Capítulo 43

Capitulo 43

de MEU PRIMEIRO AMOR, por Raquel Santiago

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Yana Kimi

Quando chegamos em casa, Lívia não quis jantar. Ela se sentia cansada. Vendo as marcas no seu pescoço, me senti muito culpada. Lhe ajudei a tomar banho, ela estava bem calada. Me preocupava que seus pensamentos estivessem tomando rumos incertos.

- Vem amor, deita um pouco. - Ela foi até a cama e deitou. Lhe cobri com o edredom. Peguei uma pomada anti inflamatória da gaveta e passei nas marcas roxas em seu pescoço. Dói? - Perguntei.

- Um pouco.

-Tem certeza que não quer ir ao médico?

- Sim Kimi, só preciso dormir um pouco.

- Tudo bem, vou deixar você descansar. - Levantei da cama, mas Liv segurou na minha mão.

- Onde você vai?

- Fazer algumas ligações. Preciso reformar o setor do RH o mais rápido possível.

- Fique comigo, por favor. - Ela estava visivelmente cansada. - O trabalho pode esperar.

- Você tem razão. - Deitei ao seu lado e ela se aninhou nos meus braços.

- Preciso de você. - Ela disse.

- Estou aqui, meu amor.

- Não é isso amor, preciso que esteja mais presente.

- Sei que trabalho muito, me desculpa.

- Eu sei que a empresa precisa de você, mas vamos nos casar em breve. Só queria que você estivesse mais presente nos preparativos. - Ela tocou na minha mão e me olhou.

- Prometo que vou dedicar mais tempo para o casamento, e mais tempo para nós duas. - Beijei a sua testa.

- Não sei o que teria acontecido se você não tivesse chegado a tempo hoje. - Ela estava falando do que Samantha fez. Me sentia envergonhada e culpada por toda aquela situação.

- Eu devia ter lhe escutado. Me sinto mal por ter colocado a sua vida em risco. Não sei o que faria se tivesse acontecido o pior. - Era impossível falar daquilo sem que a minha garganta ficasse seca. - Me desculpa amor, sei que está chateada. Sei que me avisou sobre o caráter da Samantha.

- Está tudo bem, agora ela, Júlio e todos os envolvidos vão pagar pelo que fizeram. Não tinha como você adivinhar o que eles estavam aprontando. É muita coisa para administrar. Não se culpe mais, você já tinha dito que ela seria demitida, isso tudo que aconteceu só revelou o quanto ela não merecia a sua compaixão.

- Do Júlio, eu já esperava qualquer coisa. Devo admitir, que a Samanta é tão venenosa quanto ele, achei que ela era apenas uma oferecida, mas o tempo se encarregou de mostrar as suas verdadeiras intenções. Vou tomar algumas providências para que esse tipo de coisa nunca mais volte a acontecer. Achei que se fosse uma boa administradora, tudo ficaria bem. Mas, agora vejo que ser presidente é bem mais do que isso. Preciso prever muitas situações, não posso mais ser tão ingênua. Esse meu erro quase custou a vida da Cris e a sua. - Era impossível não me emocionar. Quase perdi pessoas que eu amava por conta de uma displicência.

- Estou aqui amor e a Cris já vai ter alta amanhã. Tudo ficou bem. Mesmo que a Samantha e o Júlio tenham tentado roubar a empresa, eles falharam. Tudo não passou de um grande susto. Sei que você vai descobrir uma forma de consertar as coisas. - Minha noiva tinha tanta fé em mim.

- Obrigada por ter ficado comigo durante todo o dia. Foi importante ter você ao meu lado. Tenho certeza que sem você, teria me desesperado. - Beijei levemente os seus lábios. - É nessas horas que me apaixono mais ainda por você. Sei que vai me ajudar na empresa, sei que vai ser uma ótima esposa e sei que vai cuidar muito bem de mim e dos nossos filhos. Assim como eu estou aprendendo a cuidar de você, não quero mais falhar.

- Amor, nós ainda vamos falhar muito. Isso é normal, só precisamos encontrar uma forma de resolver as coisas. - Liv acariciou o meu rosto e me abraçou.

- Obrigada, amor.

- De nada, princesa. Agora, vamos dormir um pouco. Precisamos descansar. Amo você.

- Também te amo.

****************


Quando meu pai chegou em casa contei em detalhes tudo o que tinha acontecido. Ele ficou bastante preocupado, por isso decidiu que ficaria um tempo me ajudando na empresa, até que tudo voltasse ao normal. Passamos o resto da semana contratando pessoas para ajeitar o setor do RH. Alugamos uma outra área para aquele setor, enquanto o antigo estava em reforma. Fizemos algumas reuniões com os chefes de cada área, explicando o que tinha acontecido. Aproveitamos para reforçar a união dos colaboradores e oferecer atendimento para qualquer funcionário que precisasse de ajuda psicológica. Entendia que seria difícil restabelecer o sentimento de segurança no trabalho, quando muitos alí tinham sido afetados pelo incêndio.

No dia do julgamento de Samantha, Júlio e os outros integrantes daquele esquema, fui chamada para testemunhar/depor. Eles ficaram presos, cada um com a sua pena. Mal conseguia olhar para a cara de Júlio, tinha vontade de socá-lo. Mas a justiça se encarregou de punir os seus crimes. Samantha parecia ter se dado conta das consequências de suas escolhas, ela era a única que chorava enquanto recebia a sua sentença. Não me dei o trabalho de sentir pena. Agora sabia que aquela era somente mais uma forma de comover os outros e desviar a atenção do seu péssimo caráter.

Quando voltamos para a empresa, chamei meu pai para conversar. Tinha decidido algumas coisas e precisava que ele entendesse os meus motivos.

- Pai, agora que tudo foi resolvido. Preciso me ausentar um pouco da empresa. Quero focar na minha noiva e nos preparativos para o casamento. Sei que o senhor está viajando e já se aposentou, não quero que se preocupe. Pensei em deixar o Carlos como encarregado. Não vai ser por muito tempo.

- Entendo minha filha, sei que ser presidente toma muito do seu tempo. Confio plenamente nas suas decisões. E concordo que agora seria um bom momento para você descansar um pouco.

- Obrigada por entender. - Sorri para ele.

- Estava conversando com o Diego. Achamos que é melhor eu ficar um tempo aqui. Já viajei bastante, me sinto renovado. Agora só quero participar mais da sua vida. Quero ajudar no casamento também.

- Nossa, estou tão feliz que vou ter o senhor ao meu lado. Estava com tanta saudade.

- Somos uma família, meu amor. Quero que saiba que sempre vou te apoiar. - Seu Roberto me abraçou. Era bom tê-lo ao meu lado. Mesmo que nossos caminhos estivessem diferentes, me sentia feliz em encontrar conforto no seu colo.

- A Lili vai amar quando eu contar pra ela. - Falei empolgada.

- Lívia é a melhor nora que eu poderia ter. Vocês já decidiram onde vão morar? Alugaram o local para o casório? Me conta tudo.

Passei o resto da tarde atualizando o meu pai sobre os preparativos para o casamento e sobre a casa onde eu e Liv decidimos morar.

Lívia Duarte

- Está falando sério, amor? - Pulei empolgada. Kimi me disse que tiraria a tarde de folga e que iríamos sair.

- Sim, Lili. As 14hs vou pegar você. Use calça e uma jaqueta.

- Pra onde vamos? - Fiquei curiosa.

- É surpresa.

- Tudo bem, não demore. Daqui a pouco estarei pronta. Beijos.

- Beijos, amor.

Desliguei a ligação e fui me arrumar, coloquei uma calça jeans preta, uma camisa lilás e uma jaqueta preta. Não sabia o que minha noiva estava aprontando, mas não me importava. Só queria passar um tempo com ela. Depois do incêndio na sua empresa, essa era a primeira vez que saíamos em um encontro. Claro que dormimos juntas todas as noites, mas estava ansiosa para passar mais tempo com ela. Nosso casamento aconteceria daqui dois meses e estávamos precisando de um momento para relaxar e se divertir.

Quando Kimi chegou, fiquei surpresa  ao constatar que ela estava dirigindo uma moto. Lembro de ter visto o veículo em sua garagem, mas nunca a vi pilotando. Admito que ela estava absurdamente sexy em cima da moto.

- Oi amor. - Kimi desceu da moto e veio até mim. Ela me beijou apaixonadamente. - Senti a sua falta

- Oi princesa, eu também estou com saudades. - Repousei minhas mãos em seu pescoço e lhe puxei para um abraço apertado. - Vamos de moto? - Sussurrei empolgada.

- Sim, gostou? É uma BMW R1250.

- Ela é linda, posso pilotar?

- Pode sim, mas como você não sabe pra onde vamos. Deixo você dirigir na volta. Pode ser?

- Posso concordar com isso. - Falei sorrindo.

- Então vamos, quero chegar antes do pôr-do-sol. - Ela colocou o seu capacete e me ajudou a colocar o meu. A moto era alta e Kimi teve que me ajudar a subir.

Agarrei na sua cintura e saímos rumo ao desconhecido. Pelo menos, era desconhecido pra mim. Me sentia cheia de energia, e aproveitei cada minuto da viagem. Depois de um tempo percebi que o lugar era um pouco longe. O caminho foi se tornando familiar. As árvores altas e a estrada  rochosa confirmaram as minhas suspeitas. Estávamos indo para o Pico da bandeira. Já estivemos aqui antes, há alguns anos atrás. Quando fomos visitar a casa do meu pai. Sorri com as recordações e segurei mais firmemente na cintura de Kimi.

- Só conseguimos ir de moto até aqui, mas já está perto. - Kimi me ajudou a descer.

- É tão bom voltar aqui. Aquele dia foi divertido. - Falei.

- Que bom que lembrou. - Minha noiva segurou em minha mão. Ela estava carregando uma sexta de piquenique na outra.

- Lembro de tudo que fizemos juntas. - Ela sorriu de orelha a orelha quando falei aquilo.

Caminhamos por alguns minutos até chegarmos em um local mais reservado da montanha. A vista era de tirar o fôlego. Kimi colocou uma toalha no chão e colocou alguns petiscos em cima. Ela tinha pensado em tudo. Sentei entre as suas pernas e apoiei minha cabeça no seu ombro.

- Aqui é tão lindo. - Comentei.

- É mesmo. Queria trazer você aqui de novo. Esse lugar me trás boas recordações. Sabia que naquela época eu fingia que éramos um casal? Aquele final de semana foi maravilhoso, e tudo que eu fiz foi esquecer de todo o resto e idealizar que estávamos namorando.

Sua confissão me surpreendeu.

- Desculpa ter demorado tanto para entender os meus sentimentos. Queria ter percebido os seus sentimentos por mim antes.

- Eu ia me declarar pra você. Tinha decidido, depois da nossa pequena aventura. Comprei nossos colares. - Kimi tocou no meu cordão. - E no seu aniversário iria confessar tudo.

- Mas eu estraguei tudo. Lembro bem como reagi quando você me perguntou se eu ficaria com uma mulher. O conhecimento que eu tinha de mim mesma era o mesmo que nada. Olho pra trás e me sinto muito idiota por tudo que disse. Me desculpa.

- Eu entendo amor, também passei pelo processo de aceitação. Procuro enxergar cada parte da nossa jornada como um processo necessário para chegar a onde estamos hoje. Pode ter certeza, se eu soubesse que no futuro você aceitaria ser minha esposa, eu faria tudo de novo.

- Obrigada por não ter desistido de mim. - Falei.

- Nada disso, obrigada a você por não ter desistido de mim. Não esqueça que fui uma idiota com você.

- Quando entendi que te amava, foi automático para mim te esperar. Mesmo que demorasse muito tempo, continuaria insistindo até que você voltasse a me amar também. - Aquilo era a mais pura verdade.

- Nunca deixei de te amar. Me sinto a mulher mais sortuda desse mundo. Você é a minha melhor amiga, é a minha pessoa em todos os sentidos e logo vai se tornar a minha esposa. Eu te amo muito Liv.

Suas palavras me deixaram emocionada, tentei conter as lágrimas, mas só conseguia pensar em tudo que passamos para chegar até aqui. O quanto crescemos e amadurecemos.

- Eu te amo, você sempre foi a melhor parte de mim. - Disse e beijei os seus lábios com vontade e paixão. Nunca mais queria ficar longe dela.

Aproveitamos muito aquela tarde. Tiramos muitas fotos, estava feliz por registrar mais um capítulo da nossa história de amor. Tivemos a sorte de assistir o por-do-sol. E na volta para casa, como prometido eu pilotei a moto. Não podia pedir um encontro melhor. Tinha plena certeza que Kimi era o meu encaixe perfeito. 

 

Fim do capítulo

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Conversa

Comentários

1
M

Mmila

28/11/2024 às 01:48

Ah o amor!

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