Capitulo 6
As pessoas veem e vão para lá e para cá, o barulho das turbinas dos aviões incomoda a mulher sentada na cadeira fria de plástico cinza e, ao seu lado, Max, com seu terno caro e calça social, ajeita seu óculos escuro e cruza as pernas. O casal exalava estilo, vaidade e boçalidade. O alto-falante anuncia viagens para diversas localidades, e a cada anúncio o coração de Bianca batia mais rápido. Até que, dias atrás, ela se fez de forte para voltar ao lugar onde teve bons momentos, mas que também lhe deixou uma cicatriz e um amor antigo que ainda ressoa forte, no mais profundo de seu ser.
O peso da espera acabou, o voo para a região Norte é chamado. Max apanhou a mala rosa-claro de couro importado, caminha junto da noiva para a área do embarque, olhando com desconfiança os outros passageiros que vão à classe econômica.
─ Sentirei saudades, amor. Em alguns dias vou até você. ─ O homem abraça a noiva, dá um selinho rápido em seus lábios.
─ Espero que vá mesmo. Se papai fosse menos teimoso, ele poderia estar comigo aqui, mas antiquado como ele, só ele mesmo que não alarga aquela fazenda. Seria o melhor para ambos. ─ fala ela. Nos braços do noivo, Bianca fecha os olhos e pensa em como fará para evitar encontrar a pessoa que há anos sempre evitou, até em escutar o nome.
─ Não se preocupe, linda. Não demore mais do que o necessário, temos um casamento à vista, sim?
─ Claro, meu amor. Nesses dois meses, lá vão me matar, sentirei tanta saudade. ─ Ela se solta dos braços do noivo, pega a mala e anda para o embarque. Max, com sua postura reta e metida, manda um beijo, tanto verdadeiro quanto promessas de político.
─ Te amo!
O homem grita para Bianca antes que ela entre na aeronave. Como sempre, ela responde assim:
─ Eu também…
Se pudesse escolher quem amar, com certeza ele seria sua escolha. Sim, seria. Mas o coração da loira era teimoso como o pai da mulher. Sentada na poltrona, observa o céu azul da janela do seu assento. Desde o dia em que César deu as caras em seu apartamento, não sabia o que era dormir bem, sua mente lhe traía, levando de si a tranquilidade que antes possuía. A doença do pai, na qual ele confessou para a filha, estava a preocupando. Tentou fazê-lo ir morar com ela para ter um tratamento adequado, mas o fazendeiro bateu o pé até que Bianca acabou cedendo ao seu pedido para voltar à fazenda dele. O grande problema era quem vivia lá. Certa vaqueira de olhos verdes. Seu ponto fraco.
A aeronave desembarca. Bianca vai direto retirar sua bagagem, segue para o saguão junto a outros passageiros. Olhando para todos, busca pelo pai e não o vê em lugar algum; os falatórios enchem seus ouvidos, os sotaques misturam-se, o calor lhe atinge.
Enfim, após esperar por alguns minutos, Bianca chega perto do homem que segura uma placa com seu nome, não César, mas, sim, Zé Antônio, o capataz.
─ Vá me desculpando, patroa, é que ocorreu um imprevisto e eu…
O homem, vestido simples, roupas típicas do interior, abaixa a placa e vai para pegar a mala, bagagens da filha do seu patrão.
─ Sorte sua que, no momento, estou exausta demais para perder tempo… mas vou relatar sua falta ao meu pai, fique sabendo. Estou derretendo nesse calor, lhe esperando…
─ Sinto muito, senho…
─ Por favor, não sinta. Só cumpra seu trabalho e vamos embora, sim?
─ Sim, sim…
O homem de pele bronzeada coloca os pertences na carroça da caminhonete. Zé Antônio dá a volta no veículo para abrir a porta para Bianca, que adentra e ocupa o assento de passageiro. Eles deixaram o estacionamento e dirigiram-se para Terra Firme.
***
Foram duas horas de viagem da capital para o interior. A cena se repetia na cabeça de Bianca, os campos verdes correndo diante dela, as fazendas, os bovinos escondidos atrás da cerca de estacas de madeira e arame, tudo isso lhe causava uma nostalgia.
Assim que o automóvel entra pelos grandes portões da fazenda, Bianca se ajeita no banco de passageiro, seu coração pulsa acelerado e esfrega as mãos nas coxas, endireitando os ombros tensos. O veículo para na frente do casarão. César já esperava pela sua chegada em pé na varanda, e junto estava Helena.
Zé Antônio saiu do veículo e depois abriu a porta para a filha do patrão, e assim a loira saiu e Zé Antônio, com cuidado, a trancou novamente. Ela arruma os fios loiros, sente o vento bater na face. Ao observar o pai e Helena, seus olhos procuravam uma terceira pessoa, porém não a encontraram.
César desceu os degraus da escada externa da varanda, ajudando Helena, que com cautela se equilibrava segurando em seu antebraço.
─ Zé Antônio, você pode levar as coisas de Bianca para o quarto?
─ Claro. Sim, patrão… ─ O capataz gagueja e vai pegar as malas no porta-malas, desconfiado. Ele sabia que a nova visitante iria reclamar da demora no aeroporto para o pai dela. Mulherzinha pabulagem, ele pensa, indo dali.
Ao entrar, Bianca foi olhando tudo à sua volta, pouca coisa tinha mudado ali. Chegando na cozinha, Helena a servia um lanche da tarde.
— E seu noivo?
Fim do capítulo
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Sil R.S Em: 12/12/2025 Autora da história
Rsrs... Também estou esperando por esse reencontro delas.