Capitulo 2 - A Criada dos Olhos Tempestuosos
Narrado por Seraphina
O grande salão estava repleto de cores vibrantes e risadas altas. Damas e cavalheiros giravam pelo chão de mármore ao som da orquestra, enquanto conversas animadas preenchiam o ar. Mas, para mim, a noite parecia sufocante.
Sentei-me no trono dourado reservado para mim, observando os convidados que se aproximavam, um por um, na esperança de chamar minha atenção. Suas vozes soavam vazias, ensaiadas. Eu sabia que muitos estavam ali por ambição, desejando uma aliança vantajosa, não a pessoa que eu realmente era.
Permaneci ali, educada, sorrindo nos momentos certos, mas minha mente estava distante. O baile era em minha honra, mas eu me sentia como uma espectadora dentro da própria história.
Então, aconteceu.
Uma figura passou pelo salão com passos apressados e hesitantes, carregando uma bandeja de taças de vinho. No exato momento em que levantei o olhar, ela esbarrou em alguém. Não foi um acidente espalhafatoso, mas o suficiente para fazê-la se desequilibrar levemente.
Meus olhos se fixaram nela.
A princípio, pensei que fosse apenas mais uma criada, mas algo nela me prendeu. Seus cabelos castanhos estavam presos de forma simples, e seu uniforme não tinha nada de especial, mas era seu olhar que me fez prender a respiração. Olhos de tempestade, profundos e carregados de algo que eu não conseguia nomear.
Ela me olhou por um instante e, então, abaixou a cabeça, como se quisesse desaparecer.
- Você está bem? - perguntei sem pensar.
Ela pareceu surpresa pela minha pergunta, como se não estivesse acostumada a ser notada.
- Eu... sim, estou - respondeu em um tom hesitante.
Mas não acreditei nela. Seus olhos diziam outra coisa.
- Tem certeza? - insisti, inclinando a cabeça levemente.
Antes que pudesse ouvir sua resposta, um mordomo se aproximou e lançou-lhe um olhar impaciente.
- Volte ao trabalho - ordenou com frieza.
Ela fez uma reverência apressada e se virou para sair, mas eu não queria que ela fosse. Antes que pudesse pensar, deixei escapar:
- Espero te ver de novo.
Ela parou por um instante. O suficiente para me fazer acreditar que minhas palavras haviam tocado algo dentro dela. Mas, então, retomou seus passos e desapareceu entre os outros criados.
Fiquei olhando para o lugar onde ela estivera, sentindo um nó inexplicável se formar no peito. Eu não sabia seu nome, sua história, nem de onde vinha, mas algo dentro de mim me dizia que aquela não era a última vez que a veria.
Durante a noite, eu não conseguia tirar meus olhos - e nem meus pensamentos - daquela garota simples. Algo nela me fazia sentir algo estranho e profundo, como se eu a conhecesse de vidas passadas. O jeito como ela se portava, como tentava sorrir apenas para ser educada... eu não sei o que era aquele sentimento que aquela menina estava despertando em mim naquele momento, mas era intenso, quase inquietante.
E, por alguma razão, a ideia de encontrá-la novamente fez meu coração bater mais forte.
Continua...
Fim do capítulo
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