Capitulo 22 - Intimação
Capítulo vinte e dois
ESTHER MOTTA
Acordei de manhã com o barulho do interfone tocando insistentemente.
-- Bom dia dona Esther! O nome completo da senhora é Esther Ferreira Motta, certo? -- Era o porteiro.
-- Isso mesmo, seu José, chegou algo pra mim? -- Perguntei estranhando, pois o correio só passava à tarde.
-- Então dona Esther, é que tem um oficial de justiça aqui procurando a senhora.
Eu te odeio, Carolina.
Desci mais que depressa, peguei a intimação e assinei o recebimento. Subi as escadas pisando firme e assim que entrei de volta no apartamento, joguei o envelope em cima da mesa e chutei a primeira coisa que vi na minha frente.
Eu precisava falar com ela. Pesquisei pelo endereço da tal empresa, e sim, era vergonhoso que eu não soubesse o endereço do local onde minha noiva trabalha e só estivesse procurando saber para encontrar Carolina.
Em quinze minutos estava na porta do prédio que parecia ter pelo menos três andares. Me aproximei para empurrar a porta e observei o local, na recepção havia algumas poucas pessoas e duas mulheres atendendo telefones.
-- Oi, bom dia… Eu gostaria de falar com a Carolina Fonseca. -- Consegui a atenção de uma das atendentes e ela franziu a testa como se estivesse se perguntando silenciosamente se eu estava falando sério. Como eu mantive minha expressão, ela rapidamente puxou um papel de sua gaveta.
-- A senhora só precisa preencher isso aqui. -- Me passou o que parecia ser algum tipo de formulário de identificação. -- Ótimo. -- Olhou para o papel. -- Terceiro andar Sra. Esther, a secretária dela vai falar com você.
Secretária? Eu mereço mesmo...
Entrei pelo corredor e me surpreendi em como aquele lugar era interessante. As paredes eram decoradas com capas de variadas revistas dos anos 50/60, haviam várias cadeiras giratórias dispostas entre mesas redondas brancas repletas de enfeites pessoais dos funcionários e materiais de escritório.
Peguei o elevador e parei no último andar, logo uma jovem que tinha uma mesa bem de frente para um porta grande de vidro fosco levantou o olhar para mim.
-- Bom dia! -- Me cumprimentou abrindo um sorriso, usava um corte pouco abaixo dos ombros e ao menos parecia ser bastante simpática.
-- Bom dia, eu queria falar com a Carolina.
-- Só um minuto senhora… -- Disse esperando que eu me identificasse.
-- Esther. -- Ajeitei meus óculos. -- Esther Motta.
-- Certo, vou conferir aqui se ela tem um horário pra te atender.
Revirei os olhos, era só o que me faltava.
-- Moça, é urgente. Eu preciso falar com ela agora. -- Disse chacoalhando o envelope que havia chego em meu apartamento.
A secretária abriu e fechou a boca num claro sinal de que não sabia o que fazer.
-- Com licença. -- Falei passando por ela e indo em direção a porta.
-- Ei! A senhora não pode fazer isso! -- Ela se levantou indo em minha direção e parando logo em seguida ao ver a porta se abrir.
Quem saiu por aquela porta, não foi a garota por quem me apaixonei perdidamente quando ainda não sabia nada sobre a vida, e nem mesmo aquela que depois de tantos anos, aparecia no estacionamento do meu trabalho para me importunar todas as noites. Aquela versão era diferente, e eu senti o peso de seu olhar duro. Aparentemente ela ainda não havia esfriado a cabeça.
A questão é que eu estava fervendo de raiva.
-- O que está fazendo aqui Esther? -- Ela perguntou com uma calma que sinceramente me deixou irada.
-- Que palhaçada é essa? -- Empurrei o envelope contra o seu peito. -- Você não sabe conversar não?
-- Bom dia pra você também. -- Olhou para o envelope e empurrou de volta para mim. -- Isso não é palhaçada, palhaçada foi o que você fez há 6 anos.
-- Eu não vou comparecer em audiência nenhuma! Aprenda a resolver as coisas que nem gente!
-- Não compareça então, vai ser melhor pra mim. -- Deu de ombros.
Fechei os olhos e respirei fundo, ela estava tentando me atingir e estava conseguindo. Olhei para a secretária que tinha a cabeça baixa na inútil tentativa de fingir que não estava prestando atenção.
-- Eu não vou sair daqui sem conversar contigo. -- Passei por Carolina e entrei em sua sala que tinha a porta aberta.
Minha ex apenas olhou para trás onde eu havia me sentado em uma cadeira e se aproximou da secretária.
-- Laura, ligue para a Joana e remarque a reunião, ela já se atrasou oito minutos e eu preciso ver o que o Douglas quer antes que ele estoure a minha caixa de e-mails.
-- Mas Carolina… Ela acabou de mandar uma mensagem informando que está a caminho…
-- Pois responda dizendo para ela caminhar na direção oposta então. -- Saiu andando e depois se voltou para a jovem. -- Eu estou brincando, viu Laura? Não escreva isso, só remarque.
Eu só fiquei ali assistindo ela me ignorar e se afastar tomando o elevador.
É sério que ela tinha me deixado plantada ali?
-- A-a senhora quer um café? -- A secretária me olhou fazendo uma careta e eu balancei a cabeça negativamente.
-- Não, não quero um café. -- Respondi aborrecida mas depois me repreendi, aquela menina devia sofrer na mão de Carolina. -- Obrigada. -- Abrandei o tom.
-- Hoje ela chegou de mau-humor aqui. -- Ela falou enquanto mexia uma colher em sua própria xícara de café. -- Mas na maioria dos dias ela é gentil…
-- Gentil? -- Perguntei arqueando uma sobrancelha.
Carolina não era gentil, e se fosse, era só porque estava tentando conseguir alguma coisa.
-- Ela só gosta de dar muitas ordens… Mas ela é inteligente e justa. -- Ela disse com os olhos brilhando.
Suspirei desanimada.
Pobre garota, tinha se encantado já.
-- Eu vou esperar ela aqui o dia todo se for necessário. -- Falei voltando para a sala em que Carolina havia me deixado sozinha.
Olhei para o local que tinha uma parede grande e amarela em um dos cantos com várias prateleiras repletas de exemplares de edições anteriores da revista.
Me aproximei da mesa de madeira, particularmente impessoal onde havia apenas uma agenda, um pote com canetas, uma caixa de post-it e um notebook.
Nenhuma foto, nem dos pais.
Mas é claro, ela nunca havia se dado muito bem com eles.
Notei dois sofás brancos no canto da sala e me sentei ali. Presumi que ela passava um bom tempo ali, já que o local tinha seu cheiro característico de perfume cítrico.
Passei a mão pelos cabelos me repreendendo por pensar nisso e peguei meu celular. Precisava me distrair com algo.
Eu ficaria o tempo que fosse necessário, não deixaria que ela transformasse minha vida em um caos.
Fim do capítulo
Esther saiu da defensiva e foi para a ofensiva haha
Será que ela vai conseguir dissuadir a Carol?
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