Capitulo 11
Capítulo onze
CAROLINA FONSECA
A festa estava fantástica, a produção sempre caprichava. Alguns convidados se encontravam sentados às mesas, sendo servidos pelos garçons, enquanto outros ficavam no bar.
Me sentei em uma das mesas com Aline, da redação e Raquel, que já estava segurando uma das muitas taças de vinho que provavelmente viriam a seguir.
-- Vai com calma loirinha… -- Olhei para ela, preocupada. Não seria a primeira vez que seus exageros causaram problemas em algum evento da empresa.
Raquel me encarou fazendo uma careta, como quem dizia que era um absurdo eu estar repreendendo-a. Balançou a cabeça negativamente.
-- Você não tem com o que se preocupar. -- Falou apenas e logo Aline chamou nossa atenção.
-- Vocês acreditam que aquela mulher disse que só vai conceder uma entrevista se dermos um espaço na coluna pra ela falar daquele filme que ela produziu há 20 anos atrás? -- Aline disse indignada olhando para o celular.
-- Ela deu o maior chilique quando recusamos. -- Raquel se empolgou rindo. -- Fala sério, ela devia agradecer por darmos alguma visibilidade quando ninguém se lembra dela na TV. -- Minha amiga disse depois de virar a taça de uma vez só.
-- Ah, que bobagem… Isso é só um ataque de estrelismo, cancele a entrevista que ela volta correndo. -- Resmunguei sem muito interesse no assunto. A verdade, é que minha atenção estava em outro lugar.
Bem ali no bar, não muito distante, eu conseguia observar através do espelho, uma mulher bebendo sozinha. Ela usava um coque alto e tinha os cabelos castanho-escuros. Vez e outra ajeitava o óculos de grau, como um tique nervoso.
É… ver Esther em mulheres aleatórias e em lugares aleatórios não era uma novidade para mim.
Mas aquela se parecia muito.
Apertei os olhos para tentar enxergá-la melhor, mas era difícil, a luz fraca do local também não ajudava.
-- O que você tanto olha pra moça do bar? -- Minha atenção se voltou para Raquel.
-- Me parece alguém familiar…
-- Hummm namorada? -- As duas mulheres riram e senti um nó na garganta.
-- Que? Não… Só um casinho do meu passado. -- Resolvi copiar Raquel e virei toda a bebida de uma vez só. Eu devo estar bem louca.
-- Hummm, conte-me mais sobre isso. -- Ela arqueou as sobrancelhas, curiosa e eu rapidamente desconversei. Aquele assunto já estava bem mais que enterrado.
Olhei novamente em direção a moça, mas ela havia desaparecido.
Sim, talvez eu realmente estivesse alucinando.
-- Carolzinha. -- Ouvi a voz de Tânia me chamando e me virei para trás. Ao seu lado, havia uma jovem de cabelos cacheados, em um tom castanho claro e olhos verdes destacados por uma sombra preta esfumada. -- Deixa eu te apresentar nossa nova fotógrafa, Jaqueline Medeiros.
Me levantei e abri um sorriso, eu não me envolvia com mulheres da empresa, mas também nunca perdia a oportunidade de despejar um pouco do meu charme, apenas por diversão.
-- Muito prazer, Carolina Fonseca. -- Dei dois beijos em seu rosto e me afastei para analisá-la melhor, devia ter uns vinte e seis ou vinte e sete anos, usava uma calça skinny preta e uma camisa branca 3x4 com estampa florida. Reparei em suas mãos com unhas bem feitas em um tom vermelho fosco e um anel consideravelmente chamativo na mão direita.
-- Namora? -- Perguntei encarando-a.
-- Carol! -- Tânia me censurou rindo.
-- Só estou perguntando. -- Ri de volta.
-- Estou noiva. -- Jaqueline respondeu. -- Ela está aqui inclusive, quero te apresentá-la. Ela é terrivelmente linda. -- Embora me considerassem um pouquinho amarga, não pude evitar de sorrir pela forma apaixonada que aquela mulher falava da própria noiva.
Notei que Raquel acenava para mim e já ia me despedir, quando uma mulher passou caminhando por nós duas com pressa e esbarrou na fotógrafa.
-- Amor! -- Jaqueline pareceu surpresa. -- Está tudo bem? Eu estava te procurando. -- Ela segurou a mulher pelos ombros e por um segundo, eu vi meu mundo parar. Eu nem precisava que ela virasse para mim para reconhecê-la.
Prendi o ar. Esther? Me perguntei silenciosamente.
Mas é claro que era Esther.
Jaqueline me despertou daquele transe instantâneo e eu sinceramente comecei a achar a voz dela um pouco irritante.
-- Essa é a minha noiva, Esther… Eu te disse que era linda, né? -- Ela se gabou, parecendo bastante orgulhosa.
Eu sei o nome dela, espera… Ela disse noiva?
Me recompus em uma velocidade recorde, Esther não esboçava nenhuma reação.
Noiva, noiva, noiva.
Aquela palavra ficava se repetindo em minha mente como se simplesmente não fizesse sentido algum.
Quer dizer… Realmente não faz sentido. Por que Esther se casaria com uma mulher daquelas? Aquela fotógrafa continuava tentando me apresentar a única mulher que me conhecia até do avesso. Como ela podia ser cega ao ponto de não perceber que Esther estava extremamente desconfortável?
Que seja, eu fiz questão de me aproximar dela, fiz questão de cumprimentá-la com um beijo no rosto. Como se aquela fosse a primeira vez que a via.
Acabei me esquecendo de Raquel momentâneamente. Estava hipnotizada por uma Esther que olhava para qualquer lugar, menos para mim. Ao fundo, a tal noiva dela falava com entusiasmo da recente mudança.
Então esse tempo todo ela esteve em Curitiba e que agora estaria trabalhando em um restaurante vegano não muito distante do prédio onde fica a revista.
Olhei-a com atenção, seus cabelos estavam presos em um coque frouxo no alto da cabeça e alguns fios caíam soltos pelo colo desnudo que a blusa branca com alguns detalhes dourados destacava.
6 anos atrás.
Encarei Esther que se encontrava sentada sobre meu corpo, tinha as mãos apoiadas na cama e se mexia vagarosamente sobre mim tocando nossos sex*s.
-- Humm você é perfeita, sabia? -- Falei apertando sua cintura.
Esther se inclinou e beijou meus lábios com vontade, aumentando o ritmo dos movimentos enquanto gemia baixinho contra minha boca até que sentisse nossos corpos tremerem de prazer.
Abracei seu corpo nu e desci minhas mãos por suas costas, respirei aquele cheiro tão dela e passei minha boca por aquela pele macia.
A observei se sentando novamente sobre mim e amarrando os cabelos em um coque. Alguns fios sempre escapavam, o que a deixava bastante aborrecida.
-- Meu Deus, como você é linda. -- Falei enquanto ainda tentava recuperar o fôlego.
Voltei a realidade e rezei para que ninguém percebesse o tipo de coisa que eu estava pensando.
-- Você tinha razão, ela é linda. -- Disse para Jaqueline.
-- É, essa mulher vale ouro. -- Jaqueline a abraçou e eu não pude evitar de sentir uma pontadinha no peito.
Ou no orgulho? Não sei.
Me despedi forçando um sorriso e me afastei dali indo em direção a Raquel. Tratei de afastá-la do bar e a levei para fora.
-- Deixa eu pegar a última dose e eu vou embora! -- Raquel resmungou com uma voz que já denunciava seu estado.
-- Sem chance loirinha. -- Falei abrindo a porta do carro. -- Vamos embora daqui, a festa acabou. -- A ajudei a entrar.
-- Não acabou… E você não pode ir embora, você é a dona da festa.
-- Exatamente, por isso eu posso tudo. -- Entrei e liguei o carro.
Raquel apoiou o queixo no banco do motorista e me analisou por alguns segundos. -- O que aconteceu Carol? Você tá com cara de quem viu um fantasma.
Quase isso.
Ri por puro nervosismo. -- Sei lá, minha pressão caiu, eu acho. -- Desconversei.
Minha amiga ainda tentou insistir para que eu contasse, mas acabou sendo vencida pelo cansaço enquanto eu dirigia em direção a sua casa.
Fim do capítulo
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