Capítulo 23 - A Nova Rotina
Os dias passavam rápido para Ana e Hinata, misturando o calor do novo relacionamento com a rotina intensa da empresa. Ana, agora no cargo de Gerente Geral, não era mais a estagiária tímida. Sentada em sua nova sala, ela conseguia ter bem mais liberdade e acessos aos registros de histórico do que quando era uma estagiária. A investigação, que era o objetivo de Hinata desde o início, progredia bem mais rápido agora que Ana podia se dedicar a ela durante várias horas do seu dia.
Desde a reunião de apresentação, o setor de Controladoria, Análise e Processamento havia se transformado. Os funcionários, que antes flertavam com a preguiça, agora trabalhavam de forma adequada, chegavam no horário correto e não estendiam os intervalos de almoço ou café. Ana distribuía tarefas com eficiência e cobrava os resultados constantemente. Hinata se sentia orgulhosa ao ver que, em duas semanas, os números de registros já estavam dentro do esperado.
Ao contrário do que ela pensou inicialmente, Jorge continuou na empresa, apesar de tudo ele não teve coragem para pedir demissão e perder todos os benefícios, fora o fato de que o Grupo Kodama oferecia um salário bastante acima da média, além de gratificações e aumentos progressivos ao longo dos anos, Jorge não ousaria sair por vontade própria. Ele estava sempre seguindo Ana com os olhos e observando cada movimento, ela sabia que sua presença ali como sua Gerente deveria ter gosto de vinagre na boca daquele homem, porém ela o tratava da mesma forma que tratava todos os outros, com respeito e profissionalismo. Ainda que algumas pessoas pensassem que ele merecesse algum outro tipo de tratamento, Ana não queria devolver o mal como o mal, pois se o fizesse ela não seria diferente do próprio Jorge. Ela queria ser alguém melhor.
Sempre que podia, ela pensava em algum motivo para subir até a sala da Diretora. Mesmo que fosse algo mínimo que uma ligação ou e-mail resolveria, Ana fazia questão de ir até lá dar um oi para Hinata. Naquela manhã, ela preparou um pequeno relatório que de fato sua chefe, havia solicitado. Chegando próximo da sala, viu que a porta estava fechada, mas Lúcia já havia sido orientada de que Ana possuía passe livre. A secretária fez sinal para que a jovem entrasse, e Ana retribuiu com um sorriso e um tchauzinho silencioso.
Agora dentro da sala, Ana viu que Hinata estava em uma reunião e falava em japonês com um homem em uma chamada de vídeo. A sala de Hinata, com sua decoração minimalista e elegante, parecia ainda mais solene naquele momento. Ana sabia que não poderia demorar e nem atrapalhar sua namorada, então agiu de forma profissional e objetiva. Hinata viu Ana entrando e, com um leve aceno, fez sinal para que ela se aproximasse de sua mesa.
— Koko ni kite (Vem cá). — Hinata disse, sua voz calma e em um tom profissional, mas o seu olhar dizia outra coisa.
Ana se aproximou e observou o homem na tela. Reconheceu o rosto dos informativos mais importantes da impresa, aquele era o CEO do Grupo Kodama. Era um homem japonês com os cabelos um pouco grisalhos com um olhar frio e penetrante, que falava sobre os dados que foram lançados no histórico. Ana não conseguiu compreender direito, pois o homem falava de forma bem mais rápida do que sua namorada quando a ensinava. Hinata ficou com a mão estendida, esperando que Ana entregasse a pasta que segurava.
— Kore wa anata ga watashi ni irai shita repōto desu. (É o relatório que me pediu). — Por reflexo, Ana respondeu em japonês, afinal o idioma estava se tornando cada vez mais familiar para ela.
— Hayakatta desu ne, arigatō. (Você foi rápida, obrigada). — Ana fez uma breve reverência, um gesto de respeito que a mulher já havia ensinado o significado para a jovem. Hinata não conseguiu conter um sorriso para a cena que acabava de ver.
Ana, capturando o olhar de Hinata, retribuiu um sorriso com outro.
— Atode hanashimashou, īdesu ka? (Conversamos mais tarde, tudo bem?). — Hinata sussurrou.
Ana saiu saltitando da sala e um sorriso bem maior surgiu nos lábios de Hinata.
Do outro lado da chamada, o Senhor Kodama observou a cena com uma curiosidade súbita. Aquele sorriso…
— Mizuki-san, dare ga jama shita no? (Mizuki, quem estava interrompendo?)
A voz do homem era grave e direta. Hinata sabia que não poderia revelar a verdade, mas também não queria mentir.
— Ana wa, watashi ga tanonda node, saishin no repōto o todoke ni kite kuremashita. (Ana, veio me entregar um relatório atualizado porque solicitei que o fizesse). — Hinata respondeu calmamente, sentindo um calafrio na espinha.
— Ana tte dare desu ka? (Quem é Ana?) — A voz de seu pai permaneceu firme e inflexível.
— Watashi ga genkyū shita tekinin-sha wa zenerarumanējā no chī ni tsuku koto o shōnin surudarou, Sate, gidai ni utsurimashou… (A pessoa qualificada que mencionei que iria confirmar para o cargo de Gerente Geral. Mas prosseguindo com a pauta…). — Hinata mudou de assunto rapidamente, tentando não chamar a atenção de seu pai para o que havia acabado de acontecer.
—xxx—
No fim do expediente do dia seguinte, Ana finalmente identificou o padrão dos desvios. Ela estava em sua sala, totalmente absorta, com a tela do computador iluminando seu rosto. A investigação da última semana havia finalmente dado frutos. Ela queria apresentar uma informação o mais sólida possível para Hinata, mas o resultado que obteve a deixou ainda mais intrigada. Uma batida leve na porta de sua sala a trouxe de volta para a realidade.
— Gosta muito de trabalho. — Hinata disse sorrindo, encostada na porta da sala de Ana, os braços cruzados.
Olhando para o relógio, Ana percebeu que o horário de expediente já havia terminado. Como era o costume entre elas, Hinata havia ido "buscar" Ana para irem embora juntas.
— Hey, senhorita Matsuzaki… — Ana começou, sentindo a adrenalina da descoberta.
— Don't worry, dear, everyone has already left. (Não se preocupe, querida, todo mundo já foi.) — Hinata disse, sua voz suave.
— I missed you today, honey. (Eu senti sua falta hoje amor.) — Ana respondeu, se levantando para abraçar Hinata.
— Really? (é mesmo?) — Hinata disse em um tom irônico, tocando no celular de Ana, que piscava com a notificação de dez novas mensagens. — What did you discover that made you so focused? (O que você descobriu que a deixou tão focada?) — Hinata disse, sabendo que a única coisa capaz de fazer Ana não responder suas mensagens seria uma grande descoberta.
— Sorry, (Desculpe,) mas olha só isso. — Ana disse, retornando com sua animação total, como uma criança feliz com seu brinquedo novo, puxando Hinata para a frente da tela. — Lembra que estávamos analisando os registros de entrada e tentando encontrar um padrão? Isso foi uma grande perda de tempo, porque os desvios estavam acontecendo no lançamento do processo de pagamento. Olha esse por exemplo: existe uma entrada com oito itens que somam dois mil, trezentos e sessenta e cinco reais e treze centavos. Mas aqui, na ordem de pagamento, foi lançado o mesmo valor com seis centavos a mais. Individualmente, os valores são próximos demais para notarmos a diferença, mas se pegarmos cada nota lançada ao longo de dez anos, provavelmente encontraremos o valor que foi desviado.
— Mas… quem fez isso?
— Então, esse foi o problema que eu estava tentando entender. Solicitei um relatório para a Dayane do RH sobre os funcionários atuais da empresa, mas pelo que ela me passou, não seria ninguém. Aí fiquei ainda mais intrigada e pedi que ela expandisse para o histórico completo dos funcionários, incluindo aqueles que já saíram.
— Ela fez perguntas?
— Eu disse que estava pesquisando para um trabalho da minha pós graduação. — Ana fez um sorriso travesso.
— Você é uma… como se fala? Naughty girl (menina travessa).
— Foi com essa lista que descobri quem fazia esses lançamentos incorretos: Edilson Mendonça. Mas eu me pergunto como ele fazia os lançamentos mesmo depois de já ter saído? Poderíamos tentar descobrir onde ele mora? Fazer algumas perguntas para ele?
— Okay, okay, my love, breathe. We had a big breakthrough today, thanks to you. But can we go home now? (meu amor, respire. Tivemos um grande avanço hoje, graças a você. Mas podemos ir para casa agora?)
Ana fez beicinho, mas não retrucou, guardando a empolgação para mais tarde. Seguiu sua amada para casa.
—xxx—
Uma cena se agarrou na mente do Senhor Kodama naquela noite. Na reunião com sua filha, aquele sorriso. O homem normalmente evitava olhar para Mizuki, sua fisionomia era tão parecida com a da sua falecida esposa que seu coração doía sempre que ele era lembrado de que o amor de sua vida já não estava ali ao lado dele. Porém, naquele breve momento em que Mizuki sorriu, ele teve a visão exata de sua Akari quando olhava para o amado marido.
Algo havia mudado em sua filha. Mizuki, bem diferente do seu irmão Haruto, sempre foi uma criança mais retraída e reservada, e o olhar dela parecia o de alguém… apaixonado. Ela não sorriria assim para qualquer pessoa; o próprio Senhor Kodama não se lembrava da última vez em que sua filha havia sorrido para ele daquele jeito.
O que o levava a se questionar quem seria essa “Ana”?
Os primeiros raios de sol começavam a fazer com que as estrelas do céu noturno não fossem mais vistas, e o imponente Senhor Kodama já solicitava para seus funcionários que realizassem uma busca sobre essa Ana, para quem sua filha estava distribuindo olhares e sorrisos.
Minutos depois, ele recebeu uma pequena pasta com os achados iniciais. Ana havia sido inicialmente contratada como estagiária. Até esse período parecia tudo em ordem: o registro sinalizava que a jovem era aplicada no trabalho, devido à enorme quantidade de horas extras e registros no sistema. Concluíram rapidamente que ela era a jovem responsável pelos lançamentos no histórico. Porém, o registro também mostrava que, pouco tempo depois, ela pediu demissão e nenhum motivo havia sido declarado, para ser recontratada dias depois como gerente de um setor.
"Uma estagiária que virou gerente? Mizuki, o que você...". O Senhor Kodama não precisou terminar a frase em sua mente para saber que algo estava muito errado.
Fim do capítulo
Bom dia! Boa tarde! Boa Noite!
Crianças felizes que acompanham essa história. Como vocês estão?
Tivemos hoje um capítulo um pouquinho mais curso mas com muitos momentos inesquecíveis onde a Ana e a Hinata estão finalmente vivendo e se permitindo serem felizes.
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HelOliveira
Em: 12/01/2026
Já muito ansiosa para as novas descobertas e possíveis problemas para nosso casal que estão muito lindas...
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Jsilva
Em: 11/01/2026
Outra coisa muito curiosa é q se ele fez essa investigação sobre a futura nora ... ele vai chegar no ponto da questão da demissão de ana por conta de Jorge e isso serar mais um motivo para ficar de olho nele ? Serar q minha intuição tá no caminho certo?
EmiAlfena
Em: 11/01/2026
Autora da história
Só o q eu posso dizer daqui pra frente é que teremos mais mistérios e reviravoltas do que vc pode imaginar
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Jsilva
Em: 11/01/2026
Zero surpresa q a aninha seria super profissional para seu cargo s2. Hinata toda orgulhosa da namoradinha kkk senhor chefao já ficou ligado no q ta rolando.. agora me parece q ele vai descobrir a filha apaixonada.. a pergunta q não me sai da cabeça é se essa lembrança do sorrido da esposa serar o gatilho para amansar esse coração de gelo Ou ele irar ficar revoltado ?
EmiAlfena
Em: 11/01/2026
Autora da história
Só tenho um comentário, para os dois comentários kkk
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EmiAlfena Em: 12/01/2026 Autora da história
Aguarde os próximos capítulos kkk