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Entrelinhas da Diferença por MalluBlues

Ver comentários: 2

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Palavras: 3015
Acessos: 762   |  Postado em: 15/12/2025

Capitulo 20

Por Luísa:

 

A mensagem chegou no fim da tarde, enquanto eu tentava terminar de revisar alguns relatórios que pareciam se multiplicar sozinhos na tela do computador.

 

Bia: “O jantar de hoje terá que ser no meu apê. Preciso gravar umas publis, e isso facilita tudo. Spoiler: hambúrguer.🍔😋”

 

Eu deveria ter recusado. Sério. Era uma decisão sensata, madura, responsável… mas eu não podia. Teria que fazer serão. E somando isso à fome absurda que eu estava sentindo, à curiosidade incontrolável e àquela pontinha de expectativa que eu fingia não sentir, simplesmente não dava pra dizer não. Principalmente depois de um dia em que o único combustível no meu corpo era café e um smoothie de morango mal tomado entre uma reunião e outra.

 

“Ok. Me passa o endereço.”, respondi.

 

O dia tinha sido um verdadeiro caos. Absorver parte da agenda de Valéria estava drenando minha energia mental e física. Reunião atrás de reunião, resolver pepino no escritório, organizar pendências pro resto da semana. Nem sinal de almoço. Mal consegui respirar antes de passar em casa correndo pra tomar um banho, tentar domar o cabelo e escolher uma roupa decente. Antes de sair, atualizei Célia sobre minha mãe, que já estava à mesa se preparando para o jantar.

 

Acabei optando por algo casual. Uma calça de linho preta, cropped off-white de tecido leve, decote discreto e sandálias de salto bloco, porque eu sabia que não sairia viva de um stiletto depois daquele dia.

 

Jean me deixou no endereço e eu segui direto da portaria até o elevador. Apertei o botão do quinto andar, e a cada andar que subia, a mesma pergunta martelava na minha cabeça: em que momento, exatamente, eu tinha perdido o juízo?

 

Um frio na barriga me pegou de surpresa. Um calor estranho subiu pelo pescoço, e eu precisei soltar um suspiro discreto pra aliviar a tensão. O elevador parecia subir mais devagar que o normal, e eu aproveitei os segundos pra passar a mão pelo cabelo e ajeitar meu cropped.

 

Quando a porta se abriu no meu destino, soltei outro suspiro, agora resignado, e toquei a campainha do apartamento 503.

 

Três segundos. Foi esse o tempo exato entre o toque da campainha e a porta abrir.

 

E lá estava ela.

 

Bia.

 

De roupão.

 

Sim. Inacreditavelmente, absurdamente, descaradamente… de roupão. Um decote que mais parecia uma armadilha. E um sorriso tão aberto quanto perigoso.

 

— Entra, amor — ela disse, com aquela naturalidade debochada que só ela sabia ter.

 

Cruzei os braços, tentando manter a compostura enquanto passava por ela. Senti o calor do corpo dela roçar no meu quando a porta se fechou às minhas costas. O apartamento estava impecável, cheirando a vela perfumada e o som ambiente era daqueles que deixam qualquer um vulnerável.

 

Pisquei, desviando o olhar antes que ela percebesse onde meus olhos tinham pousado.

 

— Bia, pelo amor de Deus… você não teve tempo de colocar uma roupa decente? — falei, tentando soar indignada, mas minha voz saiu mais baixa, quase rouca.

 

Ela deu de ombros, com um sorrisinho sacana no rosto.

 

— Tive. Mas onde estaria a graça nisso? — piscou, se aproximando demais. Perto o suficiente pra eu sentir o cheiro da pele dela, recém-saída do banho.

 

Senti os dedos dela roçarem de leve o meu braço, num toque que pareceu mais ousado do que casual.

 

— Vem cá — ela murmurou, me puxando pela mão.

 

A proximidade entre nós me atingiu. A pele dela, quente, o perfume cítrico com fundo doce, o ambiente propositalmente perfeito. Eu realmente não fazia ideia de onde estava me metendo.

 

— Vou pro quarto colocar uma roupa e passar algo no rosto. Já volto. Se quiser, liga a TV. — E ela sumiu pelo corredor antes mesmo que eu pudesse responder.

 

Bufei, me jogando no sofá. A decoração era muito mais sofisticada do que eu imaginava. Esperava um caos colorido, mas era… aconchegante. E bem pensado. Um sofá grande e confortável que parecia abraçar, almofadas macias, prateleiras organizadas, uma luz suave. O violão num canto… provavelmente só servia pra enfeitar. Apostava que ela nem sabia segurar o instrumento.

 

Sozinha ali, respirei fundo. Por um instante, a imagem da gente no hotel, veio à tona. O beijo, o toque e aquele olhar meio culpado, meio desafiador. Sacudi a cabeça, espantando a lembrança.

 

Antes que eu pudesse decidir se pegava uma almofada ou meu celular, o interfone tocou e Bia reapareceu correndo, ainda ajustando o cabelo num coque bagunçado. Usava um shortinho de algodão marrom e uma regata bege de alcinha colada ao corpo, que deixava à mostra a pele bronzeada. Atendeu ao interfone com aquele ar despreocupado.

 

— Beleza. Tô descendo. Um segundo.

 

Ela se virou pra mim, mostrando aquele sorriso de quem planejava coisa boa.

 

— Vou pegar nosso lanche. Já volto. — E sumiu porta afora, me deixando ali com o cheiro do perfume dela e um certo formigamento na pele.

 

Quando voltou, carregava tantas sacolas que parecia ter saqueado uma lanchonete inteira. Jogou tudo sobre a mesa, espalhando os lanches e o cheiro de hambúrguer quente tomou conta do apartamento. Meu estômago roncou.

 

— Vou só pegar meu suporte. — Murmurou, escolhendo filtros no celular.

 

E então começou o teatrinho.

 

— Pensei em começar falando sobre como tudo que a gente quer depois de um dia tenso é um hambúrguer quentinho e… o love — ela olhou diretamente pra mim e piscou.

 

Revirei os olhos.

 

— E aí eu venho do quarto com suporte e apareço dizendo que, na minha cozinha, tenho os dois — ela completou.

 

Eu quis rir, de verdade. Mas estava ocupada demais resistindo à tentação de enfiar um hambúrguer inteiro na boca.

 

Quando Bia voltou pro quarto pra pegar o maldito suporte, achei que seria um vídeo gravado, um reels, qualquer coisa rápida. Mas não. Era uma live. Para todos os “Bialovers”.

 

E, claro, justo na hora em que eu agarrei o hambúrguer com as duas mãos e levei à boca, Bia retornou com seu celular voltado pra mim.

 

— Amoooor! Nããããão! Me espera, poxa! — Fez aquele tom propositalmente dramático.

 

Demorei meio segundo para processar, mas minha única reação foi encarar a câmera, erguer uma sobrancelha e morder aquele hambúrguer com dignidade.

 

Ela gargalhou, colocou o celular com o suporte na mesa e pegou o próprio lanche, com aquele jeito de quem sabia exatamente como continuar o show.

 

— Vou abrir o meu também antes que você devore tudo! — declarou, dando uma mordida exagerada e deixando o molho escorrer pelos dedos.

 

— Pessoal, olha isso — Bia ergueu o hambúrguer pra câmera, mostrando as camadas generosas de pão, molho, alface, tomate, queijo derretido e carne suculenta. — Sério… maravilha, né, amor?

 

Ela me lançou um olhar que fez meu estômago despencar de um jeito que não tinha nada a ver com fome. Tinha alguma coisa ali. Um brilho, uma provocação.

 

Engoli devagar, sentindo meu corpo reagir ao jeito como ela me olhava.

 

— Tá perfeito. Foi quase impossível te esperar — murmurei, lambendo devagar o molho que escorria pelo meu polegar. Se era para entrar nesse jogo, que fosse pra valer.

 

Bia soltou uma risada baixa, passou o nome de um cupom de desconto, finalizou a live e respirou fundo, soltando um suspiro satisfeito.

 

— Pronto. E apesar de você ter cometido essa deselegância de comer antes da hora, deu tudo certo — provocou, dando mais uma mordida no lanche.

 

— Achei que você fosse demorar. E olha quanta comida eles mandaram — respondi, apontando pra mesa.

 

— Eu sei… olha isso — disse, virando o celular na minha direção com um post. A tela iluminada exibia uma chuva de curtidas e comentários.

 

— Beleza, vou repostar. Mas só porque tô de bom humor — falei, pegando o celular, mas era só uma desculpa pra não encarar diretamente aquele olhar que ela me lançava.

 

Bia terminou de comer e se levantou. Se aproximou por trás de mim, puxou minha cadeira de leve, aproximando nossos corpos sem o menor aviso. O calor que irradiava dela invadiu meu espaço, e eu prendi a respiração.

 

— Agora posso pegar uma bebida. Suco, refri ou cerva? — perguntou, falando próximo ao meu ouvido.

 

— Coca Zero, se tiver — murmurei, com a garganta seca.

 

Ela se inclinou até o rosto dela ficar perigosamente perto do meu. Tão perto.

 

— Tem sim — falou com a voz baixa e os olhos nos meus. Antes de se afastar, os dedos dela deslizaram pelo meu pulso, um toque quase distraído, mas que fez meu estômago reagir numa onda quente e involuntária.

 

Fiquei imóvel, tentando manter a compostura enquanto sentia minha pele onde ela havia tocado.

 

Ela voltou com as bebidas, me entregou um copo e ergueu o dela, com um sorriso provocativo no rosto.

 

— Um brinde a nós, amor — disse, e o tom da voz dela soou perigoso demais.

 

Segurei meu olhar no dela e respirei fundo.

 

— Um brinde ao hype. Só por isso tô aqui — rebati, arqueando uma sobrancelha, tentando esconder a tremedeira na voz atrás de um sorriso ensaiado.

 

Foi nesse instante que Bia, no meio de um gole, quase engasgou. Tossiu leve, ficou com os olhos arregalados por um segundo.

 

Ela apoiou o copo na mesa, limpando a boca com um guardanapo, e riu de maneira leve.

 

— Putz… — murmurou baixinho, ainda sorrindo.

 

Eu quase perguntei o que tinha de tão engraçado, mas antes que eu pudesse formular qualquer pergunta, o celular dela começou a tocar. Mais e mais notificações chegando.

 

Ping. Ping. Ping.

 

Ela deslizou o dedo pela tela, rindo sozinha enquanto lia em voz alta os comentários.

 

“A química entre vocês é ENORME! 😍💖”

“Esse hambúrguer é ma-ra-vi-lho-so!🍔🤤🍟”

“Faz skincare na Luísa, Biaaaa 😍🥺”

“Queremos skincare duplo com os produtinhos da Pelle Serenità 💖✨”

“Bia, mostra pra ela aquele hidratante que vc ama!!! 🧴🧖‍♀️”

“Luísa e Bia usando Pelle Serenità ia ser tudooooo 😍🔥”

“Por favor, skincare com a Lu antes de dormir, a gente imploraaaa 😭🙌”

 

Curiosa, me inclinei um pouco para espiar e vi a enxurrada de comentários fervilhando.

 

Senti meu rosto esquentar, como se cada notificação fosse uma cutucada direta na pele. Bia me olhou com aquele olhar travesso, carregado de intenção e diversão, como quem já estava considerando seriamente agradar a plateia virtual mais um pouquinho.

 

— Ah não… nem vem — falei, tentando manter a compostura enquanto me levantava e levava o copo até a pia.

 

Ela gargalhou, jogando o corpo de lado, apoiando o queixo na mão, com os olhos brilhando e cravados em mim.

 

— Não seria nada demais fazer um skincare aqui. Eu faço toda noite o post da PS. E você sabe como funciona — provocou, com aquela expressão cínica, doce e absurdamente perigosa.

 

O jeito como a voz dela deslizou pelas palavras me fez sentir um arrepio leve na nuca. Antes que eu pudesse abrir a boca e negar o pedido insano, meu celular vibrou. Ângela.

 

Ângela:

“Luísa, estava acompanhando a live e os comentários no post. Se você ainda estiver aí, seria ótimo se aparecesse usando os produtos PS. Pelo menos o tônico e o hidratante da nova linha. Se puder, claro 😉”

 

Suspirei fundo. Aquele “se puder” era só uma forma educada de dizer “faça”.

 

Mostrei a mensagem pra Bia. Ela abriu um sorriso de canto, carregado de um prazer quase infantil, como quem tivesse acabado de ganhar um campeonato.

 

— Viu? Nem fui eu. O universo conspira pelo hype — falou com a voz aveludada em um tom brincalhão, sem esconder uma pontinha de triunfo.

 

— Isso é ridículo — murmurei, tentando esconder o sorriso que ameaçava escapar.

 

Bia mordeu levemente o lábio inferior e colocou o copo na mesa. Abriu a geladeira e pegou uma garrafa de vinho branco gelado, apoiou-a na pia perto de mim e foi até a cristaleira. Quando se virou vindo na minha direção, trazia duas taças. Me lançou um olhar que não deixava espaço pra discussão. Um convite sem palavras.

 

Sem dizer nada, abriu a garrafa, serviu as duas taças e o som do líquido ressoou no ambiente.

 

— Vem. Vamos resolver isso logo. Sem live, sem post eterno. Um story e pronto — disse indo até a sala e ajeitando o sofá com gestos decididos, fazendo sinal para que eu sentasse.

 

— Vai ser rápido — avisei ao me sentar no sofá, tentando soar firme, mas com uma voz que já entregava o leve nervosismo.

 

— Palavra de influencer — respondeu, deixando a taça na mesa e, sem cerimônia, levando as mãos aos meus pés.

 

— O que está fazendo? — perguntei de sobressalto, cuidando para o líquido da taça não derramar.

 

— Relaxa. Só vou tirar seus sapatos — murmurou enquanto tirava minhas sandálias — Pronto. Agora você pode se inclinar no sofá de novo. Eu vou pegar os produtos.

 

Fiz o que ela disse, mais pelo cansaço e pelo efeito do primeiro gole de vinho do que por vontade própria. Afundei no sofá, sentindo meu corpo relaxar. Era o momento de sair dali. Qualquer pessoa sensata teria ido. Mas eu não fui.

 

Bia voltou com uma nécessaire recheada de frascos e potinhos brilhantes. A expressão dela era a de quem estava prestes a realizar um ritual.

 

— Preparada? — perguntou, rindo, ajoelhando-se no sofá ao meu lado. Abriu a nécessaire com a delicadeza. Espalhou os produtos sobre a mesa e apontou para mim.

 

— Você está sem maquiagem, né? Sua pele é ótima. Linda. — Pegou a taça da minha mão e a deixou de lado, na mesinha. Um arrepio percorreu minha pele, e eu perdi a fala.

 

— Relaxa… só o tônico e o hidratante. Glow natural, story pronto, todo mundo feliz.

 

Pegou um algodão, borrifou o tônico e se aproximou. O algodão gelado encostou na minha pele e, junto com ele, os dedos dela, mornos, tocando de leve a lateral do meu rosto. O toque era suave, mas íntimo demais. E ela sabia.

 

— Eu acho que isso não é uma boa ideia — murmurei, com a voz baixa, quase inaudível.

 

Ela sorriu de canto, como se já esperasse.

 

— Hum… já sei. — Parou o que fazia, pegou o controle e ligou a TV. — Vou colocar um filme.

 

Procurou rápido e clicou em 10 Coisas Que Eu Odeio em Você. O filme estava na categoria “continue assistindo”, já passando da metade. 

 

— Aceita ou recusa? — perguntou, me olhando de canto, com aquele maldito brilho nos olhos.

 

— Pode ser.

 

Fechei os olhos, deixando o som do filme preencher o ambiente, mas logo ela segurou meu queixo com delicadeza, obrigando-me a olhar pra ela.

 

— Agora relaxa, Lu… confia em mim — disse num tom baixo, rouco. Senti a respiração quente dela no meu rosto.

 

Engoli em seco. Quando ela terminou de aplicar o tônico, peguei o hidratante da mão dela e passei sozinha, tentando não perder a sanidade de vez. Mas Bia, com a cara mais cínica do mundo, pegou um restinho com as pontas dos dedos e espalhou devagar pelo meu pescoço. Os dedos deslizando lentos demais. Senti um arrepio, e por reflexo fechei os olhos por um instante.

 

O toque dela ficou ali. Quando abri os olhos novamente, nossos olhares se cruzaram e, embora eu tenha tentado desviar rápido, meu corpo se recusava a obedecer ao comando da minha cabeça.

 

Ela pegou o celular e fez questão de tirar uma foto minha de perfil. Quando terminou, peguei a taça e dei um gole generoso. O vinho gelado tentando apagar o calor que começou a incendiar meu corpo.

 

— Pronto. Pode avisar pros seus Bialovers que tá tudo certo — provoquei, com a voz falha, meio rouca.

 

Ela voltou a encher minha taça e sorriu satisfeita. Fez um boomerang nosso brindando, largando depois o celular de lado.

 

Ergueu as sobrancelhas, se recostou no sofá e puxou uma manta, ajeitando-a sobre nós duas. As pernas dela tocaram propositalmente nas minhas. A luz baixa, o vinho, o perfume e a respiração dela tão próxima formavam uma espécie de teia.

 

O filme corria e aos poucos o cansaço foi me vencendo. As cenas familiares, o sofá macio, o calor da proximidade dela, tudo parecia conspirar.

 

Numa das cenas, quando Heath Ledger canta no estádio, Bia suspirou.

 

— Eu morreria de vergonha se alguém fizesse isso por mim… — confessou, num tom quase inaudível.

 

Senti meu peito apertar. Fingi não ouvir.

 

Dei um último gole no vinho, coloquei a taça na mesa e deixei a cabeça tombar levemente no encosto. O som da TV, a respiração dela, tudo virou um borrão.

 

— Achei que você preferisse algo assim— murmurei, piscando lentamente os olhos.

 

Ela riu, baixo.

 

— Eu sou cheia de contradições, Lu.

 

Aos poucos, fui sendo tomada por aquele torpor confortável. As pálpebras pesadas, os músculos relaxados. A última imagem nítida foi dela mexendo no celular, a luz azulada iluminando o rosto dela. Tão linda. A expressão suave. Um sorriso de canto.

 

Ela apoiou a cabeça no meu ombro e murmurou, quase num segredo:

 

— Gostei de você ter vindo aqui hoje.

 

Tentei responder, mas as palavras ficaram presas. Tudo o que sobrou foi o calor dela encostada em mim, a sensação boa, a respiração tranquila.

 

A última coisa que ouvi foi a risada abafada dela e um sussurro quente, perto demais:

 

— Boa noite, amor.

 

E então, o escuro.

Fim do capítulo

Notas finais:

Meninas, me perdoem se expectativas neste capítulo foram criadas... e foram frustradas. Achei um tanto precipitado uma nova aproximação... Mas aceito sugestões! Sei que muitas querem um que a Bia dê um gelo. Talvez seja bem merecido.


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Comentários para 20 - Capitulo 20:
Dessinha
Dessinha

Em: 20/12/2025

Bia é muito legal, profissional. Se não fosse tão educada já teria dado um basta nisso tudo. Luiza é ótima também, mas cheia de "pre-conceitos" sobre a Bia, talvez ela tenha que ver o que realmente ocorreu em Vinterville para entender que a Bia é boa pessoa, mas não que a Bia te mostre isso, ela precisa ver de outra maneira. Opiniões de quem lê e adora sua estória, querida autora. Abraços e sucesso! 

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HelOliveira
HelOliveira

Em: 16/12/2025

Eu acho que devido ao que Luiza está passando com a doença da mãe, ela precisa de apoio, acho que um gelo ia ficar mais difícil pra ela


MalluBlues

MalluBlues Em: 18/12/2025 Autora da história
Concordo contigo... a Luísa logo muda esse jeito dela.


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