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34 por Luciane Ribeiro

Ver comentários: 2

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Palavras: 2475
Acessos: 135   |  Postado em: 11/12/2025

A familia de Helena

  EVE

Me virei na cama em busca do calor de Helena, mas o que encontrei foi apenas seu lado vazio e frio. Por um instante me perguntei se a confusão familiar da noite passada a havia assustado. Logo me lembrei de que aquela era a casa dela - e a cama dela.Minha família nunca teve muito bom senso. Eu pretendia prepará-los antes de apresentar Helena como minha noiva, mas, como eu já devia ter previsto, isso não foi possível. Eles se mostraram em todo o seu caos habitual. Não que eu detestasse aquela bagunça; na verdade, sentia falta. Mas minha meiga e reservada noiva não estava acostumada a pessoas que falam alto, riem mais ainda e gostam de abraçar sem pedir licença...

A noite passada tinha sido boa, mesmo depois de a minha avó afirmar que eu estava apresentando sinais de TDI. Eu teria uma longa jornada pela frente e teria que enfrentar todos os meus traumas - inclusive lembrar o que meu avô fez comigo. Foram dias tão traumáticos que, além de esconder tudo no fundo da minha mente, criei um alter ego para me proteger.

Quanto mais eu pensava nisso, menos vontade eu tinha de revisitar o passado. Tudo que eu queria naquele momento era me casar e ser feliz com Helena. Mas, diante de tudo aquilo, eu não sabia se devia seguir com esse plano. Helena era tão doce, já tinha passado por tanta coisa... Não parecia justo arrastá-la para aquilo. Ao mesmo tempo, eu sabia que não teria forças para enfrentar nada sozinha.

Me agarrei ao travesseiro dela e fechei os olhos; o cheiro de Helena tinha o poder de me acalmar e me convencer de que tudo daria certo. Eu já estava prestes a dormir novamente quando comecei a ouvir vozes alteradas. Uma delas era masculina. Senti um frio na espinha.

Com muito esforço, consegui me colocar na cadeira de rodas. A cada dia minhas pernas pareciam mais fortes - estranho, mas cientificamente fascinante. Saí do quarto, fui até a escada e, quando reconheci quem estava na sala, o desespero tomou conta de mim.

- Onde você estava com a cabeça? - a voz dele ecoou. - Já esqueceu o que lhe foi ensinado? Duas mulheres jamais deveriam se casar! Quantas vezes precisamos repetir?

- Pai, eu amo a Eve! - Helena respondeu, firme, ainda que sua voz tremesse. - Vamos nos casar, sim! E eu não vou mais esconder isso de ninguém.

- Isso não é amor, é uma abominação demoníaca! - ele gritou. - Vamos para a igreja. Ainda dá tempo de tirar esse mal da sua cabeça.

- Eu levei anos para entender que nunca houve nada de errado comigo. Não vou mais deixar vocês me influenciarem.

- Deus deveria ter nos dado apenas Isaías e Mateus - ele retrucou, cuspindo veneno. - Você, Letícia e Heitor só trouxeram vergonha!

- Nenhum de nós fez nada de errado! Só queríamos vidas diferentes da que vocês queriam impor!

- Como ousa responder ao seu pai?! - ele avançou um passo. - Acha que só porque é adulta não nos deve respeito? É arrogante como sua irmã! E, assim como ela, só me dá desgosto! Como se não bastasse querer ser "do mundo", ainda nos envergonhou e fez a comunidade questionar nossa fé quando desafiou o Criador ao tirar a vida que só Ele poderia tirar!

Helena empalideceu.

- Ela era sua filha! - Helena devolveu, com dor. - Vocês deveriam tê-la ajudado, e não virado as costas! Se fingem de bons fiéis, ajudam orfanatos para parecer caridosos, mas tratam os próprios filhos como se não fossem nada! Vocês... vocês são os verdadeiros demônios!

Foi aí que ela percebeu o erro. Assim que o primeiro tapa estalou no rosto dela, meu corpo inteiro entrou em pânico. Me agarrei ao corrimão, tentando me levantar. Eu não sabia exatamente o que faria, mas precisava chegar até ela.

- Talvez eu precise te ensinar a ter respeito - ele disse, tirando o cinto. - Segure ela, Mateus!

- Não! Papai, por favor! - Helena implorou, encolhendo-se como a menina assustada que havia sido um dia.

A angústia que senti ao ouvir o som da agressão me rasgava por dentro. Eu precisava chegar até ela, protegê-la, mas minhas pernas não respondiam. A impotência me fez me odiar. Como poderia me casar com ela se eu nem sequer conseguia ficar de pé?

Então me lembrei de algo que meu pai me disse anos antes:

"Escolham sabiamente com quem irão se casar. Essa pessoa não entrará apenas na sua vida, mas na nossa também. Será parte da família. E nós vamos amá-la, cuidar e proteger da maneira que pudermos."

Antes que eu pudesse descer sequer um degrau, tio Valdir passou por mim como um raio. Ele agarrou o pai de Helena e o empurrou com força, socando-o com toda a raiva acumulada.

- Covarde!!! - ele rugiu. - Quero ver bater em alguém do seu tamanho!

- Não se meta! Ela é minha filha! Tenho o direito dado por Deus de discipliná-la!

- Odeio gente que se esconde atrás da religião para justificar preconceitos! - Valdir respondeu, furioso. - Nada mais nojento que falsos crentes que só usam a Bíblia quando lhes convém!

- E por que eu deveria ligar para a opinião de alguém que nem conheço? - o pai de Helena rebateu. - O que está fazendo aqui?

- Sou tio da Evelyn, noiva da Helena. E vocês NÃO são bem-vindos aqui. Vão embora!

Aquilo me mostrou que, enquanto minha força não fosse suficiente, eu não estaria sozinha. Eles a protegeriam.

Heitor apareceu logo depois. Bastou ele ouvir a voz do pai para entender tudo. Ele me ajudou a chegar à sala e me colocou no sofá. Depois correu até Helena, que tremia encolhida no chão. Ele a ergueu e a colocou ao meu lado.

Ela evitou meu olhar - estava envergonhada. Eu queria abraçá-la, mas não sabia se devia.

Heitor se colocou entre ela e o pai e, com a voz baixa, fria, cheia de rancor, disse

A voz de Heitor saiu baixa, mas havia algo nela que queimava por dentro. Não era raiva pura. Era cansaço. Era um tipo de dor que endurece a palavra.

- Eu pedi que vocês ficassem longe da Helena. Vocês disseram que não tinham mais filha... só que não tiveram pudor nenhum em fazê-la pagar o apartamento do Mateus e a reforma da casa do Isaías.

O ar na sala pareceu contrair, como se todos tivessem esquecido de respirar.

Minha mãe piscou rápido, como quem tenta negar a realidade apenas piscando.

- Como soube disso?

Heitor não hesitou. Ele não estava ali para hesitar.

- O contador dela é meu melhor amigo. Ele conhece nossa história inteira. E quando viu o que vocês estavam fazendo, achou que eu precisava saber. Ele estava certo.

Meu pai respondeu com aquela frieza que sempre confundia culpa com autoridade:

- Helena tem boa condição financeira. É dever dela ajudar a família.

Heitor fechou os olhos por um instante. E foi como se ele estivesse segurando alguma coisa dentro de si para não quebrar.

- Vocês falam em dever... mas nunca pensam no preço psicológico disso. Vocês drenam. Vocês consomem. E depois dizem que é amor, que é obrigação. Eu errei em tentar protegê-la só com palavras. Deveria ter mostrado quem vocês realmente são. E por isso... eu carrego culpa também.

Minha mãe gritou:

- Eu exijo respeito!

Heitor abriu os olhos. E havia um silêncio perigoso ali, o tipo de silêncio que vem depois de muitos anos engolindo coisas.

- Respeito? - Ele quase sussurrou. - Vocês arrancaram isso da gente há muito tempo. Principalmente da Leticia.

A frase trouxe outra atmosfera, um fantasma velho e denso. Meus pais empalideceram - mas não por amor. Por memória. Pela lembrança do que tentaram esconder.

Heitor respirou fundo antes de continuar, como quem atravessa uma ferida aberta:

- Vocês disseram que Leticia não deixou carta de despedida. Mas ela deixou.

Ele tirou o papel da carteira. Era um pedaço de luto amassado, um documento de dor. As bordas gastas mostravam quantas vezes ele já tinha revisitado aquilo... talvez pra se punir, talvez pra não esquecer.

O olhar dos meus pais ficou fixo na carta, como se estivesse viva.

- Eu fiquei com ela - disse Heitor, a voz embargada, mas firme. - Ela pertence à Helena, não a mim. Mas eu... eu não consegui entregar antes.

Minha mãe recuou um passo.

- Como você conseguiu isso? - A pergunta saiu fraca, mais medo do que indignação.

Heitor encarou os dois. Um olhar que tinha anos de trauma reprimido.

- Eu ouvi vocês dizendo que precisavam "sumir com aquilo". Vi quando amassaram e jogaram no lixo. Eu peguei. Li. E depois de ler... eu não consegui mais ver vocês como meus pais. Porque naquele papel estava tudo o que vocês fizeram com a Leticia. Todo o peso que deixaram nas costas dela. Toda a solidão que vocês chamavam de educação.

Ele passou a mão pelo rosto, como quem tenta controlar uma lembrança que não quer vir.

- Eu quis tirar meus irmãos daquela casa. Mas eu era só um garoto. Não tinha dinheiro. Não tinha onde colocar ninguém. Só tinha a culpa... e o medo de ninguém acreditar em mim. E depois veio a Helena sofrendo pelas mesmas mãos que empurraram a Leticia para o abismo.

Minha mãe tentou arrancar a carta da mão dele.

- Me dê isso! Você não tinha o direito!

Heitor deu um passo para trás.

- A verdade não pertence a vocês. Nunca pertenceu.

Ele olhou para a porta. Olhou de volta para eles.

- Se eu fosse vocês, iria embora. Agora.

Meu pai finalmente entendeu. Não era um pedido. Nem uma ameaça. Era um limite - o primeiro da vida deles.

- Vamos, Suzana.

Minha mãe abriu a boca para insistir, mas a voz não saiu. Ela sabia que, pela primeira vez, não estava no controle. E isso a deixou menor.

Saíram sem dizer adeus. As costas deles pareciam mais pesadas do que quando chegaram. Como se finalmente carregassem o que deixaram para trás durante anos.

Tio Valdir, que tinha testemunhado tudo, apenas passou a mão pela barba, em silêncio. Aquele território emocional não era dele. Virou as costas e saiu com passos lentos, quase respeitosos.

Helena ficou parada, imóvel, como alguém que acorda de um sonho ruim e ainda tenta entender onde está. A carta estava à sua frente - e também anos de dor que ela ainda não tinha coragem de encarar.

Quando Heitor tentou entregar o papel, Helena recuou. Parecia uma criança fugindo de um monstro invisível - mas o monstro estava dentro dela. E ela sabia.

Correu para o quarto e fechou a porta, como se o som da madeira pudesse barrar a verdade por alguns segundos a mais.

Heitor ficou ali, segurando o vazio que sobrou entre eles. Sabia que aquela dor não tinha solução imediata. Sabia que a cura viria devagar, talvez machucando antes de melhorar.

- Desculpa, maninha - murmurou, sozinho. Entregue a carta a ela. E diga que estarei esperando quando ela estiver pronta.
- É muito ruim...? - perguntei.
- É... E vai doer muito. Mas espero que isso a encoraje a deixar tudo para trás e finalmente ser livre.

Ele foi embora. Eu fiquei ali, tentando entender tudo aquilo. Eu sabia que a família dela era ruim... mas não imaginava que era tanto. Lentamente me dirigi para o quarto.Helena estava deitada na cama com a cabeça coberta, como se quisesse desaparecer do mundo. Deitei-me ao lado dela e a abracei.

- Por favor... não diga nada - ela pediu, a voz carregada de tristeza e vergonha. - Só me abrace.

Ficamos em silêncio. Eu queria ficar acordada, mas acabei dormindo. Acordei quando senti Helena sair da cama. Ouvi o chuveiro. Levantei devagar e fui me apoiando nos móveis até chegar ao banheiro. Ela estava sentada no box, tentando esconder as lágrimas, que escorriam silenciosas. Em sua mão, a carta de Letícia começava a se molhar.

Aquele foi o instante em que vi o último elo frágil que a ligava aos pais se romper. A dor, o luto, o vazio... tudo estava ali.

Sentei ao lado dela e segurei sua mão.

- Estou aqui - sussurrei. - Sempre estarei aqui.

Ela explodiu num grito, seguido de um choro tão profundo que me fez desejar coisas impensáveis contra os pais dela. Mas nada daquilo resolveria. Nada traria alívio.

- Como eles puderam fazer isso com ela?! - Helena soluçou. - Que tipo de monstro destrói a própria filha ao ponto de ela achar que a morte era a única saída?! Eu... eu estou tentando perdoá-los por serem meus pais, mas eu não consigo... Toda vez que me lembro do sorriso triste dela, das lágrimas dela... meu coração dói tanto que parece que... eu vou sufocar...

- Não vou deixar que isso aconteça, meu amor. Vem, vamos nos levantar. A gente toma um banho quente, deixa essa água levar um pouco do peso que grudou em você. Depois preparo algo bem gostoso - já até imaginei o sabor - e, se quiser, assistimos a um filme... ou só ficamos juntas até o mundo parar de doer.

- Como eu vou continuar? Como é que eu sigo sabendo da monstruosidade dos atos das pessoas que eu mais amei e respeitei?

- Você não precisa esquecer. Ninguém consegue. O que importa é não deixar que o passado te arraste para longe de quem você é agora. Vem comigo. Hoje ainda pode ser um dia bonito, mesmo que só um pedacinho dele.

Por mais que eu tentasse puxá-la de volta, animá-la, dar algum tipo de luz, Helena afundou. Era como se ela tivesse escorregado por dentro de si mesma, caindo numa escuridão silenciosa, profunda, feita de camadas tão antigas e tão dolorosas que eu não conseguia atravessar. Não era falta de amor. Era limite humano.

Demorei para aceitar que, naquele momento, eu não conseguia alcançá-la sozinha. Meu peito tremia quando peguei o telefone e disquei para Heitor.

- Eu não consigo ajudar ela! Ela precisa da gente... de todos nós!

- Estou indo - respondeu ele, sem hesitar.

Cerca de duas horas depois, Heitor apareceu. Ao lado dele vinha uma mulher que, no primeiro segundo, achei que fosse sua esposa. Mas quando ele a apresentou, percebi que era outra coisa. Outra história. Outra ponte.

- Boa noite, Eve.
- Boa noite... que bom que você veio.

- Espero conseguir ajudar - disse ele, com um cansaço que não era físico. - Esta é a Michele. Ela era a melhor amiga da Leticia. Acredito que pode ajudar a Hel a entender o que aconteceu... e, mais do que isso, mostrar que ela não está sozinha dentro desse luto que acabou de nascer.

 

Fim do capítulo


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Comentários para 25 - A familia de Helena:
HelOliveira
HelOliveira

Em: 11/12/2025

Que família monstro essa da Helena...ainda bem ela tem o Heitor e a Eve e mais pessoas para ajudá-la..

Na torcida por ela..


Luciane Ribeiro

Luciane Ribeiro Em: 13/12/2025 Autora da história
Você verá o quão monstruosos e tóxicos seus pais são.


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Socorro
Socorro

Em: 11/12/2025

Essas duas tem tem paz .. 

Que familia é essa?? Jesussss 


Luciane Ribeiro

Luciane Ribeiro Em: 13/12/2025 Autora da história
Elas estão precisando de um refresco ,não é mesmo!?kkkkk


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