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34 por Luciane Ribeiro

Ver comentários: 1

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Palavras: 2209
Acessos: 147   |  Postado em: 13/12/2025

O fim do luto

 

HELENA

Minha querida irmãzinha,

Escrevi esta carta tantas vezes que já perdi a conta. Sempre faltavam palavras que explicassem por que eu não estarei aqui para ver você crescer, florescer e se tornar a mulher extraordinária que eu sei que será. Talvez o que estou prestes a contar cause mais dor do que consolo, mas, entre todos, é você quem mais merece a verdade.

Antes de qualquer coisa, preciso que entenda duas coisas. A primeira: nada disso é culpa sua. A segunda: eu sinto profundamente por não estar aqui para te proteger dos nossos pais. Essa responsabilidade agora fica com o Heitor. Tenho absoluta certeza de que ele vai cuidar de você com o mesmo zelo e coragem com que eu faria.

Então, minha irmã, não tenha medo de seguir seus sonhos. Mesmo que eles tentem te controlar, te limitar, te convencer de que você é menor do que realmente é. Quando a dúvida sobre si mesma apertar - e ela sempre aperta - saia e explore o mundo além dessa prisão que tentaram nos impor. Foi o que eu fiz e, apesar de tudo que aconteceu, não me arrependo. Viver com liberdade, mesmo por pouco tempo, valeu cada risco. Se não tivesse ousado, não teria conhecido pessoas maravilhosas e nem vivido momentos que ainda aquecem o pouco de vida que restou em mim.

Queria tanto que você tivesse conhecido meus amigos... principalmente a Mi. Ela chegou devagar e, em tão pouco tempo, se tornou essencial, como se nossas almas já tivessem se encontrado antes, em outras vidas. Sei que o que estou prestes a fazer também vai machucá-la. Se algum dia você a encontrar, diga a ela que eu sinto muito... e que eu a amava.

Agora preciso que você enxergue o que eu demorei demais para aceitar: nossos pais não nos amam. Eles amam apenas a própria reputação. A prova disso está no que me obrigaram a fazer - algo que não consigo esquecer, nem perdoar.

Tudo começou quando fiz dezesseis anos. Eu ajudava na secretaria da igreja e, certa manhã, precisei ir ao escritório do pastor buscar documentos. Ao me aproximar, ouvi barulhos, gemidos... e quando reconheci a segunda voz, meu mundo desabou. Era nossa mãe. Saí de lá sem chão. Passei dias tentando entender, tentando decidir se deveria confrontá-la. Quando finalmente tomei coragem, não imaginei que nosso pai escutaria, muito menos que ficaria contra mim. Eles me convenceram de que aquilo era "a vontade de Deus". Que o pastor era um homem solitário, que às vezes precisava da companhia de uma mulher "fiel". Absurdo. Eu sei.

Nos meses seguintes, começaram a me ignorar e a me tratar como inimiga. Eu sofria, porque ainda eram meus pais e eu implorava, mesmo em silêncio, por amor. Para agradá-los, aceitei namorar o presbítero Davi. Ele era gentil... e eu me apaixonei. Por um tempo, achei que tudo ficaria bem. Mas ele só estava me usando, como tantas outras.

Depois que me levou para a cama, tudo mudou. Quando descobri a gravidez, contei aos nossos pais acreditando que, pela primeira vez, me apoiariam. Mas Davi já tinha espalhado boatos de que eu não era mais virgem e de que me envolvia com homens mais velhos por dinheiro. Para abafar o escândalo, nossos pais me mandaram para a casa da tia. Um dia, ela veio até mim com alguns comprimidos, dizendo serem vitaminas. Acreditei - afinal, era minha mãe. Horas depois, as dores começaram... e o sangramento. Ela me levou ao hospital, mas já era tarde. Quando acordei, não havia mais nada dentro de mim. Nem vida. Nem esperança.

Nossos pais não conseguiam olhar para mim. E eu não conseguia perdoá-los - nem a mim mesma. Michele foi a única luz que restou, a única pessoa que tentou me manter viva quando eu já me dissolvia por dentro. Mas eu não suporto viver sabendo que falhei em proteger meu filho deles. Não consigo me perdoar. Não consigo perdoá-los.

Talvez você me odeie depois de ler isto. Talvez nunca compreenda. Ainda assim, eu precisava que soubesse. Sinto muito por não ter sido mais forte. Sinto muito por não ter sido a grande mulher que você via em mim.

Tenho esperança de que siga por um caminho longe de tudo isso. Que seja feliz. Que seja livre.

Eu te amo.
Adeus.

A carta de Letícia deixou em mim um gosto amargo de luto e raiva. Eve tentava me consolar, me oferecendo carinho e presença, mas a tempestade dentro de mim não cedia; era espessa, pesada, como se quisesse arrancar o que restava de qualquer sentimento bom. Parecia que tudo o que eu queria era continuar ali, deitada, presa na dor que me mantinha imobilizada. No terceiro dia, eu já tinha a certeza cruel de que não conseguiria seguir em frente.

Eve estava ali - insistia, não desistia de mim, de nós - mas a minha vontade era desaparecer no silêncio.

Acordei com a música alta, irritante, quase ofensiva para o estado em que eu estava. Saí da cama com raiva, desci as escadas pronta para reclamar. Queria sofrer quieta, sem plateia. Ao chegar no primeiro andar, tive um choque breve: mais uma invasão. Mas desta vez não era a família de Eve. Eram Heitor e Michele, a melhor amiga de Letícia. Só ao ve los notei  que conhecia aquela música ,eu a ouvira muitas vezes enquanto observava Leticia estudando ou fazendo qualquer outra coisa. Era sua música favorita.

Fiquei parada, sem saber o que fazer, enquanto Eve tentava explicar alguma coisa que eu não escutava. Michele me encarou com olhos cansados, vermelhos de tanto chorar. Ela se aproximou devagar, como quem pisa num chão que pode trincar a qualquer momento.

- Helena... - a voz dela saiu arranhada. - Depois de tantos anos jamais poderia imaginar que veria Heitor  mais uma vez em minha porta, em busca de ajuda pra uma de suas irmãs... Quando ele me contou que agora você sabe toda a verdade .Eu precisava te ver. Precisava que você soubesse de algumas coisas que Letícia me contou e que aconteceram antes de... antes de tudo acontecer.

Meu peito apertou. Queria fugir daquela conversa. Queria arrancar os ouvidos. Mas ao mesmo tempo... parte de mim queria entender. Talvez fosse a última coisa que eu ainda podia fazer pela minha irmã.

Michele respirou fundo, como se juntasse força de cada canto do corpo.

- Quando ela me contou do aborto que sua mãe provocou, ela desabou. Eu nunca vi a Letícia daquele jeito. Não era só tristeza... era como se tivessem apagado algo dentro dela. Ela dizia que tinha perdido uma parte dela que nunca mais ia voltar. E ela tinha medo ,medo de que um dia eles deixassem você naquele mesmo estado.

As palavras dela batiam em mim como pancadas. A sala parecia pequena demais.

- Ela tentou ser forte, Helena. Tentou mesmo - continuou Michele, com lágrimas grossas caindo sem pudor. - Mas aquilo abriu nela uma ferida enorme. Ela se sentia culpada por uma coisa que nunca foi culpa dela. E quando começou a cair na depressão... seus pais não deixaram que eu ou qualquer outra pessoa ajudasse. No fim ,eu não pude sequer me despedir...

Michele passou a mão no rosto, tremendo.

- Sua irmã...  amava demais. Mas também sentia demais. E quando ela percebeu que ninguém ia ouvir a dor dela... tudo ficou escuro para ela. Eu tentei... eu juro que tentei trazer a luz de volta para os seus olhos, mesmo á distância por telefone quando seus pais não estavam em casa ou nos pequenos momentos em que fugíamos das aulas e entrávamos em nosso mundinho de conversas sobre atores bonitos e lugares que íamos conhecer um dia. Ela queria ser uma grande cheff, conhecer a França e os moinhos de vento da  Holanda... Queria se casar e morar na praia um dia...Queria ver a irmãzinha dela ser uma grande cientista e seus  irmãos realizarem seus sonhos. E desde o primeiro momento que ela soube que ele existia ,desejava mais do que tudo que  seu filho crescesse saudável e amado. Ela tinha certeza que seria um menino , então, quando meu filho nasceu ,eu queria que ele também fosse dela então dei a ele o nome escolhido por ela, Nicolas...

Eu não tinha palavras. Nada que saísse de mim faria sentido. A dor dela se misturava à minha, e algo dentro de mim finalmente começava a se mover - não para longe da perda, mas para perto da verdade do que Letícia viveu.

Michele me olhava com um tipo de desespero silencioso, esperando que aquilo servisse a algum propósito. Talvez fosse sua última forma de cuidar da amiga que tinha perdido: dividindo com quem restou o peso que Letícia carregou sozinha.

_Vim aqui hoje porque não quero que o que aconteceu com Leticia se repita. Não quero que se perca em meio a dor e a raiva. Por muitas vezes foi por você que ela aguentou mais um dia,mais uma semana ...não queria te decepcionar...Sabia que a partida dela ia te magoar demais ,então ela aguentou até não lhe restar força alguma.

_Hel...sinto muito que tenha escondido a verdade Helena.Eu apenas não sabia como contar. Uma parte era por proteção, mas a verdade é que eu me sentia culpado. Por não ter sido capaz de protege la.

Enquanto eles falavam e relembravam momentos ,histórias e sentimentos, algo dentro de mim - pequeno, quase imperceptível - se mexeu. Não era alívio. Não era compreensão total. Era mais parecido com o momento em que uma ferida profunda finalmente começa a ser limpa: dói, mas permite respirar um pouco melhor.Me dei conta que Leticia não era apenas uma lembrança de dor, ela foi muito mais e merecia ser lembrada além do que apenas seu trágico fim.

No final percebi que a perda continuava a mesma. A sensação de abandono também. Mas pela primeira vez desde que li a carta, a dor não parecia infinita. Parecia... real. Nomeada. E por ser nomeada, talvez um dia pudesse ser entendida.

Michele não tentou me abraçar. Não houve gestos simbólicos. Apenas se recostou no sofá, exausta. E nesse espaço quieto, algo começou - devagar, quase invisível. Um movimento mínimo na direção contrária do abismo. Um fio tão fino que poderia se romper a qualquer toque, mas ainda assim presente.

O caminho da cura seria outro capítulo. Não este mas pela primeira vez, existia um caminho. A sala permaneceu silenciosa por muito tempo, como se cada um de nós estivesse tentando reaprender a respirar. Eu no tapete; Heitor desabado no sofá; Michele agarrada às próprias mãos, segurando-se para não afundar. Eve atrás de mim, ancorando minha existência com a presença.

Não éramos fortes naquele momento. Não éramos nada além de pessoas quebradas pela mesma falta.
E, ainda assim, havia uma pequena estranheza bonita em compartilhar aquela dor.
Era como se, apoiados uns nos outros, estivéssemos dizendo sem palavras: "eu sei... também está doendo em mim".

Ninguém tentou consolar ninguém. Não havia palavras capazes de costurar uma perda assim.
Ficamos apenas juntos. Respirando, doendo, vivendo o que ainda era possível viver.

Quando a noite caiu, eles ficaram. Heitor deitou no quarto de hóspedes, Michele se encolheu no sofá, e Eve não desgrudou de mim. A casa parecia diferente, mais cheia, mas ao mesmo tempo mais vazia - como se a ausência de Letícia ecoasse nos cantos. Talvez agora e somente agora estávamos vivemos o real luto do após.

Eu chorei em silêncio. Não era o choro desesperado dos dias anteriores. Era um choro cansado, profundo, que parecia vir das raízes da alma.
Eve me segurou, me embalou devagar, e pela primeira vez desde a carta eu consegui fechar os olhos sem me sentir sufocada.

A dor não tinha ido embora. Mas tinha mudado de forma. E Michele tinha conseguido o que desejava , ela tinha ajudado a Irmã mais nova de sua melhor amiga. E pode enfim conseguir um encerramento

Na manhã seguinte, acordei com a luz atravessando as cortinas e um cansaço que parecia maior do que o meu próprio corpo. Heitor preparava café sem falar muito; Michele observava a xícara nas mãos como se buscasse respostas no vapor. Eve me deu um beijo suave na bochecha, esse tipo de beijo que diz "você não precisa ser forte hoje".

E naquele momento, de forma estranha e discreta, percebi que seguir em frente não era esquecer.
Era continuar caminhando com a dor, até que ela se tornasse parte da paisagem em vez de uma tempestade constante.

Eu precisava respirar.
Eve também precisava.
A casa precisava.

Foi por isso que mais tarde, já com o dia avançando, comecei a organizar mentalmente o que viria depois. Talvez porque a vida insiste em chamar, mesmo quando a gente não está pronta. Talvez porque a presença de todos ali, dividindo o peso, me deu coragem suficiente para dar um passo pequeno, mas necessário.

E assim, com aquele nó permanente no peito, mas com a sensação de que Letícia estaria segura em nossas lembranças, comecei a decidir o que fazer com o dia que nascia. A primeira decisão foi dar entrada nos papeis que oficializariam dali a um mês o casamento que não aconteceu no dia previsto por causa de  Amanda ,mas que aconteceria naquela mesma tarde. 

 

Fim do capítulo


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Comentários para 26 - O fim do luto:
HelOliveira
HelOliveira

Em: 14/12/2025

Nossa que capítulo cheio de sentimentos...

Muito bom


Luciane Ribeiro

Luciane Ribeiro Em: 21/12/2025 Autora da história
Finalmente nossas meninas ,vão respirar e sair do limbo que foi a jornada delas até aqui


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