Entre linhas por CarolF
Capitulo 9- Descobertas
A mensagem chegou no domingo, fim da tarde:
> “A gente precisa conversar. Sozinhos.”
O nome de Leandro piscando na tela me fez gelar sentir o estômago afundar a garganta secar eu sabia que esse momento ia chegar mas não sabia que doía tanto assim encarar. Nos encontramos em uma pracinha próximo a minha casa ele encostou no carro com os braços cruzados e um olhar que eu nunca tinha visto antes — frio, ressentido como se já não me reconhecesse.
— O que tá acontecendo entre você e a Cris?
Sem rodeios.
Tentei falar, mas minha voz falhou. Ele riu de canto.
— Foi o que pensei.
— Leandro… — murmurei. — Não é assim, eu tô confusa, eu não planejei nada disso.
— Confusa? — ele levantou a voz. — Dani, você dormiu com ela?
Me calei.
Ele socou o volante do carro com força, os olhos brilhando de raiva.
— Que porr*! Você mentiu pra mim esse tempo todo me fez de idiota.
— Eu também menti pra mim, eu juro que tentei… eu queria gostar de você como antes, mas... quando a Cris apareceu… tudo virou do avesso.
— E agora o que você vai fazer? Vai sair por aí de mãos dadas com ela? Vai dizer pra sua mãe que tá apaixonada por uma sapatão?
Fiquei em silêncio.
— Vai contar pro time? Vai encarar as pessoas? Vai assumir?
— Eu não sei.
— É claro que não sabe. Porque você é covarde, Dani.
Aquilo me cortou mais fundo do que qualquer grito.
— Eu tô tentando entender o que tá acontecendo dentro de mim e você acha que é fácil? Acha que é só escolher entre um e outro?
— Não é entre mim e ela é entre a verdade e a mentira é entre quem você é... e quem você finge ser.
As palavras dele doeram porque eu sabia que eram verdade. E então ele foi embora me deixando ali, no meio do vazio, tremendo por dentro.
Parte 2 (Cris)
Nos dias seguintes, Dani quase não falava comigo. Na quadra, éramos funcionais passes curtos, olhares contidos, mas fora dela… era como se a noite em que nos amamos nunca tivesse existido. Ela evitava estar perto, e quando estava, parecia cercada de muros invisíveis como se tivesse medo de mim ou pior: medo de si mesma.
E eu… tentei resistir fingi que não doía que estava tudo bem, mas aos poucos, comecei a quebrar por dentro.
No treino de quinta, o treinador interrompeu o jogo-treino pra me dar um puxão de orelha:
— Você não tá com a cabeça aqui, Cris. O que está acontecendo?
Pensei em dizer que estava tudo bem.
Mas, em vez disso, sentei no banco, respirei fundo e disse:
— Eu só… tô cansada.
A verdade é que eu não estava cansada, eu estava machucada e o pior: dessa vez, ninguém tinha me dado uma entrada violenta dessa vez, quem me quebrou foi o silêncio.
Na saída do treino, Dani me esperou no estacionamento. Ela estava com os olhos vermelhos, parecendo ter chorado o dia inteiro.
— Eu… eu sei que tô sendo uma idiota — começou. — Mas eu não sei como te amar sem destruir tudo ao meu redor.
— Você não precisa destruir nada — respondi. — Só precisa escolher e ficar.
— Leandro me ameaçou! disse que pode contar tudo.
— Ele não precisa uma hora todo mundo vai perceber.
Ela me encarou com uma dor tão nítida que eu quis abraçá-la.
— Eu não quero te machucar mais, Cris.
— Então para de fugir.
— E se eu não conseguir?
— Eu vou te amar mesmo assim , mas não posso continuar me ferindo sozinha.
Ela assentiu, em silêncio, depois virou de costas e foi embora.
E ali, no meio do asfalto vazio, eu entendi: Às vezes, o amor da nossa vida é também o que mais nos destrói.
Fim do capítulo
Primeiramente peço desculpas pelo tempo sem postar, digamos que tive um hiperfoco e depois perdi a motivação, porém tenho que seguir tem muita coisa água para rolar pela ponte, muita coisa para acontecer, espero que vocês curtam a sequencia da estória. Queria muito interagir com vocês nos comentários! boa leitura
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