Capitulo 15
15 - Duras palavras
Capítulo quinze
CAROLINA FONSECA
Não havia muitos restaurantes veganos próximos, por isso encontrar o tal “Canto Vega” foi brincadeira de criança.
Eu de fato havia me produzido um pouco demais pra quem ia a um jantar desacompanhada.
Confesso, eu queria provocar Esther.
Não que eu esperasse que ela fosse largar a fotógrafa, mas eu precisava conversar com ela, eu precisava de um encerramento.
E eu queria descobrir se ela ainda sentia algo por mim da mesma forma que eu ainda sentia algo por ela.
Confesso que me decepcionei, Esther me atendeu com todo profissionalismo do mundo, me recomendou pratos e até eu que não sou nada fã de comida vegana simpatizei com o lugar.
Claro, ainda prefiro churrasco.
Naquele dia, eu tentei me aproximar, eu queria saber como ela estava, eu queria saber se ela estava feliz.
Mas vê-la falando com tanta maturidade sobre seu relacionamento com Jaqueline me deixou um pouco frustrada.
Eu tenho consciência que um comentário sobre forçar casamentos foi de fato desnecessário, mas o tapa que eu recebi como resposta me deixou desconcertada.
Eu nunca fui um exemplo de namorada, ainda assim, Esther nunca havia levantado a mão para mim.
Fiquei ali do meu carro observando o carro da minha ex-cunhada desaparecer e me senti a pessoa mais fraca do mundo por não ter insistido mais.
Estava decidido, eu insistiria até ela me ouvir.
Mas ouvir o que?
Passei a ir para o Canto Vega todas as noites, e esperar Esther todas as noites, agora ela havia comprado um carro e quase sempre dava partida e me deixava falando sozinha.
Em uma dessas noites, olhei para o meu relógio e vi que logo o restaurante fecharia. Desci do meu carro e fui até o estacionamento.
-- Ah! pelo amor de Deus, Carolina! -- Esther já apareceu me atacando. -- Sai da frente do meu carro agora!
-- Vamos conversar.
-- Não!
-- Dez minutinhos?
-- Nem um minutinho. -- Ela falou dando um passo para frente e eu não fiz qualquer menção de sair de onde eu estava.
-- Carolina… -- Ela suspirou aborrecida. -- Por que está fazendo isso?
-- Eu só acho que… Nós temos coisas pra conversar. -- Me embolei, porque eu estava fazendo aquilo? Não sei.
Por que ela estava me fazendo perguntas difíceis?
-- Não, não temos. Agora me dê licença. -- Disse me empurrando delicadamente para o lado a fim de abrir a porta.
-- Esther… Você não sente mais nada por mim? -- Falei segurando a porta e Esther se virou, parecia que eu finalmente tinha conseguido sua atenção.
-- Não Carolina, eu não sinto mais nada por você. -- Ela piscou algumas vezes.
Estava mentindo. Pelo menos eu queria muito acreditar naquilo.
Olhei para os lados, o que eu estava querendo? Me humilhando dessa forma?
-- Eu sinto que… Nós precisamos conversar.
Esther colocou as mãos no rosto, ela fazia isso quando estava altamente estressada, provavelmente, logo em seguida arrumaria o óculos nos olhos ainda que eles não estivessem tortos.
Sorri quando ela fez exatamente o que previ.
-- Carolina, me diz sinceramente, o que você quer falar comigo? O que você quer esclarecer? Eu me lembro exatamente de tudo o que aconteceu, com mínimos detalhes… O que você quer explicar?
Que eu sinto eu sinto sua falta.
Eu poderia dizer aquilo, mas não disse. Porque eu acho que palavras não eram o suficiente. Me aproximei um pouco e no instante que a vi dar um passo para trás, a puxei de um só vez de encontro a minha boca.
Não foi um beijo correspondido, pelo menos não nos primeiros cinco segundos. Depois… Bem, depois eu a senti derreter lentamente nos meus lábios, como sempre fez.
E como se o tempo nunca tivesse passado.
Suas mãos tocaram meus ombros com delicadeza, mas toda aquela delicadeza acabou quando fui empurrada com uma força que nem imaginei que ela tivesse.
Esther não olhava para nenhum ponto específico, sua respiração estava pesada e não demorou muito para que começasse a chorar copiosamente.
-- Esther… Tentei me aproximar.
-- FICA LONGE DE MIM! -- Ela gritou, parecendo transtornada. Tentou secar as lágrimas, embora ainda não tivesse parado de chorar e abriu a porta do carro. Não sem antes olhar pra mim.
E eu senti muita raiva naquele olhar.
-- Eu vou pedir pela última vez pra você parar de vir aqui e ficar me esperando, eu não quero ser vista com você, não quero você na minha vida, eu tenho vergonha do ser humano desprezível que você se tornou.
Prendi o ar, quando ela tinha ficado tão má?
-- Eu ainda sou a mesma pessoa Esther…
-- E você acha isso bom? Você só não foi o pior erro que me aconteceu até hoje porque… -- Hesitou e desviou o olhar.
-- Porque…? -- A repeti com expectativa.
-- Porque serviu pra eu me lembrar de nunca mais deixar uma mulher imatura e mau-caráter como você entrar na minha vida. -- Deu partida e desviou o olhar antes de me machucar mais um pouco. -- A melhor coisa que me aconteceu foi ter me afastado de você, a última coisa que eu quero é você de volta, então por favor ME DEIXA EM PAZ! -- Bateu a porta irada.
Só consegui voltar a respirar normalmente quando ela se afastou dali, cantando pneus. Engoli em seco, aquelas palavras me acertaram como facas. Senti que uma lágrima solitária ameaçava descer por meu rosto e imediatamente sequei.
Aquela não era mais a Esther que amei um dia e eu precisava aceitar aquilo.
Fim do capítulo
Comentar este capítulo:
jake
Em: 16/12/2025
Eita Carol mereceu.... Sempre foi FDP com aEster....
silverquote
Em: 20/12/2025
Autora da história
É, Carol ainda tem muito que aprender pra virar gente haha
[Faça o login para poder comentar]
satsuky
Em: 03/12/2025
Pqp essa doeu até em mim
silverquote
Em: 04/12/2025
Autora da história
Esther foi cruel, mas por outro lado a Carolina pisou feio na bola né?
[Faça o login para poder comentar]
Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook:
[Faça o login para poder comentar]