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Depois eu te conto... por Nadine Helgenberger

Ver comentários: 3

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Palavras: 4075
Acessos: 548   |  Postado em: 22/12/2025

Capitulo 25

 

 

O mistério finalmente foi revelado e todo o suspense de Lúcia, era em nome da apresentação de um novo consultor para a equipa. Não um profissional qualquer como fez questão de frisar ao final de cada frase, mas alguém que levaria o escritório a outro patamar. Efetivamente o currículo do homem era invejável e com a ajuda do exagero de Lúcia, ele parecia um às da consultoria. Vinha impecável, camisa clara perfeitamente engomada, barba feita com esmero, pasta cara, tão perfeito que parecia irreal, pensava Sabrina enquanto olhava sem qualquer reação, o circo montado por Lúcia.

Enquanto Lúcia parecia apresentar um trofeu, a reação do homem oscilava entre lisonjeio e um certo desconforto. Não era para menos, Lúcia parecia não discernir se apresentava um profissional ou uma nova conquista pessoal. A cada frase, ela pousava a mão no braço do Heitor como quem diz, ele é meu, atitude totalmente inapropriada para a ocasião. Mas tratava-se de Lúcia e tudo naquele ser era peculiar, pensava Sabrina.

            -Ele tem uma experiência sólida na área de estratégia, trabalhou com empresas grandes, inclusive fora do país. É o talento que faltava para levarmos o escritório para outro nível. A partir de agora, tudo o que estiver relacionado com planeamento e articulação passa por mim e por ele.

Fez-se silêncio no átrio do quinto andar. As pessoas lançaram um sorriso educado, enquanto Catarina, encostada a uma pilastra, semicerrou os olhos como quem tenta entender alguma coisa sem muito sentido.

Lúcia finalmente deu a palavra à nova aquisição e ele apenas agradeceu e desejou contribuir da melhor forma. Houve quem batesse palmas, mas a maioria dos colaboradores dirigiu-se aos seus postos de trabalho, onde com certeza seriam mais úteis. Sabrina fazia parte deste grupo.

Mas Lúcia queria mais palco, e lá foi de mesa em mesa, fazendo uma apresentação mais direcionada do novo colaborador. Quando chegaram à mesa de Sabrina, ela assumiu um tom particularmente doce.

            -Sabrina, sinto que és a pessoa que mais vai se beneficiar com a chegada de Heitor.

            -É? - Sabrina levantou o olhar e sorriu. -Bom, o certo é que eu espero aprender muito com o conhecimento dele. - Manteve o sorriso curto e verdadeiro no rosto.

Lúcia não esperava aquela reação. Não da Sabrina insegura e instável emocionalmente. Esperava desconforto, medo, qualquer coisa que lhe desse prazer e aguçasse ainda mais sua veia sádica. Mas o que viu foi uma expressão tranquila, ou quase neutra, o que lhe causou frustração a ponto de tremer o lado esquerdo da boca.

            -Ele tem um olhar global que, às vezes, nos faltava aqui. - Insistiu Lúcia firme.

            -Seja muito bem-vindo, Heitor. - Sabrina inclinou a cabeça, e em seguida, continuou o seu trabalho.

Lúcia deixou o espaço com seu troféu a tiracolo, sorrindo para quem quisesse ver, mas a mandíbula e o estomago estavam contraídos.

***

Não demorou muito para Catarina aparecer no espaço de trabalho de Sabrina com dois copos descartáveis de café fumegante.

            -Obrigada! Tu sempre adivinhas as minhas necessidades...

            -Hmmm, olha que se alguém com o pensamento acelerado te ouve...- Piscou o olho.

Riram.

            -Doida!

            -Sabrina, essa Lúcia é doida mesmo, não é? Que circo foi esse? Parecia que ela trazia o Thimothée Chalamet pelos braços.

            -Quem? - Sabrina franziu a testa.

            -Ah musa, gente nova de sucesso, tu já tens idade e não faz parte do teu mundo.

Gargalhadas.

            -Lúcia adora uma performance...sempre foi assim. - Sabrina voltou a atenção à tela do computador.

            -Ela parecia um animal a marcar território...mas o que mais chamou a minha atenção foi a insistência em dizer que esse tal Heitor veio para salvar a casa. Essa postura não é recomendada para uma líder...

            -Aprendi a não gastar minha energia com as maluquices da Lúcia. Ela que dê o show que quiser. - Sabrina soltou uma pequena gargalhada.

            -Sabrina...não me chames de doida...

            -Hmmm? - Sabrina encarou-a com olhos curiosos.

            -Eu acho que aquele teatro todo teve um único objetivo: te afrontar. Ela atuava e te encarava, à espera que tremesses, que te abalasses...tu nem piscaste, musa. Que orgulho!

            -Só quero fazer o meu trabalho...

            -E o "agora tudo passa por mim e por ele"? - Provocou Catarina.

            -Ótimo! Menos trabalho que me cai em cima.

            -Tu és terrível, musa. Com essa carinha de inocente...quem diria.

Gargalhadas.

***

Depois do almoço, enquanto relaxava com o olhar perdido numa bela vista, Sabrina pensava nas atitudes de Lúcia. Há algum tempo, talvez se sentisse insegura, insuficiente, entretanto, só conseguia ver aquilo tudo como um teatro e muito mal feito. Sorriu ao se lembrar que ela já agira de forma parecida, não no contexto profissional, mas num evento em sua casa. A memória veio clara, Lúcia, aparentemente bêbada ou fingindo muito bem, começara a agir com muita possessividade, causando-lhe muito desconforto. O ápice da loucura veio quando ela se sentindo acuada, inventou de levar a louça na cozinha e não demorou nada e Lúcia estava colada nela deslizando a mão pelas suas costas quase nuas. Intempestivamente, empurrou-a para longe e correu dali. Não foi logo embora porque a sala estava cheia de gente, inclusive grandes clientes da empresa. A pessoa que voltou da cozinha nunca mais se dignou a pousar-lhe os olhos em cima e mais, fez questão de diminuí-la profissionalmente, claro que usando de muita subtileza. No dia seguinte no escritório, ela agiu como se nada daquilo alguma vez tivesse acontecido, ao ponto de Sabrina acreditar que talvez tivesse exagerado. Já conseguia identificar as oscilações comportamentais de Lúcia, ainda que não fizesse muito sentido...

Seu telefone vibrou e sorriu ao ver quem era.

"Meu bem, acabei de regressar do almoço e não parei de pensar em ti...estava com mais pessoas que só falavam de trabalho, mas eu só pensava que adorarias o bacalhau à Gomes de Sá, que já saboreamos juntas algumas vezes."

Sabrina imediatamente experimentou algumas sensações e todas muito boas, água na boca pelo bacalhau, e calor no coração. Nada mais interessava...

"Saudades tuas, tantas...ah e do bacalhau também."

Sorriu sabendo que Fedra fizera a mesma coisa.

"Doida...as saudades gritam do lado de cá. Ah, como foi o desfecho do burburinho no teu trabalho?"

"Mais uma loucura da Lúcia. Chegou com o salvador da pátria, e pelo teatro, ele deve alavancar o escritório para níveis estratosféricos. Vamos ver, quem sabe eu não aprenda alguma coisa..."

"Não te deixes abalar pelas atitudes insanas dessa mulher."

"Não, ela já não tem esse poder. Ficarei sentada no meu lugar, fazendo o que me cabe e..."

"E?"

"Ainda é cedo e nem sei muito bem articular o que vem ganhando contornos na minha cabeça...na hora certa saberás."

"Que seja o melhor para ti...para nós."

"Sempre!"

"Estou contigo, meu bem."

"Eu sei! Mande um beijo à tua mãe."

"Vou estar com ela mais tarde, todos os beijos serão dados."

 

***

Fedra agradecia em silêncio vendo a mãe entretida com seu programa favorito de televisão. Dona Gracelina estava de volta ao que sempre fora, viva, alegre e independente. Apreciava a calma que as horas passadas com ela lhe proporcionavam, eram sempre um convite a não pensar em nada. Interrompeu o que estava a fazer e foi encostar-se aos pés da mãe no sofá. Nada era mais importante do que momentos de intimidade, em que muitas vezes nenhuma palavra era dita, mas a conexão era evidente. Não demorou muito para a dona Gracelina começar a afagar-lhe a cabeça. Aquele ato de carinho corriqueiro, despertou-lhe outras saudades, da filha, de Sabrina...suspirou aninhando-se ainda mais no contato com a mãe.

            -Tudo bem, filha?

            -Sim...acho que estou com sono...

            -Fica aqui...já sei que vais retrucar, mas o teu quarto está lá...

            -Cheio de tralhas. Não te esqueças que a Mália não demora a chegar e ela sempre vem para cá antes de lembrar que tem mãe.

Gargalhadas felizes.

            -Sabes como são os velhos, adoram uma quinquilharia. O quarto da minha neta estará impecável para recebê-la e mal posso esperar. Ah, tu sabes que ela vem para cá matar as saudades da velha avó, mas sempre volta para a vossa casa.

            -Ah, mas eu nem ligo. Para ser franca, eu adoro que ela tenha esse amor todo por ti, sinal de que soube educá-la a ser grata.

            -O quarto tem alguma bagunça, mas está em perfeitas condições para uma noite de sono...ou ainda podes dormir comigo no meu quarto.

-Fico mais algum tempo, mas vou dormir em casa. Tenho coisas a organizar...

O telefone de Fedra vibrou sobre a mesa e ela esticou a mão já com um sorriso no rosto, crente que seria Sabrina.

"Estou de passagem pela Praia. Queria ver-te."

Fedra arqueou as costas para trás. Que mensagem mais sem cabimento. Era José Carlos. Suspirou com enfado.

            -Noticia chata? - perguntou a mãe sempre atenta.

            -José Carlos...- Respondeu Fedra olhando para a tela.

            -Não tinha acabado? - A mãe finalmente desviou o olhar da televisão.

            -Sim!

            -E há alguma chance de reatarem essa história?

            -Nenhuma! Pelo amor de Deus, mãe, nenhuma! - Fedra riu com vontade.

            -Seja feliz, minha filha. Não me meto na tua vida, mas aquele homem não é para ti...- Voltou a sua atenção ao seu programa de culinária.

Fedra sorriu e deixou o telefone de lado. José Carlos não passava de uma miragem, sua vida agora era outra.

***

            -Musa, trago noticias bombásticas!

Catarina pulou literalmente sobre a mesa de Sabrina dando-lhe um valente susto.

            -Garota, estás doida? Isso lá são modos de se portar em ambiente corporativo? - Sabrina controlava-se para não rir da expressão de surpresa no rosto da estagiária.

            -Ah...desculpa...

            -Estou a brincar, sua maluca. Mas saiba que meu coração já tem algum tempo de estrada e não aguenta esses rompantes.

Gargalhadas.

            -Ah, que bom! Por instantes pensei que tivesses sido corrompida pelo vírus da chatice desse lugar. Ufa!

            -E quais são as novidades?

            -Hmmm, musa discreta gostando de uma fofoca...quem diria?

Mais uma sonora gargalhada.

            -Menina, parece que o às da consultoria não é isso tudo que a tua chefe tem propalado por aí...

            -Como assim? - Sabrina já tinha notado algumas incongruências, mas era sempre bom ter mais subsídio para uma melhor avaliação.

            -Acabei de sair de uma grande reunião, dessas que a senhora Lúcia já não te convoca porque agora tudo passa por ela e pelo às - frisou com ar de deboche. - E o Heitor reinava com seu léxico que ninguém entende, quando foi questionado por um dos membros do conselho sobre algo que confesso, eu não entendi, e ele titubeou. Descobri numa pesquisa rápida que era um detalhe operacional que ele deveria dominar e nada. A Lúcia logo interveio em auxílio do eleito dela, mas quem estava presente, percebeu. Se eu entendi, imagina o povo mais maduro...

            -Hmmm...ás vezes acontece...ele é novo aqui e há processos diferentes...

            -Sabrina, não era nada processual, era conhecimento técnico mesmo. Tu darias um show...mas deixa quieto que o que é dessa Lúcia vem a galope...

Risos.

            -Mas há coisa pior...e nessa parece que a primeira a dançar serei eu...

            -Como assim?

            -Estava na sala da Lúcia e acho que ela se esqueceu desse detalhe, porque com certeza não era para eu ter acesso à informação que ouvi com clareza...

            -Catarina...

            -Ah, sabes que gosto de um suspense...

Risos.

            -Vai haver remodelação na gestão do escritório, os consultores vão passar a ser contratados por trabalho...se entendi bem, não vai haver mais contrato de longo prazo com ninguém...

            -O meu é de freelancer, mas com alguma estabilidade...

            -Então, acho que vão acabar com isso...o consultor será contratado para um trabalho especifico e depois disso, fim de vínculo...até o próximo, seu houver...ah e precisavas ver o descaso com que falavam de vidas.

Sabrina experimentou um desconforto na nuca. Seu contrato estava prestes a terminar e com a nova postura de Lúcia, provavelmente não teria renovação. E se Catarina tivesse entendido bem...mordeu o canto da boca e o estômago contraiu-se. Adivinhava-se mais uma cambalhota na sua vida...

            -Parece que essa será a abordagem com quem faz o trabalho mental, imagina para uma mera estagiária...seremos todos substituídos por Inteligência Artificial. Oh céus...

            -Olha o drama, garota...tu és jovem, muito jovem...

            -E tu és brilhante, se não te querem aqui, com certeza haverá quem te disputará com lances milionários.

Gargalhadas altas.

Sabrina gostava de ver o mundo com os olhar fresco de Catarina.

***

Durante a semana, as especulações de Catarina confirmaram-se o que causou algum alvoroço no escritório. Houve quem ficasse indignado a ponto de romper o contrato vigente, mas com Sabrina, foi diferente. Ela sempre precisava de tempo para concatenar as ideias e a forma como organizava a sua vida, lhe permitia alguma margem.

Lúcia anunciara a nova estratégia da empresa como algo muito vantajoso para os consultores, alegando que essa nova modalidade, lhes permitiria alçar outros voos. Sabrina ouvira aquela ladainha sem esboçar qualquer reação o que provocou uma avalanche emocional na sua chefe e que mais uma vez conseguiu camuflar seus sentimentos.

A verdade era que Sabrina encontrava-se na fase em que a mente bloqueava e não conseguia reagir. Já tinha melhorado bastante desses episódios de negação ou inércia patológica, mas ainda havia resquícios dessa característica, não obstante todo o trabalho psicológico.

Tomava um chá depois do almoço no restaurante ao lado do trabalho, quando o telefone tocou arrancando-a de um devaneio sem qualquer sentido. Pareceu-lhe que a livre circulação do ar nas suas vias aéreas sofreu uma ligeira contração. Buscou o ar com força duas vezes e atendeu.

            -Pai...

            -Olá Sabrina, há quanto tempo.

Pois, pensou Sabrina, se eu não me mexo, tu não lembras que tens uma filha.

            -Pois é, pai. Muito trabalho...

            -Liguei para te desejar um Feliz Natal. Vamos viajar e passar 3 meses velejando pelo pacífico. Abraço.

Desligou. Sabrina olhou de um lado para o outro à espera de ouvir mais alguma coisa. Como assim desejar Feliz Natal? Olhou o calendário na tela do telefone e para seu espanto, ele marcava meados de dezembro. Um balde de água gelada despencou sobre a sua cabeça e uma realidade que lhe machucava no âmago veio ao de cima com força total. Chegara a época que mais odiava nos 12 meses do calendário. Nunca esquecia, mal dezembro entrava, suas feridas se abriam causando uma dor cada vez mais aguda. O tempo não curava nada...nada.

Nesse ano, não se dera conta de dezembro à porta. Talvez pela confusão no escritório, pelas armadilhas de Lúcia...respirou fundo várias vezes. Sem aviso, foi inundada por uma enxurrada de lágrimas quentes. Só conseguia pensar em Fedra. Ria em meio às lágrimas. O acolhimento que recebia, o cuidado diário e nos mínimos detalhes, simplesmente tinham ofuscado qualquer resquício de drama.

Tentando desesperadamente focar no que já conhecia, buscou todas as suas memórias de dor, a perda da mãe de forma inesperada a um mês do Natal e todo o sofrimento em que se transformou a sua vida a partir desse fato. Sempre que estivera sozinha com o pai, o Natal nunca mais existiu. Tudo sempre era um festival de horrores, bebedeiras, brigas e sem contar as vezes em que fora resgatá-lo em becos perigosos. Pelas casas em que morou de favor, sempre teve a sensação que era um estorvo. Ninguém se importava com ela, mas como ser diferente se nem o próprio pai parecia enxergá-la?

Há alguns anos que sempre viajava para longe no Natal. Destinos onde não passava de apenas mais um habitante da terra...nunca esquecera de dezembro, afinal era seu mês mais sombrio e o alerta piscava cedo.

Fedra...seu coração se agigantava e um calor intenso preenchia todo o seu corpo...

Sentindo-se completamente perdida, regressou ao trabalho. Ele sempre a salvava...

***

Na manhã seguinte, Sabrina atrasou-se alguns minutos para chegar ao trabalho, o que não era nada habitual.

            -Musa, bom dia! - Catarina apareceu na porta ela ainda nem tinha ligado o computador.

            -Bom dia, estagiária amada. Hoje perdi a hora...- Sorriu enquanto se acomodava.

            -Ah, afinal tu és humana...ás vezes eu tenho minhas dúvidas.

Risos.

            -Maluca! Embalei na conversa com a Fedra e...

            -Ela está cá? - Interrompeu a jovem toda empolgada.

            -Não, garota e controle-se. Videochamada...

            -Ah meu Deus, que minhas musas estão apaixonadas!

            -Tu não tens juízo, menina. - Sorriu.

            -Ainda bem que estás blindada de amor, porque aquela senhora já veio aqui umas três vezes à tua procura, e pela cara...

            -Lúcia? Ela dormiu aqui?

            -Quando cheguei ela já estava trancada na sala com olhos fixos no computador. E eu chego muito cedo, como sabes...ih lá vem ela. Tchau musa! Mande uma mensagem depois contando tudo...ou passo aqui. - Piscou o olho e Sabrina riu com vontade.

            -Sabrina, bom dia! - Sorriu, aquele sorriso que Sabrina já identificava como oportunista, sem nenhuma verdade. - Tudo bem contigo?

            -Bom dia! Sim...

            -Passei aqui mais cedo e não estavas, por instantes pensei que algo pudesse ter acontecido...

            -Precisas de mim? - Sabrina estranhou, já que ultimamente ela raramente aparecia na sua sala e as demandas vinham todas via plataforma.

            -Sim. - Inclinou sobre a mesa dela forçando uma proximidade. - Coisa rápida.

            -Diga. - Sabrina encarou-a com seriedade.

            - Preciso que faças um diagnóstico desse projeto. Só para alinharmos antes de passar ao Heitor. - A voz dela tinha um tremor quase impercetível, mas não para o sentido apurado de Sabrina.

            -Mas não tinhas definido que projetos dessa envergadura agora eram exclusivamente da responsabilidade dele? - Sabrina ergueu as sobrancelhas encarando-a com firmeza.

            -São sim, mas ele está muito ocupado numa reunião com a cúpula e precisamos desse diagnóstico para ontem. Só preciso que faças o primeiro levantamento...consegues fazer isso ainda hoje?

Sabrina encarou-a por alguns segundos. Era impressionante como ela não conseguia disfarçar a insegurança, ainda que a pose fosse uma tentativa de altivez inabalável.

            -Consigo! - Foi sua única resposta.

            -Boa! Concentre-se apenas nisso.

Saiu da sala e Sabrina desabou na cadeira.

            -Como se eu tivesse mais alguma coisa importante com que me ocupar...-Pensou alto antes de folhear o calhamaço.

Com o rigor de sempre, debruçou-se no projeto e ao final do dia submeteu-o na plataforma para validação de Lúcia.

***

No dia seguinte, depois de uma noite péssima, Sabrina foi a primeira a chegar no andar em que trabalhava. Depois de se dar conta que o fatídico dezembro tinha chegado, todos os demónios acordaram. Sentira-se tão esgotada que nem o afeto de Fedra dora capaz de acalmar-lhe os pensamentos intrusivos. Respirou fundo e decidiu servir-se de um café forte para despertar o cérebro. O silêncio que sempre fora um balsamo, de repente parecia-lhe quase fantasmagórico.

            -Preciso voltar na Dra. Teresa...Sabrina, quando vais entender que a teimosia e o excesso de autossuficiência, só te ferram a cabeça? - Apertou a chávena nas mãos e soltou o ar com força.

Na realidade, há muito que aprendera a levar a terapia a sério e só faltava em casos extremos. Dessa vez, a psicóloga precisou se ausentar para resolver questões pessoais fora do país.

            -E eu que me desdobre para não enlouquecer...graças aos céus que essa mulher regressa hoje. - Soltou o ar mais uma vez para aliviar o nó na garganta.

            -Musa? Como assim? Não destruas o protagonismo da estagiária.

Catarina entrou na copa como um vento bom e sem pensar muito, Sabrina abraçou-a. Foi logo acolhida e deixou-se ficar.

            -Tudo bem? - Catarina perguntou certa de que algo não ia bem. O corpo de Sabrina tremia contra o seu.

            -Eu não gosto de dezembro...esse ano demorei a me dar conta que...

            -Queres um motivo para passar a gostar de dezembro? - brincou a menina consciente de que o assunto era sério.

            -Hmmm...- Sabrina não conseguia abrir a boca.

            -Faço aniversário no dia 31! O colírio dos teus olhos, o sol da tua praia, o ar fresco desse lugar, nasceu num dia frio de dezembro. Vamos mudar de perspetiva?

Sabrina riu e suspirou resignada.

            -Ninguém consegue ficar triste perto de ti...

            -Vês a bênção que eu sou? Viva o dezembro! Esse ano vai ser diferente, vais ver.

Catarina abraçou-a pela cintura e juntas deixaram a copa.

Ao longo do dia, Sabrina tentava abstrair-se no trabalho, mas a realidade era que não tinha muita coisa para fazer, pelo menos, nada importante no escritório. Resolveu corrigir algumas provas dos seus alunos para passar o tempo.

Só lembrou de comer á hora do almoço porque Catarina arrastou-lhe para o restaurante do térreo. De lá viram quando Lúcia entrou no edifício toda esplendorosa com o novo consultor a tiracolo.

            -Acho engraçado que as politicas da empresa são muito claras quanto a relacionamentos entre funcionários, mas a chefe parece querer ostentar que o bonitão faz jornada dupla.

Sabrina riu com o comentário.

            -Não temos nada a ver com isso...e a Lúcia até onde sei, tem um relacionamento...

            -Ah, musa, para...essa mulher é complexa...acho que ela é doida por ti, mas doida literalmente, a ponto de cometer atrocidades por não saber lidar com essa paixão, possessividade, sei lá...e é claro também que ela morre de tesão por esse homem aí...ela é doida e às vezes há traços de crueldade também...mas vou parar porque sei que não gostas desse tipo de assunto e já és cismada com meu dezembro, não vou dar mais subsidio para sedimentares o ódio.

Gargalhadas altas.

***

Sabrina preparava-se para fechar o dia no escritório, quando lembrou de verificar a validação do projeto que lhe exigira muito trabalho e em tempo recorde. Para seu espanto, o mesmo já não se encontrava na fase de pendentes, nem em lugar nenhum daquela bendita plataforma. O email ainda estava aberto e viu uma mensagem de Lúcia no sistema de mensagens diretas:

"Sabrina, a cúpula decidiu por uma nova abordagem a esse projeto. Não foi tempo perdido, pelo menos exercitaste os teus dons..."

Agindo como um robô, Sabrina desligou tudo, apagou as luzes e saiu. Dentro do carro, subiu todos os vidros e gritou até arranhar a garganta. Sentiu-se inútil, manipulada...descartável.

Acordou na manhã seguinte deitada no sofá da sala, vestida e com uma sensação de peso no corpo e na alma. Sentada, alongou os braços que estalaram. Decidiu vestir uma roupa apropriada e sair para correr. Correu por mais de uma hora pela cidade e ao regressar para casa, já se sentia mais leve, ou talvez, anestesiada. Enviou uma mensagem à Catarina avisando que não iria trabalhar, sem entrar em muitos detalhes. Um pouco mais tarde, abriu o email à espera de que pudesse ter havido um engano. Nada. A mesma mensagem sem sentido do dia anterior. Alguma coisa não lhe soava bem e o embrulho no estômago era prova cabal de que não era delírio se sua mente perturbada.

Passou os dois dias seguintes trancada em casa e com pouca interação com o mundo. Limitava-se a responder a uma mensagem de Catarina logo cedo confirmando que estava bem. Fedra estava na correria de fechar processos no trabalho antes do Natal, logo, o contato resumia-se a mensagens rápidas e a isso ela conseguia ter disposição para responder.

Ao terceiro dia, acordou com uma leve melhora no ânimo e saiu cedo para treinar. Talvez por mais tarde ter o retorno com a psicóloga, o mundo pareceu-lhe um lugar menos inóspito. Depois do café e com uma roupa bonita e elegante, preparava-se para sair de casa rumo ao escritório. Já era tempo de encarar aquele cenário de doidos e mais do que isso, tempo de pensar em novas atitudes. Motivada, ligou para Fedra. Estava com muitas saudades dela. Ela não atendeu. Ainda com o telefone na mão, o sinal de mensagem piscou. Era um áudio dela.

"Bom dia, meu bem. Não posso atender agora, estou a dirigir e já atrasada para buscar a minha filha no aeroporto. Estou muito feliz! Assim que estiver com a Mália, eu retorno. Beijo com saudade."

Ouviu três vezes para assimilar. Estivera tão fora de órbita que esquecera completamente que a filha de Fedra viria passar as festas. O mundo inteiro entrava em ritmo de felicidade e celebração. Dezembro só era um inferno para ela, e que inferno. 

 

Fim do capítulo

Notas finais:

Festa Felizes!

 

Abraço,

 

Nadine Helgenberger


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Comentários para 25 - Capitulo 25:
brunafinzicontini
brunafinzicontini

Em: 29/12/2025

Capítulo cheio de suspense, que nos mantém ligadas e ansiosas pela continuação... Lúcia não é uma pessoa de confiança. O que estará tramando? A única "coisa boa" do trabalho é Catarina. Esperemos que Sabrina tenha equilíbrio para enfrentar o que quer que Lúcia esteja articulando.

Beijos,

Bruna

Responder

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brunafinzicontini
brunafinzicontini

Em: 29/12/2025

Querida Nadine,

Dia 29 de dezembro... Mandei-lhe mensagem pelo yahoo e FaceBook, mas não sei quando lerá... Então, envio por aqui também meu forte abraço e os melhores votos de felicidades pelo seu aniversário! Peço a Deus que a vida a presenteie com tudo de melhor que possa oferecer, como você merece. Saúde, paz, amor e prosperidade!

Com amor,

Bruna

 

Responder

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NovaAqui
NovaAqui

Em: 22/12/2025

Feliz Natal, musa!

Que seu Natal seja feliz!

Beijão 

Responder

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