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  • Sob as Sombras de Nova Esperança
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Sob as Sombras de Nova Esperança por Dinha Lins

Ver comentários: 3

Ver lista de capítulos

Palavras: 4259
Acessos: 454   |  Postado em: 27/12/2025

Capitulo 20

Capitulo 20

 

"A mente precisa de silêncio para entender o que o coração ainda não consegue explicar." - Clarissa Pinkola Estés

 

Diana continuava sentada na beira da cama, os olhos fixos no chão. O quarto estava mergulhado em silêncio, mas dentro dela tudo era ruído. Fragmentos de lembranças, frases soltas de Tita, nomes que não faziam sentido... tudo se misturava como peças de um quebra-cabeça que não se encaixavam.

Ela passou as mãos pelo rosto, tentando afastar o cansaço. O corpo estava ali, mas a cabeça parecia longe - presa entre o cemitério, a conversa com Tita e a tarde leve com Ana Carolina, que agora parecia tão distante.

- Eu preciso encaixar essas peças. Porque esses nomes não surgiram antes? Como eu pude esquecer dessas pessoas? A minha mãe também não ter falado deles?

Ela se jogou na cama, deitando-se e fechando os olhos. No silêncio buscava respostas.

Uma batida leve na porta a fez abrir os olhos. Ela então olhou para a porta, mas, não fez nenhum movimento ou som.

- Diana? - Era a voz de Rico.

Ela não respondeu. Não queria falar com ninguém no momento.

Nova batida, dessa vez mais forte.

A resposta foi novamente o silêncio.

Depois de uma nova batida, ele entrou devagar, parando ao vê-la deitada, com o semblante abatido.

- Tá tudo bem?

Diana abriu os olhos, mas não respondeu de imediato. Rico se aproximou, sentou-se ao lado dela, respeitando o silêncio. Ele passou a mão em sua cabeça, um gesto de carinho dizendo que estava ali para ela.

Depois de alguns minutos, ela finalmente falou algo.

- Eu conversei com a Tita - disse ela, por fim.

- Huhum... E o que teve nessa conversa que te deixou assim?

- Tem umas coisas que ela falou que eu simplesmente não consigo lembrar. Pessoas, nomes... é como se tivessem apagado partes da minha memória.

- Di, desculpa mas, você tinha apenas 8 anos, não lembrar de pessoas ou nomes é natural.

- Rico... Você não entende. Essas pessoas que a Tita falou, não foram pessoas aleatórias, trabalhavam aqui na fazenda, eu as conheci, e não tenho nenhuma lembrança deles. São peças fundamentais nesse quebra cabeça...

Rico franziu a testa, preocupado.

- Você precisa se acalmar. Talvez conversar com a mamãe possa ajudar. Ela viveu tudo isso, pode te dar mais clareza.

- Com certeza eu vou conversar com ela, sim. Mas não agora. Até porque ela também esqueceu deles ao que parece. Já que em nenhum momento eles foram identificados.

Diana levanta e senta-se na cama.

- Di...O que você pretende fazer agora?

- Preciso pensar, calcular bem os próximos passos. Não posso sair perguntando sem saber o que quero descobrir.

Ele assentiu, mas havia inquietação em seu olhar.

- Eu quero ajudar, Diana. Me diz o que posso fazer.

Ela olhou para ele com ternura e cansaço.

- Assim que eu conseguir assimilar tudo e organizar as ideias... vou precisar, e muito, da sua ajuda. Mas agora... agora eu só preciso de silêncio. Ficar quieta no meu canto por um tempo.

Rico respirou fundo e mordeu os lábios, não gostando da resposta da irmã.

- Você precisa aprender a confiar em mim Diana.

- E quem disse que eu não confio?

- Então porque não compartilhar as informações também comigo. Eu sou seu irmão, não tô aqui só pra assistir de longe.

Diana desviou o olhar, apertando os punhos sobre o lençol. O coração batia descompassado, mas sua voz saiu firme. .

- Eu sei disso Rico.

- Você me exclui das coisas Diana, me deixa de fora. É como se eu também não quisesse limpar a memória do nosso pai.

- Eu não penso isso Rico. Pelo amor de Deus. Esse realmente não é o momento.

- E quando será? Eu não vim para Nova Esperança ficar de lado? Vim para ajudar você, por mais que eu não tenha conhecido esse pai que você tanto fala. Eu...

- Rico, por favor, sinto muito, mas essa não é a melhor hora. E eu realmente não quero discutir com você.

Rico se levantou, visivelmente chateado.

Passou a mão na nuca, como quem tenta conter algo que não quer explodir. O olhar perdido, a voz firme demais para o que sentia por dentro.

- Tá bom. Mas não esquece que eu tô aqui.

Ele saiu do quarto sem dizer mais nada. A porta se fechou devagar, mas o som ecoou como um estrondo dentro dela. O silêncio que ficou parecia ainda mais sufocante.

Diana ficou olhando para a porta fechada, o peito apertado. Não queria magoar Rico, mas ele não entendia que, naquele momento, tudo o que ela precisava era tempo. Tempo para absorver o que ouvira da avó no cemitério, para digerir as revelações de Tita, para juntar os pedaços da tarde com Ana Carolina - que tinha sido tão boa, tão leve.

E então... tudo aquilo.

Ela se deitou devagar, os olhos voltados para o teto. Só queria silêncio. Só queria entender. Sabia que precisaria de Rico. Mas não agora. Primeiro, precisava juntar os cacos da própria memória. Só então poderia enfrentar o que vinha pela frente.

Rico desceu as escadas com passos pesados, o semblante fechado. Ao chegar ao térreo, encontrou Douglas sentado no sofá, mexendo no celular.

- Bora dar uma volta na cidade? - Disse Rico, sem rodeios. - Preciso sair daqui.

Douglas ergueu os olhos, surpreso, mas logo assentiu com um sorriso animado.

- Claro, tô dentro. Vamos.

Nesse momento, Liz entrou pela porta da frente, trazendo consigo a energia leve de quem acabara de chegar. Ao ver os dois, percebeu o clima carregado.

- O que aconteceu? - Perguntou, olhando diretamente para Rico.

Ele respirou fundo, irritado.

- Vou sair. Já que a Diana não aceita minha ajuda, se eu não posso fazer nada, vou é me divertir um pouco.

Liz franziu o cenho, sem entender.

- Mas, Rico... Diana quer a sua ajuda. De onde veio essa agora?

- Quer mesmo? Porque ela não compartilha as coisas comigo? Me deixa de fora de tudo o que faz e o que está acontecendo?

- Ei.. Ei.. Calma lá. Você não sabe o que aconteceu de verdade e ta chateado. Ela confia e precisa de você, só que ela também precisa de tempo. Você sabe disso.

Rico respondeu rispidamente:

- Você sempre defende a Diana, Liz. Mas eu também tô aqui. Não posso ser excluído de tudo. Eu quero ajudar, mas ela me deixa de fora como sempre. A super Diana tomando a frente de tudo.

Liz suspirou, tentando acalmá-lo perguntou:

- E o que vocês vão fazer na cidade?

- Procurar diversão, tomar alguma coisa. Tô cansado de ficar na fazenda o tempo inteiro, quero espairecer um pouco, posso? - Ele olhou para ela com firmeza.

- Não precisa falar desse jeito com a minha irmã, cara! - Douglas interfere vendo que a situação iria escalar para uma discussão desnecessária.

- Na boa Liz, você vai com a gente?

Liz hesitou. Conhecia bem o temperamento de Rico e sabia que deixá-lo sozinho com Douglas, naquele estado, poderia acabar em confusão. Pensou rápido e respondeu:

- Vou sim. Mas preciso tomar um banho e me arrumar. Vocês conseguem esperar um pouquinho??

Douglas sorriu.

- Boa irmãzinha. Eu também vou me arrumar. Daqui a uma hora a gente sai, né Rico?

Rico apenas assentiu, ainda contrariado.

Liz subiu as escadas e foi direto ao quarto de Diana. Bateu de leve na porta e entrou sem esperar a amiga responder.

- Di... só passando pra avisar que vou sair com o Rico e o Douglas.

Diana franziu a testa, confusa.

- Sair com os meninos? Como assim?

Liz se aproximou, sentando-se na beira da cama.

- O Rico tá chateado. Você sabe como ele é e pra não deixar ele sozinho com o Douglas e acabarem se envolvendo em alguma confusão, eu vou junto.

Diana respirou fundo, fechando os olhos por um instante.

- Tá certo. Qualquer coisa você me avisa.

Liz sorriu, tentando transmitir calma.

- Ei... leve seu tempo. O Rico sabe que você precisa digerir tudo isso. Ele só tá se sentindo por fora das coisas.

Diana assentiu, com o olhar distante.

- Eu vou conversar com ele. Mas não agora. Realmente preciso de um tempinho para assimilar algumas coisas, você entende isso Liz?

- Claro Di, eu não sei o que aconteceu ou o que você descobriu. Mas, sei que assim que você conseguir entender e encaixar essas peças na sua cabeça você vai conversar conosco.

Diana sorriu e Liz se levantou, deu um beijo rápido na testa da amiga e saiu do quarto.

Ao descer mais tarde, encontrou os dois já esperando do lado de fora da casa. Rico, impaciente, batia o pé no chão. Douglas, ao lado, parecia animado com a ideia da saída.

Liz respirou fundo. Sabia que aquela noite poderia trazer mais complicações do que soluções. Mas também sabia que não podia deixá-los sozinhos, conhecia o irmão e o amigo suficiente para saber que eles poderiam se meter em alguma confusão.

O céu já estava escuro quando Rico, Liz e Douglas chegaram A cidade. Como não conheciam muito bem muito lugares, decidiram ir até o Rancho 7, bar onde estiveram dias antes.

O ambiente estava mais tranquilo naquela noite. Algumas mesas ocupadas, música ambiente suave, e um clima leve que contrastava com o turbilhão que cada um carregava por dentro.

Ao entrarem, Liz foi a primeira a notar um grupo animado em uma das mesas centrais. Risadas altas, copos erguidos, conversas cruzadas. Entre eles, estava, a jovem que Douglas havia notado logo ao chegar em Nova Esperança na praça central. Ela estava com alguns amigos, sorrindo e gesticulando com entusiasmo.

Douglas a reconheceu de imediato, mas não disse nada. Apenas observou, tentando disfarçar o interesse.

- O grupo ali está animado. - Liz apontou com um sorriso que desapareceu ao reconhecer Marcílio, o ex que é amigo de Alice. Rico notou, mas não falou nada. Douglas tinha olhos apenas para a jovem de cabelos negros.

Eles se sentaram em uma mesa mais ao fundo. Logo foram atendidos por um garçom simpático, que trouxe os cardápios e anotou os pedidos.

- Meu amigo, já que estamos neste bar e sozinhos, você pode nos dizer o porquê da sua cara de bunda? - Douglas perguntou com

Liz engasgou com a bebida e deu uma gargalhada.

- Porr* Douglas, cara de bunda? Tem nome melhor não?

- Até tem, mas, quem disse que eu quero usar? Vamos desembucha.

- Cara, é a forma como a Diana guarda tudo pra ela. Isso me irrita muito, eu vim para essa cidade ajudar ela, mas como posso fazer isso se não sei o que acontece? Se estou sempre a margem? É como se eu estivesse aqui para nada, só por estar. - Rico desabafou e bebeu a bebida em um único gole.

- Vai com calma aí campeão. - Douglas disse ao ver o amigo encher o copo novamente.

- Rico.. Se você tá se sentindo assim. Deveria conversar com a Di, mas, quando os dois estiverem de cabeça fria. Eu não sei o que aconteceu para que ela estivesse daquele jeito hoje.

- Liz... não defenda a Diana. Eu estive no quarto conversando com ela.

- Rico deixa a Liz terminar.

- Continuando, mas, pelo que conheço dela, com certeza depois de assimilar, entender e encaixar toda a situação, ela vai conversar com você. Principalmente se você expuser o que tá sentindo.

- Como sempre devo esperar... e esperar...

- Rico, deixa de ser chorão. - Liz fala exasperada.

- Liz. Também não é assim.

- Ah! Douglas, o Rico fica o tempo todo reclamando que a Diana não diz as coisas a ele, mas, a gente não sabe o que aconteceu. Como você já disse inúmeras vezes, tudo isso aqui não representa para você o que representa para ela. Então, ela precisa de tempo para absorver algo, é natural, e você devia ser o primeiro a entender e apoiar ela nessa decisão.

- Como sempre a defensora da minha irmã. Um brinde a isso.

- Você... é muito chato tem horas, sabia?

Rico sorriu e levantou o copo para ela.

- Liz, você conhece alguém daquela mesa?

- Tanto quanto você.

- Meu Deus, hoje vocês dois estão daquele jeito, hein?

- Trégua?

- Quem tá com a cara de bunda aqui é você chorão... Mas, aceito a trégua.

Rico sorriu. Adorava os amigos, mesmo com todas as diferenças, eles sempre estariam ali para ele e Diana.

Pouco depois, outro grupo entrou no bar. Alice, Júlio, Karina foram direto a mesa dos amigos. O grupo chamava atenção pela energia contagiante - riam, conversavam, brindavam. Era impossível não notar.

Alice, ao olhar ao redor, viu Liz com os meninos. Sorriu com naturalidade, como quem reconhece alguém que gostaria de ver.

Liz retribuiu o sorriso, discreta. Ficou feliz em rever a médica. Ainda não tinha respondido nenhum dos directs recebidos pelo instagram. Mas, estava gostando das mensagens.

Rico percebeu o movimento da amiga e franziu o cenho, incomodado.

- Quem é aquela? -Douglas perguntou, sem tirar os olhos de Alice.

Liz respondeu antes que o amigo pudesse dizer algo:

- É Alice. Uma conhecida.

- Irmãzinha você bem que poderia fazer a ponte...

- Não. - Liz respondeu rapidamente.

- Não o que? Você nem deixou eu terminar?

Liz cruzou os braços, firme.

- A Alice não é para o seu bico.

Rico apertou o copo, incomodado com o tom da amiga. Não estava gostando nada daquilo.

- Calma. Eu só queria que você pedisse sua conhecida ou sei lá o que, me apresentasse a amiga dela, a de cabelos pretos. Eu hein...

- Ah... Eu... Eu... É... Vou falar com ela.

- Isso.. Vai lá falar com a sua amiguinha.... Não tá reconhecendo ela não Douglas?

- Não, a gente já viu ela?

- Foi a mulher que ficou implicando comigo da vez que a gente esteve aqui. Muito intrometida ela..

Douglas riu lembrando do amigo revoltado.

- Cara... Melhor ainda, vou querer conhecer ela também. Ela é a Dra Alice que a mamãe falou, então?

- Essa mesmo.

- Então ela é gente boa Rico, a mamãe adorou ela, até tem conversado com ela por telefone.

- O QUE? - Liz falou assustada.

- É, você não sabia Liz?

- Não. Ela não me falou nada.

- Não sei porque, mas, até o papai ta curioso em conhecer ela.

Rico fez uma careta ao ouvir o que Douglas disse.

- Só era o que faltava, agora. Não tô afim de ficar ouvindo falar dessa Alice.

- Aff... Cara você está muito chato. Bebe, vai.

O clima no Rancho 7 seguia leve, mas Rico já não estava tão tranquilo. A bebida começava a fazer efeito, e os olhares insistentes de Alice para a mesa deles o incomodavam mais do que gostaria de admitir.

- Ela tá olhando pra cá de novo - murmurou, impaciente.

Liz fingiu não ouvir. Douglas apenas observava, percebendo que aquilo poderia virar confusão.

Enquanto isso, na mesa de Alice, Marcilio notava os olhares da ex para a outra mesa. Observava em silêncio, mas com atenção. Sabia que Alice não era de se distrair fácil - e que aquele interesse não era à toa.

Esther se levantou e foi até o bar. Douglas viu a oportunidade e a seguiu, como quem vai pedir algo, mas com outro plano em mente.

- Vocês dois fiquem aqui que estou vendo a minha futura namorada indo ao bar, chegou o momento certinho de me apresentar.

- Oi - disse ele, ao se aproximar.

Ela se virou, surpresa, mas sorriu para o jovem desconhecido.

- Oi.

- Meu nome é Douglas. Te vi outro dia na praça central com algumas crianças.

Ela riu, simpática.

- Essa é a hora em que você me diz o seu nome...

- Esther. Prazer em conhecer você Douglas.

Engataram uma conversa animada.

Liz, distraída com o cardápio, não percebeu de imediato quando Rico se inclinou para mais perto dela.

- Você tá linda hoje - disse ele, com um sorriso enviesado.

Liz ergueu os olhos, surpresa.

- Hein?

- Tô falando sério. Essa blusa... esse cabelo solto... tá difícil não reparar.

- Rico, você tá bêbado?

- Poxa Liz, bebi um pouco, isso não quer dizer que não posso notar o que está bem na minha frente...

Ela desviou o olhar, sem graça, mas não se afastou. Rico se aproveitou da brecha e passou o braço pelas costas da cadeira dela, se aproximando ainda mais.

Liz se afastou ligeiramente, os olhos estreitos.

- Rico, o que você está fazendo?

- Talvez, eu só esteja cansado de ser ignorado.

Do outro lado do bar, Alice observava a cena com atenção. O sorriso que antes era leve agora se tornava tenso. Ela não conseguia desviar os olhos de Liz e Rico. A proximidade entre os dois, os gestos, os sorrisos - tudo a incomodava mais do que gostaria de admitir.

Marcílio, ao lado dela, percebeu.

- Tá tudo bem, Alice?

- Claro - respondeu rápido demais.

- Você conhece eles?

- Ele de vista, quanto a ela já vi algumas vezes.

- Mais do que ver, né? Ela esteve com você há alguns dias no restaurante.

- Como disse antes, já a vi algumas vezes.

- Você tá com ciúmes?

Alice riu, mas o som saiu seco.

- Claro que não. Só achei curioso.

Mas não era só curiosidade. Era desconforto. Era a sensação de que algo escapava do controle. Liz parecia diferente naquela noite - mais solta, mais leve. E Rico, com aquele jeito provocador, sabia exatamente como chamar atenção.

Alice desviou o olhar, tentando se concentrar na conversa dos amigos. Mas a cada risada vinda da mesa de Liz, seu coração apertava um pouco mais.

Douglas voltava para a mesa com um sorriso estampado no rosto. A conversa com Esther tinha sido leve, divertida, e ele ainda saboreava o fato de ter conseguido o número dela. Mas ao se aproximar, o clima entre Liz e Rico estava diferente - carregado de uma tensão que não era só amizade.

Rico estava encostado na cadeira de Liz, o rosto perto demais, o olhar fixo nela. Liz sorria, mas havia algo no olhar: um brilho curioso, um desejo contido. Douglas parou por um segundo, percebendo que aquele flerte não era brincadeira.

Do outro lado do bar, Alice observava tudo. O copo na mão tremia levemente. Ela tentava manter o sorriso, mas a cena à sua frente a corroía por dentro. Liz, tão doce, tão encantadora... e Rico, aquele idiota arrogante, agora se fazendo de interessante. A proximidade entre os dois a deixava inquieta.

Rico, por sua vez, estava gostando de ver a reação da médica. Ele não gostou de ver Alice olhando para Liz com aquele brilho nos olhos, isso o deixou mordido. Até porque a lembrança da última vez que estiveram ali - Alice o ignorando, o tratando como um moleque. E agora, ali estava ela, babando por Liz.

- Tá gostando do show, doutora? - Murmurou Rico, sem tirar os olhos de Liz, mas sabendo que a médica o observava.

Liz franziu a testa, confusa.

- O quê?

- Nada. Só tô pensando alto.

Ele se inclinou mais, falando no ouvido dela.

- Você devia sair comigo um dia desses. Só nós dois. Sem Douglas, sem Diana. Sem ninguém.

Liz riu, surpresa com a ousadia.

- Você tá impossível hoje.

- Tô sendo sincero.

Alice apertou o copo com força. O som do vidro rachando foi quase imperceptível, mas o estalo dentro dela foi alto. Quando viu Liz encarar Rico com um sorriso provocador, não aguentou. Levantou-se bruscamente, derrubando o copo sobre a mesa. A bebida se espalhou, respingando em Karina e Júlio.

- Alice! - Karina exclamou.

- Desculpa - disse ela, já de pé, com o rosto vermelho. - Eu... preciso ir ao banheiro.

Ela saiu quase correndo, os passos firmes, o coração disparado.

Liz acompanhou tudo com o olhar. Sentiu o impacto. Sentiu o desconforto. E sentiu algo mais: uma pontada de culpa misturada com um desejo estranho de ir ver Alice.

Sem pensar muito, se levantou e foi atrás.

Rico ficou olhando para Liz sem entender o que tinha acontecido.

No banheiro, Alice estava diante do espelho, respirando fundo, tentando conter as lágrimas que teimavam em surgir.

Liz entrou devagar, fechando a porta atrás de si.

- Alice...

A médica se virou, surpresa, mas não disse nada.

- Você tá bem?

Alice riu, amarga.

- Claro.

- Não parece. Você saiu como se tivesse visto um fantasma.

Alice encarou Liz com um olhar duro.

- Impressão sua. Devia voltar pra sua mesa e seu... como devo chamar?

- Amigo, o Rico é meu amigo.

- Huhum... Volta pra seu amiguinho Liz. Estou bem.

Liz hesitou. Não sabia o que responder. Ficou e se aproximou, tocando o braço dela com delicadeza.

- Alice... Eu... você parece incomodada.

Alice respirou fundo, depois soltou:

- Não estou.

Liz olhou para baixo, percebendo que ainda segurava o braço de Alice. Soltou devagar, como quem teme quebrar algo frágil.

- Posso te fazer duas perguntas Liz?

- Já fez uma... - Sorriu mordendo os lábios.

- O que vocês realmente têm? Porque aquilo ali não foi coisa de amigos. E porque não responde as minhas mensagens?

- Eu... O Rico... é difícil explicar.

- Sei... Já entendi tudo... Se me der licença Liz vou voltar para meus amigos.

- Vai voltar pro seu ex? Ele ta lá, ne?

- Ele é ex por um motivo Liz. - Ela disse e saiu deixando Liz sem saber o que fazer ou o que pensar.

Alice voltou à mesa com a postura ereta e o rosto sereno, como se nada tivesse acontecido. Mas por dentro, o coração ainda batia acelerado.
"Não vou deixar alguém que mal conheço mexer com minhas estruturas. Isso é ridículo."
Respirou fundo, pegou o copo e forçou um sorriso.

- Tá tudo bem? - perguntou Karina, franzindo o cenho.

- Claro - respondeu Alice, com naturalidade ensaiada.

Mas Esther e Júlio trocaram olhares. Algo nela tinha mudado. O brilho nos olhos estava opaco, e o sorriso... não alcançava os cantos da boca.

Marcílio, que até então observava tudo em silêncio, aproveitou a brecha.

- Alice... - disse ele, com um sorriso insinuante - Você parece meio distraída. Posso ajudar?

Alice virou-se para ele, surpresa com a ousadia. Mas não recuou. Pelo contrário, ergueu o queixo e sorriu com charme.

- Talvez possa, Marcílio. Senta aqui.

Ele puxou uma cadeira ao lado dela, animado. Começou a conversar, flertando abertamente. Alice deixava, até incentivava. Mas não era por ele. Era por Liz.

Liz voltava do banheiro com o coração apertado e a cabeça cheia. Ao chegar à mesa, encontrou Rico com o olhar perdido no copo. Ele ergueu os olhos ao vê-la.

- Sumiu - disse ele, seco.

- Fui ao banheiro e acabei encontrando a Alice - respondeu, sincera.

Douglas, percebendo o clima, tentou aliviar.

- Gente, vamos mudar de assunto?

Rico respirou fundo, forçou um sorriso e voltou ao modo provocador.

- Tá certo. Então... Liz, onde a gente parou mesmo?

Ele se aproximou, os olhos cravados nos dela. Liz sorriu, mas o olhar dela escapava para a outra mesa, onde Alice ria - exageradamente - de algo que Marcílio dizia.

Rico percebeu.

- Tá interessada no que tá rolando lá?

- Claro que não - respondeu Liz, rápido demais.

- Ótimo. Porque aqui tá bem mais interessante.

Ele se inclinou e, sem aviso, a beijou. Liz correspondeu. O beijo foi intenso, cheio de raiva, desejo e confusão. Mas ao abrir os olhos, viu Alice olhando. O sorriso da médica era triste, sem alegria. Um soco no estômago.

Rico notou.

- Ela viu. - disse, satisfeito. - Quem sabe agora ela não pare de ficar olhando para cá? - Ele iria beija-la novamente.

Liz hesitou, Douglas resmungou:

- Ah não, gente. Eu não quero ficar de vela. E, Liz...

Os irmãos se olharam, um olhar que apenas eles entendiam.

Eles riram, tentando disfarçar o desconforto. Rico passou o braço por trás da cadeira de Liz, se aproximando mais, como quem marca território.

Na outra mesa, Alice virou o copo de uma vez. Quando olhou ao redor, percebeu uma loira a observando do outro lado do bar. A mulher sorriu. Alice retribuiu.

Sem pensar muito, levantou-se, foi até ela e disse algo em seu ouvido. A loira riu, respondeu algo, e as duas trocaram olhares cúmplices.

Alice voltou à mesa, pegou a bolsa e anunciou:

- Gente, vou terminar a noite em outras companhias.

- Com quem? - Perguntou Karina, surpresa.

Alice apenas sorriu e apontou com o queixo para a loira, que já a esperava perto da porta. Antes de sair, lançou um último olhar para Liz - dessa vez, firme, provocador.

Liz ficou paralisada, o sorriso sumindo. O peito apertado. Algo nela se revirava. Ela apertou o copo, os olhos fixos na porta. A loira com Alice, sorrindo. E Liz não conseguiu sorrir de volta.

- Eu... quero ir pra casa - disse, baixinho.

- Tá cedo ainda - reclamou Rico.

- Amanhã a gente trabalha cedo. Douglas, você pode dirigir?

- Claro. Não bebi nada.

Rico assentiu, contrariado. Enquanto saíam, Douglas olhou discretamente para a mesa onde os outros ficaram e acenou para Esther, que sorriu de volta.

A noite no Rancho 7 terminava com corações embaralhados, desejos expostos e uma guerra silenciosa declarada.

 

 

Fim do capítulo

Notas finais:

Ola...

Um Feliz Natal atrasado! 

Tô na correria do trabalho, acredito que apenas em janeiro consiga equilibrar tudo.

Vou responder a todos os comentário....

Desculpem pela demora...

Mas... comentem... comentem.... comentem......

 


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Comentários para 20 - Capitulo 20:
jake
jake

Em: 29/01/2026

Eita que o Rico e um chato isso é fato mas  Lis  permitir ser beijada por ela isso foi um absurdo vai perder a Dra .....aff


Dinha Lins

Dinha Lins Em: 22/03/2026 Autora da história
kkkk Rico é chatinho...
E o beijo pegou a Liz de surpresa, além é claro que ela tem aquela coisa mal resolvida com ele...
Mas, quem sabe que o medo de perder a doutora não mexa com ela... kkk


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Zanja45
Zanja45

Em: 05/01/2026

Esse Rico é um provocador. Qual é a dele com Alice? Ele queria ver ela sair do sério? E Liz, heim, sendo beijada por Rico? |E o ciúme de Alice? Será que vai formar um casal triplo?


Dinha Lins

Dinha Lins Em: 22/03/2026 Autora da história
O Rico é um cara que precisa amadurecer, até porque sempre teve tudo de certa maneira, e a Liz estava ali para ele. E a Liz... o que falar dela... as vezes a gnt tem aquela coisa mal resolvida, que na verdade já ta resolvida, mas a gnt ainda se apega...


Responder

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HelOliveira
HelOliveira

Em: 01/01/2026

Achei muito bom Alice sair com a Loira, quem sabe a Liz acorda...

Acho o Rico muito chato


Dinha Lins

Dinha Lins Em: 02/01/2026 Autora da história
KKKKK, a Alice é atacante goleadora nata... se a Liz não se ligar, fica é sem a doutora..
O Rico... tem horas que não dá pra defender... kkkk


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