Capitulo 5
Atualmente…
Bianca
─ Ai! Cuidado com essa agulha! ─ A estilista, sem querer, atinge a pele de Bianca enquanto ajustava as medidas do seu vestido de noiva.
─ Me desculpe! ─ Nervosa, e conhecendo a fama de Bianca, se desculpa ligeiro.
Há uma semana, com a visita do pai, a mulher andava estressada; tudo a tirava do sério fácil. Duas bombas foram despejadas no seu colo de uma só vez. Em seguida, seu noivo Max, que após comprar as passagens aéreas para o Pará, simplesmente não poderia ir mais devido a uma emergência em sua empresa. Ela odiava quando as coisas não saíam como planejado, odiava tanto que, às vezes, acabava transferindo essa frustração para quem não merecia.
─ Querida, tem como você fazer isso mais rápido, hein? ─ fala rude com a estilista. A mulher começa a suar e suas mãos tremem.
─ Sim… sim, estou quase terminando…
Três dias antes da viagem, resolveu o que precisava, conversou com a mãe — que não gostou nem um pouco dessa volta da filha para a fazenda. Bruna e César, mesmo com o passar dos anos, ainda vivem se bicando entre indiretas e farpas; a filha via aquela implicação toda como ressentimento, amor incubado. A única coisa que faltava acertar era o teste do seu vestido na butique da amiga da mãe, na qual estava naquele momento. Finalmente, a incompetente terminou com isso, pensou ela.
Olhando para o espelho, ela toca o tecido com as palmas das mãos e inspira profundamente. Estava fazendo a escolha certa. Amava o noivo, ela reflete, olhando seu próprio reflexo no objeto grande e liso na parede do ateliê.
Percebe a roupa com um decote em V na frente e as costas decoradas com rosas brancas; o tecido se ajustava perfeitamente ao seu corpo, com uma cauda ampla e rodada, deslumbrante. Perfeito, assim como solicitou a Miranda, amiga da sua mãe.
O toque do celular tira sua atenção.
─ Droga! ─ Bianca resmunga. O que a mãe queria, com tanta hora para ligar? Ela desce da plataforma e vai sentar no sofá.
─ Alô, mama. Algum problema no escritório?
─ É sobre o processo do empresário Luís Fernando. Sei que não é o momento, mas quando você terminar, venha dar uma olhada. Preciso tirar uma dúvida, ok?
─ Minha assistente pode resolver, mãe… e tem mais: não trabalho na área criminal. Amanhã viajo cedo e nem terminei minhas malas ainda. ─ Argumenta.
─ Só vem, sim. ─ Bruna diz firme e desliga.
─ Eu mereço mesmo… que porr*!
O tempo passou.
Bianca para seu veículo no estacionamento do prédio de advocacia dos Albuquerque, seus avós maternos. Caminhando pelo corredor que levava à sala da mãe, a recepcionista olha disfarçadamente em sua direção e balança a cabeça em negativo. Era sempre assim: os funcionários não iam com a cara dela, e Bianca também nem fazia questão de que eles gostassem. Ela queria respeito, queria que a temessem.
Entra sem bater na grande porta da sala. O gelado do ar-condicionado no 16° toca sua pele e a faz arrepiar. O ambiente é elegante, com design minimalista; a mesa ampla de madeira com detalhes escuros, onde há um notebook e pastas de documentos. A iluminação do teto é indireta, em tons quentes. Atrás da mesa, Bruna, vestida a caráter, tão refinada quanto o ambiente ao redor.
─ Não me olhe assim. Não era nem para eu estar aqui, mama. ─ Bianca revira os olhos.
─ Nos colégios caros que eu paguei para você, tenho certeza de que lhe ensinaram a bater na porta. Mas vamos ao que interessa. ─ A filha dá de ombros ao escutar a mãe.
A janela de vidro dava vista para uma imensa paisagem de arranha-céus; a luz natural da tarde entra ao fundo. Bianca se assenta na cadeira ergonômica no estilo executivo.
─ Luís Fernando quer recorrer, mas as provas são sólidas contra ele. As testemunhas não são o suficiente para construir uma defesa viável. Fora a nova denúncia de assassinato que apareceu. ─ Bruna passa a pasta com os relatórios do caso para a filha. Seu olhar é firme, mas contido.
─ Os depoimentos são consistentes. O Ministério reforça a acusação. Esse homem é um explorador… e é mais sujo que pau de galinheiro. ─ Fala Bianca, com uma expressão de indignação na testa.
─ Disso eu sei, mas preciso construir uma defesa…
─ Mama, para tirá-lo dessa situação seriam necessárias testemunhas confiáveis, negociar com as vítimas. O que eu faria para livrá-lo seria pintá-lo como um homem de negócios enganado por subordinados, manipular a acusação. Nesse caso dele, eu não continuaria. Minha ética não permitiria. Por isso quero ficar longe da área criminal. ─ Ela devolve a pasta para a mãe; sua voz mostra que não concorda com ela.
─ Ética? Minha filha, nós somos advogadas. O que importa é quem tem a melhor estratégia… e o bolso mais fundo. Você acha que seu avô chegou onde chegou só buscando a verdade, a justiça? É nosso trabalho…
─ Meu trabalho, mãe, é defender a legalidade. A senhora me chamou para quê?
─ Quero você neste caso. ─ Bruna joga a real para a filha.
─ Não, obrigada. Passo esse. ─ Debocha. ─ Não tem como, nem quero. Viajarei amanhã.
A tensão cresce na sala. Bruna levanta uma das sobrancelhas; seu olhar intimidador recai sobre a filha sentada à sua frente.
─ Solicitei uma audiência, o que será oportuno para quando você retornar. Na verdade… por que ir para aquele lugar, hein, Bianca? ─ Bruna solta a pergunta e ri com ironia.
─ Diferente da senhora, eu tenho um coração. A senhora sabe o porquê de eu ir.
─ Eu ainda tenho minhas dúvidas se é pelo seu pai ou pela… ─ Bianca corta a fala.
─ É por ele. É só por ele que estou indo para a fazenda. ─ Ela altera o tom da voz. Levanta-se e pega a bolsa da cadeira ao lado. ─ Procure outra pessoa para auxiliar o fazendeiro Luís Fernando. ─ E vira para sair da sala, mas antes responde de novo: ─ Minha prioridade é meu pai. Tchau, mamãe. Ainda há coisas a organizar para amanhã.
Sai pela porta sem olhar para trás.
─ Ah, Bianca… lhe conheço. Nem pense em mudar de rota, minha filha… nem pense nisso…
Fim do capítulo
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