Capitulo 12
Capítulo doze
ESTHER MOTTA
Desci do carro de Jaqueline no estacionamento do meu prédio e tirei Lara de dentro, já adormecida. Por conta do evento, eu havia pedido para que ela ficasse na casa de Flávia para que eu pudesse acompanhar Jaqueline.
-- Esther… -- Minha namorada me seguiu enquanto eu ia em direção ao elevador. -- Está tudo bem? Você parecia meio estranha lá na festa…
A encarei e suspirei preocupada, Jaqueline sabia que eu havia sido casada com uma mulher anteriormente, também sabia que tivemos Lara juntas por um processo de inseminação.
Mas esse era o máximo de verdade que consegui contar. De resto, eu inventei uma história de que minha ex-esposa simplesmente não teve interesse nenhum na criança e desapareceu.
Bom, pelo menos uma parte disso era verdade.
-- Desculpa… Minha cabeça estava em outro lugar. -- Falei.
-- Quer que eu te deixe no hospital amanhã de manhã? -- Disse ela presumindo que eu estava preocupada com meu pai.
-- Não precisa meu bem, amanhã é o seu primeiro dia no trabalho.
Sai do elevador e entrei no apartamento que ainda estava um pouco bagunçado devido a mudança. Coloquei minha filha no quarto dela e voltei para a sala, para conversar com Jaque.
-- Desculpa por não ter sido a melhor companhia hoje. -- Pedi com sinceridade, aquele dia era para ser dedicado a ela e a presença de Carolina me fez perder completamente o foco.
-- O importante é que você estava lá. -- Jaqueline se aproximou me pegando pela cintura. -- E de qualquer forma eu também não pude te dar muita atenção.
-- Não tem problema, era um dia pra você conhecer seus colegas mesmo.
-- Pois é, eu gostei muito do pessoal. -- Falou sorrindo. -- Até a dona da empresa, a Carolina, eu ouvi boatos de que ela era insuportável, mas ela foi bem simpática comigo.
Desviei o olhar, esse assunto não, por favor. Pedi mentalmente. Mas ela continuou.
-- Ela só parece ser meio cafajeste. -- Ela deu risinho. -- Quero dizer… Quando fomos apresentadas, ela pareceu se insinuar pra mim, e depois que apresentei você, ela ficou te secando a noite inteira. -- Jaque forçou um tom de voz leve, mas sabia que essa última parte havia deixado-a incomodada.
Arregalei os olhos. Me secando? Ela provavelmente estava me fuzilando com o olhar, isso sim. Eu desapareci e a bloqueei em todas as redes sociais, e minha família certamente a tratava com o máximo de hostilidade possível.
Mas eu não podia falar isso pra minha namorada.
-- Eu comentei com as meninas do setor de Design e elas disseram pra tomar cuidado, porque ela sempre consegue quem ela quer. -- Falou rindo. -- Essa mulher deve se achar dona do mundo.
Bufei um pouco irritada. Não sei se por ter que ouvir sobre a minha ex enquanto tentava esquecê-la, ou se por saber que ela estava ainda mais cafajeste do que era antes.
-- Chega de falar da sua chefe. -- A puxei de encontro ao meu corpo e ela me beijou daquele jeito apaixonado que sempre me fazia derreter.
Desabotoei sua camisa e suspirei com a visão dos seios cobertos com um sutiã preto rendado, deslizei meus dedos por aquela barriga definida.
-- Uau! -- Ela falou sorrindo enquanto meus beijos passeavam do seu pescoço até o colo. Me empurrou em direção ao sofá. -- Assim eu não resisto… -- Falou em tom baixo, enfiando as mãos por baixo do meu vestido e apertando minhas coxas com delicadeza. Gemi com o contato.
-- Você quer aqui mesmo? -- Ela me perguntou com a boca colada a minha, se referindo ao sofá onde eu estava sentada e ela inclinada e frente para mim. Seu hálito ainda cheirava a champagne.
Molhei os lábios e meneei com a cabeça confirmando.
Jaqueline me beijou com vontade enquanto puxava minha calcinha por baixo do vestido. Ela sabia onde me tocar, mas por algum motivo não estava funcionando daquela vez.
Não tinha nada de diferente, era eu.
Precisava me concentrar, precisava sentir. Mas assim que fechei os olhos, a lembrança do perfume cítrico, dos lábios dela encostando no meu rosto, do seu sorriso enigmático, vieram com tudo e eu senti meu estômago revirar.
-- Esther? Ei… amor? -- Percebi que Jaque havia parado o que estava fazendo e me olhava preocupada. -- Te machuquei?
Encarei minha noiva, seu olhar assustado me tirou do transe.
-- Que? Não, claro que não… Por que?
-- Você está chorando…
Esfreguei meu rosto até ficar vermelho. Meu deus… Eu estava mesmo.
-- Ei… Calma. -- Ela disse devagar, no meu ouvido. -- Você está com muitas coisas na cabeça, a mudança, o trabalho novo, seu pai…
Fiquei em silêncio me sentindo péssima, porque eu sabia que aquelas lágrimas não tinham a ver com nada daquilo.
-- Não precisamos fazer nada hoje. -- Ela beijou meu rosto com carinho. -- Vamos para o quarto?
Acenei com a cabeça e a segui em direção a cama. Só sei que deitei e apaguei quase no mesmo instante. Não antes de sentir os braços da minha noiva me envolverem em um abraço. Acordei no dia seguinte com ela correndo de um lado para o outro. Atrasada, provavelmente.
Me espreguicei na cama, como o restaurante só abria a noite, eu tinha as manhãs e tardes livres. -- Você demorou pra dormir? -- Resmunguei com os olhos ainda semicerrados pela luz.
Jaqueline sorriu e terminou de guardar a câmera dentro da bolsa. -- Sim… É o primeiro dia, você sabe como fico ansiosa. -- Se aproximou e me deu um selinho. -- Tchau, te amo.
-- Também te amo, bom trabalho. -- Respondi vendo ela sair rapidamente pela porta.
Respirei fundo pensando em como provavelmente ela veria Carolina e senti uma nuvem negra pairando sobre a minha cabeça.
Durante todos aqueles anos, eu tratei de apagar a existência daquela mulher da minha memória, e isso incluía jamais procurar por ela na internet ou redes sociais. Mas agora eu precisava saber.
Peguei meu celular e pesquisei por “Diretora Azzo Magazine” e imediatamente alguns resultados surgiram na tela.
Ela não era uma celebridade, mas vivia rodeada de pessoas que eram. Bastava buscar por colunas sociais que lá estava ela.
Senti um nó na garganta a cada foto que passava na tela.
Em que momento você se tornou isso Carol? Não… Como eu fui burra, ela sempre foi isso.
Festas e mais festas, escândalos, álcool, drogas, mulheres.
Fechei a aba de pesquisa, chocada.
-- Eu só devia sentir desprezo por você… -- Pensei com meus botões.
Fechei os olhos e respirei fundo constatando que definitivamente, minha filha não tinha perdido nada e Carolina era o último tipo de exemplo que eu gostaria que ela tivesse na vida.
Fim do capítulo
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