Capítulo 9

Capitulo 9- Descobertas

de Entre linhas, por CarolF

Tamanho do texto
656 palavras121 leituras0 comentários

A mensagem chegou no domingo, fim da tarde:

 

> “A gente precisa conversar. Sozinhos.”


O nome de Leandro piscando na tela me fez gelar sentir o estômago afundar a  garganta secar eu sabia que esse momento ia chegar mas não sabia que doía tanto assim encarar. Nos encontramos em uma pracinha próximo a minha casa ele encostou no carro com os braços cruzados e um olhar que eu nunca tinha visto antes — frio, ressentido como se já não me reconhecesse.


— O que tá acontecendo entre você e a Cris?


Sem rodeios.


Tentei falar, mas minha voz falhou. Ele riu de canto.


— Foi o que pensei.


— Leandro… — murmurei. — Não é assim, eu tô confusa, eu não planejei nada disso.


— Confusa? — ele levantou a voz. — Dani, você dormiu com ela?


Me calei.


Ele socou o volante do carro com força, os olhos brilhando de raiva.


— Que porra! Você mentiu pra mim esse tempo todo me fez de idiota.


— Eu também menti pra mim, eu juro que tentei… eu queria gostar de você como antes, mas... quando a Cris apareceu… tudo virou do avesso.


— E agora o que você vai fazer? Vai sair por aí de mãos dadas com ela? Vai dizer pra sua mãe que tá apaixonada por uma sapatão?


Fiquei em silêncio.



— Vai contar pro time? Vai encarar as pessoas? Vai assumir?


— Eu não sei.


— É claro que não sabe. Porque você é covarde, Dani.


Aquilo me cortou mais fundo do que qualquer grito.


— Eu tô tentando entender o que tá acontecendo dentro de mim e você acha que é fácil? Acha que é só escolher entre um e outro?


— Não é entre mim e ela é entre a verdade e a mentira é entre quem você é... e quem você finge ser.


As palavras dele doeram porque eu sabia que eram verdade. E então ele foi embora me deixando ali, no meio do vazio, tremendo por dentro.



 Parte 2 (Cris)


Nos dias seguintes, Dani quase não falava comigo. Na quadra, éramos funcionais passes curtos, olhares contidos, mas fora dela… era como se a noite em que nos amamos nunca tivesse existido. Ela evitava estar perto, e quando estava, parecia cercada de muros invisíveis como se tivesse medo de mim ou pior: medo de si mesma.


E eu… tentei resistir fingi que não doía que estava tudo bem, mas aos poucos, comecei a quebrar por dentro.


No treino de quinta, o treinador interrompeu o jogo-treino pra me dar um puxão de orelha:


— Você não tá com a cabeça aqui, Cris. O que está acontecendo?


Pensei em dizer que estava tudo bem.


Mas, em vez disso, sentei no banco, respirei fundo e disse:


— Eu só… tô cansada.


A verdade é que eu não estava cansada, eu estava machucada e o pior: dessa vez, ninguém tinha me dado uma entrada violenta dessa vez, quem me quebrou foi o silêncio.


Na saída do treino, Dani me esperou no estacionamento. Ela estava com os olhos vermelhos, parecendo ter chorado o dia inteiro.


— Eu… eu sei que tô sendo uma idiota — começou. — Mas eu não sei como te amar sem destruir tudo ao meu redor.


— Você não precisa destruir nada — respondi. — Só precisa escolher e  ficar.


— Leandro me ameaçou! disse que pode contar tudo.


— Ele não precisa uma hora todo mundo vai perceber.


Ela me encarou com uma dor tão nítida que eu quis abraçá-la.


— Eu não quero te machucar mais, Cris.


— Então para de fugir.


— E se eu não conseguir?


— Eu vou te amar mesmo assim , mas não posso continuar me ferindo sozinha.


Ela assentiu, em silêncio, depois virou de costas e foi embora.


E ali, no meio do asfalto vazio, eu entendi: Às vezes, o amor da nossa vida é também o que mais nos destrói.

 

Fim do capítulo

Publicidade
Conversa

Comentários

0
Este capítulo ainda não recebeu comentários.
Informar violação das regras