• Home
  • Recentes
  • Finalizadas
  • Cadastro
  • Publicar história
Logo
Login
Cadastrar
  • Home
  • Histórias
    • Recentes
    • Finalizadas
    • Top Listas - Rankings
    • Desafios
    • Degustações
  • Comunidade
    • Autores
    • Membros
  • Promoções
  • Sobre o Lettera
    • Regras do site
    • Ajuda
    • Quem Somos
    • Revista Léssica
    • Wallpapers
    • Notícias
  • Como doar
  • Loja
  • Livros
  • Finalizadas
  • Contato
  • Home
  • Histórias
  • Sob as Sombras de Nova Esperança
  • Capitulo 19

Info

Membros ativos: 9584
Membros inativos: 1620
Histórias: 1965
Capítulos: 20,900
Palavras: 52,885,593
Autores: 809
Comentários: 109,191
Comentaristas: 2603
Membro recente: M arccoa

Saiba como ajudar o Lettera

Ajude o Lettera

Notícias

  • Desafio das Imagens 2026
    Em 23/04/2026
  • 10 anos de Lettera
    Em 15/09/2025

Categorias

  • Romances (875)
  • Contos (476)
  • Poemas (235)
  • Cronicas (229)
  • Desafios (182)
  • Degustações (28)
  • Desafio das imagens 2026 (0)
  • Natal (7)
  • Resenhas (1)

Recentes

  • Otherside - Como a vida deveria ser
    Otherside - Como a vida deveria ser
    Por Elin Varen
  • Sob as Sombras de Nova Esperança
    Sob as Sombras de Nova Esperança
    Por Dinha Lins

Redes Sociais

  • Página do Lettera

  • Grupo do Lettera

  • Site Schwinden

Finalizadas

  • S.O.S Carolina - 2ª Temporada
    S.O.S Carolina - 2ª Temporada
    Por Cris Lane
  • Entre Você & Eu
    Entre Você & Eu
    Por EriOli

Saiba como ajudar o Lettera

Ajude o Lettera

Categorias

  • Romances (875)
  • Contos (476)
  • Poemas (235)
  • Cronicas (229)
  • Desafios (182)
  • Degustações (28)
  • Desafio das imagens 2026 (0)
  • Natal (7)
  • Resenhas (1)

Sob as Sombras de Nova Esperança por Dinha Lins

Ver comentários: 4

Ver lista de capítulos

Palavras: 3219
Acessos: 512   |  Postado em: 10/12/2025

Capitulo 19

Capitulo 19

 

"O passado nunca está morto. Na verdade, ele nem é passado." - William Faulkner

 

O caminho de volta para casa foi silencioso. Diana dirigia devagar, como quem precisava de tempo para digerir tudo. O coração dividido entre o encontro com Carol, que ainda vibrava em sua pele, e o que ouvira no cemitério, que não lhe dava paz. A imagem da avó ajoelhada diante do túmulo do pai, as palavras carregadas de culpa e revelações... tudo parecia um quebra-cabeça que ela ainda não sabia como resolver.

- Há muitas pontas soltas... e muitas pontas escondidas. Eu preciso repensar, rever cada ponto e cada situação daquela época.

Diana precisava entender o que ouvira no cemitério - e por que sua mãe nunca mencionara a avó. As dúvidas e desconfianças cresciam em seu íntimo.

- A mamãe não falou sobre a minha avó... o que mais ela está escondendo? Ela disse que iria ajudar, e eu não posso ir até a capital nos próximos dias. Mas ela vai ter que me explicar muita coisa.

Ao chegar à fazenda, encontrou Brito e Mariana na varanda, conversando. Subiu as escadas com passos lentos.

- Preciso dividir algo com vocês - disse, sem rodeios.

Eles se entreolharam, atentos.

- Pode falar, Diana - disse Brito, com a voz firme.

- Vamos para o escritório.

No escritório, Diana sentou-se e apontou o sofá à sua frente para Brito e Mariana.

- Fechou a porta, Brito?

- Sim. O que aconteceu? Por que você demorou tanto para voltar?

- Primeiro, porque acabei encontrando a Ana Carolina. Almoçamos juntas.

Eles sorriram.

- Entendi - disse Mariana, sorrindo. - É sobre ela que você quer falar?

- No momento, não. Como vocês sabem, fui ao cemitério. E lá... vi minha avó paterna.

Eles se entreolharam, surpresos.

- Ela viu você no túmulo do seu pai? - Brito perguntou.

- Não. Mas eu ouvi tudo o que ela disse - respondeu Diana, levantando-se e indo até a janela.

Brito olhou para Mariana com receio.

- O que você ouviu pra te deixar assim?

- Ela pediu perdão ao meu pai enquanto chorava. - Diana respirou fundo e baixou a cabeça. - Pedir perdão em túmulo, após tantos anos... e o gatilho para isso foi minha volta.

- Como assim, sua volta? - Brito perguntou, preocupado.

- Ela disse que meu avô e meu tio mandaram me investigar. Que eu não sou quem eles dizem que sou. Segundo essa investigação, eu não sou neta dela. Ela relembrou as ameaças que meu pai sofreu, a falta de apoio da família com minha mãe e comigo. Disse que meu avô quer apagar nossa existência, que chegou a destruir fotos antigas onde meu pai aparecia. Segundo eles, eu sou uma forasteira que não merece estar aqui.

Diana virou-se com os olhos marejados, como se ainda ouvisse a voz da avó.

- E ela teme que eles possam fazer algo comigo. Meu avô e meu tio...

Mariana levou a mão à boca.

- Meu Deus...

Brito respirou fundo.

- Isso é sério, Diana. Muito sério.

Diana sentou-se novamente, o semblante triste.

- Ela parecia arrependida. Temia por mim.

- Di, ela falou mais alguma coisa sobre você? - Brito insistiu.

- Falou tanta coisa... parecia perdida. Disse que pensava em me procurar aqui, pra me avisar sobre as ameaças.

Brito se levantou, inquieto.

- Temos que te proteger, Di. Vamos trocar os carros, blindar tudo. E nada de sair a cavalo sozinha.

- Vou virar prisioneira agora?

- Você acha que vou deixar algo acontecer com você?

Mariana interveio com doçura:

- Brito, calma, meu amor. Diana, você entende que estamos preocupados com sua segurança?

Diana ficou em silêncio, o olhar firme.

- Isso muda tudo, Di - disse Brito.

- Eu sei. Veja a questão dos carros. Mas não quero andar com segurança aqui na fazenda. Só até termos algo concreto.

- Algo concreto? Sua avó disse que teme pela sua vida. Quer mais que isso?

- Calma, os dois. Se nos alteramos, não vamos resolver nada. Brito, respira. E Diana, sua segurança vem em primeiro lugar.

Diana balançou a cabeça.

- Eu sei. Prometo pensar com calma, mas não vou me esconder. Vou evitar algumas situações, Brito, se isso te acalma. Está bem?

- Bem não está, Diana.

- Brito, amor...

Ele olhou para as duas, balançou a cabeça, respirou fundo e perguntou:

- Quais os próximos passos, Di? Agora mais que nunca precisamos nos organizar, ter o máximo de cuidado e discrição na busca por respostas.

- Eu sei. Por isso preciso entender o que aconteceu naquela época. Quem estava aqui. Quem viu. Quem sabia o que estava acontecendo. As documentações que minha mãe me deu ajudam, mas precisamos de mais informações.

Eles assentiram em silêncio. Diana os olhou como quem busca abrigo. Mas havia algo quebrado dentro dela.

Mais tarde, na cozinha, Diana se aproximou de Tita com a leveza de quem não quer parecer investigativa. Sentou-se à mesa como quem não quer nada. Lúcia e Daniela preparavam o jantar, enquanto Tita mexia a massa de um bolo.

- Boa tarde. Espero que minha presença não atrapalhe.

Elas sorriram, e Lúcia respondeu:

- Não atrapalha, dona Diana. A senhora quer algo?

- Já disse que não me chame de "dona". Faz eu parecer mais velha. Apenas Diana já está bom, Lúcia.

- Está bem, Diana - respondeu Lúcia, sorrindo.

- Bem assim. E segundo... vou esperar a Tita terminar o bolo pra ser a primeira a comer. Porque se deixar, o Rico e a Liz comem tudo e eu fico a ver navios.

- Tem um pudim na geladeira, Diana. Se quiser, eu pego um pedaço pra você - disse Daniela, prontamente.

- Não vou me fazer de difícil. Vou querer sim, Daniela. Obrigada.

Daniela serviu o pudim com cuidado, e Diana saboreou o doce com prazer.

- Tita...

- Hum... quer alguma coisa, menina Diana?

- Você pode fazer um bolo de amendoim?

- De amendoim?

- Sim, é o meu predileto.

Tita sorriu.

- O Rico passou aqui mais cedo e pediu um de chocolate...

- Então deixa...

- Não. Eu faço outro de amendoim pra você.

Diana sorriu, agradecida. A conversa seguiu animada. Elas perguntaram o que Diana gostava de comer, e ela fez com que falassem sobre suas vidas antes de trabalharem na fazenda.

- Você e a Lúcia trabalharam aqui por muito tempo com os antigos donos?

- Eu não - respondeu Lúcia. - Eu já tinha casado, e o Olívio trabalhava em outra cidade.

- Pensei que vocês duas estivessem aqui na época. Quando voltaram pra cá, Lúcia?

- Houve mudanças lá no Haras, e o Olívio achou melhor voltarmos pra Nova Esperança. Ele começou a trabalhar por temporadas nas fazendas da região. Eu trabalhava num restaurante da cidade, e a Daniela estava sem trabalho, meu filho mais velho, o Pedro casou e mudou para Goiás. Então resolvemos tentar aqui na fazenda.

Diana se aproximou do balcão, observando Daniela ajudar a avó com concentração.

- E aí, Dani... o que você quer fazer da vida?

Daniela ergueu os olhos, surpresa.

- Eu tô estudando à noite, Diana. Faço o curso de panificação e confeitaria.

- Que ótimo! Pretende seguir nessa área? Fazer outros cursos?

- Sim. Assim que der, quero fazer gastronomia e me especializar mais em confeitaria.

- Tem aqui em Nova Esperança?

- Infelizmente não. Por isso ainda não consegui. Mas não vou desistir. Vou fazendo o que aparece até conseguir chegar onde quero.

Diana assentiu, admirada com a determinação da jovem.

- Muito bem, Daniela. Se você quiser... meus pais moram na capital. Você poderia ir até lá estudar, se seus pais permitirem.

Daniela parou o que estava fazendo, os olhos arregalados.

- Sério? Você tá falando sério mesmo?

- Claro. Você pode trabalhar por lá e ajustar os horários de estudo. Tenho certeza de que meus pais não se importariam em ajudar.

Daniela ficou sem palavras, emocionada.

- Diana... eu não sei nem como agradecer - disse, com a voz embargada.

Lúcia, que ouvia a conversa enquanto lavava a louça, se virou com os olhos brilhando.

- Isso é tão generoso da sua parte. A Daniela é dedicada, merece essa chance. Obrigada, Diana. De coração.

Daniela enxugou as mãos no avental e se aproximou.

- Se meus pais deixarem... eu vou. Eu quero muito isso.

Tita, que observava tudo enquanto mexia o bolo, sorriu com ternura.

- Veja com seus pais. Acredito que por Lúcia, você vai. Estou certa?

- Com certeza, Diana - respondeu Lúcia, com brilho nos olhos.

Diana se levantou da mesa e foi até onde Tita mexia a massa do bolo com movimentos firmes e experientes. Observou por alguns segundos em silêncio, depois perguntou com suavidade:

- Tita... como era trabalhar aqui, antigamente?

Tita parou por um instante, olhou por cima dos óculos e arqueou uma sobrancelha.

- Por que essa pergunta agora, menina?

- Ah, Tita... são tantas histórias que ouvi sobre essa fazenda, sobre as pessoas que viveram aqui... é impossível não ficar curiosa.

Tita a encarou por alguns segundos, como se tentasse decifrar o que havia por trás da pergunta. Depois voltou a mexer a massa, mas sua voz saiu mais baixa, carregada de lembrança.

- Trabalhar aqui era diferente... muito diferente.

- Como assim? - Diana perguntou, tentando soar casual, mas atenta a cada palavra.

- A casa era cheia de vida. Dona Sandra e o Dário eram boas pessoas. De coração bom, sabe? Gostavam de ajudar, tratavam a gente com respeito. A fazenda era alegre, mesmo com todas as dificuldades.

Ela fez uma pausa, como se revivesse tudo por dentro.

- Mas não foi fácil pra eles, não. As famílias dos dois... viviam tentando atrapalhar. Era gado que sumia, colheita que não conseguiam vender, incêndio criminoso nas plantações... Teve até época em que ninguém queria vender sementes, adubo, fertilizante. Nem inseticida conseguiam comprar.

Diana arregalou os olhos, surpresa.

- Tudo isso?

- Tudo isso e mais um pouco. Mas eles eram persistentes. Não desistiam fácil. Cada obstáculo virava uma batalha - e eles venciam, um por um. Com trabalho, com fé... e com muito amor.

- Por que as famílias dos dois faziam isso?

- Não aceitavam o casamento deles. A família da dona Sandra era aliada dos Medeiros de Alcântara, inimigos da família Camargo, à qual o senhor Dário pertencia.

- E como eles viviam a vida? Por que isso incomodava tanto?

- O senhor Dário não entrava nas brigas das famílias. Era amigo do doutor Otávio, que vinha muito aqui. Ele só queria fazer a fazenda dar certo e viver bem com a esposa e os filhos.

- E a família da dona Sandra, por que era contra, mesmo com ele sendo de família importante, trabalhador e tendo como sustentar a família?

- A dona Sandra era da família Matos Cardoso, aliada dos Medeiros de Alcântara. Ela ia se casar com o Régis, o atual prefeito de Nova Esperança. Era uma aliança entre famílias. O casamento com Dário quebrou tudo o que eles esperavam dela.

- Que coisa... casamento arranjado. E a família do Dário?

- Os Camargo são a segunda família mais importante da região. Inimigos dos Medeiros há gerações. Muitas mortes, brigas e confusões acontecem até hoje, os aliados das duas famílias vivem em uma guerra silenciosa.

- Parece coisa de filme ou novela.

- Mas não é. Ainda hoje é comum aqui em Nova Esperança e nas cidades vizinhas. É a busca por dinheiro e poder. E tenha certeza Diana que muitos por poder vendem as filhas... a honra e fazem coisas terríveis.

Diana ficou em silêncio por alguns segundos, digerindo o peso das palavras de Tita.

- E você viu tudo isso acontecer, Tita?

- Vi, ouvi, senti. A gente fingia que não via, mas era impossível ignorar. Teve noite que o Dário saiu com o cavalo e voltou com o rosto machucado. Teve dia que a Sandra chorava escondida no quarto, porque alguém tinha sabotado a colheita. E mesmo assim, eles não deixavam de sorrir pra gente.

- Eles eram mesmo muito fortes...

- Eram. Mas até os fortes têm limites.

A cozinha ficou em silêncio por um tempo. Daniela e Lúcia ouviam a conversa sem ousar interromper. Percebiam o interesse de Diana em saber do passado e de Tita em finalmente falar sobre o passado.

- Acho que já falei demais menina Diana.

- Não Tita - Diana se apressou em dizer. - Pode continuar, estou gostando de saber mais deles, vai juntando com o que ouvi, o melhor é saber por quem estava vivendo tudo aquilo. Porque as histórias são muitas e divergem em tanto.

- Muitos falam o que alguns querem que seja dito ou falam sem saber de nada, passam a frente um monte de mentiras como se fosse verdade.

- Eu sei Tita, por isso a minha curiosidade, mas... como eles eram com os empregados? Como eram em família?

Tita sorriu, mas havia um brilho de tristeza nos olhos.

- O Dário era um homem bom. Marido dedicado, pai amoroso, patrão justo. E a dona Sandra... ah, ela era uma força da natureza. Mesmo com tudo contra, mantinha a casa viva. A gente ria muito aqui dentro. Tinha música, cheiro de bolo, criança correndo. Era uma casa cheia de alma.

Diana sentiu um nó na garganta. Aquela descrição parecia tão distante da imagem que lhe restara da infância - fragmentos, sombras, sensações. Um cheiro de terra molhada, uma risada ao longe, mãos grandes a levantando no ar. Mas tudo tão vago, tão distante.

- Se eu fechar os olhos, ainda consigo ouvir as risadas deles. A menina Diana, sua xará... Ela era a alegria da casa. Vivia correndo pelos campos. O Dário andava com ela a cavalo, e a dona Sandra ficava pé da vida, com medo que a menina se machucasse. Eles eram muito felizes, apesar dos pesares e muito unidos. E a dona Sandra estava grávida quando tudo aconteceu. Era pra ser mais uma bênção... e então tudo virou de ponta cabeça.

- Você fala da morte do Dr Otávio?

- Sim, quando o doutor Otávio morreu... foi como se a última proteção deles tivesse sumido.

- Então ele era muito próximo deles? Frequentava aqui a fazenda?

- Muito próximo. Trazia os filhos para brincar, principalmente a Carol. Que sempre foi muito apegada ao pai, ela estava sempre por aqui brincando com a menina Diana. E isso não era bem visto por nenhuma das famílias, muitas vezes ouvi o Dr Otávio conversando com o Dário, dizendo que o pai dele e a esposa não gostavam quando ele trazia as crianças, o menino Rafael vinha muito pouco por causa da mãe, mas a Carol vinha sempre com o pai.

Diana ficou em silêncio, porque ela não lembrava de tudo isso?

- Mas, ele ajudava em outras coisas? Nas dificuldades que tinham na fazenda?

- O Dr Otávio? Ele ajudava com contatos, com vendas, com segurança. E como era respeitado pelas famílias, isso acalmava um pouco os ânimos. Enquanto ele estava vivo, ninguém ousava ir longe demais.

- Então, se eram tão amigos como tudo desmoronou? Porque o meu.. digo, o Dário foi acusado de ter matado o Dr Otávio?

Tita suspirou, mas não respondeu de imediato. Apenas olhou para o forno, como se esperasse que o bolo lhe desse coragem.

- Como você já sabe o Dr. Otávio foi assassinado aqui nas terras da fazenda.

Diana assentiu.

- O corpo só foi encontrado dias depois, meio que escondido. E o Dr Otávio havia saído daqui. Então as pessoas começaram a dizer que o Dário teria matado o Dr Otávio.

- Mas, você mesmo disse que eles eram amigos e que o Dr Otávio estava sempre aqui.

- Isso aconteceu porque o Machadinho e o Zequinha disseram ter visto os dois brigando.

- Quem? Mas...

- O Machadinho era um faz tudo aqui da fazenda na época e o Zequinha trabalhava aqui também, mas, ficava na parte de conserto das cercas.

- Mas... mas... - Diana estava aturdida. Os nomes não lhe diziam nada. Era como se faltassem peças dentro dela.

- Diana, você tá branca.

- Eu to bem. Pode continuar Tita.

- O Dr Otávio e o Dário estavam vendo algumas coisas da fazenda que eu não lembro. Mas, sei que nesse dia o Dário voltou bem chateado porque havia quebrado algumas cercas e um gado tinha fugido. Ele saiu bem apressado e agoniado. Mas, tenha certeza Diana, ele jamais faria isso. Eu não acredito no que o povo fala.

Diana estava calada, ainda absorvendo o que ouvira. O peito apertado, como se o ar tivesse ficado mais denso.

- E o que o povo fala?

- O povo fala o que aqueles dois disseram que ouviram, né? Que a briga entre o Dário e o doutor Otávio foi feia. Que o doutor Otávio se cansou de dar dinheiro e cobrou o que já tinha emprestado. Que o Dário não gostou. Que os dois quase se agarraram, e só não chegaram às vias de fato porque eles entraram no meio da briga.

- Isso é novidade... - Diana disse baixinho, mais pra si do que pra Tita.

- O que você falou, Diana?

- Nada importante. Mas... só por isso o povo achou que o Dário tivesse matado o amigo?

- Ah! Começaram a sair um monte de história, de brigas, cobranças de dívidas contraídas pelo Dário, ameaças de ambos os lados. De toda parte surgia uma nova história... foram tempos difíceis...

- Meu Deus. Tita e as pessoas que sabiam que isso não era verdade?

- Ninguém foi depor a favor do Dário. Eu tentei ir, mas o advogado disse que não era possível porque não tinha provas do que eu falava. Mas, pra acusar? Apareceram um monte e todos sem provas, todos foram ouvidos, o Zequinha mesmo chegou a dizer que viu o Dário com uma arma no dia em que o Dr. Otávio foi assassinado. Mas, eu juro Diana, o Dário saiu daqui sem arma alguma.

- Eu acredito Tita... eu acredito. E por onde anda esses dois?

- Aqueles dois sumiram no mundo, ambos apareceram com dinheiro do nada. Pra mim foram comprados pra dizer aquele monte de mentira.

Diana sentiu o estômago revirar. As mãos suavam. O coração batia descompassado. Ela se levantou devagar, como se o chão tivesse ficado instável.

- Eu... Eu... Eu preciso descansar antes do jantar.

- Diana...

- É uma história triste Tita.. Só fiquei mexida. Obrigada.

Ela saiu da cozinha com passos apressados. Subiu as escadas como quem foge de algo que ainda não sabe nomear. Ao entrar no quarto, fechou a porta e encostou-se nela, respirando fundo.

O silêncio do cômodo parecia gritar.

Sentou-se na beira da cama, os olhos fixos no chão. Fragmentos vinham à mente - um cavalo branco, mãos grandes segurando as suas, uma risada abafada pelo vento. Mas tudo era vago. Como se alguém tivesse apagado partes da sua história.

Ela apertou os punhos. "Eles mentiram. Todos esses anos." Queria gritar. Queria confrontar. Mas tudo o que conseguiu foi engolir a raiva e deixar que as lágrimas caíssem, silenciosas.

Sabia que estava perto da verdade. Mas também sabia que, quanto mais se aproximava, mais doía.

 

 

Fim do capítulo

Notas finais:

Mais um capítulo pra vcs... 

Espero que vcs comentem... né... pra fazer a alegria da autora....

Assim que possivel volto... quem sabe se vcs comentarem bastante ainda essa semana....

 


Comentar este capítulo:
[Faça o login para poder comentar]
  • Capítulo anterior
  • Próximo capítulo

Comentários para 19 - Capitulo 19:
Zanja45
Zanja45

Em: 05/01/2026

É odio de todas as partes, dos Camargos, Cardosos e Medeiros de Alcantaras. — Há muitas pessoas que poderiam ter matado Otavio para incriminar Dário.


Dinha Lins

Dinha Lins Em: 22/03/2026 Autora da história
Vc tocou em pontos importantes... kkkkk


Responder

[Faça o login para poder comentar]

jake
jake

Em: 15/12/2025

Que raiva ....Diana passando por isso.... vamos lá autora resolver esse B.O

 


Dinha Lins

Dinha Lins Em: 02/01/2026 Autora da história
B.O, sendo resolvido...


Responder

[Faça o login para poder comentar]

mtereza
mtereza

Em: 13/12/2025

Muitas pontas soltas nessa história do assassinato de Otávio a polícia só poderia esta comprada mesmo para não ver isso


Dinha Lins

Dinha Lins Em: 02/01/2026 Autora da história
Algumas situações se repetem até hoje... infelizmente


Responder

[Faça o login para poder comentar]

HelOliveira
HelOliveira

Em: 12/12/2025

As coisas estão começando aparecer, só que o perigo para Diana tb aumenta....

Já ansiosa pelo proximo


Dinha Lins

Dinha Lins Em: 02/01/2026 Autora da história
Diana correndo alguns riscos....
E quando ela realmente começar a mexer com algumas pessoas....


Responder

[Faça o login para poder comentar]

Informar violação das regras

Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook:

Logo

Lettera é um projeto de Cristiane Schwinden

E-mail: contato@projetolettera.com.br

Todas as histórias deste site e os comentários dos leitores sao de inteira responsabilidade de seus autores.

Sua conta

  • Login
  • Esqueci a senha
  • Cadastre-se
  • Logout

Navegue

  • Home
  • Recentes
  • Finalizadas
  • Ranking
  • Autores
  • Membros
  • Promoções
  • Regras
  • Ajuda
  • Quem Somos
  • Como doar
  • Loja / Livros
  • Notícias
  • Fale Conosco
© Desenvolvido por Cristiane Schwinden - Porttal Web