• Home
  • Recentes
  • Finalizadas
  • Cadastro
  • Publicar história
Logo
Login
Cadastrar
  • Home
  • Histórias
    • Recentes
    • Finalizadas
    • Top Listas - Rankings
    • Desafios
    • Degustações
  • Comunidade
    • Autores
    • Membros
  • Promoções
  • Sobre o Lettera
    • Regras do site
    • Ajuda
    • Quem Somos
    • Revista Léssica
    • Wallpapers
    • Notícias
  • Como doar
  • Loja
  • Livros
  • Finalizadas
  • Contato
  • Home
  • Histórias
  • Quando o Tempo Parou
  • Capitulo 6 - Desistir

Info

Membros ativos: 9579
Membros inativos: 1617
Histórias: 1971
Capítulos: 20,927
Palavras: 52,929,536
Autores: 808
Comentários: 108,967
Comentaristas: 2597
Membro recente: Anik

Saiba como ajudar o Lettera

Ajude o Lettera

Notícias

  • 10 anos de Lettera
    Em 15/09/2025
  • Livro 2121 já à venda
    Em 30/07/2025

Categorias

  • Romances (875)
  • Contos (476)
  • Poemas (234)
  • Cronicas (232)
  • Desafios (182)
  • Degustações (27)
  • Natal (9)
  • Resenhas (1)

Recentes

  • Entrelinhas de um contrato
    Entrelinhas de um contrato
    Por millah
  • RASGANDO O VEU DE MAYA
    RASGANDO O VEU DE MAYA
    Por Zanja45

Redes Sociais

  • Página do Lettera

  • Grupo do Lettera

  • Site Schwinden

Finalizadas

  • A Arte da Vida
    A Arte da Vida
    Por Nadine Helgenberger
  • Momentos de prazer com sabor de quero mais
    Momentos de prazer com sabor de quero mais
    Por Bia Ramos

Saiba como ajudar o Lettera

Ajude o Lettera

Categorias

  • Romances (875)
  • Contos (476)
  • Poemas (234)
  • Cronicas (232)
  • Desafios (182)
  • Degustações (27)
  • Natal (9)
  • Resenhas (1)

Quando o Tempo Parou por Bastiat

Ver comentários: 1

Ver lista de capítulos

Palavras: 3838
Acessos: 158   |  Postado em: 07/12/2025

Capitulo 6 - Desistir

 


VI - Desistir


 

Maria Emília

 

 

       Meus dedos dançam entre as teclas de atender e recusar. Estou na pior. Pressionada por um lado e por outro, sem tempo para pensar em uma nova estratégia. Tempo, é disso que preciso agora, difícil será convencer quem está me ligando a me dar. Tempo para amenizar dores a quem não estava nos planos.

 

       - Por que eu simplesmente não desisto? Não tem mais jeito. Eu me enganei... mas a culpa ainda é minha! - Falei comigo mesma.

 

       A ligação foi para a caixa postal, mas ganhei apenas alguns segundos, pois de novo o aparelho está vibrando nas minhas mãos com o mesmo nome.

 

       - Pilar... - atendi.

 

       - Até que enfim! Tem noção de que estou te ligando quase o dia todo?

 

       - Eu estive fora, desculpe-me.

 

       - Esteve fora? Como? Por quê?

 

       Não tive como responder, Amélia falava atrás da porta:

 

       "- Emília, não quero te ver pela manhã nesta casa. Pegue as suas malas que eu ainda fiz o favor de arrumar e vá embora agora."

 

       Não demorou muito e ouvi o barulho de uma porta se fechando. Pela proximidade, provavelmente é do quarto da Amélia.

 

       - Mili? Emília? Maria Emília! Você está me ouvindo?

 

       - Pilar, eu... eu não posso falar agora. Eu te ligo depois.

 

       - Emília, não se atreva a desligar essa ligação. Não ouse ou nosso combinado será encerrado imediatamente.

 

       - Por favor, eu realmente...

 

       - NO! - gritou em espanhol do outro lado da linha.

 

       - Tudo bem - suspirei. - Dei-me 5 minutos para que eu saia daqui da casa da Amélia e retorno a ligação.

 

       - 5 minutos e nada mais. E... Emília, por favor, me retorna mesmo, a gente precisa conversar, as coisas não estão fáceis por aqui também.

 

       Pilar não esperou uma resposta, a ligação estava encerrada quando lágrimas brotaram nos meus olhos mais uma vez.

 

       Passei a mão em meu pescoço sentindo os dedos que tanto me apertaram. Aposto que ficaram marcas, então abri minha bolsa e tirei de lá um lenço de cetim, cobrindo assim a vermelhidão para que Pilar não visse em uma vídeo-chamada.

 

       Saí do quarto e andei na direção da porta principal do apartamento. Apertei diversas vezes o botão do elevador de maneira inútil. Minhas mãos tremiam quando consegui chegar na portaria e ganhar as ruas.

 

       Meu pensamento agora focou em Pilar, minha querida amiga que o mundo me deu. Nascida na cidade do Rio de Janeiro e criada entre São Paulo e Buenos Aires pois sua mãe era argentina, Pilar também morou rapidamente em outros países por seu pai ser um importante diplomata brasileiro. Assim que nos encontramos pela primeira vez em Paris, criamos uma conexão por sermos quase sem lar, o mundo que moldou a gente.

 

       O que eu nunca esperei era ter que abrigá-la por um tempo em Buenos Aires. Esse laço nos fez ficar ainda mais unidas. Graças ao seu esforço em mudar de vida, trabalha para a INTERPOL na capital argentina. É uma grande profissional, mulher de caráter e esfomeada, não à toa que nos conhecemos na cozinha de um restaurante quando ela insistiu em conhecer a pessoa que tinha feito o melhor ‘magret de canard' que já tinha comido em sua vida.

 

       Cheguei no motel fuleiro que uso para quando preciso de privacidade nas minhas conversas. De primeira a recepcionista estranhou o fato de estar lá sozinha, mas sempre o dinheiro fala mais alto. Então apenas entreguei o pagamento extra mais uma vez e uma chave foi entregue sem perguntas.

 

       Cheguei no quarto, sentei-me encolhida com as costas na cabeceira e minha mente me levou para o momento em que tudo começou:

 

       "Estávamos em um barzinho bebendo e chorando as mágoas. Pilar tinha acabado um namoro naquele dia. Como houve traição por parte de sua ex-amada, as taças de vinho não paravam de encherem e se esvaziarem, conforme o álcool amenizava a dor do seu coração.

 

       - Lembrei de uma coisa! Mili, olha essa foto.

 

       A mulher de olhos cor de mel sempre sorridente me mostrou a tela do seu celular com uma seriedade que nunca tinha visto em seu rosto.

 

       Pensei ser uma foto da sua ex e que começaria um chororô com o álcool fazendo efeito, mas quando bati o olho na pessoa da foto o meu coração disparou. Não exatamente de felicidade, mas sim de pesar e tristeza.

 

       - Lia... - sussurrei.

 

       - Maria Amélia Zardini , 41 anos de idade, solteira, brasileira, advogada.

 

       - Como você descobriu a minha irmã? - Perguntei assustada.

 

       - A verdadeira questão aqui é: por que você nunca me disse que tem uma irmã? Gêmea ainda por cima!

 

       - Não somos gêmeas...

 

       Tentei esclarecer, mas Pilar seguiu falando alterada:

 

       - Tem noção do susto que levei hoje pela manhã no trabalho quando pensei na possibilidade de você ser uma traficante de drogas internacional que usa um documento falso? Só depois de uma imagem melhor eu consegui identificar a diferença no nariz.

 

       - Trafi o quê? Lia não é isso! Que brincadeira é essa? Não tem graça, Pilar.

 

       - Eu não estou brincando, Mili! Essa tal de Maria Amélia tem sérias acusações, entre elas de fazer parte de um esquema de tráfico na Colômbia e no México.

 

       - O pouco que sei da Lia é que ela se tornou uma advogada de renome.

 

       - Ah, realmente um belo disfarce.. "

 

       Bêbada, Pilar mal se lembrava na manhã seguinte que havia revelado uma investigação para mim. Recordo-me do seu malabarismo para me fazer acreditar que foi apenas uma brincadeira. Mas, eu já estava envolvida. Foi então que começou o meu acordo com minha amiga.

 

       Tudo são suposições, assim acredito. Eu sei como é ser acusada, jamais julgaria a minha irmã. Quero dar a chance de fazê-la provar sua inocência antes de ser presa. É a minha chance de reparar o mal que fiz.

 

       Os 5 minutos já haviam se passado, Pilar pacientemente esperou pelo meu retorno. Apesar da braveza, nossa amizade sempre falava mais alto, por isso estou aqui.

 

       A chamada de vídeo foi iniciada por mim. A tensão tomou conta do quarto.

 

       - Você estava chorando? Que cara é essa? - Minha amiga perguntou.

 

       - Acho que acabou. Eu não consegui!

 

       - Eu te avisei, Emília. Essas coisas são complicadas. Sua situação era delicada. Se para um profissional seria difícil, imagina para você que tem sentimentos envolvidos? Mas o que aconteceu?

 

       - Amélia me expulsou de vez. Me deixou sem saída.

 

       - Me conte o que aconteceu! Esquece o nosso combinado por um momento, eu estou preocupada com você. Só você me importa agora. Você disse que esteve fora, Amélia te fez alguma coisa?

 

       - Não! Eu... eu levei a noiva dela à praia. Ela me pediu com tanto carinho, não pude negar. Você sabe, ela tem um problema grave no coração.

 

       - Sua irmã achou ruim e te mandou embora? - disse olhando para o lado pensativa. - Estranho, não é?! Ela deveria estar agradecida pela sua dedicação pela mulher que ama. Eu pensei que você a dobraria assim, fazendo comida com as suas mãos mágicas, um discurso de saudade. Depois apareceu essa noiva, então você teve a ideia de se aproximar dela para chegar na Maria Amélia.

 

       O faro de Pilar diz que estou escondendo alguma coisa, a conheço bem.

 

       - Eu não lhe escondi o fato da minha irmã me odiar. Sabíamos que seria difícil.

 

       - Era para ser fácil. A sua única missão era explorar a casa  ou melhor ainda seria adentrar a empresa da sua irmã. Você só precisava de uma chance sozinha no apartamento que ela mora, lembra? Era isso que você me repetia ao me convencer de embarcar nessa loucura.

 

       - E como eu procuraria as coisas se a noiva dela está lá o tempo inteiro?

 

       - Se virasse! Colocasse um remédio para ela dormir, sei lá.

 

       - Está louca? Ela toma 7 remédios por dia, tem todos os cuidados, não posso fazer nada contra ela.

 

        - Certo, seria loucura mesmo, eu entendo. Aliás, como é o nome dela mesmo?

 

       Congelei. Vi em suas mãos uma caneta, provavelmente para anotar o nome da Vivian.

 

       - Vi... - recuei. - Vitória.

 

       - Vitória do quê?

 

       - O sobrenome? - A vi assentir. - Não sei, nunca perguntei.

 

       - Claro que não  - ironizou. - Assim você não colabora com nada. Ao invés de brincar de casinha, deveria ao menos estar me ajudando com coisas básicas. Você me pareceu melhor investigadora. Mas pode deixar que eu descubro o sobrenome.

 

       - Mas por que você quer investigá-la?

 

       - Porque ela pode fazer parte do esquema também. Pode ser que ela até tenha esse problema no coração hoje, entretanto isso  não faz com que ela não seja da quadrilha. São anos de namoro, não é?! De certo ela sabe.

 

       - Não! Absolutamente não! Pelo pouco que a conheço, sei que jamais estaria em qualquer esquema ilegal. Vi... - freei minha fala. - Vitória é honesta!

 

       - Você não é a investigadora aqui, Maria Emília. Tanto não é que não sabe disfarçar tão bem. Por um acaso está interessada amorosamente pela noiva da sua irmã?

 

       Meu celular caiu das minhas mãos. Esfreguei o meu rosto tentando raciocinar sobre minhas próximas falas. Peguei o aparelho em seguida, sem mais demora. González olhava assustada com a minha reação.

 

       - Desculpa, Pilar,  pensei ter ouvido uma batida na porta, mas acho que foi no quarto ao lado.

 

       - Ouviu a minha última pergunta?

 

       - O absurdo? Claro que ouvi. É um absurdo sem tamanho e acho que não temos que perder tempo com isso.

 

       - Tem certeza? Porque na última vez que nos comunicamos, você só falava dessa tal de Vi... Vitória. Até a parte de que você se aproximaria para obter vantagens eu entendi, mas levar para passear? Seus olhos brilham quando fala dela! Você até disse que ela tem cheiro de baunilha! Sua irmã deve ter notado alguma coisa, certamente se enciumou, por isso você foi jogada para fora do apartamento. Acertei?

 

       Às vezes esqueço de que estou lidando com alguém que além da profissão ainda é uma amiga que me conhece profundamente. Me vi mais uma vez quase sem saída e cedi:

 

      - Você é uma boa investigadora, acertou em partes. Amélia está mesmo enciumada pela amizade que a Vitória - disse o nome com mais firmeza - e eu estamos construindo. De certo que ela está interpretando errado, mas da minha parte é só uma grande simpatia pela minha cunhada.

 

       - Assim espero, até porque recentemente descobri que você tem um grande amor por aí, não é mesmo?! Pois você está certa, não vamos perder tempo com esse absurdo que passou pela minha cabeça.

 

       Concordei falsamente acenando para ela. Suspiramos juntas, cansadas pelo dia, pelas ideias conflitantes e procurando adiar o inevitável, mas eu sabia que não tinha jeito, logo Pilar falou:

 

       - Eu te liguei para dizer que não vou conseguir segurar por mais tempo essa investigação. Já arriscamos... Eu já arrisquei demais a minha carreira e você está correndo risco aí. Se Maria Amélia tem atitudes estranhas como a que anda tendo, você sabe que no fundo ela pode ser realmente culpada.

 

       - Eu já não sei como defendê-la - suspirei derrotada.

 

       - Você me parecia tão convicta na inocência dela. Então me deixei levar à toa?

 

       - Eu ainda quero acreditar que ela está sendo usada nesse esquema.

 

       - Provas, eu e você  precisamos de provas.

 

       - Já disse que não consegui ainda acesso ao quarto dela ou ao trabalho dela. Não imaginei que teria tantos obstáculos.

 

       - Tem uma hora que temos que deixar que as coisas aconteçam, admitir quando erramos, voltar duas casas para dar o próximo passo mais correto.

 

       - Eu devo essa chance para a Amélia.

 

       - Por que agora só a chama assim? De Amélia? Você sempre a chamou carinhosamente de ‘Lia', o que mudou?

 

       - Só estou com raiva da briga que tivemos - tentei disfarça o meu desconforto. - Eu já errei demais e estou pagando um preço alto por isso. Quem quer que seja ela tenha se tornado, em partes foi por minha causa. Suas atitudes refletem as minhas passadas. Eu quero e preciso ajudá-la mesmo que ela me odeie para sempre.

 

       - Por que eu tenho a sensação de que você não está apenas falando do que aconteceu no passado? Você está me escondendo alguma coisa?

 

       - Me deixe, por favor, tentar mais uma vez. 1 semana e nada mais. Por favor.

 

       - Não posso, Emília. Não me ouviu dizer que minha carreira está em risco?

 

       - É minha última cartada, eu prometo. Lembra-se da sua ideia quando eu mencionei que tenho aqui meu grande amigo Henrique e que ele poderia me ajudar? Acho que você tinha razão, é o único jeito. Ele é a única pessoa em que podemos confiar por saber de toda história. Você o conheceu, sabe da sua seriedade.

 

       - Minha ideia era você atrair a Amélia para fora de casa enquanto ele invadiria atrás das provas. Mas aquela época você tinha certeza de que ela era inocente, hoje você já não tem a certeza de que as supostas provas a inocentariam. É isso que você quer?! Juntar provas que podem incriminá-la? Deixe que nós da polícia cuidamos disso. Você vai acabar indo presa junto com ela por ocultação de provas pois já não sei se você entregaria.

 

       - Já te dei a minha palavra de que se Amélia for culpada eu entregarei. Nada mudou.

 

       - Eu vou atrair a noiva dela para fora e ele entra acabando com tudo de uma vez por todas. Culpada ou inocente, não me importo mais tanto assim. Minha preocupação é o coração da Vivi... Vitória. Quero prepará-la para o que for. Eu ainda acho que Amélia é inocente, eu quero acreditar nisso, mas o escândalo ainda pode respingar na saúde de uma pessoa que não tem nada a ver com essa história. Então eu te peço, uma semaninha a mais para que eu a prepare.

 

       Pilar encarou o celular enquanto raciocinava meu novo pedido. Não a culparei se tiver um ‘não' como resposta, sei que não contei toda a verdade para ela, ao mesmo tempo que torço para que acate meu pedido uma última vez pensando na Vivian.

 

       - Algo me diz que posso estar muito errada por te dar essa 1 semana, mas a verdade é que também lhe devo uma por você ter me abrigado em Buenos Aires quando meus pais não aceitaram a minha sexualidade. Foi você que me sustentou enquanto eu estudava para entrar para a INTERPOL.

 

       - Não diga isso, você me ajudava na cozinha.

 

       - Eu era um desastre e você sabe bem disso. Você bancou o meu sonho, me deu a vida que tenho hoje. Em respeito à nossa amizade e o quanto sou grata, 1 semana e nada mais. Vou entrar em contato com o Henrique, traçar um plano, então vocês se encontram para acertar tudo. Quando o encontrar, o abrace muito e diga que estou morrendo de saudade do tempero dele.

 

       - Obrigada, Pilar. Obrigada por confiar em mim mais uma vez. Vai ser meu último pedido, te prometo.

 

       - Bem, agora tenho que ir. Ah, e amanhã vou me encontrar com suas meninas para jantar. Antonella me convidou com a intenção de ter notícias sua.

 

       - Só manda um beijo para a Júlia e diz que estou morrendo de saudade.

 

       - Ah, poxa, mas nem um simples recado para a sua ex? Você sabe que ela ainda te ama, custa pensar com carinho na proposta que lhe fez de vocês voltarem depois dessa sua misterioso viagem para resolver coisas do passado no Brasil?

 

       - Você não deveria brincar com essas coisas, sabe o quanto lutei para que ela aceitasse a separação . Vê se não bebe e fala coisas demais, por favor.

 

       - Você sabe que morro de dó do amor imenso que ela ainda sente por você. Já imaginou se eu solto que você tem um amor do passado? Antonella pega o primeiro voo sem pensar duas vezes.

 

       - Por isso é melhor você evitar o álcool. Se estou aqui é porque o vinho te fez soltar uma investigação do seu trabalho. Não vai querer a Antonella no seu caminho profissional, vai? Esqueceu-se dos escândalos que ela já me proporcionou?

 

       - Eita, não está mais aqui quem falou. Eu estava apenas tentando te fazer rir.

 

       - Eu sei - bufei. - Desculpe-me, Pilar, ainda estou tensa com a conversa que tive com a Amélia. Tenho que sair do apartamento dela hoje ainda, procurar um hotel e tentar voltar para o apê nos próximos 3 dias.

 

       - Vai para a casa do Henrique, Mili. Assim aproveitamos para ir nos comunicando sobre o novo plano.

 

       - É uma possibilidade. Depois resolverei e te comunico.

 

       - Tudo bem. Agora tenho que ir, preciso tentar dormir bem para encarar um longo dia de trabalho e depois um belo jantar.

 

       - Divirta-se bastante com a minha filha amanhã, diga que estou perto de voltar para a gente fazer um bolo de chocolate bem fofinho.

 

       - Júlia vai adorar essa parte do bolo. Tchau!

 

       Apenas sorri e esperei a ligação ser encerrada. Saudade de casa, da minha rotina, mas feliz por poder encerrar a minha viagem da melhor maneira possível. Ainda tenho que pensar nos detalhes de quando a bomba estourar, mas no momento só quero cuidar de Vivian.

 

       "Então você se lembra? Se lembra dela? Eu duvidei por um momento, mas é claro que você se lembraria." (Maria Amélia)

 

       "Ela pode ter começado esse relacionamento gostando do imaginário que você foi, mas passou a me amar quando começamos a namorar. Acha realmente que tem alguma chance de ela te amar? Vivian é fascinada por mim..." (Maria Amélia)

 

       "...Saber que tenho a Lia ao meu lado me faz querer viver. Ela é tudo na minha vida. Gentil, amorosa, dedicada, tudo o que sempre sonhei. Eu a amo com todas as minhas forças." (Vivian)

 

       "...Não vou mais te engolir para poupar a saúde dela. A decisão está em suas mãos. Fique e a faça sofrer, vá e deixe-nos ser feliz como éramos antes da sua presença."

 

       Minha cabeça gira em torno dos acontecimentos do dia. Talvez Amélia tenha razão: Vivian a ama, ponto final.

 

       Saí apressa da cama, atirei-me para fora do motel em segundos. Desnorteada, andei pelas ruas como uma pessoa sem rumo. A minha recusa de voltar para o apartamento me custou ir até a praça que costumei a vir com Vivian e sentar em um dos bancos.

 

       Olhei pensativa para o vazio, pedi forças para lidar com as adversidades. O relógio do celular marca exatamente 2:00 da manhã. Não sei por quanto tempo fiquei sentada sentindo o frio da noite tocar a minha pele. Levantei-me lentamente. É hora de pegar as minhas coisas antes que amanheça do dia.

 

       Cumprimentei o porteiro noturno e subi até o lugar que um dia chamei de lar. Ao abrir a porta, recordei-me da Vivian comentando que dentro da gaveta do aparador na sala tem um álbum da minha família, era o nosso plano folheá-lo.

 

       Peguei o grande livro fascinada por ainda ser o mesmo dos tempos de mamãe e andei até o quarto. Sentei-me na ponta da cama, perto das malas e o abri. As primeiras fotos continuam sendo em preto e branco dela criança e adolescente, também tem algumas do meu pai. Depois, do lindo casamento deles. Agora, antes de virar a página, respirei fundo.

 

       Não me surpreendi ao ver apenas fotos minhas ali. Amélia sumiu com todas as suas fotos criança. O nariz indicaria que não era ela ali, óbvio. O meu lugar foi tomado de corpo e alma. A minha infância virou a sua, o meu sorriso em cada momento feliz das fotos provavelmente viraram histórias inventadas por ela quando as mostrou para Vivian, a minha adolescência autentica virou a sua, os meus gostos viraram o seu, a minha história de amor virou... a sua.

 

       "Posso sim ter me aproveitado da situação, mas quem você acha que vai pesar se ela tiver que escolher?"

 

       Eu sei, Amélia.

 

       Meus lábios passaram a tremer na ânsia de segurar o choro.

 

       - Me perdoa, Vivian. Me perdoa por não ter corrido atrás de você anos atrás quando eu poderia ter insistido em ir até Campinas atrás de uma Vivian. Me perdoa ter saído mundo a fora enquanto você ficou aqui me procurando. Me perdoa ter agido como uma covarde esses dias e não ter coragem de te dizer que eu sou a sua Maria. Me perdoa ser tola por ainda te amar mesmo sabendo que agora você ama a minha irmã. E me perdoa... me perdoa por te deixar para trás mais uma vez pois não aguentarei ver seus olhos decepcionados, mas te levarei para um hospital no dia, assim será auxiliada.

 

       Limpei minhas lágrimas me sufocando com o travesseiro na cara. Quero gritar toda raiva que sinto por não me identificar mais como Maria Emília Zardini.

 

       - Eu não sou ninguém... - sussurrei.

 

       Voltei o álbum do início, retirei algumas fotos dos meus pais e depois algumas minhas. Quero guardar de lembrança e levar comigo para Buenos Aires.

 

        Coloquei o grosso livro na cama sem me importar se Amélia vai achar ruim as fotos sumidas. As minhas memórias ela jamais apagará.

 

       Peguei as malas e me esforçando ao máximo pelo silêncio, saí rumo a porta.

 

 

 

 

Fim do capítulo


Comentar este capítulo:
[Faça o login para poder comentar]
  • Capítulo anterior
  • Próximo capítulo

Comentários para 6 - Capitulo 6 - Desistir:
dannivaladares
dannivaladares

Em: 14/12/2025

meu deus! quanta coisa! quantas emoções! 


Bastiat

Bastiat Em: 12/01/2026 Autora da história
Querida, Danni! Que sdd que eu estava dos seus comentários e reações. Muito bom te ler. Obrigada por acompanhar! Abs!


Responder

[Faça o login para poder comentar]

Informar violação das regras

Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook:

Logo

Lettera é um projeto de Cristiane Schwinden

E-mail: contato@projetolettera.com.br

Todas as histórias deste site e os comentários dos leitores sao de inteira responsabilidade de seus autores.

Sua conta

  • Login
  • Esqueci a senha
  • Cadastre-se
  • Logout

Navegue

  • Home
  • Recentes
  • Finalizadas
  • Ranking
  • Autores
  • Membros
  • Promoções
  • Regras
  • Ajuda
  • Quem Somos
  • Como doar
  • Loja / Livros
  • Notícias
  • Fale Conosco
© Desenvolvido por Cristiane Schwinden - Porttal Web