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Entre nos - Sussurros de magia por anifahell e Yennxplict

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Palavras: 3258
Acessos: 70   |  Postado em: 25/11/2025

DNA, Desejos e Desvios

O cheiro de café fresco invadia a cozinha, se misturando com o som da chaleira elétrica que apitava insistentemente. A manhã estava clara, e as cortinas meio abertas deixavam faixas de luz dourada atravessarem o cômodo, riscando o chão e refletindo nos azulejos. Lia estava sentada à mesa, segurando uma caneca grande. O vapor subia em espirais, acompanhando o movimento ansioso dos dedos dela batucando contra o celular.


Elisa surgiu, ainda enrolada no lençol, cabelos desalinhados, mordendo o lábio enquanto observava a expressão tensa da Fênix.


— Você acha que… — Elisa cruzou os braços — É muito cedo pra falar com a Penélope?


Lia suspirou, segurando o olhar da nefilin. A lembrança do que tinha que resolver vindo com tudo.


— Não sei… Acho que não. — apertou o celular entre os dedos, observando Elisa, que parecia ainda mais bonita naquela manhã. — De qualquer forma, não quero esperar mais, fingir que isso vai se resolver sozinho. 


— Então, manda uma mensagem. — Sugeriu, tentando incentivar. 


Lia hesitou por alguns segundos e depois começou a digitar.


"Oi, Penélope. Bom dia! Tudo bem? Você poderia me ajudar com um assunto… delicado?"


Pouco após apertar em enviar a mensagem, o celular começou a vibrar com uma chamada.


— Que rápida… — Lia deu um leve sorriso, respirando fundo antes de atender. — É ela. 


Do outro lado, a voz firme, arrastada e dona de si da líder das Demunnus preencheu o ambiente com uma mistura de autoridade e ironia carinhosa.


— Eu estava esperando que você me procurasse… — Penélope não deu nem tempo de um "alô" — Desde que a Hope me contou sobre tudo, inclusive… parabéns pela gravidez.


Lia ficou muda por um segundo, piscando, olhando o nada. Elisa apenas assistia atenta.


— Mas é claro que você já sabe… — Lia respondeu, mordendo o canto da boca, meio constrangida. — Obrigada… eu acho.


Penélope foi direta como sempre.


— Sobre a corrupção no seu sangue… talvez uma das minhas meninas consiga te ajudar. — A voz dela ficou mais baixa, mas carregada de intenções. — Apareça aqui hoje à noite. 


E desligou.


Seco. Sem espaço para perguntas.


Lia olhou o celular como se ele tivesse acabado de ofendê-la pessoalmente.


— A Penélope… — Lia direcionou o olhar para a neflilin que a observava com curiosidade. — Quer que eu vá lá hoje à noite. Disse que talvez uma das bruxas dela possa me ajudar.

— E você vai, certo? — Elisa perguntou, sentando no sofá, esperando que a resposta fosse sim. Lia sentou no sofá também logo em seguida, não muito distante. 

 

— Vou… Afinal, no momento, eu não tenho muita escolha. Se fosse somente eu… Mas, sabendo… Bom… — Olhou em direção à barriga, que naquele momento, não conseguia ver diferença alguma no tamanho ou formato. Elisa olhou junto. — Enfim… Preciso resolver logo isso. 


Elisa ajeitou o lençol no corpo, cruzando uma perna sobre a outra no sofá, com aquele ar de quem tenta parecer casual, mas claramente está fervendo por dentro.


— Vai dar tudo certo. Vai ficar tudo bem… — Ela disse, as sobrancelhas fincadas de preocupação, mas um leve sorriso tentava transmitir confiança.


Lia devolveu o sorriso com carinho, o olhar um pouco perdido pensando em toda aquela situação. Ficaram em silêncio por um momento, até que a Nefilin quebrou o silêncio.


— Ah, Lia… Queria te dizer que hoje eu volto pra Wicca.


Lia virou o rosto na direção dela, franzindo as sobrancelhas. 


— Elisa, você tem certeza disso? Seus ossos mal colaram e você quer trabalhar? — Temia parecer protetora demais, mas não achava que ela estava recuperada o suficiente. 


— Quero, preciso, não posso ficar aqui me escondendo. Além disso… — Ela soltou um suspiro teatral — Com Ariel de férias, sem a Patricia, com a Petúnia afastada, … alguém precisa ajudar a salvar aquilo lá.


Lia apertou os olhos, cruzando os braços. 


— Eu poderia… sei lá… te amarrar numa cadeira? 


— Amor, não me tenta. — Elisa arqueou a sobrancelha, aquele sorriso no canto da boca que Lia conhecia bem.


— Você é impossível. Tô falando sério. Fico preocupada com você. — No entanto, Lia levantou, caminhou até uma prateleira onde estavam alguns grimórios, pegou um frasco de sal negro, sentou na bordinha do sofá e começou a traçar um feitiço no ar. Elisa a observava, confusa. — Tá… Se você quer voltar a trabalhar, eu posso lançar um feitiço de glamour. Esconde as marcas. Mas não resolve dor, nem desconforto. E você sabe que isso é só aparência.


— Serve. Preciso levantar? — Antes de receber resposta, Elisa se levantou, deixando o lençol escorregar um pouco até a metade dos seios, o suficiente para fazer Lia perder o traçado de uma das runas enquanto observava a pele exposta. Elisa fingiu não perceber a olhada. — E quanto tempo dura esse feitiço de glamour?


Lia terminou o feitiço após recobrar o foco, linhas em tom dourado surgiram sob a pele do braço e do colo da Nefilin, brilhando por alguns segundos antes de desaparecerem. 


— Enquanto eu pensar em você. — Respondeu Lia, deslizando os dedos no próprio quadril, jogando charme sem se dar conta. — Pode sentar, já acabou. 


Elisa sentou, próxima demais. Segurou o queixo de Lia e colou os lábios nos dela, num beijo lento, arrastado. 


— E você… — sussurrou, ainda contra os lábios dela — deixa de pensar em mim em algum momento? 


— Nunca. — Lia respondeu, a voz falha, quase engolindo o ar. 


O beijo então continuou, quente e sem pressa. As mãos de Lia, no entanto, tinham pressa. Puxou Elisa para perto pela cintura, as mãos se apossando das curvas cobertas pelo lençol fino que ainda protegia o resto do corpo da Nefilin. 


Se não fosse por Elisa a afastando levemente, aquele beijo teria virado algo muito mais impróprio.


— Não posso continuar, mesmo que eu queira. Não costumo me atrasar. Você sabe… — Elisa parecia arrancar forças para negar o contato, mas levantou do sofá e ajeitou o lençol no corpo como pode. 


— Hum… — Lia murmurou, contrariada. — Você é tão certinha. — Falou sorrindo, deitando no sofá de bruços. 



— Não começa… — Elisa retrucou, já a caminho do corredor, mas ouviu Lia a chamar e parou no caminho. 



— Ah, Elisa… — Lia levantou e deu alguns passos para alcançar a outra. — Não esquece… fala com a Ísis, tá? Sobre… O Enzo. 


— Não se preocupe. Eu não conseguiria esquecer. Vou falar assim que possível. — A tranquilizou, estirando a mão para fazer um carinho no braço de Lia.


— Tá bem, agora vai tomar seu banho. Não quero depois que diga que eu te atrasei. — Lia falou sorrindo e dando um empurrãozinho de leve no braço da Nefilin, a colocando em direção ao corredor. 



****


O prédio da Wicca pulsava com uma energia caótica. O noticiário especulava absurdos. Os boatos sugeriam que havia uma maldição pairando sobre a empresa. Elisa mal havia sentado na própria cadeira e já estava atolada em e-mails, telefonemas, reuniões canceladas, outras emergenciais.


No meio desse furacão, sua mente não conseguia se desligar do assunto que realmente importava: Enzo.

Por longos segundos, encarou o celular, o chat de Ísis aberto. Digitou: “Preciso falar com você.”, mas apagou em seguida. 


Não sabia qual era a melhor forma de fazer aquilo. Por fim, respirou fundo e preferiu ligar. 


Na quarta chamada, já prestes a desistir, Ísis atendeu:


— Elisa? Desde quando você me liga em horário comercial? — A voz da bruxa surgiu animada do outro lado da linha, demonstrava uma surpresa que era palpável.


Elisa deixou escapar uma risada nervosa.


— Pois é... nem eu acredito. Mas… bom… Tenho uma coisa importante para falar com você, que não poderia esperar mais. A gente precisa conversar, Ísis. 


— Certo, pode falar, então! Estou curiosa. — Ísis respondeu, com tom calmo, mas sentiu imediatamente o corpo ficar rígido. O tom de Elisa não era casual e isso a preocupou por um momento. 


— Não por aqui… Acho que precisa ser pessoalmente. Você se importa? 


— Não, tudo bem. Um almoço? — A curiosidade agora se transformava em uma preocupação real. 


— Pode ser… aquele restaurante novo no centro? 


— Claro. Te encontro lá em trinta minutos. 


— Certo, até já. 



****

Elisa já estava na mesa, mexendo distraída no canudo do suco quando percebeu Ísis chegando. A bruxa surgiu elegante como sempre, atravessando o salão com aquele andar seguro, provocante, que parecia dobrar o espaço ao redor dela.


Se cumprimentaram com um abraço apertado e um beijo no rosto.


— Então… — Ísis sorriu, cruzando as pernas, olhando diretamente nos olhos de Elisa. — O que fez a CEO da Wicca abandonar o escritório no meio do caos corporativo? Estou realmente curiosa. 


— Eu… não sabia se você ia querer vinho… — Elisa apontou ambos os copos de suco na mesa — Então pedi suco, para nós duas.


— Que responsável sua parte, obrigada… —  Ísis apoiou o queixo na mão, sorrindo.  — O que foi que aconteceu, hein? Esse suspense todo tá começando a me assustar. 


Elisa respirou fundo. Precisava falar logo, mas não encontrava forma de começar. Começou por onde conseguiu.


— A Lia… A Lia tá grávida. — Soltou de uma vez, a voz um pouco mais aguda do que gostaria.


Ísis piscou. E piscou de novo.


— Desculpa… o quê?


— É isso mesmo que você ouviu. — Elisa se ajeitou na cadeira, desconfortável — E... bom… ela não ficou com homem nenhum. Só comigo. — Fez uma pausa, quase dramática. — E aparentemente… eu posso engravidar pessoas.


O silêncio que se instalou entre elas foi pesado. Ísis tentava assimilar o que ouvia.


— Tá. E... — Ísis apertou os olhos — Vocês querem o quê? Que eu seja madrinha? — Tentou aliviar, meio sem saber como reagir.


— Não! — Elisa respondeu tão rápido que quase derrubou o copo. — Quer dizer… você seria uma ótima madrinha. Mas não é sobre isso. É que, você lembra daquela vez… daquelas vezes que a gente... — Elisa gesticulava, nervosa — Eu mudei… com você. Você lembra? 


Ísis levou alguns segundos pra entender. E então as lembranças vieram em ondas quentes, a fazendo corar. Como não lembrar?


— Não… — Ísis falou e respirou fundo, segurando o copo com força. — Elisa, não tem como. 


— A gravidez da Lia diz o contrário. E Ísis… — Elisa segurou as mãos dela, olhando nos olhos — Se o Enzo for meu filho também… ele é um Delmare. E se ele for, eu... eu quero que ele saiba. 


Por um segundo, Ísis perdeu o chão. Não era que a notícia fosse ruim. Pelo contrário, saber que Enzo poderia ser filho de alguém tão próximo e não de um cara qualquer a deixava profundamente aliviada. Mas com isso, vinham muitas outras questões. 


— Elisa… — Ela apertou a mão da nefilin, com cumplicidade. — Se isso for verdade… a gente precisa saber. 


— Podemos fazer um exame de DNA. — Elisa sugeriu, se sentindo apreensiva.  — Se você não se importar… 


— Claro! Não me importo… Faremos o mais rápido possível. — Ísis decidiu.


A tensão entre elas foi se dissolvendo aos poucos. As duas respiraram, riram meio nervosas, e até brincaram com a possibilidade, totalmente absurda, de que os outros dois filhos de Ísis também fossem da Elisa.


Terminaram o almoço falando de maternidade, de Lia, da vida, do caos, de feitiços e de amor, aquele tipo de amor torto, bagunçado, cheio de rachaduras, mas que ainda assim sustentava o universo delas.


Na saída, Ísis olhou para Elisa, apoiando a mão no braço dela.


— Ei, você me leva na casa da Ariel?


— Claro. — Elisa respondeu sem pensar.



****

O cheiro de alho e manjericão tomava conta da cozinha quando Ísis chegou à casa da Ariel. A portaria do prédio, como de costume, não ofereceu resistência, Ísis já fazia parte daquele círculo íntimo, anunciado ou não. Subiu direto, parando apenas para tocar a campainha da porta.


Quem atendeu foi Ana, sorridente, vestindo uma regata preta de alcinhas e um short curto que denunciava que ela estava completamente à vontade.


— Ísis! — Ana abriu um sorriso largo — Tudo bem? Vem, entra! — disse, puxando a porta e dando passagem.


— Oi, Ana… Tudo bem, sim… Nossa, que cheiro bom. — Ísis sorriu, deslizando o olhar pelos detalhes da casa, reparando como aquele lugar transbordava uma mistura de magia, desordem e aconchego. — E você, tá bem? 


— Tô bem! Tô fazendo lasanha… — Ana respondeu animada, mexendo o molho na panela — Ariel já deve ter saído do banho. Sobe lá se quiser.


Ísis apenas assentiu com um sorriso meio enviesado e seguiu. Parou na porta do quarto e bateu de leve.


— Pode entrar, Ana! Você sabe que não precisa bater… — Ariel respondeu lá de dentro, a voz abafada e descontraída.


— Não é a Ana. — Ísis respondeu, apenas, com aquele tom grave e carregado de intenção.


O som de objetos caindo ecoou dentro do quarto, tropeções apressados, gavetas batendo, alguma coisa deslizando no chão, até que a porta se abriu com Ariel do outro lado, enrolada numa toalha branca, ainda com gotas de água escorrendo pela pele, cabelos úmidos grudando nos ombros.


Por um instante, nenhuma das duas falou nada.


Ariel mordeu o lábio inferior, desconcertada com o olhar da mais velha sob ela.


— Oi, Ísis… — disse por fim, com um meio sorriso — Entra.


Ísis entrou, sem disfarçar os olhos que escorriam lentamente pelo corpo de Ariel, do pescoço até as coxas nuas à mostra sob a toalha.


— Desculpa… Eu não queria te atrapalhar, é que… a Ana falou que você já tinha terminado o banho. — Ísis explicou, embora sua voz saísse mais baixa do que o normal.


— Ah, já terminei, não se preocupe, só não… me vesti ainda. — Ariel respondeu, puxando a ponta da toalha, talvez para ajustar, talvez só para provocar.


O olhar de Ísis foi fisgado, imediatamente, por uma marca avermelhada no pescoço da jovem, dentes, provavelmente. Ela reconhecia aquele tipo de mordida. Era fresca. De Ana? Mas ela se segurou. Engoliu o comentário que subiu até a garganta.


— E então… Aconteceu alguma coisa? — Ariel perguntou, sentando na beira da cama, cruzando as pernas, fazendo a toalha subir perigosamente na coxa.


Ísis respirou fundo, passou a mão no próprio cabelo, e soltou de uma vez, sem rodeios. 


— Talvez o Enzo seja filho da Elisa.


Ariel piscou. A expressão dela era uma mistura impecável de choque e descrença. 


— Hã? Mas… o Enzo não é... SEU filho? — arregalou os olhos.


Ísis soltou um suspiro cansado.


— Sim, mas… Então, a história é longa. — sentou-se na cama também, bem perto de Ariel, as coxas quase se tocando — A Lia tá grávida.


— Pera. O quê? — Ariel franziu a testa.


— É. Grávida. — Fez uma pausa breve. — Da Elisa. — Ísis deixou as palavras escorrerem, observando o rosto de Ariel ficar pálido, depois corado, depois transtornado.


— COMO? — Ariel quase levantou, segurando a toalha no susto.


— Nefilins não têm gênero fixo, você sabe… — Ísis respondeu, com aquele tom paciente de quem explica o básico, embora não houvesse nada básico naquilo — A Elisa… bom, ela pode mudar a forma física. E aconteceu. A gente percebeu a possibilidade e... bem… se isso for possível, talvez o Enzo também seja filho dela.


Ariel ficou alguns segundos completamente muda. 


— Meu Deus do céu. Isso aqui virou uma novela mexicana… — Soltou após o momento introspectiva, passou a mão no rosto ainda assimilando — A Lia… grávida da Elisa. E talvez você também já esteve grávida dela. Isso tá… surreal até pra gente.


Ísis soltou uma risada curta.


— Achei que a essa altura a Lia já teria te contado.


Ariel deu de ombros. 


— Eu tô dando um gelo nela desde… bom, desde aquele rolo todo. Não atendi, nem visualizei as mensagens… Mas, droga, preciso falar com ela agora.


E sem esperar, Ariel pegou o celular e começou a discar.


— Achei que você nunca mais ia falar comigo. — a voz da Lia atendeu, meio manhosa, meio aliviada.


— Eu ia voltar… você sabe disso… — Ariel respirou fundo — Mas como assim você tá grávida? — foi direta, como sempre.


— Como você ficou sabendo? — Lia devolveu, claramente em choque.


— A Ísis me contou. E me contou também que talvez ela e a Elisa tenham… feito um filho também. — Ariel largou de vez qualquer filtro.


Do outro lado da linha, Lia soltou uma risada.


— Passou pela sua cabeça que eu poderia não saber disso?


— Se não sabia, agora já sabe! Seu filho pode já ter um outro irmão! E eu que achava que não dava mais pra esse rebuceteio me surpreender…


As duas riram, aliviando a tensão por alguns segundos. Ísis assistia tudo com os braços cruzados, um sorrisinho divertido no canto dos lábios, enquanto acompanhava Ariel andando pelo quarto enrolada na toalha, gesticulando, tropeçando, rindo e xingando, tudo ao mesmo tempo.


— Mas como você tá, Lia? De verdade? — Ariel perguntou, baixando um pouco o tom.


— Sinceramente? Não muito bem. Tô com aquele… aquele vírus mágico. A corrupção divina no meu sangue. A situação é séria, Ariel. Mas a Penélope vai tentar me ajudar hoje à noite. — Lia respondeu, com um tom que misturava medo e esperança.


— Então eu vou com você. Sem discussão. — Ariel decretou e encerraram a ligação.


Ísis, da cama, arqueou uma sobrancelha, cruzou uma perna sobre a outra.


— É engraçado te ver bancando a séria, enrolada nessa toalha. — Comentou, divertida. 


Ariel olhou pra ela, de canto, e sorriu de volta, um sorriso que tinha mais de provocação do que de simpatia.


— Eu já vou me vestir. — informou, andando até o closet.


Mas fez questão de largar a toalha no chão no caminho, fingindo naturalidade, e caminhou nua até dentro do closet. Sabia exatamente o ângulo em que o espelho batia e sabia exatamente que Ísis a observava dali, com olhos que queimavam.


O corpo de Ariel parecia feito sob medida para provocar. As costas nuas, a curva do quadril, a bunda perfeitamente delineada. Ísis a observou pelo reflexo, segurando a vontade de ir atrás.


Dentro do closet, Ariel pegou um short leve e uma blusa solta, deliberadamente sem calcinha ou sutiã. Vestiu-se e voltou, casual, como se nada tivesse acontecido.


— Vem. A Ana tá terminando o almoço. — falou, passando por Ísis e roçando levemente o ombro nela.


Ísis respirou fundo, praguejando em silêncio por dentro, mas seguiu.


Na cozinha, Ana estava tirando a lasanha do forno, com o rosto iluminado pelo calor e os cabelos presos de qualquer jeito. Sorriu ao ver as duas.


— Pronto, gente! E eu fiz com quatro queijos, do jeitinho que você gosta, Ariel. — disse, enquanto ajeitava os pratos na mesa.


Ísis recusou a comida, mas ficou. E ficou porque queria. Ficou porque, por mais que odiasse admitir, estar ali, naquela dinâmica desconcertante, fazia seu corpo e sua mente sentirem algum conforto. Um tipo estranho de pertencimento que ela não esperava encontrar. 


A conversa rolou solta entre risadas, provocações e silêncios cheios de subtexto.

 

E ali, naquela mesa, com lasanha, vinho e segredos pairando no ar, o tempo passou tranquilo como se não tivesse pressa de passar.

Fim do capítulo


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