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Entre Votos e Silencios por anonimo2405

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Palavras: 8137
Acessos: 368   |  Postado em: 23/11/2025

O Primeiro Passo

3 semanas depois… Cemitério da Consolação — 07h12 da manhã

A neblina ainda estava baixa, estendendo-se como um véu pálido sobre as alamedas estreitas. Entre os túmulos antigos, mármore e musgo conviviam em silêncio — como se o tempo ali dentro obedecesse a outra lógica, mais lenta, mais dura.

Verena caminhou até a lápide da avó com passos meditativos, as mãos nos bolsos do sobretudo escuro. Não era um lugar que visitava com frequência — mas era o único onde conseguia ficar em paz o suficiente para pensar. E hoje… precisava pensar.

A superfície fria do mármore trazia o nome gravado em letras antigas, quase aristocráticas. A mulher que a criou. A única que ela, no fundo, ainda temia decepcionar. Verena encostou os dedos na borda da lápide, respirando fundo. O ar da manhã tinha cheiro de terra úmida e eucalipto. E, por um instante, ela permitiu que o silêncio lhe dissesse verdades que passava semanas evitando.

— Hoje começa… — Murmurou, sem adornos. — A parte que eu não posso fugir.

A voz saiu baixa, rouca, como se temesse ser ouvida. Ela se abaixou devagar, apoiando o joelho na terra levemente fria, e tirou os óculos escuros. Os olhos estavam cansados — do tipo de cansaço que nem o sono resolve.

— Oi, vó… — Disse, enfim, num fiapo de voz que ninguém mais teria ouvido. — Desculpa não ter vindo antes.

As palavras ficaram suspensas no ar frio. Ela inspirou devagar, como quem prepara o corpo para dizer verdades difíceis.

— Hoje começa o processo. — Um sorriso curto, duro, escapou. — Vão me encher de hormônios por dias, me virar do avesso, arrancar o que quiserem de dentro de mim…

Pausou.

— E eu vou fingir que tudo isso é escolha minha.

Silêncio.

A brisa mexeu uma mecha solta do cabelo. Verena ajeitou atrás da orelha — um gesto pequeno, mas que denunciava inquietação.

— A Silvia está… radiante. — O olhar se desviou para o chão. — Ela tem aquela alegria… aquela esperança que eu já devia ter, mas não tenho.

A boca se curvou num sorriso amargo. 

— E eu… eu estou com medo. Medo de não conseguir sustentar nada disso. Medo de quebrar ela de novo. 

Um minuto inteiro se passou. Verena apoiou uma mão na pedra, inclinando-se levemente, como quem busca algum tipo de amparo físico.

— Eu estraguei tanta coisa nos últimos meses. — A admissão saiu limpa, precisa. — O que fiz com a Valentina… o que fiz com a Silvia…

Fechou os olhos por um instante. — Não tem um único lado dessa história que eu consiga olhar sem sentir vergonha.

A sinceridade não a deixava menor. A deixava mais humana — e por isso mesmo, mais perigosa. O celular vibrou no bolso. Verena tirou devagar, sem a pressa habitual.

Silvia:
“Bom dia, amor. Já estou me arrumando. Te encontro na clínica às nove?”

Verena ficou olhando a mensagem como quem observa um incêndio distante — sabendo que está indo na direção dele. Nenhuma cobrança. Nenhuma mágoa escrita. Apenas o tipo de delicadeza que, nela, sempre foi culpa.

Digitou com calma:

“Às nove amor.”

Enviou.

Verena passou as duas mãos pelo rosto, como se tentasse reorganizar a própria alma.

— Eu não sei como sair disso, vó. — A confissão, enfim, saiu. Crua. — Não sei quem eu me tornei nos últimos meses. —  Respirou fundo. — Só sei que hoje começa algo grande… e vou ser obrigada a seguir até o fim.

Ela se levantou devagar, o sobretudo caindo até o joelho, o olhar firme e devastado ao mesmo tempo.

— Me ajuda a não fazer mais besteira — Sussurrou, com um sorriso cansado. — Ou pelo menos… a controlar o estrago.

Ajeitou o colarinho, colocou os óculos e guardou o último resquício de vulnerabilidade dentro de si — como sempre fez. E sorriu. Um sorriso perfeito, perfeitamente ensaiado.

— Vamos lá. — Disse para a lápide. — Hoje começa o show.

E caminhou pelo corredor de túmulos como quem se prepara para entrar em cena — sabendo que, desta vez, talvez não exista aplauso nenhum no final.

Clínica Fertiliza — 09h02

O hall da clínica tinha um silêncio acolhedor que parecia pensado para diminuir a tensão de quem chegava. Luz natural filtrada por cortinas claras, vasos de lírios recém-trocados, o aroma discreto de chá de camomila vindo da recepção.

Verena surgiu da porta de vidro com a pontualidade de quem raramente falha. Usava uma camisa social branca impecável, o cabelo solto com uma onda suave caindo pelo lado direito e um perfume amadeirado que parecia preencher o ar ao redor.

Caminhou até a parede de vidro, parando ali — de costas para a entrada — como se precisasse de mais meio minuto antes de encarar o que estava por vir. Mas a espera não durou.

— Amor?

A voz de Silvia soou às suas costas — macia, quase luminosa.

Verena virou-se.

E Silvia estava exatamente como ela imaginava que estaria: radiante, elegante sem esforço, vestindo um vestido verde-claro e um casaco leve nos ombros, os cabelos soltos com ondas discretas. Carregava uma alegria serena que sempre vinha quando o futuro parecia perto o bastante para tocar.

Silvia deu dois passos, aproximou o rosto o suficiente para trocarem um selinho suave. 

— Desculpa o atraso… — Murmurou, sorrindo contra a boca da esposa.

Verena respondeu com um sorriso curto, perfeito, absolutamente no lugar.

— Nem reparei. — E tocou a cintura da esposa com a mão leve, quase ausente, mas convincente.

Silvia entrelaçou os dedos nos dela como quem retoma um hábito antigo. Verena entrelaçou de volta — o gesto preciso, seguro, aprendido em anos de convivência. As duas caminharam até a recepção, enlaçadas como se nada no mundo estivesse fora do eixo.

— Bom dia. — Cumprimentou Silvia, educada, acenando para a atendente. — Consulta com a doutora Beatriz às nove.

A moça, simpática, conferia na agenda virtual.

— Claro, senhora Castilho. Podem aguardar na sala ao lado. A doutora está finalizando um ultrassom. — Disse, sorrindo.

Verena percebeu o brilho discreto de orgulho no rosto da esposa ao ouvir “senhora Castilho”. Era um detalhe insignificante para qualquer um — mas para Silvia, era pertencimento. Elas seguiram para a sala de espera.

Sala de Espera — 09h06

O espaço era decorado em tons claros, com poltronas amplas, revistas novas e uma TV sem som transmitindo imagens de paisagens. Um casal conversava baixinho no canto, uma mulher sozinha lia uma brochura sobre doação de óvulos.

Silvia sentou-se primeiro, puxando suavemente a mão de Verena para que ela sentasse ao lado. As pernas se tocaram.

— Você tá linda. — Disse Silvia, ajustando o colarinho da camisa da esposa, como fazia nos dias mais importantes para elas.

Verena sorriu. Não foi um sorriso automático, mas foi o que sabia que a esposa precisava ver.

— Você também está.

O olhar de Silvia suavizou.

— Eu… sonhei de novo. — Ela disse encostando o ombro no dela, quase envergonhada de tanta esperança. — Hoje de madrugada. Com ela.

Verena engoliu seco, mas manteve a mão firme.

— A mesma menina? — Perguntou, com uma suavidade estudada.

Silvia assentiu.

— Ela tinha o nariz igual ao seu.

Verena soltou uma pequena risada — e Silvia apertou seus dedos. O gesto prendeu Verena por dentro, como se algo a tivesse puxado do eixo. Silvia continuou.

— Eu sei que parece bobo, mas… eu sinto que ela já existe de algum jeito. — O olhar se voltou para a tela da TV, perdida num verde distante. — Como se estivesse esperando pela gente.

Verena inclinou a cabeça e observou Silvia por um instante inteiro. A verdade é que ela não sabia como lidar com aquele tipo de fé. Mas sabia exatamente como responder.

— Ela vai ter sorte… — murmurou. — Por ter você como mãe.

Silvia fechou os olhos, respirou fundo. Como se aquela frase tivesse encostado num lugar que ela guardava a sete chaves. E, quase sem perceber, apoiou a cabeça no ombro de Verena, que não se mexeu. Não recuou. Nem avançou. Só ficou ali — rígida por dentro, impecável por fora.

A porta do consultório se abriu. A Dra. Beatriz surgiu, gentil como sempre.

— Silvia, Verena. Vamos lá?

Silvia se levantou rapidamente, animada, estendendo a mão para Verena, que segurou prontamente. O toque firme. Os dedos entrelaçados. A postura perfeita de um casal que caminha junto para o próximo passo da vida. Só que, por dentro, enquanto atravessavam o corredor, Verena sentia uma coisa que não ousaria admitir nem para si mesma: um medo tão sólido que parecia ter peso. 

Consultório da Dra. Beatriz Rezende — 09h12

A porta fechou atrás delas com um clique sutil. A sala era ampla, clara, com uma fileira de janelas altas que deixavam a luz da manhã cair direto sobre a mesa de vidro. Livros de anatomia, modelos de útero e ovário feitos de resina, diplomas emoldurados — tudo organizado com uma elegância discreta.

A médica fitou o casal com um sorriso contido.

— Bom dia. Que bom revê-las. — Disse, indicando as duas cadeiras diante da mesa. — Hoje começamos oficialmente.

Silvia sentou-se primeiro, quase vibrando. Verena sentou um segundo depois, postura ereta, mãos unidas sobre o colo — uma disciplina de política tentando sobreviver em território emocional.

A doutora abriu a pasta.

— Eu revisei o exame de sangue de vocês duas. — Explicou, virando algumas páginas. — E tudo está dentro dos parâmetros esperados. Isso nos permite seguir conforme planejado.

Silvia sorriu, respirando fundo. Verena manteve o olhar firme — mas a mandíbula tensionou por um instante mínimo, quase invisível. Beatriz continuou.

— Como já conversamos na primeira consulta, usaremos os seus óvulos, Verena, e a gestação será da Silvia, certo?

Verena assentiu devagar. A informação não era nova, mas ouvir assim, com clareza clínica, soava com um peso diferente.

— Mas antes de qualquer coleta — prosseguiu a médica — precisamos iniciar a estimulação ovariana. É um processo de aproximadamente dez a quinze dias. Usamos hormônios injetáveis para estimular seus ovários a produzirem vários folículos ao mesmo tempo.

Silvia olhou para Verena com uma mistura de expectativa e ternura.

— Todos os dias? — perguntou a advogada, suavemente.

— Sim. — Respondeu a médica, virando o monitor na direção delas. — Uma aplicação diária. Algumas pacientes fazem em casa, outras preferem vir até a clínica. Vai depender de como você, Verena, se sentir melhor.

A frase pairou entre as três. Por um instante, apenas o som do ar-condicionado preenchia o espaço. Verena inspirou.

— Eu faço. Em casa mesmo. — A voz saiu firme demais para ser natural.

A doutora  percebeu o excesso de segurança, mas não comentou. Apenas continuou.

— Durante esse período, você virá a cada dois ou três dias para ultrassons. Eles vão nos mostrar quantos folículos estão crescendo, o tamanho, a resposta ao hormônio. É uma etapa delicada. Não dói, mas exige disciplina.

Silvia segurou a mão da esposa. Entrelaçando os dedos de forma instintiva. Verena apertou de volta — tão rápido quanto afrouxou.

Beatriz clicou para a próxima tela.

— Quando os folículos atingirem o tamanho adequado, fazemos uma aplicação específica para o amadurecimento final dos óvulos. Depois disso, agendamos a coleta. Um procedimento breve, feito sob sedação leve. Você dorme, acorda em quinze minutos e pode ir para casa.

Verena manteve a expressão neutra, mas o ombro perdeu um milímetro de firmeza. Silvia percebeu. E deslizou o polegar pela mão da esposa — um gesto tão suave que parecia pedir desculpas silenciosas por envolvê-la em tudo aquilo.

Beatriz virou-se para Silvia.

— E você… — disse num tom acolhedor — começará sua parte um pouco depois. Assim que tivermos a fertilização e soubermos quantos embriões estão saudáveis.

Silvia sorriu.

— Certo.

A médica apoiou os cotovelos na mesa, entrelaçou as mãos e falou com calma.

— Eu sei que são muitas etapas. E eu sei que, às vezes, pode parecer assustador. Mas vocês duas têm um histórico muito bom. Tudo aponta para um processo tranquilo. — Virou-se para Verena. — E, se em algum momento você sentir desconforto, ou ansiedade, ou achar que não está reagindo bem aos medicamentos… você me liga. Não espera. Não tenta enfrentar sozinha.

A frase, dita de modo puramente técnico, atravessou Verena com uma ironia cruel. Não enfrentar sozinha. Se ela soubesse. Verena inclinou a cabeça, de forma elegante.

— Pode deixar, doutora.

Silvia observou o rosto da esposa — charmosa, contida, serena demais. E viu ali algo que só ela sabia interpretar: o medo bem guardado por trás de um rosto tão lindo.

A médica recolheu os papéis e entregou uma pequena sacola branca.

— Aqui está o kit com as primeiras seringas e o calendário das doses. Começam hoje à noite. Agora, vamos pro seu primeiro ultrassom Verena.

Silvia pegou a sacola com as duas mãos, como se segurasse uma promessa. Verena desviou o olhar por um segundo — apenas o suficiente para que a médica percebesse que ali havia uma tempestade silenciosa.

— Vai dar certo, amor. — Silvia sussurrou, mal contendo a emoção.

Verena sorriu. O sorriso perfeito. 

— Vai sim. — Respondeu, a voz baixa, doce… e completamente distante do que ela realmente sentia.

Sala de Ultrassom — 09h28

O corredor até a sala de exames era mais silencioso que o resto da clínica. As luzes pareciam suavizadas de propósito, e o cheiro era uma mistura limpa de álcool isopropílico e sabonete neutro. A técnica de enfermagem abriu a porta com um sorriso cordial.

— Bom dia. Podem entrar.

Silvia entrou primeiro. Verena atrás, com passos precisos, mas discretamente mais lentos que o habitual. A sala era pequena, minimalista, com um monitor grande ao lado da maca, uma bandeja metálica organizada, gel lubrificante, lenços, e a sonda revestida com capa estéril. O tipo de cenário que revelava vulnerabilidades de forma imediata.

A jovem apontou para a cadeira ao lado.

— Você pode ficar ali, Silvia.

Silvia assentiu. Sentou-se com elegância, as mãos cruzadas sobre o colo, um nervosismo leve nos olhos — não pelo exame, mas por ver Verena naquele lugar que raramente ocupava: o de paciente.

A técnica voltou-se para Verena.

— Verena, você pode tirar a roupa da cintura para baixo e deitar na maca. — Disse com um sorriso gentil. — Vou deixar um lençol para você.

Verena fez um pequeno aceno com a cabeça. Nada dramático, nada visível. Mas Silvia notou o movimento mínimo dos dedos — tensão contida.

Verena entrou atrás do biombo. Silvia desviou o olhar, respeitosa, mas sentia o peito apertar com uma sensação familiar: uma mistura de amor, pena, admiração e medo de que a esposa desistisse.

Quando Verena voltou, já coberta pelo lençol hospitalar, caminhou até a maca com compostura estudada. Deitou-se devagar, cruzando os braços sobre o abdômen — postura que tentava preservar alguma dignidade no ritual clínico. E ali, parecia menor do que era — não em tamanho, mas em controle.

A técnica posicionou o lençol com profissionalismo.

— Pode relaxar, Verena. — Disse com gentileza treinada.

A frase soou quase cômica na cabeça dela. Relaxar não era um verbo que combinava com seu corpo naquele tipo de situação.

A médica bateu levemente à porta antes de entrar.

— Tudo bem por aqui? — perguntou a Dra. Beatriz, calçando luvas.

— Tudo. — Respondeu Verena, num tom calmo demais para ser espontâneo.

Silvia se inclinou um pouco para frente. O olhar estava inteiro na esposa. Atento. Cuidadoso. Quase maternal.

Beatriz se posicionou ao lado da maca.

— Esse é apenas um ultrassom de base. — Explicou com voz neutra, profissional. — Quero ver o útero, os ovários e o número inicial de folículos antrais. Só assim podemos confirmar que podemos começar o estímulo hoje.

Verena assentiu, o olhar fixo no teto. Silvia respirou fundo.

A sonda aproximou-se, tocando a pele da coxa com leveza, depois deslizou para a posição correta. O primeiro toque foi leve, mas trouxe uma sensação que Verena sempre detestou — um incômodo íntimo, instintivo, impossível de disfarçar completamente. 

Ela respirou fundo, tentando manter o rosto sereno. Mas o músculo do pescoço contraiu o suficiente para ser notado pela esposa. A sonda avançou devagar. Houve um momento em que Verena prendeu o ar, um reflexo involuntário do corpo tentando se proteger. Não era dor. Era pressão. Vulnerabilidade. Era estar exposta de um jeito que nenhuma diplomacia resolvia.

A médica movia a sonda com movimentos precisos, mudando o ângulo para encontrar o útero no monitor.

— Está tudo bem? — Perguntou, sem interromper o exame.

— Sim. — Respondeu Verena, rápida demais.

Silvia inclinou-se um pouco para a frente, preocupada.

— Amor… respira. — Murmurou, baixa, só para ela.

Verena soltou o ar devagar. Não em obediência — mas porque realmente precisava. Até que a imagem surgiu no monitor: uma tela em preto e branco, com sombras que só profissionais entendiam. Mas Silvia fixou os olhos como se estivesse diante de algo sagrado.

Beatriz descrevia com calma.

— Útero normal. Endométrio fino, como esperado no início do ciclo… — Deslocou a imagem. — Ovário direito… aqui. — Marcou um conjunto de pontos. — Seis folículos antrais.

Silvia sorriu sem perceber. Era como se estivesse ouvindo o primeiro batimento de uma história que ainda nem existia. Beatriz passou para o outro lado.

— Ovário esquerdo… cinco folículos.

— Isso é bom? — Silvia perguntou, com uma voz baixa, muito doce.

A médica sorriu.

— Excelente. Para a idade da Verena, é um número muito bom.

Silvia olhou para a esposa com os olhos brilhando. Verena sustentou o olhar só por educação. Porque por dentro havia algo mais pesado: a constatação de que o corpo estava entregue ao processo, com ou sem sua vontade emocional.

A doutora retirou a sonda com cuidado.

— Pronto. Tudo perfeito para começar hoje.

Verena soltou o ar devagar, como se só naquele momento tivesse permissão para respirar de verdade. A técnica cobriu seu corpo com o lençol, oferecendo-lhe o tempo para recuperar a própria postura.

Silvia levantou-se imediatamente. Ficou ao lado dela, sem tocar, mas próxima o suficiente para que Verena sentisse o calor da presença.

— Quer ajuda? — Perguntou, num tom íntimo que só existia quando estavam longe de todo mundo.

— Não precisa, amor. — A voz de Verena saiu mais baixa que o normal. — Tô bem.

E quando se levantou e ajeitou a roupa, Silvia tocou-lhe o rosto de leve, apenas com a ponta dos dedos.

— Você foi incrível. — Disse, num sussurro que não pedia resposta

Verena colocou a mão sobre a dela. Um toque breve, estudado, mas que carregava um subtexto inteiro.

— Obrigada. — Disse, com um meio sorriso que Silvia entendeu como carinho.

Porque Silvia sempre entende como carinho. E Verena… bem, Verena sabia disso.

Clínica Fertiliza — Saída — 10h06

O consultório se fechou atrás delas com o clique suave de uma porta de vidro. O corredor estava mais movimentado àquela hora: casais falando baixo, enfermeiras passando com pranchetas, o cheiro de café recém-passado vindo da copa interna.

Silvia atravessou o corredor com passos leves, quase dançando na própria alegria. Tinha o kit das injeções na mão — como se carregasse algo muito maior do que seringas e receitas médicas.

Verena vinha ao lado.

Postura perfeita. O mesmo charme elegante de sempre. Mas os olhos… os olhos estavam mais cansados do que ela permitia que o mundo visse.

— Amor. — Silvia puxou de leve o braço dela, fazendo-a parar perto da parede de vidro — Você ouviu o que a doutora disse? Foi excelente. — Ela sorriu, os olhos brilhando. — Onze folículos antrais é um número ótimo. Isso aumenta muito nossas chances.

Verena assentiu com um sorriso pequeno, perfeitamente calculado.

— Eu ouvi, sim. 

— Eu fiquei tão aliviada. — Continuou Silvia, ajeitando uma mecha de cabelo atrás da orelha. — Eu estava com medo de te sobrecarregar… de você não reagir bem…

Verena tocou o rosto dela com a ponta dos dedos — um gesto suave, íntimo, deliberado.

— Ei. — A voz saiu quente, baixa. — Eu vou seguir tudo direitinho. Pelo nosso futuro.

Era uma frase perfeita. E doía exatamente por isso. Silvia encostou a testa na dela por um instante. Uma proximidade pequena, mas sincera — o tipo de afeto que Verena sempre soube usar e, ao mesmo tempo, nunca conseguiu sustentar sem o peso da culpa.

— Obrigada. — Silvia murmurou, com a voz embargada de felicidade. — Por fazer isso comigo.

Verena manteve o contato por meio segundo a mais, mas o suficiente para Silvia respirar fundo, emocionada. Do outro lado do vidro, um casal sorria para um ultrassom impresso. O reflexo dessa imagem passou rápido pelos óculos escuros de Verena quando ela colocou a armação de volta no rosto — como se precisasse se esconder por dentro de algo conhecido.

Silvia entrelaçou os dedos nos dela.

— Vamos comer alguma coisa? — Perguntou, com a voz leve. — Eu quero comemorar um pouco… antes das injeções começarem. — Depois riu, tímida. — Sou eu que vou aplicar em você, né?

Verena sorriu — um sorriso tão natural que até Silvia acreditou que era.

— Claro, meu bem. Eu confio em você.

A frase fez Silvia apertar mais forte a mão dela — como quem recebe uma declaração de amor. Mas por dentro, Verena sentiu a frase bater e voltar para ela mesma como eco oco.

Elas caminharam até a última porta automática que abriu, deixando entrar o ar quente do bairro. Silvia puxou o braço dela um pouco mais, aproximando-se mais da esposa, como se a manhã tivesse sido o início de uma promessa enorme.

Verena caminhava junto. Passos firmes. Respiração controlada. A máscara intacta. Mas, ao cruzarem a calçada, houve um instante — minúsculo, despercebido — em que a mão da deputada tremulou antes de pegar as chaves do carro.

Silvia notou. E interpretou como nervosismo comum do exame, sem saber que era algo muito mais sério. 

Escola Estadual Professor Luiz Roberto Pinheiro — Intervalo, 10h17

O pátio estava barulhento, cheio de alunos espalhados pelas mesas de cimento e pelos degraus do anfiteatro. Garrafas térmicas, estojos, mochilas abertas. O cheiro de pão com mortadela vindo da cantina. Um carro tocando funk num volume alto passou na rua.

Valentina estava sentada à sombra do corredor lateral. Carol falava animadamente com duas meninas do 3º ano sobre a festa do terceirão — rifas, caixa de som emprestada, decoração improvisada — mas Valentina não absorvia nada.

Confirmou isso quando percebeu que alguém perguntava se ela iria na festa e ela nem tinha ouvido.

— Valen…? — Carol chamou, com a sobrancelha arqueada.

Valentina piscou, voltando para a superfície. Soltou um “hã?” quase inaudível.

— Você tá muito esquisita. — Disse Carol, agora só para ela, depois de dispensar as outras com um “a gente continua depois”. — O que tá pegando?

Valentina apertou as mãos nos elásticos da calça.

— Nada ué. Só tô cansada — Respondeu, sem convicção.

Carol observou o rosto da amiga com aquela precisão agressiva que só quem conhece de verdade sabe ter. Valentina desviou o olhar para o chão, para a ponta do tênis, para qualquer coisa que não fosse o nome que martelava na cabeça desde que acordou.

Verena.

— Você não ouviu uma palavra do que eu falei, né? — Insistiu Carol, cruzando os braços.

— Ouvi sim. — Mentiu Valentina.

— Então o que eu falei?

Valentina abriu a boca. Fechou. O rosto corou.

A amiga soltou um suspiro cansado.

— Valen… você vai ficar assim até quando?

A pergunta caiu no espaço entre as duas como um peso. Valentina encolheu os ombros.

— Não é nada.

— Claro que é. —  Carol se abaixou um pouco, para ficar na altura dos olhos da amiga. — É ela, né?

Valentina engoliu seco. A única coisa que fez foi apertar mais forte a barra da blusa. Carol se sentou ao lado, apoiando o cotovelo no joelho, olhando para frente como quem dá espaço.

— Ela mandou mensagem? — Perguntou, com cuidado.

Valentina balançou a cabeça.

— Você respondeu a última?

Negou de novo. O silêncio que veio depois não foi hostil — foi cheio de coisas que nenhuma das duas sabia como dizer. Carol respirou fundo.

— Você tá esperando, né?

Valentina fechou os olhos por um instante, como se aquilo doesse mais do que deveria.

— Eu não sei o que eu tô fazendo. — Confessou, num fio de voz. — Só… não consigo parar de pensar nela.

Carol ficou em silêncio por alguns segundos, observando os alunos atravessarem o pátio, rindo, correndo, vivendo vidas normais. Depois virou-se para a amiga, com sinceridade crua.

— Eu tenho medo disso tudo, Valen. Sei que você não gosta quando eu falo isso, mas… É melhor assim. Vai por mim, você não tem noção do que isso pode fazer com a sua vida. Olha pra você… —  A voz falhou um pouco. — Você tá toda quebrada e nem percebe.

Valentina sentiu o rosto arder.

— Eu tô bem. — Rebateu, rápido demais.

— Não tá. — Respondeu Carol, gentil mas firme. — Você não tá. E sabe disso. 

Valentina engoliu o choro antes mesmo dele subir. Sentiu o estômago afundar, a respiração ficou curta.

— Eu só… acho que ela esqueceu de mim. — Disse, quase sem ar. — E eu não sei… — A frase não terminou.

Carol inclinou-se para frente, segurando a mão dela.

— Olha pra mim.

Valentina olhou.

— Você não pode depender dela pra viver. Não pode. Não importa o que aconteceu entre vocês. Não importa o que você sente.

Valentina queria responder. Queria dizer que não dependia. Queria dizer que estava tudo sob controle. Mas a verdade era outra: ela não tinha controle nenhum. Um apito longo anunciou o fim do intervalo.

Carol apertou a mão da amiga uma última vez antes de levantar.

— Vamos. Se a gente ficar mais um segundo aqui, você vai começar a chorar, e eu não vou saber o que fazer.

Valentina tentou rir. Não conseguiu. Mas se levantou. E caminhou para a sala, pronta para a próxima aula, com um único pensamento atravessando tudo — um pensamento insistente, vergonhoso, impossível de arrancar:

Por que ela não manda mensagem?

Casa da Família Moraes — Quarto da Valentina — 15h44

A luz da tarde entrava filtrada pela cortina bege, criando um desenho irregular no chão. O ventilador fazia um barulho baixo e ritmado, empurrando o ar quente contra as paredes claras do quarto.

Valentina estava sentada na beira da cama, o celular apoiado nas duas mãos como se fosse frágil demais para ser segurado de qualquer outro jeito. A mochila da escola estava aberta no chão, os cadernos largados, a blusa do uniforme pendurada na cadeira. Não havia concentração possível para nada.

A tela acesa mostrava sempre a mesma coisa:

Verena Castilho
online há 2 horas

Nada mais.

Valentina mordeu o lábio inferior, forte demais, sentindo o gosto amargo do medo — um medo que crescia no peito como se estivesse procurando espaço entre as costelas.

Três semanas. Três semanas tentando seguir a vida. Três semanas repetindo para si mesma que era melhor assim. E três semanas esperando uma mensagem que não vinha. Respirou fundo, tentando se convencer de que era só cansaço. Ou calor. Ou fome.

Mas não era nada disso. Era pânico. Um pânico tão profundo que ela precisou apoiar as mãos nos joelhos para não desmoronar. A imagem de Verena no carro surgiu inteira — o olhar, a voz rouca, o cheiro, o beijo, o medo, o pedido de desculpa. Depois o silêncio. O vazio. Fechou os olhos com força, mas a cena continuava lá, ainda mais viva.

E se ela não me procurar mais?
E se acabou?
E se aquilo tudo não significou nada?

A respiração ficou curta. Parecia não haver mais ar ali. A garganta travou de um jeito que obrigou a menina a se colocar de pé, andando em círculos pelo quarto pequeno — três passos para cada lado, como um animal preso tentando achar a saída.

— Para, Valentina… — Sussurrou para si mesma, a voz trêmula. — Para…

Mas o corpo não ouviu. O peito parecia encolher, o estômago gelava, e a mente corria tão rápido que ela não conseguia acompanhar. Até que aconteceu — o impulso irracional que antecede o desastre e o alívio ao mesmo tempo.

Ela pegou o celular.

Desbloqueou.

Abriu a conversa.

O campo de texto piscava como uma provocação.

As pontas dos dedos tremiam.

Valentina fechou os olhos por um segundo inteiro — um segundo de guerra interna, de vergonha, de orgulho tentando se agarrar a algum resto de lógica.

E perdeu.

Digitou.

“Oi”

Apenas isso. Ridículo. Humilhante. Necessário. Apertou “enviar” antes que sua consciência acordasse. A mensagem subiu sozinha na tela. Valentina sentiu uma onda de calor subir do estômago ao rosto, tão forte que precisou se sentar de novo, encostando as costas na parede fria.

Veio então o segundo impacto — ainda mais devastador: a culpa. A mão cobriu a boca. O coração batia como se quisesse sair por alii.

— O que que eu fiz… — Sussurrou, num fiapo de voz. — O que que eu fiz…

Mas junto da culpa, quase no mesmo segundo, veio outra coisa. Uma corrente elétrica. Uma euforia aguda, insana, que a fez prender o ar no peito.

Ela vai ver. Ela vai ver que eu existo.

Valentina fechou os olhos, pressionando as palmas contra o rosto, sem saber se chorava, sorria ou implodia ali mesmo. No quarto silencioso, o celular descansava na cama, como se nada tivesse acontecido. Mas aconteceu. E agora… não havia mais volta.

Casa dos Alencar — 16h12

O apartamento tinha o cheiro morno de café passado tarde demais, misturado ao perfume suave de lavanda que Dona Lúcia usava para limpar os móveis. A televisão estava ligada no jornal local, mas o volume baixo transformava as vozes em ruído distante.

Álvaro estava na poltrona adaptada, o corpo levemente reclinado, as mãos sobre o cobertor que cobria as pernas. Falava pouco — cada palavra exigia esforço — mas os olhos estavam atentos, vivos.

Silvia sentava-se ao lado dele, mostrando uma revista de decoração.

— Olha essa planta, pai… acho que ficaria linda no corredor lá de casa. — Dizia, folheando devagar para ele acompanhar as imagens.

Álvaro sorriu com um canto do lábio, um movimento quase imperceptível.

— Bon… i-ta — articulou, com esforço.

Silvia riu, emocionada, e tocou a mão do pai com carinho.

Verena estava no outro sofá, diagonal às duas cadeiras. Elegante, completamente composta, as pernas cruzadas, o braço esquerdo sobre o encosto. Ela observava a cena com uma serenidade ensaiada. Mas por dentro, o dia inteiro estava entalado no peito. A consulta. O ultrassom. As agulhas que a esperavam em casa. A decisão que não podia mais ser adiada.

O celular vibrou no bolso interno do blazer. Uma vibração curta, quase discreta — mas que atravessou Verena como um estilhaço. Ela não se moveu imediatamente. Esperou um segundo. Depois outro. Silvia continuava mostrando a revista ao pai.

Somente então, Verena deslizou a mão até o bolso, com elegância ensaiada, como quem apenas confere o horário. Quando a tela acendeu, o nome apareceu.

Valentina.

Por um instante, o mundo ao redor perdeu definição. O ar ficou denso, quente. Um calor subia do estômago até a nuca, rápido demais, incontrolável. O rosto pareceu queimar por dentro — um rubor invisível, mas violento. E o corpo, traidor, reagiu antes da mente. Abriu a mensagem. Uma palavra mínima, quase infantil, acertou o centro do peito com a precisão de uma punhalada silenciosa.

Verena respirou fundo, mas o ar veio quente demais. O rubor crescia em níveis alarmantes. Os ombros tensionaram milímetros. E ela cruzou as pernas no sentido oposto com elegância — o gesto perfeito de uma mulher que ajusta a postura sem pressa, sem motivo aparente. Mas o motivo real era outro: esconder o impacto daquilo que não podia aparecer no rosto.

O coração batia forte demais, um golpe seco contra o esterno. Ela respirou fundo — devagar, como quem tenta prender algo prestes a escapar do controle.

— Amor… — Silvia chamou, ainda folheando a revista. — Você acha essa mesa bonita? — Ela virou-se para Verena, com o sorriso manso de quem começa a planejar o futuro.

Verena ergueu os olhos. E o contraste — a inocência da pergunta, a presença do sogro, o cenário familiar — quase a desorientou. A voz veio alguns segundos atrasada.

— Acho, sim. — Disse, rouca demais para o próprio padrão.

Silvia franziu a sobrancelha por um momento, observando o rosto da esposa, mas interpretou como cansaço.

— Depois quero te mostrar uma horta suspensa.

Verena apenas assentiu. O celular estava ali, quente na mão. A mensagem aberta, brilhando. O mundo inteiro se dividindo em antes e depois daquela palavra simples As conversas ao redor continuavam. A TV seguia passando manchetes. A revista seguia aberta no colo da esposa. Mas ela… estava em outra frequência, lutando para não demonstrar nada. E falhando por dentro.

Estava prestes a levantar. O impulso de digitar era físico, urgente, quase doloroso. Foi quando a porta da cozinha se abriu.

— Fiz um chá fresquinho pra nós. — Anunciou Dona Lúcia, entrando com uma bandeja grande. — E tem biscoito de nata também. Tirei do forno agora há pouco.

Verena recuou instintivamente contra o encosto do sofá, escondendo o celular entre as dobras do blazer antes que alguém percebesse a tela acesa.

A bandeja pousou sobre a mesa com um leve rangido da madeira antiga.

— Obrigada, mãe. — Silvia sorriu, levantando-se para ajudar. — Deixa que eu sirvo.

Lúcia insistiu, com o zelo materno que não tirava férias.

— Não precisa, filha. Eu faço. Podem continuar  aí conversando.

Verena devolveu um sorriso educado.

— Está com um cheiro ótimo, Dona Lúcia.

— Receita de família querida. — Respondeu a sogra, dando uma piscadinha orgulhosa. — Da minha mãe.

Apartamento de Verena e Silvia — Quarto do Casal — 21h04

A casa estava mergulhada num silêncio quase cerimonioso.

A luz do abajur deixava o quarto num tom âmbar, suave demais para o peso do que aconteceria ali. Sobre a cama arrumada com perfeição, repousavam o folheto dobrado da clínica, a embalagem branca da caneta injetora e um algodão com álcool ainda fechado.

Silvia estava sentada à beira da cama, de camiseta larga e short de algodão. As pernas cruzadas. Os pés descalços roçando o tapete. Parecia concentrada demais, como quem tenta evitar que a ansiedade transborde pelas extremidades.

Ela girava a tampa plástica da caneta entre os dedos — um movimento repetitivo, quase infantil, que denunciava mais do que qualquer expressão facial. Respirava fundo. Soltava devagar. E repetia.

Verena estava de pé, diante dela. Camisa social solta no corpo, punhos desabrigados. Observava a esposa sem disfarçar a cautela. Como quem encara o inimigo. Ou a morte. Ou uma agulha — como era o caso.

— Vem amor, senta aqui. — Silvia a chamou, num sussurro que parecia temer quebrar alguma coisa invisível.

Verena se aproximou. Sentou ao lado. O colchão afundou alguns milímetros entre elas, mas o ar ficou mais denso. 

— Está pronta? — Silvia perguntou, tentando manter o tom estável.

Verena assentiu, mesmo sabendo que não estava. Assistia a esposa abrindo o manual com delicadeza. As mãos tremiam pouco, mas tremiam. Silvia virou as páginas até o passo a passo ilustrado.

— A enfermeira disse que não dói — murmurou, quase para si mesma, encarando a caneta com a testa franzida. — É só um beliscão. Um... incômodo.

Verena observou o perfil dela. Havia ali uma beleza calma, vulnerável, que despertou algo difícil de nomear — parte carinho, parte culpa, parte inquietação crescente.

— Posso fazer eu mesma, se preferir — disse Verena.

Silvia sorriu sem graça. Um sorriso pequeno, mas sincero.

— Eu... acho que quero fazer. Pelo menos a primeira vez.

Ela retirou a tampa. A agulha fina brilhou sob a luz quente do abajur. Verena prendeu a respiração, imperceptivelmente, levantando-se por reflexo. Os braços cruzados denunciavam o desconforto, os ombros rígidos demais para uma mulher tão acostumada à pressão política.

— Amor… — Silvia tentou, com suavidade treinada. — Não é nada. É subcutânea. Não entra nem um centímetro. 

Verena apertou os olhos por um instante e depois encarou a esposa como quem exige seriedade.

— Silvia, essa frase nunca tranquilizou ninguém.

A esposa mordeu o sorriso que ameaçava escapar.

— É verdade.

— Claro que é. — Verena passou a mão pelos cabelos, suspirando, dando um passo, recuando outro. — Não sei por que inventaram isso. Podia ser uma pílula. Um chá. Sei lá. Por que tudo agora tem que ser com injeção?

Silvia segurou a risada, mas não conseguiu impedir que um brilho divertido surgisse nos olhos.

— Porque é assim que funciona a medicina reprodutiva, meu amor.

— Medicina retrógrada, isso sim.

Silvia riu de vez — um riso curto, carinhoso, quase maternal.

— Venha. Senta. Antes que você desmaie em pé.

— Eu não vou desmaiar. — Verena rebateu com indignação.

E então… quase tropeçou no tapete. Silvia arqueou uma sobrancelha, com toda a autoridade amorosa.

— Verena Castilho.Senta aqui. Agora.

A deputada — temida por meio parlamento, incisiva em debates, vencedora de brigas que fariam homens poderosos tremerem — obedeceu como uma criança chamada pela professora que ela respeita contra a vontade.

Silvia puxou a camiseta dela com cuidado, expondo um pedaço da barriga. Silvia pegou o algodão com álcool e limpou a região, logo abaixo do umbigo. O gesto era meticuloso, quase reverente. A pele clara contraiu automaticamente ao toque frio do álcool, ficando levemente avermelhada.

— Aqui está bom, né? — perguntou.

— Está. — respondeu Verena, baixo.

Havia um silêncio especial ali. Não de desconforto. Nem de medo. Era o tipo de silêncio que antecede decisões que mudam vidas. Silvia segurou a caneta com firmeza renovada.

— Ai. — Verena reclamou, dramática.

— Verena eu ainda nem encostei a agulha. — Silvia observou, divertida.

— Mas eu senti a sua intenção.

Silvia sorriu, balançando a cabeça. Girou o dial da caneta. O clique metálico ressoou no quarto como algo muito maior do que era.

— Trinta e sete e meio. — Murmurou, confirmando a dosagem. — Como a doutora pediu.

E então, aproximou a agulha.

Verena prendeu a respiração. E depois soltou em um jato curto.

— Meu Deus, Silvia, espera. Espera, espera, espera.

— Estou só encostando.

— Então não encosta.

Silvia respirou fundo, paciente como uma enfermeira experiente. Tinha visto crianças reagirem melhor. E também maridos, no dia do reforço da febre amarela.

— Amor. — Ela disse com voz baixa. — Eu sei que você tem medo. Mas eu tô aqui. Vai ser só um beliscão. Prometo.

O olhar dela era tão gentil que Verena desistiu de resistir. Desviou o rosto para o lado, como quem se recusa a testemunhar a própria humilhação.

— Faz logo. — Murmurou, apertando o lençol com força.

Silvia sorriu — mas com ternura, não com deboche.

Posicionou a seringa.

E aplicou.

Primeiro o toque da agulha — leve, mas suficiente para provocar um arrepio involuntário. Depois, a pressão do líquido entrando devagar, queimando só levemente. Verena fez um som abafado, quase um grunhido de dignidade ferida enquanto fechava os olhos. Quando terminou, Silvia puxou a agulha com cuidado, depositou a caneta na cama e pressionou levemente o local com o algodão e recuou. Verena soltou o ar como se tivesse segurado a respiração por minutos.

— Acabou.

Verena abriu um olho. Depois o outro.

— …já?

— Já.

A deputada piscou algumas vezes, incrédula. 

— Doeu? — murmurou Silvia.

— Um pouco. — Respondeu timidamente, fazendo a esposa sorrir. — Mas… é suportável.

Silvia, num gesto espontâneo de cuidado e amor, inclinou-se e beijou o local da aplicação — um toque breve, preciso, silenciosamente devastador.

Verena estremeceu.

— Obrigada. — Sussurrou, a voz quebrada pelas entrelinhas.

E então, com um orgulho inabalável, alisou a camiseta com dignidade forjada e murmurou:

— Achei que fosse doer.

— Você quase virou do avesso antes de começar. — Silvia abriu a tampa da caixa para guardar a caneta. — Achei que eu quem fosse desmaiar de ver você assim.

Verena virou o rosto para ela, ainda séria, mas com um brilho diferente passando pelos olhos. Silvia se aproximou devagar, apoiando a mão na nuca dela. E, antes que Verena pudesse responder com uma piada, deu-lhe um beijo lento, silencioso, cheio de coisas que não cabiam em palavras, nem no corpo, nem na vida que ainda tentavam reconstruir.

Quando se afastou, ainda com os lábios quase roçando os dela, murmurou.

— Você foi corajosa.

Verena soltou um meio sorriso — pequeno, mas verdadeiro.

— Não espalha. Pode acabar com a minha carreira.

Silvia apoiou a testa na dela.

— Ainda faltam nove dias, amor.

Verena fechou os olhos.

— Eu sei.

Silvia encostou a cabeça no ombro dela, exausta. Verena passou o braço ao redor da cintura dela, sustentando sem apertar demais. E no ar, pairava o cheiro de álcool, o calor do quarto e a promessa silenciosa de uma nova etapa — perigosa, delicada, irrevogável.

Casa da Família Moraes — Quarto da Valentina — 22h47

O quarto estava quase no escuro, iluminado apenas pela fresta fina que vinha da cozinha — Ana Paula ainda lavava a louça do jantar, o som do esfregar dos pratos chegando abafado pelas paredes. Valentina estava encolhida na cama, de camiseta larga e shorts. O celular ainda brilhava nas mãos.

A conversa com Verena aberta. A última mensagem repousava na tela como uma ferida exposta. Nenhuma resposta. Nada. Valentina piscou várias vezes, tentando impedir que outra lágrima caísse, mas não conseguiu. A gota escorreu silenciosa pelo nariz, encontrou o canto da boca, e ela nem tentou limpar.

A saudade vinha como uma onda lenta, pesada, sufocante. Ela virou o celular, apoiando-o no peito, a tela voltada para cima. A imagem do perfil de Verena — o blazer claro, o cabelo impecável, aquele olhar que parecia enxergar o mundo inteiro — agora brilhava sob a luz fraca do aparelho.

Valentina apertou-o contra o peito, como quem tenta conter algo que transborda por dentro. Respirou fundo. Mas não ajudou.

— Por que você não responde… — Murmurou, num sopro que não pretendia ser ouvido.

Ela rolou para o lado, puxando o lençol fino até o queixo. Os olhos ardiam, não só da tristeza, mas da exaustão acumulada — dias sem dormir direito, aulas passando como ruído distante, a vida escolar reduzida a um pano de fundo irrelevante.

Quis apagar a mensagem. Quis mandar outra coisa. Quis ligar. Quis sumir. Mas nada disso aconteceu. Só chorou. Devagar. Sem soluço. Sem som. Só lágrimas descendo contínuas, traçando caminhos frios na pele quente. Aos poucos, o celular escorregou até repousar sobre a clavícula, a tela agora tocando a curva do pescoço.

A foto de Verena continuava ali, nítida, brilhando no escuro como se fosse uma vigília. O corpo de Valentina cedeu ao cansaço. Os olhos foram se fechando. A respiração ficou irregular. Até que adormeceu assim — com o rosto molhado, o peito apertado, o coração em alerta, e a imagem de Verena Castilho colada ao seu corpo, como se isso pudesse, de alguma forma, enganar a distância. 

Apartamento de Verena e Silvia — Quarto do Casal — 23h18

No quarto, a claridade vinha apenas do abajur regulado no mínimo — um âmbar suave que deixava tudo meio desfocado, como se até o ambiente respirasse devagar.

Silvia estava deitada de frente para Verena, tão próxima que suas respirações se misturavam. Os lençóis claros, um pouco amarrotados, formavam um pequeno vale entre os dois corpos. Lá fora, a cidade seguia viva, mas ali dentro o mundo parecia reduzido ao espaço de uma cama de casal e ao calor morno dos dois rostos.

Silvia fazia um carinho lento na nuca da esposa, o polegar desenhando círculos pequenos, sempre no mesmo lugar — um gesto que ela só fazia quando estava profundamente tranquila. Ou profundamente feliz.

Verena mantinha os olhos abertos. Os dela, semicerrados, moles de cansaço — ou de confiança. Mas havia algo tão doce no modo como Silvia a olhava que chegava a doer.

— Você tá tão bonita hoje. — Silvia murmurou, a voz baixa demais para existir fora daquele espaço.

Verena forçou um sorriso que, por um instante, pareceu real. No fundo dos olhos dela, porém, havia outra coisa — um borrão inquieto, uma sombra que Silvia não conseguia enxergar.

— Você que tá. — respondeu, deslizando um dedo pela curva do rosto da esposa, só até a linha do queixo.

Silvia sorriu, com um brilho inocente, quase juvenil, que poucas pessoas tinham visto na vida.

— Eu tô tão feliz… — Confessou, aproximando o rosto. — Eu ainda não consigo acreditar que começamos, amor. Parece que a partir de amanhã a gente já vai ter que comprar o carrinho de bebê. — Ela riu, um som doce e sincero. — Você viu como a doutora Beatriz estava otimista?

Verena sorriu de volta. O sorriso era genuíno, mas custava esforço.

— Ela é profissional, Sil. Mas sim, é um alívio dar o primeiro passo. Você foi muito corajosa com a aplicação, sabia?

Silvia encolheu os ombros, modesta.

— Não foi nada. Sabe… Fico olhando pra sua barriga, pra minha, e imagino nosso filho aqui.

O peso da frase atingiu Verena, que se inclinou, beijando a testa da esposa, tentando com o gesto enterrar a culpa e o desejo por Valentina que a atormentavam. Precisava estar ali, inteira, para a mulher que confiava nela.

— Vai dar tudo certo. Eu prometo. — A voz de Verena era um sussurro, buscando a firmeza que deveria sentir.

Silvia a observou por um instante, a paixão nos olhos a consumindo. A mão que fazia carinho na nuca avançou para a base do cabelo de Verena, puxando de leve para trás, num gesto íntimo e familiar.

Verena fechou os olhos por um instante. Quando abriu, Silvia já estava mais perto. O nariz roçou o dela. Um calor subiu das clavículas para o rosto. Silvia respirou fundo, sentindo o cheiro doce-amargo da pele da esposa, e então murmurou:

— Eu te amo tanto, Verena. Por fazer tudo isso. Por ser minha parceira. 

A distância entre os lábios era pequena, e Silvia a aniquilou.

O beijo começou lento, uma pressão suave que imediatamente se aprofundou. Era um beijo de intimidade profunda, de anos de história e promessas silenciosas. As bocas se moldaram uma à outra, o movimento das línguas um ritmo vagaroso, medido, sem pressa.

Silvia suspirou no beijo e, instintivamente, subiu a mão ao cabelo de Verena, os dedos se perdendo nas mechas escuras, puxando-a para mais perto.

Verena se inclinou levemente para a frente, apoiando o peso em um dos braços, ficando com o rosto numa posição sutilmente mais alta, uma troca que fazia a esposa suspirar baixinho, sem perceber, com os olhos fechados em êxtase, intensificando o toque nos cabelos, um sinal mudo de amor e posse. Verena beijava com uma entrega física absoluta, dominando a boca de Silvia com pressão, preenchendo os espaços, num vaivém demorado e quente, sentindo a necessidade desesperada de usar aquele contato para se limpar, para se ancorar na esposa, mantendo a personagem que ela precisava ver. O beijo foi se arrastando, longo e reconfortante, até que ambas precisaram de ar.

Silvia sorriu contra a boca dela. Um sorriso de satisfação plena. Os lábios vermelhos e brilhantes, a respiração ofegante, interrompendo o beijo por um segundo, apenas para encostar a testa na dela.

— Eu amo você… — sussurrou, com a voz já pesando de sono, mas carregada de ternura — …e obrigada por hoje. Por tudo.

Verena não respondeu de imediato. Só acariciou o rosto da esposa, o polegar passando de leve pela maçã do rosto ainda avermelhada. Em seguida, roçou o nariz no dela, sentindo o cheiro dela, antes de finalizar com um selinho demorado, suave e casto — um ponto final silencioso para aquela noite turbulenta.

Silvia, ainda com os olhos fechados e um sorriso satisfeito nos lábios inchados, suspirou profundamente.

— Boa noite, meu amor... — sussurrou ela, já sendo vencida pelo sono.

E virando-se para o lado para dormir, se aninhou no peito de Verena, que a abraçou com força contida, sentindo o calor da esposa se acomodar contra ela

— Boa noite amor. — Disse, enfim, com suavidade ensaiada. — Eu tô aqui.

 

Silvia, poucos minutos, respirava no ritmo lento e profundo de quem adormece de amor, esperança e exaustão. Verena ficou acordada. O beijo ainda quente na boca. O celular esquecido na mesa de cabeceira. E um nome preso na mente, repetindo-se como eco: Valentina.

Fim do capítulo

Notas finais:

Oiee. Boa noite!

Como combinado, cá estou eu novamente. Espero que esetejam bem e que tenham uma ótima e abençoada semana! 

Fiquem bem! Abraços! S2


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Comentários para 39 - O Primeiro Passo:
Zanja45
Zanja45

Em: 24/11/2025

Boa tarde!

Você foi rápida, muito rápida no gatilho dessa vez!

Estou vencendo mais um dia, mas tudo tranquilo!

Igualmente para ti Autora!

Abraços! :) s2

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Zanja45
Zanja45

Em: 24/11/2025

Enquanto Silvia está flutuando de contentamento Verena está rindo do contentamento descontente. 


anonimo2405

anonimo2405 Em: 07/12/2025 Autora da história
kkkkkkkkkkkk é bem isso. Olha, me lembro de ter ouvido isso em algum lugar.



Zanja45

Zanja45 Em: 07/12/2025
Se me recordo bem é na poesia de Luís de Camões.


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Zanja45
Zanja45

Em: 24/11/2025

Hahahahah! Valentina fez Verena mudar de frequência, com apenas um "Oi". Mas teve que simular estar vibrando em outra para não levantar suspeitas.

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Zanja45
Zanja45

Em: 24/11/2025

O medo de ser esquecida por Verena fez Valentina marcar presença logo.  - o carrossel de emoções diferentes que ela viveu voltou a tona e me parece que agora ela quer mais de Verena. - Porque a saudade de três semanas é absurda. 

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Zanja45
Zanja45

Em: 24/11/2025

Ah, Valentina mandou mensagem para Verena! 

Não aguentou de saudades, heim?

Quero ver como será que vê se comportará quando ler. 

 

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Zanja45
Zanja45

Em: 24/11/2025

Quando Silvia agradece a Verena por ter se disponibilizado a estar ali na clínica como ela,  soa como obrigação, dever. Reforça a idéia de um sonho separado.


anonimo2405

anonimo2405 Em: 07/12/2025 Autora da história
Pois é. É meio óbvio pra quem tá de fora, mas parece que a Silvia não consegue ou não quer enxergar.


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Zanja45
Zanja45

Em: 24/11/2025

Verena não vale nada mesmo. - Os pensamentos dela foi bem sarcásticos - Essa de Silvia estar diante algo sagrado foi demais para não rir. - Era só monitor e imagens que só os médicos entendiam, mas a esposa dela, já pensava como se fosse os possíveis filho delas.


anonimo2405

anonimo2405 Em: 07/12/2025 Autora da história
Bom, concordo com vc em relação à Verena, as atitudes dela são bem questionáveis. Talvez ela perceba e mude ou piore ainda mais. A Silvia, ao contrário, tá nas nuvens rsrs, fico imaginando quando for o ultrassom mesmo rsrs


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Zanja45
Zanja45

Em: 24/11/2025

Será que Verena vai fazer as aplicações dos hormônios certinhos? Ela não pode dar para trás agora.


anonimo2405

anonimo2405 Em: 07/12/2025 Autora da história
Acredito que ela vai sim, até pq a Silvia não vai dar trégua agora.


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Zanja45
Zanja45

Em: 24/11/2025

Verena tinha que soltar uma frase tão impessoal, como se ela não tivesse participando do processo de ser mãe junto a Sílvia. - Mas Silvia está tão envolvida na realização de ser mãe, que tenta fechar os olhos para coisas que parecem bem óbvias, que o sonho de ter filhos é dela e não de Verena.


anonimo2405

anonimo2405 Em: 07/12/2025 Autora da história
Ai ai, é. Essa relação delas é bem mais complicada do que parece. Mas é isso. Verena já deixou claro que só tá participando desse processo por pressão. Conforme já comentando antes, talvez ela mude no processo e esse sentimento de ser mãe aflore nela, mas por enquanto, ela vai ter que fingir bem.


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Zanja45
Zanja45

Em: 24/11/2025

Estarei aqui para te aplaudir Depu, mas você vai ter que encarar a realidade que ajudou a moldar. - Não tem como fugir agora, pois sua mentira foi tão convincente que está se tornando verdade. Kkkk!


anonimo2405

anonimo2405 Em: 07/12/2025 Autora da história
kkkkkkkk, ela chegou em um beco sem saída, agora é vai ou vai.


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Zanja45
Zanja45

Em: 24/11/2025

Tadinha da deputada mesmo não querendo filho vai ter se submeter ao processo. - Pelo menos ela tem a avó para desabafar, ela estava precisando de apoio de alguém. - E o silêncio possa ser a resposta que ela mais necessitava nesse momento. - E é bem isso que está acontecendo no monólogo com a avó. - As vezes precisamos de alguém apenas para nós escutar. 


anonimo2405

anonimo2405 Em: 07/12/2025 Autora da história
Verdade, é bom poder desabafar e no caso da Verena, a avó mesmo não estando presente fisicamente ainda é um ponto de apoio dela. Bom, e ela tá nessa situação em grande parte pelas próprias escolhas tbm né. Mas imagino que vai ser bem complicado seguir com o processo da FIV sem estar inteira. É um filho, não é uma coisa qualquer.


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HelOliveira
HelOliveira

Em: 24/11/2025

Verena está cumprido o que prometeu a Sílvia, mas em conflitos e confusão interna enorme, até quando ela vai segurar tudo isso..

E Valentina resolveu dar o ar da só para complicar um pouquinho mais ou muito a vida da Verena...

Boa é abençoada semana autora


anonimo2405

anonimo2405 Em: 07/12/2025 Autora da história
Pois é. É um boa pergunta, porque é confusão pra mais de metro rsrs. E a Valentina, bom... Vamos ver o que vai ser né.

Obrigada minha querida! S2


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