Capitulo 9
Capítulo nove
CAROLINA FONSECA
Sábado, tarde da noite, entrei no meu apartamento acompanhada de uma bela morena, Jéssica era seu nome. Mal consegui fechar a porta e ela me agarrou por trás, me beijando o pescoço e desabotoando minha blusa com pressa.
Me virei encarando seus olhos amendoados e sua boca carnuda, era uma mulher deslumbrante, além de ser uma companhia extremamente agradável. Obviamente aquilo era tudo o que eu sabia sobre ela, afinal havia acabado de conhecê-la.
Admirei os seios redondos cobertos por um soutien de renda na cor preta e mordi o lábio.
Eu definitivamente tenho uma tara por lingerie preta.
A joguei na cama e comecei a espalhar beijos naquela pele quente que exalava um cheiro gostoso, em um movimento rápido subi sua saia e encaixei minha coxa entre suas pernas, vendo com satisfação ela soltar um suspiro excitado.
Quando suas mãos deslizaram pela minha barriga e começaram a desabotoar minha calça, pude notar a aliança dourada na mão esquerda e imediatamente meu corpo retesou.
-- Você é casada?! -- Perguntei franzindo a testa e ela arregalou os olhos e sorriu como se aquela fosse uma pergunta absurda.
-- Sim… Você tem algum problema com isso?
-- Tenho. -- Me levantei voltando a abotoar minha camisa.
-- Eu achei que você curtia “lances casuais”. -- Jéssica repetiu a expressão que eu havia usado mais cedo, com deboche. -- Fica calma, meu marido não se importa.
-- Não é essa a questão. -- Ajeitei meu cabelo que estava desalinhado. -- A questão é que eu não me envolvo com mulher casada. -- Fui em direção a porta e abri. -- Melhor você ir.
Assim que a morena passou por mim, tentou me convencer a deixá-la ficar, em vão.
Fechei a porta me joguei no sofá aborrecida por ter perdido a noite e me repreendendo por entre tantas mulheres bonitas, ter escolhido justamente uma que era casada para cobiçar.
Quando Esther foi embora, eu continuei minha vida exatamente do jeito que estava antes.
Demorou cerca de seis meses para que eu saísse da casa que morávamos e ficar ali de fato não me fez nada bem. Todas as vezes que eu chegava no quarto que dormíamos, me lembrava dos lençóis sujos e do choro da minha agora ex-namorada dentro do banheiro.
Quando deixei o local, dali levei apenas o porta-retrato com uma foto dela, sorrindo. Eu mesma havia batido aquela imagem, foi alguns dias depois dela me contar que estava grávida, eu tinha intenção de tirar uma foto a cada mês, para termos a evolução registrada.
Infelizmente, só teria aquela recordação do primeiro e último mês.
No novo apartamento, coloquei a imagem na mesa de centro da sala. Era uma história que havia chegado ao fim, mas algo dentro do meu coração me dizia que eu nunca mais amaria outra mulher como amei Esther.
Eu tinha necessidade de mantê-la ali para me lembrar que um dia eu amei e fui amada por alguém. Porém os anos se passaram e aquilo realmente começou a me incomodar, eu lá no fundo me preocupava em terminar o resto dos meus dias sozinha.
-- Talvez você precise deixar o passado no lugar que ele pertence. -- Minha terapeuta falou depois de ouvir as mesmas lamúrias de sempre. Eu a encarei confusa. -- O passado pertence ao passado Carolina.
No último ano, me mudei novamente, desta vez para um flat no centro da cidade, e dessa vez, o retrato de Esther, os papéis da separação que recebi por correio e a aliança que deixei de usar no fatídico dia foram parar dentro de uma gaveta esquecida no meu quarto.
Não tão esquecida como eu gostaria, em alguns momentos eu me pegava remexendo naquelas lembranças.
O domingo tinha chegado em um piscar de olhos, às 18h minha amiga já estava em casa, vestida para matar, com um vestido vermelho e os cabelos soltos caindo pelos ombros.
-- Você atrai esse tipo de mulher. -- Raquel me disse depois de me ouvir contar sobre a mulher casada com quem eu quase tinha passado a noite. -- Eu não entendo porque uma pessoa se casa e depois traí, sei lá… É a coisa mais repugnante da face da terra.
Respirei fundo e desviei o olhar, é, ainda que Raquel fosse minha melhor amiga, ela não sabia sobre Esther. Ninguém que fosse minimamente presente na minha vida sabia sobre meu casamento fracassado e eu não fazia a menor questão de contar.
Estava deixando o passado onde ele pertencia.
-- Você tá bem? -- Mudei de assunto percebendo que minha amiga estava um pouco abatida, o que não era comum.
-- Uma dorzinha de cabeça só.
-- Na noite da festa? Eu tenho um remédio ali na cômoda, pode pegar.
-- Ai obrigada miga. -- Ela disse indo até a gaveta e puxando de uma só vez. Eu imediatamente fui em sua direção. -- NÃO ESSA! -- Gritei fechando-a. -- Na cômoda ali do lado. -- Abaixei drasticamente o tom de voz notando que eu havia me excedido.
Raquel arregalou os olhos, obviamente estranhando minha atitude. -- Okay… -- Falou abrindo a outra gaveta e pegando os comprimidos. -- O que tem nessa gaveta que eu não posso ver? Um strap-on? -- Riu e eu revirei os olhos.
-- Não… O strap-on fica no armário. -- Brinquei na intenção de amenizar o clima.
-- Ai que horror Carol, eu não quero saber! -- Ela respondeu fazendo uma careta.
Assim que Raquel melhorou, entramos no carro a caminho do bar que naquele dia fecharia para a festa de boas-vindas aos rostos que fariam parte do futuro da Azzo Magazine.
O que eu definitivamente não esperava era encontrar ali, um rosto que havia sido parte do meu passado.
Fim do capítulo
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