Capítulo 19 - O Confronto
Ana respirou fundo antes de abrir a porta do escritório, o coração batendo forte no peito. Ela torcia para que todos estivessem almoçando, mas assim que abriu a porta, a sala estava lotada, com olhares curiosos e tensos voltados para ela. Logo, Ana soube o porquê: Lucrécia havia acabado de sair dali com suas coisas. O ambiente era carregado de uma energia estranha, uma mistura de tensão e fofoca.
— Ah, eu sabia que você estava tramando alguma coisa, sua estagiáriazinha de merd*. — A voz de Jorge ecoou na sala, carregada de fúria. Ele se levantou de sua mesa e se aproximou de Ana, os olhos estreitos e o corpo tenso.
Ver Jorge ali naquele momento fez com que Ana quisesse deixar todos os seus pertences para trás e sair correndo. O medo que ela sentiu na noite anterior voltou com força total. Mas a lembrança da firmeza de Hinata e a decisão que ela havia tomado lhe deram um pouco de coragem. Ela apertou a alça da bolsa e ergueu a cabeça.
— Não sei do que está falando, Jorge. — Ana respondeu, tentando manter a voz firme, embora sentisse que seu coração estava inquieto, batendo mais rápido.
— Eu vi você com a gatinha do RH. Se você não estiver pegando ela, o que já seria super não profissional da sua parte, então só poderia estar fofocando de nós. — ele disse, com um tom de desprezo, os braços cruzados sobre o peito.
— Ah, sim. E você acha que essas são as únicas opções? Você é bem limitado né, Jorge. — Ana retrucou, sentindo a adrenalina subir.
A sala inteira pareceu prender a respiração.
— Você está bem respondona hoje, não acha? Quantas vezes eu tenho que te dizer que você não é ninguém aqui? Estagiário não é nada ainda, você precisa entender que vai ralar muito ainda para ser alguém. Não vá pensando que ter ficado amiguinha do RH vai te salvar. Faço questão de não renovar seu contrato de estágio e, pior, de não te efetivar aqui. Mas todos aqui sabem que você tem apenas uma coisa que eu quero e, se você topar, eu posso esquecer sua insolência. — Ele se aproximou ainda mais, o cheiro de suor e arrogância misturado, ele aproximou sua mão do rosto de Ana que apertou a alça de sua bolsa com ainda mais força. Olhou então para quem estava nesse momento atrás do homem.
Durante o discurso de Jorge, Hinata havia aberto a porta da sala de forma silenciosa. Ela ouviu tudo o que ele falou, cada palavra ofensiva, cada ameaça velada. Seu maxilar se apertou, e ela sentiu uma onda de raiva que a fez apertar os punhos. Ela precisou de toda a sua força de vontade para se segurar e deixá-lo falar, mas a insinuação final foi demais para Hinata suportar calada.
— Boa tarde a todos, pode, informar o que está acontecendo aqui? — Hinata interrompeu com uma voz firme, o som de seus saltos no chão de madeira ecoando na sala silenciosa. Ainda que não achasse sua pronúncia perfeita, ela fez questão de dizer no idioma que todos iriam entender.
Jorge ficou pálido, sua cor escoando de seu rosto. Sem Lucrécia para responder pelo setor, ele gaguejou e começou a falar.
— Apenas corrigindo o trabalho malfeito da estagiária, chefe. Ela ainda está aprendendo. — ele tentou se recompor, um sorriso falso e desesperado nos lábios.
— Não perguntei pra você, senhor Jorge. Perguntei pra ela. — disse se referindo a Ana, seus olhos fixos na jovem, ignorando Jorge completamente.
— Não tem problema nenhum, Hina... Senhorita Matsuzaki. Já estou terminando de esvaziar minha mesa. — Ana corrigiu a si mesma, sentindo o peso dos olhares sobre ela.
Todos olharam ainda mais espantados, a tensão no ar era quase sólida.
— Ótimo. Peço, que a senhorita almoce comigo, quero pergunta algumas coisas antes que você entrega seu crachá. — Hinata disse, com a voz séria.
— Como desejar. — Ana respondeu, o alívio preenchendo seu peito.
— O restante de vocês, faremos o processo de contrata novo estagiário. Agora, sobre a Gerente, por enquanto vocês responde direto pra mim. Eu olha seus horários de entrada e saída a partir de hoje, e reunião todo dia de manhã. Continua o trabalho. Ah e antes que eu esqueço, senhor Jorge depois de almoço você ir minha sala. Vamos indo? — Hinata disse para Ana, com um gesto de sua cabeça indicando para irem.
Ao sair da sala, Ana sentiu todos os olhares acompanhando as duas. Hinata segurou a porta aberta para que Ana passasse e a fechou atrás delas, o som abafado as isolando do resto do escritório. Durante o almoço, a sensação não foi diferente. Ana tinha a impressão de que todos a estavam observando, cochichando de longe e ninguém ousava sentar-se em alguma das mesas próximas.
— Just ignore them. (Só ignore eles.) — Hinata disse, sua voz tranquila, notando o desconforto de Ana. — Now I understand what you went through working with that man. I ask you to rest assured that I will ensure that he is properly processed immediately after his dismissal. (Agora entendo o que você passou trabalhando com aquele homem. Peço que se tranquilize, pois vou providenciar que ele seja devidamente processado logo após sua demissão.)
— Hinata, não acredito no que eu vou dizer mas… minha sugestão é mantê-lo por perto.
Hinata franziu a testa — What? (O que?) Ana…
— Calma, sei que não faz sentido mas…
— He deserves to be punished for what he did to you, Ana. (Ele merece ser punido pelo que fez com você, Ana)
— I agree, but if you do that, he'll 'just' be fired. (Eu concordo, mas se fizer isso ele vai ser “só” demitido.).
A última frase de Ana ia contra tudo o que elas sentiam.
“Como assim manter aquele homem por perto?” Hinata pensou e esse pensamento acompanhou seu olhar. Então a jovem continuou:
— Eu estava analisando mais algumas planilhas ontem a tarde… antes de tudo aquilo e acho que identifiquei algumas ligações. E mais do que isso acho que ELE pode estar envolvido. — Ana começou, sua voz era apenas um sussurro.
Hinata fez sinal para interromper a fala de Ana, um olhar sério em seu rosto.
— Sore ni tsuite wa mata betsu no kikai ni hanashimashou. Demo, sonotoki wa kare ga itta yō ni, kare o chikaku ni oite okimasu. (Falamos disso em outro momento, mas então manterei ele por perto como me disse.) — Hinata disse em um tom mais alto para que não parecesse que estavam com algum tipo de segredo. Mas seu olhar dizia que ela não concordava com o pedido de Ana mas iria manter sua palavra.
Após o almoço, ela se despediu da chefe, agradecendo formalmente.
— Adeus, senhorita Matsuzaki, foi uma grande honra trabalhar aqui. — Ana disse, os olhos baixos, tentando conter a emoção.
Em seguida, saiu para buscar suas coisas. Pouco depois, recebeu uma mensagem em seu celular, a tela iluminando uma mensagem que parecia mais uma promessa.
Hinata Matsuzaki - até logo.
Assim, Ana entregou seu crachá na portaria e seguiu caminhando com seus pertences pela estradinha que levava para a cidade. O peso de sua caixa com alguns livros, fotos e canetas era insignificante comparado ao peso da derrota. Alguns minutos depois, ela estava em seu apartamento, se sentindo muito para baixo por ter deixado o emprego e se questionando se realmente havia tomado a decisão certa. Decidiu colocar uma música para se animar e dar uma geral em seu pequeno apartamento, tentando se distrair da tristeza.
Pensando em quantos planos ela tinha para aquele lugar que era dela. Havia conseguido um sofá confortável de dois lugares, uma pequena TV, e até havia comprado uma cama de solteiro para não precisar mais dormir no chão. Ainda não estava do jeito que ela sonhava, e a verdade avassaladora a atingiu em cheio, como um balde de água fria.
"Como eu fui idiota… Como farei para pagar o aluguel agora?"
O desespero tomou conta dela.
—xxx—
Enquanto Ana sentia o peso do desemprego, Jorge aguardava na sala de espera pela chegada de Hinata. Ele estava arrogantemente confiante de que a saída de Lucrécia o colocaria no topo. Olhar aquele homem sentado em sua frente fez Hinata sentir enjoos.
"E pensar o quanto ele é desprezível, e o quanto ele fez Ana sofrer... meu desejo era tirar tudo que ele tem, mas vou me conter, assim como ela me pediu."
O ódio borbulhava em seu peito, mas a imagem do rosto de Ana a acalmou, a razão voltando a prevalecer.
— Senhor Jorge. — Hinata disse, sua voz fria e inexpressiva.
— Acho que sei o porquê me chamou aqui. — Jorge respondeu, dizendo alto como se a sala estivesse cheia de pessoas para ouvir, com um sorriso presunçoso, tentando demonstrar seu charme barato.
— O senhor sabe? Qual seria o motivo, então? — Hinata perguntou, o tom de voz cortante como uma lâmina.
— Estive pensando durante o almoço e acho que, com a saída de Lucrécia, eu sou um dos funcionários mais antigos e portanto o mais apto a assumir o posto de Gerente do setor, ou eu estou errado? Então, quero que a senhora saiba que, apesar do grande desafio, eu estou disposto a assumir essa responsabilidade. — Ele disse, inflando o peito, seguro de sua vitória.
— Senhor Jorge, acho que o senhor compreendeu mal a sua situação. — Hinata disse, com um sorriso irônico nos lábios.
— Ah… é? — ele disse, o sorriso desaparecendo e ficando pálido.
— Sim. — Hinata começou a digitar em seu notebook para que não houvesse maus entendidos com o restante da conversa — O senhor se engana em pensar dessa forma. Chamei o senhor aqui apenas para lhe entregar uma advertência formal devido aos seus recentes insultos à estagiária Ana Ribeiro que trabalhava no setor. De acordo com o setor de Recursos Humanos, ela decidiu se demitir de forma súbita. O senhor saberia dizer o motivo? — Hinata o confrontou com os olhos frios.
— Ah, sei não, senhora. Aquela menina não batia bem da cabeça não, e para ser bem sincero com a senhora, ela era bem ruim de serviço viu. — ele disse, tentando se safar, a arrogância voltando em forma de desprezo.
Hinata apertou o maxilar enquanto ouvia o que Jorge dizia, a raiva queimando em suas veias.
— Mas eu acho até injusto eu estar recebendo uma advertência, sendo que foi ela quem começou a insultar todo mundo lá. Pergunta para os caras que trabalham comigo.
— A advertência já foi aplicada, senhor Jorge, e creio que o senhor compreende que aquele tipo de linguajar que eu presenciei, mesmo que a moça tenha começado, é inapropriado no local de trabalho. Isso é tudo, assine e retire-se da minha sala. — as frases saíram dos auto-falantes do notebook enquanto Hinata estendia a mão indicando para o documento que deveria ser assinado. Jorge assinou o documento com as mãos trêmulas e saiu da sala com a cabeça baixa, enquanto Hinata o observava, satisfeita com a pequena vingança que havia conseguido.
—xxx—
Depois daquilo Hinata ainda tinha mais um compromisso, uma reunião com o Senhor Kodama.
Ela precisava justificar e apresentar os dados que a levaram a demitir a Gerente do C.A.P. Como essa demissão já havia sido solicitada antes mesmo do recesso de fim de ano e ela já havia recebido autorização da assessoria para proceder com a demissão, bastava apenas que ela explicasse para o CEO os motivos e repassasse como estava o andamento das investigações.
— Vejo que as investigações estão avançando, ainda que de forma mais lenta do que o esperado — disse o Senhor Kodama de forma inflexível.
— Iremos indicar alguém para ocupar o cargo de Gerente do setor o mais breve possível. — disse a consultora de Recursos Humanos da matriz.
— Acredito que eu já tenha alguém que seria ideal para ocupar o cargo, porém ainda preciso confirmar quando essa pessoa estará disponível para assumir. — sinalizou Hinata.
— Vejo que você parece ter tudo sob controle aí. Mizuki, termine a investigação e retorne para a central logo, seu irmão está precisando de uma certa… ajuda. — Senhor Kodama, enfim notou que seu filho não era tão habilidoso na gerência como ele imaginava.
— Quanto a isso andei pensando que seria mais estratégico mantermos alguém de inteira confiança aqui, esse lugar precisa ser gerenciado com rédeas curtas ao menos até que tudo entre no eixo e no momento não vejo alternativa senão assumir eu mesma essa responsabilidade, se o senhor assim permitir. Comigo aqui não haverá mais desvios de verba como demonstrei nos últimos dados que apresentei ao senhor. — Hinata disse tentando manter um tom de voz profissional.
— Porque a mudança repentina de idéia a respeito de assumir como presidente da compania? — O Senhor Kodama pareceu intrigado.
— Não foi uma mudança de idéia apenas compreendi que posso ser muito mais eficaz para a empresa gerenciando este lugar.
— Entendo, pensarei a respeito e discutiremos novamente na próxima reunião. — Disse o Senhor Kodama dando a reunião por encerrada.
Fim do capítulo
Bom dia! Boa Tarde! Boa noite!
Sei que estamos todos revoltados com a situação, sei que queríamos vingança pela Aninha, queríamos que o Jorge pagasse por tudo o que fez mas...
Lembrem-se de uma coisa... Vingança é um prato que se come frio!
Beijos pra vocês!
PS.: O que acham de mais um cap dia 31 pra fecharmos o ano?
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Zanja45
Em: 05/01/2026
Adorei a ideia de manter Jorge ao invés de demiti -lo. Ele todo cheio de achando que iria a ocupar a vaga de gerente. E receber uma advertencia, foi impagavel presenciar isso. RSRS!
Jsilva
Em: 06/01/2026
Esse comentário me fez refletir...a história. Começou com Jorge e akele enredo do todo poderoso estilo mafioso do Japão dando um belo susto no Zé mane. Isso tudo parece q tem cara q vai terninar com Jorge tendo piores experiências de novo com o todo poderoso por roubar a empresa .. serar q to sendo conspiratória demais? Ou minha intuição tá no caminho certo? ( sei q a autora não vai me da esse spolie ) :/
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Jsilva
Em: 28/12/2025
Gente eu aki realmente chatiada porém.... a males q q vem pro bem né? agora os jogos sujo desse sujeito vão vir a tona né? Vamos ver no q vai da . Aliás... tenho a impressão q o tempo ditarar novos rumos para nossa aninha . Já saquei heim hinata esse lance aí de presidência permanente kkkk ainda mais com pensamento de um novo gerente em mente q seria aninha talvez ? Seria humilhante para todos esses vagabundos q não gosta de trabalhar sendo gerenciada por alguém debaixo e recebendo ordens dela kk seria melhor vingança de todos ( rezando q eu esteja certa! ) final de ano seria com chave de outro esse CAPS s2
Sem cadastro
Em: 28/12/2025
Kkkk só posso dizer que o ano vai terminar melhor do que vc imagina. Dia 31 vou postar mais um capítulo tá? Kkkk aí vc me conta o que achou
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EmiAlfena Em: 06/01/2026 Autora da história
Kkkkk ele se acha demais, mas no fim é um Zé mané, pra não dizer coisa pior