Capítulo 21 - Os Conselhos de Uma Mãe
O amanhecer chegou, e com ele, a luz suave da manhã invadiu o quarto. Hinata, ainda que estivesse acordando com o som suave de seu despertador, sentiu o coração se encher de um sentimento tão vasto que parecia transbordar. Abraçada a Ana, com o corpo da jovem aninhado no seu, ela se sentia completa. Depois do tempo que passaram juntas, Hinata sentia que estava prestes a explodir de tanto carinho que nutria por sua ex-estagiária. Ana havia adormecido em seus braços, um sono pesado e tranquilo, depois de passarem a noite descobrindo uma à outra.
Ana, para surpresa de Hinata, se mostrou uma aluna extremamente aplicada. Naquela primeira noite, levou sua professora ao êxtase várias vezes, com toques hesitantes que rapidamente se tornavam mais confiantes. Mas Hinata também não havia ficado para trás na contagem de ‘pontos’, guiando Ana com uma paixão que ela jamais imaginou ser capaz de sentir.
Hinata se movimentou lentamente, tateando na mesa de cabeceira em busca de seu celular para desligar o alarme. O desejo de passar mais um dia inteiro com sua amada era avassalador, mas a realidade bateu à porta. Ela ainda era a Diretora Geral e precisava trabalhar. Com o movimento, Ana começou a despertar, abrindo os olhos com uma preguiça deliciosa. Bocejou e se espreguiçou, esticando os braços para o alto com uma graça natural. Hinata sorriu, os olhos brilhando enquanto observava a cena.
— Bom dia, sweetie. (querida.) — Hinata sussurrou com a voz rouca de sono e afeto.
— Bom dia. Você dormiu bem?
— It was the best night of my life so far. You really surprised me yesterday. (Foi a melhor noite da minha vida até agora. Você me surpreendeu bastante ontem.) — Hinata confessou.
— Ah… é? — As bochechas de Ana coraram instantaneamente. Ela não conseguia esconder a vergonha e a felicidade.
— Hey Ana, can I ask you something? (Hey Ana, posso te perguntar uma coisa?)
— Claro, o que foi?
Hinata se virou para ficar de frente para Ana, os olhos fixos nos dela. O coração batia forte.
— Watashi no kanojo ni natte kuremasu ka? (Quer ser minha namorada?)
Ana parecia processar a informação e seu olhar, pareceu surpreso com o pedido repentino. Ela não esperava ouvir aquilo daquele jeito, de pijama e… na verdade, nua, na cama de sua antiga chefe, depois de uma noite de paixão. Mas a surpresa deu lugar a um sentimento profundo e irrefutável. Ela não tinha motivos para negar o que sentia por Hinata desde o começo.
— Uhum. — disse, concordando com a cabeça, um sorriso tímido se abrindo nos lábios. — Quero sim, Hinata.
Hinata sorriu de volta, um alívio evidente em seu olhar. Ela a puxou para um beijo longo e terno, aprofundando o que já era uma certeza.
— Aishiteru yo. (Eu te amo muito.) Você mudar minha vida. — Hinata sussurrou, a declaração de amor soando como uma promessa.
—xxx—
Ao descer para a cozinha depois de tomar um banho revigorante e se preparar para o trabalho, Hinata viu que sua agora namorada, Ana, havia descido primeiro para preparar o café da manhã. O cheiro de ovos e café fresco preenchia a casa.
— Sonna fuu ni saretara, dame ni natchau yo, itoshī kimi. (Se você continuar agindo assim, vou ficar mal acostumada minha querida) — Hinata disse, aproximando-se de Ana e dando-lhe um selinho nos lábios.
— Espero que goste. Não sei preparar um café da manhã como o que você está acostumada, mas pelo menos sei fazer omelete. — Ana respondeu, sorrindo orgulhosa enquanto virava o omelete na frigideira. — Hei Hinata…
Hinata a interrompeu, acariciando sua bochecha. — You can call me whatever you want now that you're my girlfriend. (Você pode me chamar como quiser agora que é minha namorada.)
— Hey, sweetheart. (meu amor.) — Chamar Hinata dessa forma novamente fez o coração de Ana errar algumas batidas. Realmente, tudo aquilo estava acontecendo. Ela era namorada de Hinata Matsuzaki e seria a única que poderia ter tanta intimidade para chamá-la assim. — Sei que está indo para o trabalho, mas eu imaginei que você tentaria me convencer a voltar para a empresa.
— Koibito, the decision to return or not is yours. I want you to make it without my interference. If you want to return, know that you will have a position there, simply because you are extremely competent, and the Kodama group would be greatly blessed if you accepted the position. (Amor, a decisão é sua de voltar ou não. Quero que a tome sem a minha interferência. Se quiser voltar, saiba que terá um cargo ali, apenas porque você é extremamente competente, e o Grupo Kodama seria muito abençoado se aceitasse o cargo.)
— A empresa precisa tanto assim de mim? Afinal, eu sou só uma estagiária, um número para a empresa. Parece que mesmo que eu dê tudo de mim, o restante dos funcionários continuam sendo desonestos e desagradáveis.
— It's not just the company that needs you. I need you too, because ever since we got closer and I felt in love with you, the thought of losing you already hurts. (Não é apenas a empresa que precisa de você. Eu também preciso, porque desde que nos aproximamos e eu me apaixonei por você, só a ideia de te perder já dói.) — Hinata apontou para seu coração. — Dói aqui, entende?
Ana se aproximou de Hinata, o coração se partindo um pouco com a vulnerabilidade da japonesa. Os olhos de Ana, que já estavam cheios de água, agora deixaram uma lágrima escapar.
— Vou pensar sobre voltar ou não para o trabalho, está bem?
— If you're not comfortable returning, Miss Matsuzaki will abide by your decision and give up on having you as an employee, but Hinata won't give up on having you in her life forever. You made me the happiest person in the world when you agreed to be my girlfriend. I'll do everything in my power to make you happy by my side. Aishiteru yo. (Se não estiver à vontade para voltar, a Senhorita Matsuzaki vai acatar sua decisão e desistir de ter você como funcionária, mas a Hinata não vai desistir de ter você na vida dela para sempre. Você me fez a pessoa mais feliz do mundo quando aceitou ser minha namorada. Farei tudo o que estiver ao meu alcance para te fazer feliz ao meu lado. Eu te amo muito)
—xxx—
Hinata seguiu para a empresa, deixando Ana à vontade, não apenas para decidir seu destino, mas também para ficar em sua casa naquele dia se assim a jovem desejasse. Ao chegar no escritório, começou a trabalhar, ainda que às vezes Hinata jurasse que podia sentir o toque de Ana em seu corpo, a lembrança da noite anterior era um eco constante com os arrepios de desejo.
Sua secretária, Lúcia, chegou no horário de costume, trazendo a rotina de volta.
— Bom dia, senhorita. Como está hoje?
— Bom dia, Lúcia. Estou muito bem. — A voz de Hinata soou mais animada do que de costume, e bastou um “bom dia” para Lúcia levantar a sobrancelha, um brilho de curiosidade em seus olhos.
— A senhorita parece estar de muito bom humor hoje. Ficamos todos preocupados com a sua ausência ontem.
Hinata sentiu um gelo na espinha. Sua secretária parecia desconfiada. Ela precisava agir rápido e voltar à sua máscara de Diretora Geral. Decidiu digitar a mensagem de resposta — Precisei resolver alguns assuntos pessoais. Espero que todos os funcionários tenham se comportado bem e cumprido o horário conforme seus contratos de trabalho. Mas já que me lembrou desse fato, por gentileza, solicite um relatório ao RH sobre os registros de entrada e saída de todos os funcionários no dia de ontem. — A curiosidade de Lúcia evaporou, dando lugar a um olhar preocupado e tenso, como sempre.
"Ufa, essa foi por pouco", Hinata pensou, aliviada por ter desviado a atenção.
—xxx—
Ana, sentada na sala da casa de Hinata, pegou o celular para mandar uma mensagem. A decisão de ir para casa de seus pais parecia a única coisa sensata a se fazer naquele momento. Ela precisava de um tempo longe daquele mundo novo e deslumbrante para poder organizar seus pensamentos.
Ana Ribeiro - Hey, honey. Eu vou indo visitar meus pais. Preciso tirar um tempo e pensar com calma no que conversamos.
Hinata Matsuzaki - Tudo bem, vá com cuidado. Dê um abraço em sua mãe por mim. Aishiteru S2.
Ana Ribeiro - Sim, senhorita. Tomarei cuidado, my dear love.
A jovem se preparou para pegar o ônibus que a levaria para sua cidade natal. O trajeto foi uma mistura de paisagens rurais e pensamentos. Chegou na casa dos seus pais pouco depois do horário de almoço, fazendo uma surpresa para Dona Maria.
— Bença, mãe. — Ana disse, abraçando a mãe com força.
— Oh, minha fia, que surpresa boa. Seu pai cabou de ir cuidá da criação. — Dona Maria, com seu rosto marcado pelo sol, sorria de felicidade com o abraço apertado de sua filha caçula.
— Ah, mãe, eu vou depois lá dar um abraço nele. Ainda tem almoço pra eu comer um pouquinho?
— Tem sim, fia, vou tirá armoço pro cê. Ocê tá com uma carinha boa, fia, tá bonitona, virou uma muié feita minha menina. Parece até que sua pele tá briano hoje, fia.
— Ah, mãe, deve ser porque eu lavei o cabelo hoje de manhã. — Ana tentou disfarçar, mas sentia o calor subir às bochechas.
— Cabelo limpo num faiz a cara briá desse jeito não, menina. E aquela sua amiga, a Renata, como ela tá?
— É Hinata, mãe. Então… mãe… é que… a Hinata e eu… nós… estamos namorando. — A confissão saiu baixinho, e as bochechas de Ana ficaram ainda mais vermelhas.
— Ah, a mãe já sabia, fia. Até o seu pai disse que num ia demorá nada pra cêis duas começá a namorá, tava na cara que ocês se gostava. — A revelação da mãe fez Ana ficar pasma. — Fia, a mãe e o pai só quer que ocê seja feliz e a mãe sabe que a Renata deixa ocê feliz.
— Obrigada, mãe. Ela tem me feito muito feliz mesmo e, aliás, ela te mandou um abraço.
— Dá outro abraço nela quando você vê ela. Fala pra ela vim tomá bença minha e do pai quando ocês pudé, agora ela é nossa fia também. Ela tá trabaiano hoje? E ocê, fia, num foi trabaia?
A pergunta de Dona Maria trouxe a sombra de volta.
— Mãe… Aconteceu uma coisa no serviço. — Ana disse, os olhos se enchendo de água. — Eu acabei pedindo pra sair de lá, mãe. Tinha um cara, mãe, o Jorge, aquele meu chefe e ele ficava mexendo comigo, depois começou a falar coisas indecentes pra mim. Eu fiquei com medo e pedi pra sair de lá.
Dona Maria ouviu o pequeno relato com atenção e depois suspirou — Oia, fia, você alembra quando tava na escola, e aquele menino que você num gostava ficava mexendo com ocê? Aí ocê gostava da escola, mas aquele menino feiz ocê ficar pedindo pra mãe e pro pai trocá ocê de escola. Ocê alembra o que aconteceu?
— Vocês me mudaram pra uma escola bem mais longe e eu tinha que ir andando.
— E ocê lembra o que ocê reclamo depois?
— Que tinha um menino ainda pior que o outro.
— É, tinha um menino pior, ocê alembra que ele até cortou um pedacinho do seu cabelo? Intão, fia, num adianta a gente fugi dos pobrema. Porque podi aparecê um pior depois. Ocê é uma moça feita, uma muié isperta, a mãe sabe que ocê vai achá um jeito de resorvê as coisa com esse homi.
—xxx—
Com a cabeça cheia, Ana decidiu procurar seu pai para tomar benção, mas no caminho ela viu a sua ‘casa na árvore’, o lugar que ela mais gostava no sítio. Ela subiu no pequeno deck de madeira que seu pai havia construído, o mesmo deck que testemunhou seus sonhos de infância. Lembrou-se do quanto ela havia sonhado e do quanto havia batalhado. Lembrou-se do seu primeiro dia de trabalho, em que estava com o coração repleto de alegria por sua conquista.
De fato, seu sonho não havia mudado: conquistar uma posição na empresa e trabalhar bastante para dar uma vida melhor para seus pais. A estagiária Ana ainda era a mesma pessoa, apesar de no momento estar totalmente apaixonada por Hinata. Ela não se permitiria desistir assim tão fácil dos seus sonhos. Não estaria voltando pela sua namorada, pois sabia que Hinata a apoiaria, fosse qual fosse sua decisão.
Seu coração se encheu novamente de esperança e de vontade de correr atrás dos seus sonhos como antes. A voz de sua mãe ecoava em sua mente, a sabedoria simples e direta a encorajando a enfrentar seus medos.
"Eu posso, eu consigo, eu sou capaz", ela pensou, a voz de Hinata a lembrando de sua força.
"E... também quero descobrir quem está por trás dos desvios e, se realmente o Jorge estiver envolvido, talvez eu possa estar lá quando ele for desmascarado... pode parecer egoísmo, mas seria bem legal."
Fim do capítulo
Bom Dia! Boa Tarde! Boa Noite!
Preparadas pra começarmos 2026?
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Zanja45
Em: 06/01/2026
Hum, Ana foi pedida em namoro!
E agora fica a cargo dela voltar para empresa ou não.
Quero ver Hinata indo até os pais de Ana pedir ela em namoro oficialmente.
Essa decisão de Ana em voltar para empresa e ajudar nos processos investigativos e procurar evidências que incrimine Jorge vai ser desafiador e ao mesmo tempo perigoso. Porque ele pode fazer alguma coisa para se vingar de Ana.
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HelOliveira
Em: 06/01/2026
Namorando tudo que eu queria pra elas....
Dona Maria é simples mas muito sabia e amorosa...amo muito não canso de falar..
Vai lá Ana e acaba com o Jorge...mostra sua força
EmiAlfena
Em: 06/01/2026
Autora da história
Simm agora são namoradas.... Dona Maria da vontade de guardar num potinho não dá?
Aguarde os próximos capítulos... Kkkk vão ser ótimos
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Jsilva
Em: 04/01/2026
Aliás gente... tô doida pra ver a aninha sendo justiçada diante de todos na empresa . Vamos lá aninha !!! De a volta por cima menina pq agora vc tem a chefona e namorada como aliada mais poderosa do seu lado .só vamo!
EmiAlfena
Em: 04/01/2026
Autora da história
Só vamoooo kkkk semana que vem teremos mais
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Jsilva
Em: 04/01/2026
Aew vamos com tudo em 2026!! Adorando como as coisas nos surpreende s2 hinata tá tão xonadinha q jaja vai da bandeira demais . Ana tá mais madura de pensamento... aí os pais sempre tão amorosos e sábios feliz q agora as coisas vai andar . Anciosa pro próximo CAPS.
EmiAlfena
Em: 04/01/2026
Autora da história
Hinata tá só love só love kkkk
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EmiAlfena Em: 06/01/2026 Autora da história
Ahhh tbm queria ver a Hinata pedindo pro Seu Tião pra namorar com a Ana kkkk