por que não foi notado como queria. — Ele entrou nessa guerra silenciosa contra Alice e que usar Liz para atingir os objetivos dele. — Ele está perdidinho com esses sentimentos tumultuados.
Dinha Lins
Em: 22/03/2026
Autora da história
Vc pegou bem as nuances do Rico, ele ainda vai aprontar algumas coisas, mas, ele é do bem... (ou não... vai saber como resolvo colocar ele mais a frente...)
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Dinha Lins Em: 22/03/2026 Autora da história
kkkkkkkk