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Onde a Luz se Esconde por codinomeluz

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Palavras: 1676
Acessos: 34   |  Postado em: 02/12/2025

Notas iniciais:

Onde será que essa visita vai parar?

Esse capítulo pode conter cenas ou narração de violência, sexo explícito, uso de alcool e tabaco. Caso seja sensível a esses temas, não é recomendada a leitura.

Temos visitas!

PV Julia

 

Decido por uma calça sportfino de linho na cor preta e uma camisa no mesmo estilo e tecido, só que branca, uso uma pulseira bem fininha e delicada de ouro e alguns anéis, complemento com um cordão que é par da pulseira e tem um ponto de luz que desce até o meio dos meus seios, encontrando o sutiã de renda também branco que vira e mexe dá as caras pelo terceiro botão aberto da camisa, quando me mexo. Me perfumo e por último, passo um gloss e prendo o cabelo em um afropuff no alto da minha cabeça como um coque. Os óculos de grau de armação dourada fazem parte do look hoje e descalça mesmo, decido enfrentar as visitas.

-Finalmente - Renato vem até mim tão depressa assim que coloco os pés pra fora do quarto, que assusta o gato e sequer consigo notar quem está na sala um pouco atrás dele - achei que ia fingir que não temos visita.

-Você sabe que eu não sou de - travo quando ele sai um pouco de minha frente no corredor e Clara aparece em minha visão, linda, com um vestido de cetim preto fosco que detalha todo seu corpo e parece mais solto nas coxas e que coxas… enfim termino de falar - me esconder.

-Oi, esposa - Gustavo vem até mim e me abraça forte com seu corpo enorme invadindo meu espaço pessoal, o que nesse caso não me incomoda - eu senti sua falta nos últimos dias.

-Boa noite, querido - nos separamos e o encaro de pertinho - eu também senti sua falta! Cadê meu sócio?

-Serve esse aqui? - Bruno se levanta quando chego perto dele no sofá da sala e me abraça igualmente, me acolhendo com seu corpo.

-Como é cheiroso - comento com sinceridade e humor, mas sinto minhas costas pegando fogo com um olhar específico, que ainda não encarei - desse jeito vou misturar negócios com prazer…

Todos rimos por segundos e o clima pesa um pouco e fica mais intenso quando Clara se levanta pra me cumprimentar.

-Ju!

-Clara - dizemos ao mesmo tempo e sorrio com o canto dos lábios, enquanto a cumprimento um pouco retesada, somente com um beijinho no rosto.

-Bom, tá bem quente o clima hoje - Renato se aproxima de mim e passa o braço pelos meus ombros - pensei em fazermos alguns drinks e a Ju tem ótimos jogos pra grupos desinibidos.

-Renato!

Ele ri quando o cutuco com a ponta do dedo próximo às costelas.

A noite começa boa, a cada 5 minutos procure o olhar de Clara no meio das conversas e ela sempre esteja me olhando de volta. No segundo drink decido buscar uno para jogarmos e os meninos se animam.

-Tá bom, mas podemos jogar com as regras de Jeri, o que você acha?

-Amigo - respondo à Renato - sinceramente acho que ninguém aqui tá no clima pra jogar dessa forma, você acha uma boa?

-E que forma seria essa? É pra tirar a roupa, né?

-Não é exa…

-Isso mesmo, Bruno - meu querido amigo me corta no meio da frase - bom, não exatamente mas sempre acaba desse jeito, as regras são as mesmas, a diferença é que temos mais duas regras - ele começa explicar enquanto embaralha os 3 baralhos de uno rapidamente - a primeira é que sempre que tivermos mais de duas cartas "+4” jogadas em seguida, o próximo jogador que não tiver uma para o monte e precisar comprar as cartas, bebe uma dose de alguma coisa.

-Ainda bem que trouxemos tequila - Gustavo diz animadamente, batendo palminhas.

-E a segunda regra? - Clara pergunta e minha atenção é completamente focada no rosto dela, que morde o lábio inferior levemente quando me vê encarando-a.

-A segunda regra é que determinamos uma carta com cor e número específico antes de começar e - enquanto explico a segunda regra, Clara me encara e sinceramente não ligo de devolver o olhar à altura na frente dos meninos - e sempre que alguém jogar essa carta, o próximo jogador toma uma dose.

-Todos topam, então? Preciso só bolar alguns tabaquinhos antes de começar porque eu me empolgo.

Ricardo pergunta já dividindo a carta de 3 dos baralhos para a mesa inteira, sem esperar a confirmação de todos.

-Na realidade não se empolga, você bebe uma atrás da outra, é impressionante.

-Morrerei afirmando que foi de propósito!

Me levanto sorrindo da poltrona que estou, enquanto vejo os meninos organizando no buffet da sala de jantar tudo o que estava em cima da mesa de centro da sala e afastando um pouco os sofás pra dar espaço no tapete ao redor da mesa.

Na cozinha, abro uma pequena parte do armário onde ficam os cristais, pra pegar copinhos de shot para o jogo, é quando o cheiro do perfume dela me invade. Não preciso olhar pra trás pra saber de quem é a presença que sinto, então pego os copinhos um por um, sentindo o cheiro que se assemelha a um rio, ou cheiro de chuva.

-Eu sei que é clichê falar assim mas preciso conversar com você, Julia - me viro e a encaro, Clara está muito próxima à mim e se afasta quando percebe que olho o espaço entre nós.

-Precisamos mesmo, Clara e me desculpa - ela se surpreende, percebo porque abre os olhos um pouco mais quando me ouve -, desculpa por ter sumido sem te ouvir.

-Eu quem te peço desculpas, Ju - ela se aproxima novamente, pegando dois dos copinhos que coloquei no balcão para "me ajudar”- não queria que tivesse visto e muito menos passado por aquilo tudo.

-Se quiser conversar sobre tudo o que aconteceu, ou sobre nada, eu tô aqui, Clara - meu corpo não responde à minha mente e se aproxima dela, encerrando o espaço que estava entre nossos corpos segundos atrás, deposito um beijo na bochecha dela, que mal calculado, para no canto da boca - agora vamos, antes que eu desista desse jogo.

Chegamos na sala de novo sob o olhar nada disfarçado dos meninos, me sento no tapete ao lado de Gustavo e de Clara.

O problema das mulheres lindas, é que elas sabem que são lindas geralmente e usam isso com tanta classe, que parece beirar a inocência. Eu sou uma dessas mulheres e sei do que estou falando, Clara também sabe e joga com minha atenção quando se senta ao meu lado e cruza as pernas de forma que o vestido que era acima do joelho, suba um pouco mais de uma forma provocante, mostrando muito mais do que deveria e me pergunto por um minuto, se ela usa calcinha.

Ela sabe que alcançou o alvo quando me encara depois do ato e sorri lascivamente pra mim.

-Um shot antes de começar - é Renato quem propõe - porque temos uma profissional na mesa - ele me encara enquanto abre a garrafa de tequila que os meninos trouxeram.

-Ah é? - Clara pergunta erguendo uma sobrancelha pra mim, a voz um pouco mais rouca do que eu acho que deveria ser - Vamos ver se esse título segue intacto depois de hoje. Até eu vou beber esse shot!

-Desafio aceito, linda, o que vamos apostar?

-Meia noite eu te conto - Clara pisca pra mim e brindamos os copinhos cheios ao centro da mesa e bebemos todos juntos depois.


-Isso é tão injusto - Bruno me olha com os olhos cerrados, negando com a cabeça - todas as cartas boas estão sempre nas mãos dessa pilantra.

-É só a segunda rodada, sócio, calma que isso aqui só vai melhorar.

-Uma pergunta - Gustavo levanta a mão como se estivesse em uma sala de aula ou algo do tipo - se o Renato aqui ao meu lado, jogar um 6 vermelho pra que eu beba e eu também tiver um, posso jogar ele em cima, pra que você beba, Julia?

-Pode! É válido voltar o jogo com um “inverter” também quando jogarem a carta especial mas você bebe nesse caso e a pessoa que ia te fazer beber, bebe também porque o sentido do jogo mudou! Só não pode bloquear essa carta, porque não é válido.

Continuamos jogando e eu sigo ganhando, até que Renato animadamente troca olhares com Gustavo e joga um +4, sendo seguido por outro +4 do loiro ao meu lado, eu blefo por um momento, fingindo que perdi até coloco mais uma dose no meu copinho e jogo um +4 em cima daqueles dois, falando “uno” em uma .

-Mentiraaaaa - Bruno grita colocando as duas mãos na boca - é, Clara, chegou sua hora de beber, minha cara….

-Será mesmo, amigo?
A mulher joga um +4 em cima do meu e encara Bruno, que arruma os óculos de grau redondos no rosto e pega meu copo de shot, tomando-o em uma golada sem caretas, compra 12 cartas, jogando um 6 vermelho, que foi a cor solicitada pela jogadora anterior - que diga-se de passagem, estava jogando inclusive comigo, quando ria em alguma jogada ou de alguma piada dos meninos e parava a mão muito perto da minha, por vezes roçando a mão na minha, como uma adolescente.

E eu não consigo nem negar que estava adorando, ansiava pelos pequenos toques dela sem perceber.

Renato então bebeu e jogou um 6 verde em cima da carta anterior, seguido por um 6 azul de Gustavo, que também grita “uno” depois da jogada e todos me encaram.

-O que foi, gente? Eu também compro cartas, tá bom?

Apenas finjo que vou comprar uma carta, quando coloco outro 6 vermelho que estava em mãos, batendo o jogo.

-Fala sério, Julia! Eu não sei porquê indico esse jogo ridículo.

-Porque sempre tem alguma presa em vista quando sugere ele, sabendo que terá o que jantar depois - respondo sem gaguejar.

 

-Se eu fosse alguém que tem vergonha, você teria me envergonhado agora, com certeza - rebate enquanto acende o segundo tabaco da noite, fazendo todos sorrirem.


Fim do capítulo

Notas finais:

Naaaada como uma visitinha que você nem esperava (mentira, esperava sim) pra animar um pouco as coisas e desatar alguns nós.

Depois me contem o que estão achando <3 beijos e carinhos!


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